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Quarta-feira, 12/10/2011
8º Cordas na Mantiqueira, em São Francisco Xavier
Julio Daio Borges

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Digestivo nº 483 >>> “Melhor do mundo, melhor do mundo”, gabava-se Ed Motta, ao dividir o palco ― quem sabe, a primeira vez? ― com Guinga. No final dos anos 90, o lendário violonista recém saía do ostracismo, graças à iniciativa da gravadora Velas, de Ivan Lins e Vitor Martins, criada com uma única missão: gravar Guinga. Ed Motta não era Paco de Lucia ― que, quando conheceu Raphael Rabello, aos 13 anos, disparou: “Você é o melhor do mundo” ―, mas vinha de uma descoberta pessoal, da música brasileira, depois de uma temporada fora do Brasil, nos mesmos anos 90. Guinga havia lançado seu terceiro disco em nova fase, Suíte Leopoldina, que, além de Ed Motta (na sua melhor fase aliás), tinha, ainda, Lenine (igualmente na sua melhor fase, pré-Cambaio). E quem esteve no Sesc Vila Mariana, na passagem daquela turnê, presenciou Ed Motta e Lenine dividindo as estrofes do “Saci”, de Guinga. De lá pra cá, além de “melhor do mundo”, Guinga se converteu numa espécie de “eminência parda” do violão brasileiro. Quando apresentado a um jovem e virtuoso Yamandú Costa, por exemplo, Guinga teria aconselhado: “Nunca queira ser maior que a música”. Pois foi essa lenda viva, esse verdadeiro embaixador do violão brasileiro ― mais ainda depois do passamento de Baden Powell ― que subiu ao palco do 8º Cordas na Mantiqueira, no Photozofia Café & Cozinha, em São Francisco Xavier. Apesar de tudo isso, foi um dos artistas que menos deu trabalho à produção do Photozofia, desdobrando-se em elogios aos donos da casa, idealizadores e realizadores do festival, Sandro e Patricia. Desta vez, Guinga vinha de um giro fora do Brasil e se sentia pessoalmente tocado pelo calor humano, de uma plateia quase intima, e especialíssima. Como se não bastasse a sua correta apresentação solo, juntou-se, posteriormente, a Luis Felipe Gama e João Paulo Amaral, depois da apresentação destes, mais a cantora Ana Luiza. Neste ano, o Cordas na Mantiqueira contou com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo e transcendeu o mesmo Photozofia, incluindo show de encerramento, em praça pública, nos dias 24 e 25 de setembro, em parceria com a Fundação Cultural Cassano Ricardo. Pelos palcos do 8º Cordas, passaram, além do “Chico Buarque do violão brasileiro”, outras lendas como Toninho Horta, e outras estrelas da galáxia da música brasileira, como Renato Martins, o percussionista incorporado ao Cirque du Soleil, e Ulisses Rocha, do histórico Grupo D'Alma. Também brilharam a baixista Yusa, “con su latinidad”, o Grupo Dharma, reunido especialmente, após 20 anos sem gravar, Braz da Viola, nas oficinas do festival, e a Orquestrinha São Xico, com onze crianças de SFX, sob regência do mesmo Braz. Num tempo de outros “festivais” completamente descaracterizados, e da mesmice, dos cadernos culturais, sempre em cima dos mesmos “grandes nomes” das velhas gravadoras, é revigorante e inspirador encontrar uma programação, uma plateia e um resultado como os do Cordas na Mantiqueira, provando que a alma brasileira, e que a alma da própria música, continuam vivas nos corações de quem ama.
>>> 8º Cordas na Mantiqueira
 
Julio Daio Borges
Editor

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