DIGESTIVOS
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Internet
Quinta-feira,
19/8/2010
Internet
Julio
Daio Borges
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Digestivo nº 469
>>> O Google em crise de meia-idade
O Google, quem diria, está em crise de meia-idade. Depois de crescer a uma velocidade nunca antes vista na história das corporações, o Google está inseguro, pois vai ter de se reinventar – e, portanto, atira para todos os lados. O mercado de buscas já está dominado, mas os acionistas, obviamente, querem mais. Então, o Google atira a esmo. E erra, claro. O Google não é mais aquele... Brilhante. Inovador. Transformando bits em ouro como ninguém. “Não dá para enganar todo mundo o tempo todo?” Não é assim que diz a velha canção? (E o Google virou mainstream, não esqueçamos.) O fato é que o Google precisa de um novo negócio, além dos anúncios contextualizados em buscas. Então, o Google aposta na chamada internet móvel. Cria seu próprio sistema operacional para celulares. E bate de frente com a Apple, uma velha aliada. “O Google quer destruir o iPhone e nós não vamos deixar”, anuncia ninguém menos que Steve Jobs. O Android, no entanto, vai bem – mas o Google quer mais. Então, entra no mercado de software para PCs. Já lançou sua versão do Office, gratuita, “na nuvem”, agora quer lançar seu próprio sistema operacional – para bater de frente com o Windows e com a Microsoft. “Don't be evil” ou “Não seja a Microsoft”, ou ainda “Não seja o mainstream” – o slogan de quando o Google abriu seu capital na bolsa – faz Steve Jobs rir agora; que dirá Bill Gates... Mas dizem as más línguas que a briga de Eric Schmidt, o CEO bilionário do Google, é com Steve Ballmer, o atual CEO da Microsoft (ambos nasceram quase no mesmo ano). Não bastasse a Apple e a Microsoft, o Google vai entrar no mercado de televisão, e quer que a internet tome ainda mais o tempo das pessoas. Quanto mais gente na internet, mais buscas – melhor para o Google. Para terminar, quer combater o Facebook – que, sem querer (ou não), ameaça a hegemonia do buscador (sendo, hoje, o site mais acessado nos EUA). O Google quer lançar “a” rede social. E o Orkut, Google? E o Buzz (que jamais superou Twitter)? E o Wave? E as sucessivas mudanças de layout? O Google está inseguro? O Google está em crise de meia-idade.
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>>> O Google vai à guerra
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Digestivo nº 468
>>> Viral Loop, de Adam Penenberg
“Coeficiente de viralidade” e “marketing viral” são duas das expressões mais utilizadas por marqueteiros e publicitários “2.0” na internet, mas, até agora, não havia nenhum livro que se debruçasse, especificamente, sobre os aspectos “virais” da Rede. Adam Penenberg, colaborador de revistas com Economist e Fast Company, resolveu, como ninguém, estudar os maiores fenômenos de “viralidade” da internet, a saber: Netscape, eBay, PayPal, Hotmail, YouTube e Facebook (entre outros). Mas, em vez de contar sua história pela milésima vez, Penenberg estudou o crescimento desses produtos, empresas e sites sob a ótica de sua adesão exponencial, sem precedentes e com resultados inimagináveis. Tanto que algumas das iniciativas não vingaram, pois não souberam, justamente, administrar seu crescimento, como o Friendster (o pai de todas as redes sociais). Outras lutaram, até o final, pela sobrevivência, e deram prejuízo, até serem vendidas (por cifras astronômicas), como o mesmo PayPal (ao eBay) e o YouTube (ao Google). E outras ainda lutam, contrariando até os prognósticos do próprio livro de Penenberg, como o Ning (que reviu toda a sua estratégia recentemente, decidindo cobrar de seus usuários). O fato é que Viral Loop, título da obra de Adam Penenberg, foi absorvido pela intelligentsia da internet, e deve se tornar, ele próprio, uma expressão, como se tornaram Long Tail e Crowdsourcing (entre outras). A questão econômica – de expandir sua base de usuários até o infinito (criando “bolhas”) ou de crescer só organicamente (à la capitalismo “old school”) – permanece. A opção, do empreendedor de internet, de explodir em audiência, e arcar com as consequências (em termos de infra-estrutura), é extremamente pessoal, e Viral Loop pode ajudar na decisão.
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>>> Viral Loop
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Digestivo nº 466
>>> Coders at Work, de Peter Seibel
Pode-se dizer que Founders at Work, de Jessica Livingston, marcou época. Reunindo empreendedores de internet, Livingston conseguiu extrair, de muitos deles, a “essência” das startups dos últimos anos. Conversando com fundadores desde o Yahoo até o Twitter, passando pelo Hotmail e pelo PayPal, Livingston, de alguma forma, registrou aquele momento de incrível solidão, entre o início de um empreendimento (que pode dar errado) e sua realização, às vezes sua consagração. Coders at Work, de Peter Seibel, parecia igualmente auspicioso. Afinal, para cada site de internet, deve existir um programador, um webmaster, que, muitas vezes, coincide com seu fundador. Ou não? Talvez Coders at Work não funcione da mesma forma que seu predecessor porque a maioria dos programadores no livro são, basicamente, executores. Visionários são os empreendedores. Claro que o criador da Javascript, o participante dos primórdios da Netscape e o autor de The Art of Computer Programming têm coisas interessantes a dizer. E um código – como o de Marc Andreessen, que começou no Mosaic, passou pelo Navigator e acabou no Explorer, no Firefox – pode mudar o mundo, mas o problema é que a maioria dos programadores exala certa frustração, por ter estado lá – tão perto –, mas por não ter, de repente, protagonizado a ação. Sem contar as montanhas de dinheiro, se avolumando, além do seu alcance. Reza a lenda que, na IPO da Apple, Steve Wozniak, sensibilizado, distribuiu suas ações entre os engenheiros da empresa. Enquanto Steve Jobs, anos depois, readquiriu o controle da Pixar de seus funcionários, depois de financiá-la inutilmente durante anos. Programação tem idade limite? E sucesso? Peter Seibel pergunta, ao observar, mui discretamente, que muitos grandes programadores terminaram como empregados obscuros do Google, da Apple, da Microsoft... Founders at Work dá vontade de empreender. Já Coders at Work, nem tanto ;-)
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>>> Coders at Work
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Digestivo nº 465
>>> TechCrunch Disrupt
Dois titãs da blogosfera – ou melhor, da internet – norte-americana se desentenderam e o mundo ganhou duas novas conferências, a TechCrunch Disrupt e The Launch. Jason Calacanis, no tempo em que aderiu a The Gillmor Gang (e estava saindo da AOL), aproximou-se de Michael Arrington, ajudando-o a estruturar o TechCrunch financeiramente e, lançando, em sociedade, a conferência TechCrunch 20 (depois 40 e 50) para startups. O tempo passou, Mike Arrington cresceu, Jason fundou o Mahalo (e o TWiST), e a TechCrunch 50 começou a ficar pequena demais para os dois. Arrington foi político e abriu espaço para Jason na sua Disrupt. Mas Jason, falastrão, deixou escapar que Arrington queria mais do que 50% da conferência original (o que precipitou a separação). Fora diferenças de pontos de vista: como os ataques reiterados de Calacanis a Mark Zuckerberg, e as defesas, ostensivas, de Arrington ao... Facebook. O fato é que a TechCrunch Disrupt foi uma das melhores conferências do ano, que já teve a D8, com Steve Jobs (e Steve Ballmer). A Disrupt teve a criatividade de homenagear um veterano entrevistador, como Charlie Rose. Teve a presença, ilustre, do prefeito de Nova York, Michael Bloomberg (hoje um político, mas ontem um homem de tecnologia). Pelo menos uma entrevista surpreendente, com Steve Case (fundador da AOL), que quase comprou o Yahoo! por 2 milhões de dólares (antes da “bolha”). Sem contar as revelações, como Dennis Crowley, do FourSquare, e a mesa sobre social commerce. Jack Dorsey, fundador do Twitter, foi humildemente apresentar sua nova startup, Square, enquanto a CEO do mesmo Yahoo! quase saiu no tapa com o host. Outras mesas, como a de conteúdo para novas plataformas (leia-se: iPad), confirmaram a TechCrunch Disrupt como uma das principais conferências de internet e tecnologia desta nova década. Jason Calacanis tem energia de sobra, mas vai ter muito trabalho para sobrepujar esses resultados com The Launch...
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>>> TechCrunch Disrupt
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Digestivo nº 463
>>> O começo do fim do Facebook?
O establishment da internet nunca gostou muito do fato de o Facebook ser “fechado”. Afinal, a Web cresceu como uma “plataforma aberta”, favorável a novos entrantes, propícia à inovação etc. Enquanto o Facebook era menor que o MySpace – na década passada –, tudo não passava de uma questão de gosto. Acontece que o Facebook cresceu, ultrapassou o próprio Google em audiência, e sua iniciativa do Open Graph ameaça tomar de assalto a própria Web. E o Facebook está na mão de Mark Zuckerberg, um adolescente crescido, bilionário aos 25, que não tem exatamente um histórico de “boas práticas”. Em Accidental Billionaires – que está virando filme –, Ben Mezrich conta que Zuckerberg praticamente roubou a ideia do Facebook do site Harvard Connection – enquanto era seu desenvolvedor –, e que também passou a perna em seu sócio investidor, por coincidência um brasileiro de nascimento, Eduardo Saverin (entre outras coisas). O último capítulo dessa história de 400 milhões de usuários – além do Open Graph, anunciado com estardalhaço – é um verdadeiro manifesto, que Jason Calacanis escreveu, há duas semanas, pedindo “boicote” ao Facebook. Calacanis – dono do Mahalo e empreendedor showman – solicita ao grande público que não deixe sua privacidade e seus dados na mão do Facebook (porque o site já demonstrou que não os respeita). Em paralelo, Calacanis aconselha às empresas de internet que não construam modelos de negócio dependentes do Facebook, porque, como no caso recente do Zynga, a rede social de Zuckerberg pode mudar as regras do jogo a qualquer momento, elevando seus custos e afetando suas margens negativamente. Calacanis reserva até insultos ao mesmo Mark Zuckerberg, a quem chama de “criança”, acusa de sofrer da “síndrome de Asperger” (um autismo leve, que deixa a vítima desprovida de sentimentos éticos), culminando com a pecha de “ditador terceiro-mundista”. As preocupações de Calacanis com o futuro da internet – que lembram as de Jonathan Zittrain, em relação às “plataformas fechadas” de Steve Jobs – parecem fazer sentido. Mas a questão, daqui pra frente, é se o establishment da mesma internet vai aderir ao manifesto. Mike “TechCrunch” Arrington – que, a propósito, descontinuou suas iniciativas com Calacanis – já frisou que, tirando os formadores de opinião, o resto da Web não parece se incomodar com a “tirania” do Facebook, apoiando, inclusive, seu crescimento. No Brasil, os internautas ainda estão em lua de mel com a rede social que substituiu o Orkut na preferência nacional, mas já podem imaginar que, ao contrário do Google, o Facebook não estará disposto a ouvir suas demandas...
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>>> The Big Game, Zuckerberg and Overplaying your Hand
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Julio Daio Borges
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