Cartas de Kafka a Felice Bauer, por Elias Canetti | Digestivo Cultural

busca | avançada
81485 visitas/dia
1,7 milhão/mês
Digestivo Cultural
O que é?
Quem faz?

Audiência e Anúncios
Quem acessa?
Como anunciar?

Colaboração e Divulgação
Como publicar?
Como divulgar?

Newsletter | Disparo
* RSS, Twitter e Facebook
Últimas Notas
>>> Eu Maior, o filme de Fernando, Paulo e Marco Schultz e Andre Melman
>>> Diálogos de Platão, pela editora da Universidade Federal do Pará
>>> Porta dos Fundos
>>> Os Enamoramentos, de Javier Marías
>>> One Click, a História da Amazon, de Richard L. Brandt
>>> Amores & Arte de Amar, de Ovídio
>>> Gonzaga - De Pai pra Filho, de Breno Silveira
>>> Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade
Temas
Mais Recentes
>>> Todas as Tardes, Escondido, Eu a Contemplo
>>> Família e Maldade
>>> O Corno em Série
>>> A Cidade do Improvável
>>> Um Lugar para Fugir Antes de Morrer
>>> O goleiro que ganhou o Nobel
>>> O Amor é Sexualmente Transmissível
>>> Na minha internet foi assim, e na sua?
>>> Um livro canibal
>>> Toda poesia de Paulo Leminski
Colunistas
Mais Recentes
>>> Millôr Fernandes
>>> Daniel Piza (1970-2011)
>>> Steve Jobs (1955-2011)
>>> 11/9: Dez Anos Depois
>>> Séries de TV
>>> Discoteca Básica
Últimos Posts
>>> The Doors Live at The Bowl 68
>>> The Doors com Eddie Vedder
>>> Ricardo Lindemann #EuMaior
>>> AnaE lança novo livro em SP
>>> Professor Hermógenes #EuMaior
>>> Waldemar Falcão #EuMaior
>>> Barbara Abramo #EuMaior
>>> O turista cinéfilo
>>> Flávio Gikovate #EuMaior
>>> Vanete Almeida #EuMaior
Mais Recentes
>>> Sergio Britto & eu
>>> Para o Daniel Piza. De uma leitora
>>> Joey e Johnny Ramone
>>> A Cultura do Consenso
>>> De Kooning em retrospectiva
>>> Delírios da baixa gastronomia
>>> Jane Fonda em biografia definitiva
>>> Psicodelia para Principiantes
Mais Recentes
>>> Luis Salvatore
>>> Catarse
>>> Chico Pinheiro
>>> Sheila Leirner
>>> Guilherme Fiuza
>>> Antonio Henrique Amaral
Mais Recentes
>>> 40 mil seguidores no Twitter
>>> Comentários via Facebook
>>> Obrigado, Daniel Piza
>>> Seção Mais Acessados
>>> Digestivo no Facebook
>>> Você no Twitter do Digestivo
Mais Recentes
>>> Eles foram para Petrópolis, de Ivan Lessa e Mario Sergio Conti
>>> 1964: entre o passado e o futuro
>>> Que Falta ele Faz!, de Elizabeth Lorenzotti
>>> O Livro Completo dos Maçons
>>> O Compasso e a Cruz
>>> 1942 - O Brasil e sua Guerra Quase Desconhecida
>>> Revolução e Niilismo
>>> O Destino do Tigre
>>> Revolução e Niilismo
>>> Viciados em Internet?
Mais Recentes
>>> Papo com Valdeck A. de Jesus
>>> Papo com Valdeck A. de Jesus
>>> Papo com Valdeck A. de Jesus
>>> Papo com Valdeck A. de Jesus
>>> Olga e a história que não deve ser esquecida
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Quem é (e o que faz) Julio Daio Borges
>>> A teoria do caos
>>> Outsider: quem não se enquadra
>>> A fragilidade dos laços humanos
Mais Recentes
>>> 24 de maio - Dia do Vestibulando
>>> 11ª Fantástica Jornada Noite Adentro
>>> Estreia da banda Dardos e Caramelos acontece no Matriz & Filial
>>> O ortopedista do Hospital VITA Batel e vice-presidente médico do Coritiba, Lucio Ernlund, esteve em
>>> Torcida alemã vai acompanhar final da Liga dos Campeões da Europa no Schwarzwald, em Curitiba
>>> ESPM-SP realiza vestibular de inverno 2013 em Campo Grande
>>> Banda Lilith é atração semanal no Bar Santa Marta
>>> COMUNICADO - Acesso da Imprensa ao Hotel Deville Salvador
>>> VITA Batel promove palestra gratuita sobre cuidados com a pele
>>> Leitura de 'Bonitinha, mas ordinária' na CAL
DIGESTIVOS >>> Notas >>> Literatura

Quarta-feira, 21/3/2012
Cartas de Kafka a Felice Bauer, por Elias Canetti
Julio Daio Borges

+ de 5900 Acessos
+ 1 Comentário(s)




Digestivo nº 486 >>> De toda a produção de Kafka, que a Companhia das Letras publicou em tradução primorosa de Modesto Carone, faltaram apenas os diários e as cartas. Perto de romances como O Processo, novelas como A Metamorfose e contos como Na Colônia Penal, as cartas e os diários podem soar menos importantes, mas não são. E uma amostra disso é a análise que Elias Canetti, romancista de Auto de Fé, faz da correspondência entre Kafka e sua noiva Felice Bauer, na colêtanea A Consciência das Palavras, editada agora pela Companhia de Bolso. O ensaio tem como subtítulo, justamente, "Cartas de Kafka a Felice", mas se denomina, mui apropriadamente, "O Outro Processo". Canetti, naturalmente, se refere àquele Processo (com letra maiúscula e em itálico), demonstrando, na sua argumentação, que a ideia da obra-prima se desenvolve ao longo do relacionamento entre Franz e Felice. Kafka a conhece por intermédio de Max Brod, seu amigo e futuro testamenteiro. (Aquele a quem, Kafka, no leito de morte, solicitou que ateasse fogo a suas obras. Borges diria, posteriormente, que se Kafka realmente quisesse dar fim a seu espólio, teria ele próprio queimado...) Enfim, Max era o jovem poeta da família Brod, de quem seus parentes sentiam orgulho, valorizando seus amigos escritores e sua literatura ― um acolhimento que Kafka, por exemplo, não encontrava em sua casa (vide a Carta ao Pai). Numa reunião nos Brod, Franz e Felice são apresentados e, através de cartas, estreitam relacionamento. Como raramente estariam na mesma cidade, o romance epistolar ganha força, ainda mais para alguém como Kafka. Isolado fanático, confessaria a Felice que não gostava de seus parentes não por serem, justamente, "parentes", nem por considerá-los pessoas "más", "senão simplesmente porque são os seres humanos que vivem mais perto de mim". Kafka era um escritor vocacional, um dos maiores do século XX, para quem "não há nunca suficiente solidão ao redor de quem escreve". Completando que "jamais o silêncio em torno de quem escreve será excessivo". E concluindo que "não pode jamais haver a nosso dispor o tempo adequado". Por meio desses trechos não é difícil imaginar que o romance entre Franz e Felice não iria prosperar, dada a incapacidade dele em se relacionar. Ainda Kafka: "Não posso viver em companhia de outras pessoas". Mesmo assim, decidem se casar e marcam o noivado. Um acidente de percurso, no entanto, põe tudo a perder: Grete Block, uma amiga de Felice, com quem Franz se envolve ― igualmente, de forma epistolar ―, e que, insegura, revela tudo à noiva (depois da solenidade). Kafka, após o evento social que, como misantropo, havia lhe custado tanto, acaba confrontado pela família de Felice, e o noivado é arruinado. Sobre o evento, anota no diário: "Estava atado como um criminoso. Se me tivessem atirado num canto, com autênticas correntes, roeado por guardas, para que só assim avistasse o que acontecia, não teria sido pior. E [pensar que] isso eram meus esponsais!". O rompimento se dá em julho de 1914. Em agosto, O Processo tem sua redação iniciada. Canetti, aproximando os fatos, é categórico: "Logo no primeiro capítulo, o noivado converte-se na detenção". Já o "tribunal" ― da família de Felice, por quem Kafka se sentia condenado ― "ressurge no último capítulo, sob a forma de execução". E a história não poderia se manter fiel sem Grete Block, o fruto da discórdia, que é incluída no romance como a "senhorita Bürstner", por quem "K.", o famoso personagem, sente uma atração fatal. O mais estranho de tudo, porém, é que Franz e Felice, passado o devido tempo, voltam a se relacionar. Eclode a Primeira Guerra Mundial, Kafka quer participar dela, mas, como não está apto, faz renovados planos, a fim de que se unam após o término do confronto: "Nosso acordo, em poucas palavras: casamento depois do fim da guerra; alugar duas ou três peças num subúrbio de Berlim; deixar nas mãos de cada um de nós a solução de seus próprios problemas econômicos." Para quem conhece a história, nem é preciso dizer que o casamento não seguiu adiante. Os noivos desfrutariam de intimidade, antes das bodas, mas Kafka jamais se sentiria apto: "Creio realmente estar perdido para a convivência com seres humanos". Elias Canetti nos relembra que o autor de obras tão intrigantes conseguiu ser tão (ou mais) complicado do que as próprias, fascinando leitores até hoje (quase 100 anos depois). Resta-nos engrossar o coro para que Modesto Carone verta, para o nosso idioma, o que falta de Kafka: os diários e as cartas ;-)
>>> A Consciência das Palavras
 
Julio Daio Borges
Editor

Mais Notas Recentes
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
21/2/2013
09h51min
Este post já tem quase um ano, mas vale a pena dizer que a correspondência de Kafka deu origem ao romance epistolar "Querido Franz", da polonesa Anna Bolecka - ed. Record, tradução de Tomasz Barcinski, 2002.
[Leia outros Comentários de Marcelo Lopes]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.

Intrínseca
Editora Perspectiva
Companhia das Letras
Nova Fronteira
Cortez Editora
Hedra
Editora Conteúdo
WMF Martins Fontes
José Olympio
Editora Francis
Best Seller
Civilização Brasileira
Globo Livros
MercadoLivre
Bertrand Brasil
Madras Editora
Editora Record
LIVROS


NOVE ENSAIOS DANTESCOS E A MEMÓRIA DE SKAKESPEARE


DIÁRIO DE UM BANANA - FAÇA VOCÊ MESMO


A CHAVE DO MAR


HISTÓRIA DA IMPRENSA NO BRASIL


O CAMINHO DO MEIO


A CRISE DAS CIÊNCIAS HUMANAS


RÉQUIEM


O PODER DA ENERGIA


HALO PRIMORDIUM - A SAGA DOS FORERUNNERS


ALGUÉM PARA AMAR


O COLAPSO DE TUDO


FREUD BÁSICO


CRÔNICAS DOS SENHORES DE CASTELO 2 - EFEITO MANTICORE


O DIÁRIO DE SUZANA PARA NICOLAS


O FIO


busca | avançada
81485 visitas/dia
1,7 milhão/mês