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Sexta-feira, 30/1/2009
Digestivo nº 400
Julio Daio Borges

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Internet >>> Surf Hype, o maior blogueiro de São Paulo
Ter Robert Altman como cineasta hoje em dia é um luxo só. O homem não dá a mínima para coisas como a “viabilidade comercial” de seus filmes; despreza solenemente o público (que majoritariamente não o entende); persiste num ideal de “independência artística” (suicida e acintosa, ante a política dos grandes estúdios). Sobrevive graças à condescendência da indústria; a mais absoluta veneração da classe artística; o deslumbrar premeditado dos críticos; a curiosidade mórbida da audiência (que não cansa de se ver ridicularizada na tela grande). Essa aparente tranqüilidade, e até uma certa bonomia (que o permite produzir), terminaram conduzindo-o ao mar da acomodação. “Gosford Park” persiste no virtuosismo estético, na máxima de que Deus está nos detalhes, e na maestria do “timing”. Mas não vai além. É um mero exercício de estilo. Uma prova de que o velho capitão ainda continua no vigor de suas habilidades. Não convence, porém, aqueles que esperavam dele um passo adiante. Sim, são boas as tiradas sobre os ingleses (esnobes) e os americanos (mundanos). Claro, o diretor espreme o “cast”, extraindo de cada qual performances memoráveis (de quinze minutos cada). E, óbvio, a trama se fecha engenhosamente (apesar de desandar do meio para o final). “Gosford Park”, enfim, não compromete. Ao mesmo tempo, não acrescenta nada à cinematografia de Robert Altman. Ironicamente – ou não – conceder-lhe-á um Oscar. [2 Comentário(s)]
>>> Surf Hype, o maior blogueiro de São Paulo
 



Imprensa >>> A Democracia Traída, de Raymundo Faoro
Ter Robert Altman como cineasta hoje em dia é um luxo só. O homem não dá a mínima para coisas como a “viabilidade comercial” de seus filmes; despreza solenemente o público (que majoritariamente não o entende); persiste num ideal de “independência artística” (suicida e acintosa, ante a política dos grandes estúdios). Sobrevive graças à condescendência da indústria; a mais absoluta veneração da classe artística; o deslumbrar premeditado dos críticos; a curiosidade mórbida da audiência (que não cansa de se ver ridicularizada na tela grande). Essa aparente tranqüilidade, e até uma certa bonomia (que o permite produzir), terminaram conduzindo-o ao mar da acomodação. “Gosford Park” persiste no virtuosismo estético, na máxima de que Deus está nos detalhes, e na maestria do “timing”. Mas não vai além. É um mero exercício de estilo. Uma prova de que o velho capitão ainda continua no vigor de suas habilidades. Não convence, porém, aqueles que esperavam dele um passo adiante. Sim, são boas as tiradas sobre os ingleses (esnobes) e os americanos (mundanos). Claro, o diretor espreme o “cast”, extraindo de cada qual performances memoráveis (de quinze minutos cada). E, óbvio, a trama se fecha engenhosamente (apesar de desandar do meio para o final). “Gosford Park”, enfim, não compromete. Ao mesmo tempo, não acrescenta nada à cinematografia de Robert Altman. Ironicamente – ou não – conceder-lhe-á um Oscar. [1 Comentário(s)]
>>> A Democracia Traída
 



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Ter Robert Altman como cineasta hoje em dia é um luxo só. O homem não dá a mínima para coisas como a “viabilidade comercial” de seus filmes; despreza solenemente o público (que majoritariamente não o entende); persiste num ideal de “independência artística” (suicida e acintosa, ante a política dos grandes estúdios). Sobrevive graças à condescendência da indústria; a mais absoluta veneração da classe artística; o deslumbrar premeditado dos críticos; a curiosidade mórbida da audiência (que não cansa de se ver ridicularizada na tela grande). Essa aparente tranqüilidade, e até uma certa bonomia (que o permite produzir), terminaram conduzindo-o ao mar da acomodação. “Gosford Park” persiste no virtuosismo estético, na máxima de que Deus está nos detalhes, e na maestria do “timing”. Mas não vai além. É um mero exercício de estilo. Uma prova de que o velho capitão ainda continua no vigor de suas habilidades. Não convence, porém, aqueles que esperavam dele um passo adiante. Sim, são boas as tiradas sobre os ingleses (esnobes) e os americanos (mundanos). Claro, o diretor espreme o “cast”, extraindo de cada qual performances memoráveis (de quinze minutos cada). E, óbvio, a trama se fecha engenhosamente (apesar de desandar do meio para o final). “Gosford Park”, enfim, não compromete. Ao mesmo tempo, não acrescenta nada à cinematografia de Robert Altman. Ironicamente – ou não – conceder-lhe-á um Oscar. [1 Comentário(s)]
>>> São Paulo, 455 anos
 

 
Julio Daio Borges
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