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Quarta-feira, 21/2/2007
Blog
Redação

O Peachbull de Maresias

Praia lotada, corpos bronzeados e sol, muito sol.

Para Bruno este é mais um dia de bagunça. Não há interesse pelas mulheres, a não ser quando alguma pisa em suas estatuetas disformes de areia.

– Ô, sua anta.

– Seu pai não te deu educação não? Filho da puta.

– Hmmmpf… pergunta pra ele ali.

O velho já havia abaixado a revista e acompanhava. Um olho em cada atividade.

– Deixe meu filho em paz, orangotango. Mim Tarzan, você Jane. Ooo ignorância…!

A descrição de Marcos combinava. Seu corpo era uma geladeira em cima de duas vassouras. Já Jane, digo, Cecília, tinha os músculos tão definidos que era possível identificar alguma escrita por ali.

Marcos aproximou-se do pai de Bruno.

– Escuta aqui, seu velho idiota, tá pensando o que? Sabe com quem você tá falando? Eu sou o Peachbull de Maresias: Tricampeão nacional de jiu-jitsu e pentacampeão estadual de abdominais em dupla.

Cecília emendou:

– Deixa pra lá Marcos, esse velho tá sobrando aqui na praia.

– Melhor um velho com filho do que uma dupla de bombados.

Marcos ficou vermelho como um tomate. Prendeu a respiração e tencionou todos os músculos como um cachorro na mesa de operação em uma aula de anatomia.

– Olha seu velho imbecil, estou perdendo a paciência. Tô ficando boladão.

– Colega, tenho paciência de sobra. Posso voltar a ler?

– Não, filho da puta.

E deu um tapa na revista do velho.

– Ahh, cansei. Vou chamar a Marlene. Bruno, corre lá em casa e chama a Marlene. Rápido!

Bruno levantou-se sujo de areia e correu para casa como nunca antes. Sabia que seu pai ia apanhar feio do casal selvagem. Nem sequer pegou sua bóia e prancha de bodyboard. Correu para chamar o resgate.

– Ah velho, era só o que faltava. Vai chamar sua mulherzinha pra me dar uma lição? Essa eu vou esperar pra ver.

– Marcos, deixa o velho aí, vamos embora. Tô cansada desse pessoal fora de moda que insiste em vir pra cá encher o nosso saco.

– Não, não vou não. Quem sabe a tal da Marlene não vem aqui e dá uma chupadinha no papai? Ãh? Esse velhote não tá com nada mesmo. Vou dar uma lição na mulherzinha e depois acabar com ele.

Paulo voltou a ler a revista. Bruno chegou em casa e chamou Marlene, que correu na direção da praia. O casal agora ria, sabendo que apanhariam dela.

Marlene apontou na areia da praia derrapando em uma curva fechada. Sem tempo de pensar, o casal a viu e disparou na direção do mar. Marlene foi atrás e, antes que a água salgada chegasse até os joelhos, tascou uma mordida na bunda do boladão. Sunga e algum fios da pele ficaram com Marlene, que voltou até o pai de Bruno com o troféu preso na boca.

– Boa Marlene. Senta aí que eu vou te dar um ossinho.

Os três ficaram ali na areia da praia, até o sol ser engolido pelo mar. Bruno, seu pai e a Rotweiller.

* * *

Direto do Veritas est, que linca pra nós (porque blog também é literatura, alta literatura...)

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por Julio Daio Borges
21/2/2007 à
00h21
 
Santa Madalena

Para mim é muito fácil e difícil ao mesmo tempo falar do Santa Madalena. Difícil porque eu sou suspeitíssima para "resenhar" esse restaurante: meu marido toca lá toda segunda à noite com a banda Padre Voador. Por conta disso, viramos habitués e chegados dos donos, o Zé e o Sérgio; da chef Lucia Sequerra; dos garçons, a Bel e o Vanderson; e de uma porção de clientes que também batem ponto lá. Fácil, por outro lado, porque tudo é muito bom no Santa Madalena. Então, suspeita ou não, eu vou escrever sobre a casa.

O salão parece uma enorme sala de casa, com mesas e cadeiras desparelhadas, algumas são heranças de família. Aliás, as lembranças de família, não só dos donos, mas de todos os amigos que passam por lá, compõem a decoração e da aura do Santa Madalena. Quadros, utensílios de cozinha, bibelôs, lembranças de viagem, uma enorme geladeira antiga com pinguim em cima. O meu quadro preferido é um que o Sérgio pintou, com dois cachorros olhando o prédio do Banespa.

Quando a banda não está tocando, o som é o de vitrola, com discos de vinil. Em uma lousa, escrita com giz branco, anuncia-se qual o cardápio musical do momento. Clássicos do rock, Edith Piaf, medalhões da MPB revezam-se na agulha.

Na cozinha, as criações da Lúcia (que tem especialização em patisserie, cursada na Itália, e já forneceu produtos e serviços para o Pão de Açúcar, Casa Santa Luzia e o restaurante Fasano) sempre surpreendem o paladar. Ontem havia um prato especial: ceviche de pescada amarela com coentro, acompanhado por guacamole e tortilhas de milho. Sensacional. Quando eu digo sensacional, é bom que dê uma prova para que não pensem que esse é um adjetivo aleatório. Quem me conhece sabe do meu desafeto pelo coentro. Mas ele estava tão harmonioso no prato que não sobrou nem uma folhinha para contar história no final.

Na sobremesa, outra delícia: uma tortinha de noz pecã, acompanhada de um licor preparado por uma amiga da chef, mexicana. Com a desculpa de tentar decifrar do que era o licor, pedimos para encher o copinho mais duas vezes. A chef confirmou nossa suspeita de que levava baunilha e ovos, e acrescentou que tem rum também.

No menu diário, outras criações abrem o apetite, como o hambúrguer de atum com wasabi e o meu preferido, o nhoque romano – que é feito com sêmola e não com batata. A receita está na memória gustativa e afetiva do Zé e do Sérgio. A mãe deles abria o nhoque romano na grande mesa que hoje recebe os clientes no salão.

Foi no Santa Madalena que eu tomei pela primeira vez a cerveja Paulaner. Isso também não é algo que se esqueça.

Para ir além
Santa Madalena

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por Adriana Carvalho
20/2/2007 às
10h27
 
Usina

Faz tempo que não escrevo poemas. Me lembrei disso ontem, na fila do banco. Nem tinha tanta gente, e eu olhava pro chão. Era só um depósito, numa tarde vazia de coisas pra se fazer. Geralmente escrevo poemas de madrugada. E nem é que não tenho ficado acordada durante as madrugadas. Nada mudou. Mas mudou. Porque eu não tenho sentido vontade de escrever palavras queridinhas, nem nada que possa parecer muito doce. Não ando me enxergando como uma pessoa de muitas doçuras. Mas isso não é ruim. Não estou dizendo que é. Só não me vem naturalmente a delicadeza pra escrever um texto pé na lua. Daí penso que um poema não precisa ser eu, e caio em contradição. Um blog não precisa ser eu, e caio novamente em contradição, porque tenho muita coisa pra falar. Muita mesmo. Talvez eu fale, talvez eu encha isso aqui de sentidos. Prefiro, por sinal. Sentido dá uma idéia multifacetada de tato, de cheiros, de sentido na pele. E também não me importa o que vão dizer. Os textos que eu quero que sejam entendidos em linha reta, eu escrevo em linha reta. Os textos a que eu quiser dar múltiplos sentidos, usarei metáforas. E entenda-os como quiser, viu? Te dei liberdade pra isso. Tenho aqui uma mistura meio difícil de dissociar. Uma fome de jornalismo literário, e de literatura. Geralmente pendendo mais ao subjetivismo. Uma vontade de contar sobre o tempo. O meu e o de tanta gente que passa pela minha cabeça. E o tempo que acho escondido pelos cantos da casa. As palavras aqui falam das coisas. Só isso. Se elas passaram por mim, ou cruzaram o caminho de quem quer que seja, não interessa. Elas contam coisas, reais ou imaginárias. Se daqui a alguns minutos as frases aqui parecerem desbotadas, pouco importa. Minha necessidade é de escrever.

Cris Simon, no seu blog, que linca pra nós.

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por Julio Daio Borges
20/2/2007 à
00h11
 
Cobertura do carnaval

Passado o primeiro dia de carnaval na Rede Globo, fica o alerta para o telespectador que decide assistir ao desfile: a cobertura está horrorosa. Além de colocar, no comando do programa, pessoas que estão completamente por fora do dia-a-dia das escolas de samba, a emissora está com um péssimo sistema de som, que abafa a voz dos locutores, e o som do samba ao fundo. Antigamente, quando a Rede Globo ainda parecia algo que se aproximava de uma emissora de tevê, e o próprio Brasil parecia ter um ínfimo de civilização – e não este "propinoduto polcor" – os locutores se calavam um pouco para que o telespectador pudesse ouvir o samba. Agora, não. Ontem, não paravam de fazer comentários, a maioria repetitivos e sem nenhuma relevância... Colocar a Glória Maria para fazer comentários sobre alas e fantasias? (Errata: a comentarista com voz de Glória Maria era a também Maria, só que Beltrão...)

Eu não sou nenhum grande fã do desfile, mas gosto de assistir a algumas escolas. Ainda é na Sapucaí que encontramos os resquícios da imaginação do brasileiro... Obviamente que a Sapucaí foi feita para gringo ver, único momento em que nós brasileiros nos preocupamos com nossa imagem... Restituam também uma cobertura melhor do evento, com os regulamentares minutos de silêncio durante o desfile. Ou será que é muito pedir para os repórteres quererem aparecer menos que os destaques das escolas de samba?

Post Scriptum
E desde quando foi decretado o fim das mulheres nuas e seminuas na Apoteose? Só moralizam o que não devem...

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por Ram Rajagopal
19/2/2007 às
12h50
 
página íntima

(...)Não peço nada, só quero atravessar minha vida a pé, como se atravessasse um parque, um campo com muitas árvores e algumas flores, com um riozinho correndo. Eu disse que não pedia nada... Mas eu troco tudo isso. Basta eu encontrar você no caminho. Gosto de estar perto de você e entrar numa.

* * *

Ando terrivelmente inquieta. E cansada de gente treinada para ser evasiva e oculta. Gente tão sensível quanto uma porca velha. Com você eu encontro a leveza. Andando por aí, nas ruas, na praia, tomando café, folheando livros, falando sobre música, dançando na sala pouco iluminada, boca lasciva, olhos que giram em órbita, você vertendo seus fluidos como caldo quente.

* * *

Quem sabe o que é perigoso? Quando nos defendemos de nossos próprios medos e dúvidas, fazemos mal aos outros também. Tem quem precise de alguém, e a isso chame o nome amor. Que os céus permitam converter essa frustração em alguma coisa útil... Leia. Escreva. Escrevo e leio muito. Solto meus monstros. Antes um livro monstruoso que uma vida monstruosa.(...)

Circe, no seu Qualquer Calmaria, que linca pra nós.

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por Julio Daio Borges
19/2/2007 à
00h03
 
Suplemento Literário de Minas

Nova publicação do SLMG traz reflexões sobre passado, presente e futuro

Estará disponível ao público, no próximo dia 16 de fevereiro, a edição de janeiro do Suplemento Literário de Minas Gerais. Um dos destaques da publicação é uma entrevista inédita da poeta Ana Elisa Ribeiro com José Afonso Furtado, diretor da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian, sobre a questão da leitura e dos livros frente às publicações na Internet.

Ana Elisa Ribeiro explica a importância da discussão. "O surgimento do computador e da Internet fez emergirem questões ligadas às publicações impressas, talvez ainda mais do que quando as novas tecnologias ainda não existiam. As adaptações e os ajustes que o rádio, a tevê, os jornais impressos e outras mídias fazem para 'sobreviver', as influências que um meio de comunicação sofre de outro, são estudadas por vários pesquisadores no mundo. Da mesma forma, o interesse pelos 'ajustes' que as pessoas – agora 'usuários' – fazem para lidar com novas formas de ler e escrever ampliou-se ainda mais", afirma.

Camila de Castro Diniz Ferreira, editora do SLMG, acrescenta: "Uma das preocupações cruciais dos leitores, escritores e editores, na era da Internet, é justamente o destino dos livros impressos, já que podemos afirmar, com alguma segurança, que não chegarão ao fim, apesar das ameaças e preconizações". O leitor encontrará, nessa edição que inaugura o ano de 2007, questões relevantes sobre as transformações que estão ocorrendo nas formas impressas e eletrônicas de conteúdo.

Na mesma publicação, Lúcio Emílio do E.S. Júnior apresenta o filósofo francês Paul Ricoeur em sua exemplaridade, ao rejeitar teorias e pensamentos já desenvolvidos por outros filósofos. Já Cleonice Mourão faz um ensaio sobre o terceiro livro dos fatos e ditos históricos do Bom Pantagruel, de Rabelais, explicitando a importância do humor e do grotesco nesse autor, cujo objetivo é criticar os rígidos costumes da Idade Média.

Também nessa edição, Dirce Waltrick do Amarante, ao traduzir fragmentos do livro Histórias Naturais, de Jules Renard, mostra-nos características jamais imaginadas de determinados animais. O poema final de Sérgio Alcides insinua, por sua vez, uma paisagem pensante, signos voltados para os próprios signos.

* Do site da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais. Aproveitem para assinar o Suplemento. É de graça: (31) 3213 1072.

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por Ana Elisa Ribeiro
18/2/2007 às
12h15
 
Essa tal de Web 2.0

Dica da Pati, do Bem Resolvida, que também Comenta aqui.

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por Julio Daio Borges
16/2/2007 à
00h56
 
Razões e sensibilidades

Sob o texto impecável e as idéias sempre em ebulição – e confusão – aparecia aqui e ali o homem inquieto que alimentou para si as mais altas aspirações e as viu naufragar uma a uma. Da crítica de teatro ao jornalismo, Francis quis tudo – e teve o que pôde ou deixaram.

* * *

Dezenas de subarticulistas o elegem santo padroeiro para escorar vacilações intelectuais e agressividade verbal, sem levar em conta que o Paulo Francis a que tanto exaltam não foi um personagem dado e acabado, mas o resultado de um percurso intelectual rico e conturbado que seus admiradores de hoje certamente não teriam a mesma coragem em percorrer, bons fiscais de obras prontas que são.

* * *

Deste tipo de intelectual não se deve alimentar qualquer nostalgia, já que são, como costuma acontecer, legítimos e bem acabados produtos de seu tempo, irrepetíveis nas páginas de jornal ou no comando de editoras. Sua lembrança serve, isto sim, como uma forma de pensar no esvaziamento intelectual de profissões que não são melhores ou piores do que outras mas que tratam da espinhosa combinação de pragmatismo e reflexão, cada vez mais difícil em nossos dias.

Paulo Roberto Pires, no No Mínimo (porque um dos melhores textos sobre o Francis não saiu neste ano...)

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por Julio Daio Borges
15/2/2007 à
00h27
 
A crise também é de idéias

Em 2004, em rápida conversa telefônica com experiente executivo da indústria do disco sobre um êxito de vendas (...), campeão daquele ano, ele creditou o estouro comercial ao conceito do projeto e defendeu que a pirataria estava levando toda a culpa por uma crise que, na sua opinião, também era de idéias. Concordo com o executivo, cujo nome prefiro omitir por questões éticas.

É fato que a pirataria galopante nos camelôs e na internet vem minando as forças da indústria fonográfica. Só que há, paralelamente, uma apatia que se revela na ausência de boas idéias. Como na TV, nas gravadoras nada se cria, tudo se copia, para usar uma máxima do saudoso apresentador Chacrinha.

(...)Em bom português, a indústria fonográfica adora pegar a onda alheia. Depois vai culpar a pirataria quando morrer na praia...

Mauro Ferreira, no Music News (porque... as grandes gravadoras já não tinham morrido?)

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por Julio Daio Borges
14/2/2007 à
00h35
 
Flip 2007: Nelson Rodrigues

Está no blog de Lauro Jardim, no portal da Veja: "Os organizadores da Flip bateram o martelo: Nelson Rodrigues será o homenageado da quinta edição da Festa Literária Internacional de Paraty, entre 4 e 8 de julho".

Ainda bem que já estamos em fevereiro... Leia mais aqui.

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por Fabio Silvestre Cardoso
13/2/2007 às
16h31
 

Julio Daio Borges
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