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Segunda-feira, 30/8/2004
Il Cimento dell’armonia e dell’invenzione

Julio Daio Borges




Digestivo nº 190 >>> O intimismo de solistas de câmara a princípio parece não combinar com a imensidão e a grandiosidade da Sala São Paulo. É apenas uma impressão falsa, no entanto. Sua acústica, perfeita, potencializa as notas mais ínfimas e os escorregões mais suaves. A Sala São Paulo amplifica tudo. E graças a esse efeito, pôde-se apreciar o amplo leque de compositores apresentados pela Kammersolisten Augsburg, da Alemanha, dentro da temporada 2004 do Mozarteum Brasileiro, em meados de agosto. Antes do intervalo, o conjunto retrocedeu ao barroco e apresentou uma interpretação das “Quatro Estações”, de Vivaldi, que está certamente entre uma das mais apuradas que a Sala já ouviu. O público não conseguia se conter, e aplaudia entre todos os movimentos da “Primavera” e do “Inverno”, a ponto de se desencontrar em meio às palmas daqueles que sabiam a hora certa. Dvorák, geralmente um autor desconhecido no Brasil, cujo nome a maioria não sabe nem pronunciar, emocionou com sua “Serenata op. 22” – ao mesmo tempo longa e na medida certa. O lirismo era tanto, em certo ponto, que alguém sugeriu um plágio por parte de Fellini, mais precisamente Nino Rota, cujo tema de “La strada” é parecidíssimo com o mesmo desenvolvido, em certa medida, por Dvorák. Approposito, como diria Mozart, os solistas estiveram brilhantes; a julgar pelas “performances” de Hardy Wenzel e Heidrun Sandmann, fora outras em meses anteriores, este ano parece ser realmente o do violino no Mozarteum. Os “performers” vêm se superando uns aos outros. E por falar em “show”, Babette Haag, a percursionista, ficou por conta do inusitado, ao executar “solo” o concerto de Ney Rosauro para cordas e marimba. Deu um banho de virtuosismo, alternando-se ora entre 2, ora entre 4 baquetas. Tudo bem que é mais o tipo de peça que causa muito mais prazer ao executante do que ao ouvinte. Mas foi inegavelmente agradável presenciar uma musicista tão entusiasmada com seu ofício, em plena audição para o público. Que, portanto, o espírito da Kammersolisten Augsburg contamine as demais apresentações. Pois, concertos assim, sozinhos, já valem a temporada.
>>> Mozarteum Brasileiro
 
>>> Julio Daio Borges
Editor
 

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