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Quarta-feira, 18/4/2012
A Different Kind of Truth, by Van Halen
Julio Daio Borges

+ de 8200 Acessos
+ 1 Comentário(s)




Digestivo nº 487 >>> A novela do Van Halen já durava mais de dez anos. Desde o fracassado Van Halen III (1998), com Gary Cherone, a banda parecia ter pedido o rumo, para nunca mais voltar. Vale rememorar os problemas pessoais de Eddie Van Halen, nesse intervalo, com o alcoolismo, recorrente, e com o câncer (novidade). Portanto, A Different Kind of Truth, a volta em estúdio com David Lee Roth, desde 1984, é mais que uma superação, é um triunfo. É também verdade que, desde a saída de Sammy Hagar (depois de Balance, 1995), os irmãos Van Halen já haviam ensaiado seus passos com Dave Lee Roth, gravando duas faixas, para o The Best of - Volume I (de 1996), ainda com Michael Anthony no baixo. "Can't Get This Stuff No More" tem uma boa levada, mas soa hesitante, como numa dolorosa reaproximação. E "Me Wise Magic" quer passar um tom de malícia, e de intimidade, tem até um bom refrão, mas alguma coisa parece falhar... A julgar por essas duas amostras, de 1996, A Different Kind of Truth, um álbum completo em estúdio, se apresentava como uma aposta arriscada. Mas os irmãos Van Halen, mais David Lee Roth, agora suplementados por Wolfgang Van Halen (filho de Eddie, no lugar de Anthony), tiveram uma grande sacada: voltaram às origens em busca de inspiração. Se Alex havia recentemente declarado que tocar com Wolfgang era como tocar com o velho pai dos Van Halen (nos primórdios de sua formação musical), a salvação da banda, e a reaproximação sem traumas com Dave, poderia estar naquela demo tape perdida, de 1976, entregue a Gene Simmons, do Kiss (descobridor oficial do Van Halen). Também chamada de Van Halen Zero, aquela demo continha além de "Runnin' With the Devil" e "On Fire" (de Van Halen I, 1978), "Somebody Get Me a Doctor" (de Van Halen II, 1979), até "House of Pain" (de 1984). Ou seja, o primeiro Van Halen, com David Lee Roth, já havia bebido nessa mesma fonte em outras ocasiões... Assim, como se fosse um ponto de partida, "Let's Get Rockin'", "Big Trouble" e "Put Out the Lights", da demo de 1976, se converteram, respectivamente, em "Outta Space", "Big River" e "Beats Workin'", de A Different Kind of Truth, com grande parte do instrumental preservado e letras retrabalhadas. "She's the Woman" manteve-se, praticamente, a mesma. (A propósito, é a canção que abre a turnê...) Claro que quatro faixas não são suficientes para compor um álbum inteiro, mas criaram o arcabouço sobre o qual o Van Halen ― de novo, com Dave ― pôde trabalhar. Em termos de sonoridade, A Different Kind of Truth é meio chocante para os ouvintes da fase "Sammy Hagar", porque é muito mais barulhento e muito mais cru (como uma demo?). Dispensa totalmente os teclados, não tem nenhuma faixa com "love" no título, é mais acelerado que a média dos discos do Van Halen, e é mais pesado também. David Lee Roth, que parecia meio aposentado em Las Vegas, retornou no auge da sua loquacidade, não poupando o gogó e esbanjando vocabulário. "Tattoo", desde a estrutura rítmica até os versos, jamais poderia ter sido concebida sem Dave Lee Roth. Quem escreveria, por exemplo, "I got Elvis on my elbow"? Os irmãos Van Halen, ou melhor, a família Van Halen, por sua vez, não fica atrás. Alex consegue correr atrás de si mesmo em "China Town", Wolfgang passa no teste da abertura de "She's the Woman" e Eddie Van Halen, bem, Eddie Van Halen é como uma fênix ressurgindo das cinzas... Os vídeos do show de abertura da turnê, "fechado para a imprensa", mostram que, apesar de tudo, ele não perdeu a mão. Ou as mãos ;-) E Eddie se revela incasável nas velozes "China Town" (mais uma vez), "Bullethead", "As Is", e bastante atento nas complicadas "Honeybabysweetiedoll", "The Trouble With Never" e "Stay Frosty". Sorry, folks, no ballads this time, Dave parece anunciar. Até porque, pensando bem, ele não era o cara das baladas... Por fim, se ainda há espaço para uma comparação, o Chickenfoot ― de Hagar, Anthony, Satriani e Chad Smith ― soa como uma cópia fiel do "Van Halen com Sammy Hagar", mas nem se compara ao (renovado) "Van Halen com Dave". Joe Satriani pode até ser um mestre, mas Eddie Van Halen é que é o gênio revolucionário ;-)
>>> A Different Kind of Truth
 
Julio Daio Borges
Editor

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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
2/5/2012
08h57min
Belo texto. E viva o bom e velho Mighty Van Halen. \o
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