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DIGESTIVOS

Sexta-feira, 4/12/2009
Digestivo nº 443
Julio Daio Borges
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Imprensa >>> Murdoch versus Google
Desde que os jornais começaram a morrer nos Estados Unidos, a acusação mais frequente contra o Google tem sido a de que o gigante da internet “monetiza” suas buscas em cima do conteúdo de empresas jornalísticas. Isso se alguém considerar que citar um trecho de uma página da Web, associado a determinadas palavras-chave, com eventuais anúncios, seja algo próximo de... pirataria. A verdade é que a WWW esteve aberta para todos os experimentos, desde sempre, mas o Google encontrou uma forma de ganhar rios de dinheiro, que a grande imprensa não encontrou – e agora os perdedores, obviamente, se sentem lesados... O último capítulo dessa alardeada briga pode: ou mudar os rumos da veiculação de conteúdo na internet; ou acabar num acordo entre cavalheiros e não alterar nada. O fato é que Rupert Murdoch, o magnata da News Corp. – que já criticou os jornalistas antes, em favor do mundo on-line –, vem ameaçando fechar o conteúdo de seus jornais, porque a “farra” de consumir informação de graça, na WWW, vem corroendo seu modelo de negócio. Se isso era uma indireta para o Google, a empresa não se manifestou. Foi, então, que Jason Calacanis – pai do Weblogs, Inc., hoje desenvolvendo o Mahalo – “ventilou”, de graça, em seu videocast, uma ideia para Mudorch. Jason disse que, se fosse o magnata australiano, proibiria o Google de “indexar” seu conteúdo e, ao mesmo tempo, se aproximaria da Microsoft, oferecendo exclusividade ao seu serviço de busca – que fechou recente acordo com o Yahoo! –, o Bing. Pois, não passou muito tempo e o New York Times noticiou que a empresa de Bill Gates e a News Corp. deram início a “conversações”, para um possível acordo nesse sentido. Jason, em sua fala original, ia além: conclamava outras grandes empresas jornalísticas a fazer o mesmo e apostava que, se isso acontecesse, seria um “momento histórico” (para o bem e para o mal). Desde o fim de novembro, o Twitter, os blogs e mesmo o mainstream media discutem os impactos de uma associação Murdoch-Microsoft. Entre as mais variadas hipóteses e os cansativos “especialistas em social media”, Seth Godin, o guru da publicidade na internet, foi o mais certeiro até o momento: “Você nunca cobra, de uma mecanismo de busca, para que ele desvie tráfego para as suas páginas, você o paga. E se você está no negócio de mídia e não consegue mais chamar a atenção do seu público, você deveria mudar de ramo. Cobrar para obter atenção possivelmente não te trará nenhum dinheiro, nem atenção”. “Rupert Mudoch entendeu tudo errado”, Seth Godin proclama. Será? [3 Comentário(s)] [Encaminhe esta Nota]
>>> News Corp. Weighs an Exclusive Alliance With Bing
 



Música >>> A vida até parece uma festa, o filme em DVD
Se na biografia A vida até parece uma festa (2003), os Titãs pareciam querer ser levados a sério, no documentário de Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves, vence o escracho, a eterna adolescência e a edição frenética. Tirando algumas performances e poucas curiosidades de bastidores, as filmagens guardam um valor, possivelmente, sentimental, mas não há consenso em dizer que mereciam ser conhecidas pelo grande público. Vale, por exemplo, a primeira aparição televisiva de “metade” dos Titãs, num programa de calouros, onde um dos jurados era ninguém menos que Wilson Simonal. Valem, igualmente, as cenas de estúdio durante as gravações de um disco antológico como Jesus não tem dentes no país dos banguelas (1987). Vale, ainda, a redescoberta de Mauro e Quitéria, repentistas de Pernambuco, que abrem Õ blésq blom (1989), e que, no filme, concedem uma entrevista macarrônica. Entre as conclusões, fica comprovado que a saída de Arnaldo Antunes desorientou o grupo, levando-o do grunge ao hit parade, de Jack Endino a Roberto Carlos, da suposta vanguarda roqueira ao populismo da Globo. Também fica evidente que Nando Reis fez um ótimo negócio, ao sair logo em seguida, embrenhando-se pela MPB, desenvolvendo-se como músico, ganhando (e perdendo) uma musa. E Marcelo Fromer, mesmo que não parecesse o mais brilhante do octeto, tinha um poder de aglutinação; e sua morte parece ter desestruturado, mais ainda, os Titãs nos anos 2000... É, a longevidade não parece ser o forte dos astros do rock brasileiro. A Legião Urbana teve a “sorte” de perder seu líder, antes que ele se perdesse, irreversivelmente, no pop brega italiano. Os Paralamas se acidentaram, mas – ao contrário do que prega a sabedoria “legionária” – insistiram em continuar. Lobão se embrenhou pelo “samba”, “combateu” as gravadoras, rendeu-se ao “acústico”, mas suas realizações em disco têm sido ainda menores que em televisão. Leo Jaime reina, como Momo, no Orkut. Lulu Santos canta para João Dória Júnior. E Paula Toller ataca, vergonhosamente, de “Fly me to the moon”... Enfim, o ocaso dos Titãs não é privilégio deles, e todo e qualquer documentário, sobre ícones dos anos 80, acabaria da mesma forma: sem happy ending. [Comente esta Nota] [Encaminhe esta Nota]
>>> A vida até parece uma festa
 



Gastronomia >>> Paulistânia, a mais nova cerveja do Brasil
Quem conhece cerveja, sabe que a Bier & Wein sempre esteve na vanguarda no setor de bebidas. Como importadora, introduziu – antes das, hoje, maiores cervejarias do mundo – as chamadas “cervejas especiais” no nosso País. Quem não se lembra, neste momento, da Erdinger, a portentosa cerveja de trigo? Que, além de ser um produto inigualável, fez uso de um marketing diferente, evitando apelação, associando-se à boa música, escolhendo canais inteligentes, fugindo das mesmice televisiva? E quem não se lembra, agora, da Warsteiner, que teve a sua noite de gala, apostou na fidelidade do público e no bom senso de seus parceiros comerciais? Pois a Bier & Wein não ficou parada no tempo e decidiu inovar, em 2009, criando nada mais nada menos que uma cerveja própria. É a Paulistânia, que, segundo o diretor Marcelo Stein, “nasce de um sonho” e de um desejo acalentado por mais de uma década. Há mais de um ano e meio, a nova cerveja foi concebida, desde o malte lager premium até o slogan: “Um brinde a todas as cidades – da cidade de todos”. Partindo de lúpulos exclusivos – tomando cuidado, portanto, desde as matérias-primas – até chegar em rótulos visualmente ricos, com fotos da São Paulo antiga, e “bolachas” divulgando curiosidades e dicas da megalópole. A intenção é homenagear outras capitais do Brasil, ao longo dos anos. A capital paulista foi inicialmente escolhida por sua diversidade cultural, seu caráter acolhedor e por ser um símbolo para o País conhecido pela enriquecedora mistura de raças. Fora que a Paulistânia vem sendo produzida, sob licença, no interior do estado de São Paulo (mais precisamente, em Cândido Mota), pela cervejaria Casa Di Conti, pertencente ao grupo Contini. E a Paulistânia, assim como a Erdinger e a Warsteiner, teve igualmente o seu grande dia, num fim de tarde, no Terraço Itália. Em meio a discursos emocionados de toda a equipe da Bier & Wein, e seus parceiros na criação da nova cerveja, um grupo seleto de formadores de opinião pôde conhecer tanto o aroma “lupulado” e fresco quanto o paladar seco e de um amargor harmonioso. Nascia mais uma cerveja, num dos marcos da cidade, para o Brasil. Oxalá a Paulistânia inaugure a era das grandes cervejas globais – e não só das grandes cervejarias – do nosso País! [Comente esta Nota] [Encaminhe esta Nota]
>>> Bier & Wein
 

 
Julio Daio Borges
Editor

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