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Quinta-feira, 21/2/2002
Nash equilibrium
Julio Daio Borges

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Digestivo nº 70 >>> Os entusiastas do gladiador que nos perdoem, mas o melhor desempenho de Russell Crowe até agora foi em “Uma Mente Brilhante”. Ele já havia conseguido alguma projeção, anteriormente, em “O Informante”, mas tropeçava, aqui e ali, ao interpretar uma testemunha perseguida pelos poderosos que denunciava. “O Gladiador” nem conta muito, apesar do estardalhaço e dos oscars, pois nele o ator australiano se limitou a empunhar sua espada e a proferir algumas palavras, mantendo praticamente inalterado o semblante. Agora, no entanto, na pele do matemático John Nash, ele promove um salto até então inesperado, para uma trajetória tão curta e não tão, digamos assim, brilhante. Russell Crowe, candidato a sucessor de brutamontes, em filmes ditos de ação e romancecos água-com-açúcar, de repente, toca a platéia, no degenerar de um cérebro promissor padecendo de esquizofrenia. E é ele, não os efeitos especiais ou a presença de grandes nomes (como Al Pacino), que elevam “Uma Mente Brilhante” a um patamar superior, expondo dramas atemporais e humanos, para além das veleidades da estação. O longa não trata apenas de sujeitos geniais, encalacrados em paranóias inerentes à sua própria inteligência, mas também explora a questão dos limites e da impotência, ambos presentes na vida de qualquer pessoa. Envolvendo a aceitação do cruel destino e a luta pela sobrevivência, em batalhas diárias, em obstáculos superados muito paulatinamente, torna a existência de John Nash um fardo, enfim, belo e justificável. Uma lição que vale à pena ser aprendida, e que vai mergulhar muito fundo na alma de alguns. Isso tudo graças a Russell Crowe. Se as tais estatuetas fossem realmente meritórias, ele mereceria uma agora.
>>> A Beautifil Mind
 
Julio Daio Borges
Editor

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