Quarta-feira,
3/3/2010 A Arte de Meditar, de Matthieu Ricard Julio
Daio Borges
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Digestivo nº 456 >>>
Um dos maiores imperativos dos últimos tempos, em conversas sobre administração (do que quer que seja), é “tenha foco”. Pessoas “desfocadas” – não confundir com o personagem de Woody Allen – geralmente atiram em todas as direções e não acertam em quase nada. Ter “foco” significa, além de persistir, ter um objetivo claro em mente e não ceder às distrações de cada momento. No mundo do Twitter, isso parece quase uma impossibilidade filosófica – mas existe uma saída. Por incrível que pareça, chama-se meditação. Meditar não é levitar, andar sobre as águas ou tentar mover uma montanha com a força do pensamento. Também não é uma religião. É, na falta de melhores palavras, a prática da concentração. Quem medita, não fica num esforço inútil olhando para o nada e, milagrosamente, chegando a grandes conclusões. Simplesmente aprende a se concentrar num objetivo; ou – no modo mais avançando – a se concentrar na própria concentração. E o exercício diário da meditação traz benefícios para outras situações de “não-meditação”. No trabalho, por exemplo. Quando é preciso mudar de uma tarefa para outra, e entrar rápido num outro assunto, concentrar-se nele, resolver o problema e passar à próxima atividade. No trânsito. Quando alguém te xinga e você, respirando fundo, evita bater seu carro, perseguir o agressor ou, até mesmo, xingá-lo de volta. Nos relacionamentos. Quando você consegue olhar a situação “de fora”. E tomar uma decisão mais objetiva, mais ancorada na realidade – menos pessoal, menos baseada em suposições... Claro, a meditação também serve para valorizar a vida, para aproveitar, melhor, cada segundo e para exercitar a compaixão. Mas nem todo mundo quer virar o Dalai Lama. Para quem não quer – ou não pode – virar monge, a editora Globo lançou A Arte de Meditar. Não é autoajuda e não é filosofia barata. É um guia prático, e rápido, para quem quer se exercitar – digamos assim – na própria concentração. Quem escreveu foi Matthieu Ricard, o embaixador do budismo na França, mas não se trata de um guru com mensagens vazias ou abstrusas – A Arte de Meditar foi escrito para pessoas como nós. Afinal, o Twitter pode nos salvar – e nos matar também...
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