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Quarta-feira,
4/3/2009
Blog
Redação
Então tá combinado

"Eu prefiro que as mulheres me amem pelas minhas ideias e até por compaixão. Mas se elas me amam apenas pelo sexo, tudo bem, acho que posso conviver com a ideia", Hugh MacLeod, numa tradução livre, no Twitter.
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Julio Daio Borges
4/3/2009 à
00h28
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Subcutâneo
Preciso viver apenas. Sem excessos, sem farras, sem festas, sem multidões, sem grandes prazeres... Não nasci para ser só, porém. Não por isso me torno mercenário. Gosto da minha privacidade e de fazer as coisas do meu jeito. Gosto de ir ao cinema e ao teatro sozinho. Gosto de visitar museus. Quero praticar artes marciais e voltar a patinar e nadar. Quero deixar de usar óculos e isso está perto de acontecer. Esse será meu presente de aniversário. Quero falar sozinho na rua ou falar com desconhecidos, casualmente, sem vontade de manter contato. Apenas conhecer outros pontos de vista. Sinto-me preso a um modo de ver a vida, a um modo de viver. Preciso de algo mais. Liberdade seria um bom começo. Talvez participar de algum movimento social. Deixar de hipocrisia e partir pra ação. Descontar minhas raivas reprimidas contra instituições e valores injustos. Quero fazer algo pelo bem das pessoas. Gosto da definição de Zeldin sobre as pessoas intermediárias. Quero viver como uma ponte, não como um explorador nem como um objetivo, mas um facilitador. É assim que me vejo em minha profissão.(...)
Vampyr, no seu blog, que linca pra nós.
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Julio Daio Borges
3/3/2009 às
08h17
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O homem duplicado
"O homem que acabou de entrar na loja para alugar um cassete vídeo tem no seu bilhete de identidade um nome nada comum, de um sabor clássico que o tempo veio a tornar rançoso, nada menos que Tertuliano Máximo Afonso. Ao Máximo e ao Afonso, de aplicação mais corrente, ainda consegue admiti-los, dependendo, porém, da disposição de espírito em que se encontre, mas o Tertuliano pesa-lhe como uma lousa desde o primeiro dia em que percebeu que o malfadado nome dava para ser pronunciado com uma ironia que podia ser ofensiva. É professor de História numa escola de ensino secundário, e o vídeo tinha-lhe sido sugerido por um colega de trabalho que no entanto não se esquecera de previnir, Não é uma obra-prima do cinema, mas poderá entretê-lo durante hora e meia."
Assim começa O homem duplicado, de José Saramago, que a Companhia das Letras recentemente editou em versão de bolso. Um livro que eu sempre tive vontade de ter/ler, mas nunca tive bolso para comprá-lo. Que Deus ― e o mercado ― continue abençoando os pockets.
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Rafael Rodrigues
2/3/2009 à
00h52
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Om Malik, um nômade digital

"The Kindle, of course, like other popular gadgets such as the iPod and iPhone, is part of a larger trend brought on by the digitization of, well, everything."
"My library, easy chair and music system have long constituted what I considered home. But over the past few years, that has started to change(...) suddenly home is not where the heart is, but where there's a connection."
"(...)in this new always-on, increasingly connected society, we would want to mimic our offline interactions online. Instead of using connectivity to just communicate in real time, the world would transition to interacting in real time."
Om Malik, sobre iPhone, Facebook e Kindle 2, obviamente (via Twitter).
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Julio Daio Borges
27/2/2009 às
08h34
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Ponto de Vista
Estou com dúvida. Isto é um bom ou um mau sinal para avaliarem minha inteligência? A Maysa, apresentadora do SBT, é inteligente ou prematuro? Deixar os outros constrangidos é sinal de esperteza? Calma aí! Esperteza e inteligência são a mesma coisa?
Howard Gardner autor de Frames of mind descreve e analisa 7 dimensões de inteligência: (i) visual/espacial; (ii) musical; (iii) verbal; (iv) lógica; (v) matemática; (vi) interpessoal; e (vii) corporal/cinestésica.
Os estudos de Gardner, professor de Harvard, contrastam com a quadrada (ops!) definição dada por muitos psicólogos, para os quais inteligência é a “capacidade mental de raciocinar, planejar, resolver problemas, abstrair ideias, compreender ideias e linguagens e aprender”.
Observe que a definição acima descarta criatividade, personalidade, caráter e sabedoria. Assim, Jobs, da Apple, estaria fora.
Acho que estou mais para Gardner do que para a psicologia.
Mas mesmo com a breve explicação acima continuo achando que alguma coisa está errada (graças a Deus, um sinal de inteligência).
A história demonstra que conforme os anos vão passando a definição do que é certo e errado muda. A cultura se transforma a partir do interesse do homem. Diversos exemplos podem ser citados. Fiquemos, por exemplo, com a homossexualidade. Hoje, um absurdo. Na Grécia antiga, mais do que aceita.
Nesse passo fico confuso. Não era justamente na Grécia antiga que os maiores gênios viviam?
Por outro lado, um professor meu de português afirmava que não conhecia burros. O que podia existir, de duas uma, era ignorância ou a pessoa ainda não havia descoberto seu talento.
O conceito de Gardner é parecido com o do meu professor. Para ambos, todos nós podemos nos sentir inteligentes e podemos até nos agrupar em vários grupos de inteligência.
O conceito é importante para um país como os EUA, que prega a igualdade. A semelhança está justamente na oportunidade de todos serem gênios, pelo menos em alguma coisa.
A linha mestra de raciocínio também combate a frustração, consola o ego e massageia a autoestima.
Assim, se ora você se sente o maior gênio e ora o maior idiota, tudo bem, você somente não alcançou a plenitude de um dos sete itens ou está na época errada. Tudo depende do ponto de vista.
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Daniel Bushatsky
26/2/2009 às
11h32
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liro relp fo ma freim

Direto do LulaLOL, uma dica do Polzonoff.
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Julio Daio Borges
24/2/2009 à
00h54
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O Tigre Branco
Fala-se — e escreve-se — muito sobre os países emergentes na mídia. E, dentre eles, o de maior destaque é a Índia, imenso e tradicional país do ocidente asiático. Assim como no Brasil ou na Rússia, ou mesmo no México, a miséria, a ignorância e a corrupção estão impregnadas na sua história. Mas que importância tem isso face ao desenvolvimento econômico e tecnológico de um país emergente como a Índia? Respondo: a força e os interesses dos grupos dominantes mantêm o statu quo indiano para aumentar ou manter seu poder. E é isto que o estreante e desconhecido escritor Aravind Adiga denuncia neste romance único, diferenciado e cheio de humor negro, ironia e realismo cruel, abominável e inescrupuloso. Em O Tigre Branco (Nova Fronteira, 2008, 256 págs.) a Índia de Adiga desencanta e brutaliza a imagem da exótica pátria dos sáris coloridos, da ioga e da elevação espiritual, por mais força e tradição que tenham seus gurus ou líderes iluminados como Ghandhi. A corrupção, por exemplo, escorre entre as letras. Sua ficção é real — por mais incongruente que isto possa parecer —, extraída da mais honesta realidade de um país dividido socialmente entre o norte da Escuridão, onde um povo quase animal nasce, vive e morre às margens do lodo do Ganges, e o sul da Luz, do desenvolvimento calcado na exploração da miséria e da ignorância. Com Adiga, desmitifica-se e desmistifica-se a Índia: o glamour sobre o brejo.
Numa história de forte ironia e repugnante sarcasmo, o protagonista Balram Halwai relata o trajeto bastante inusitado que percorreu para subir na vida e conseguir se tornar alguém importante no cenário nacional: assassinar e roubar seu patrão. Em cartas dirigidas ao primeiro-ministro chinês, Balram — ou Munna, como era chamado quando menino - revela uma visão crítica aguçada da sociedade indiana e do mundo contemporâneo, e justifica seu crime classificando-o como um ato de puro empreendedorismo. Com cinismo, ele desmonta o mecanismo da própria ascensão social. O leitor vai se surpreender a cada passo do primoroso romance de estréia do jovem autor indiano Aravind Adiga, vencedor do Man Booker Prize 2008, um dos maiores prêmios mundiais do meio editorial. Não sem motivo, O Tigre Branco foi considerado pelos jurados um livro de imenso valor literário e extremamente original, por apresentar aspectos da Índia normalmente ignorados e personagens que revelam um lado humano desconcertante. Realmente, nada a ver com a bazófia e a mesmice apresentadas no folhetim da rede Globo (Caminho das Índias), onde a autora denota ter pesquisado somente as tradições "sócio-culturais-religiosas" da incrível, inesgotável e incomparável Índia. Ao se falar dela, não se pode pecar por ser breve, principalmente quando se usa o nome do país — apropriadamente — no plural.
Tigre branco é um animal típico do país, raro por nascer um a cada geração, como um albino. O protagonista Balram Halwai é assim designado por sua família e amigos por ser, desde pequeno, uma pessoa diferenciada em sua casta. E ele próprio descobre e assume sua identidade predadora ao visitar e conhecer a fera num zôo local. Como escreveu a revista Veja, "Aravind Adiga constrói um personagem sem caráter, que se torna símbolo extremo de um impulso selvagem de liberdade. Um alerta para os que vivem na luz".
Segundo Florência Costa, correspondente de O Globo em Nova Déli, "A Índia que Adiga mostra é feia, inescrupulosa, escura como os apagões diários de horas a fio que atormentam a vida dos indianos nas metrópoles. Muito distante do glamour sugerido na propaganda 'a Índia que brilha', que ganhou o mundo há dois anos". Aravind Adiga nasceu em Madras, na Índia, em 1974 e, aos 34 anos, escreve sobre o que realmente conhece. Foi correspondente da revista Time na Austrália e Londres. É articulista do Financial Times, do The Independent e do Sunday. Atualmente vive e trabalha em Bombaim.
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Valdemir Martins
24/2/2009 à
00h32
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Converta seu Tweet em Camiseta

Twitoshirt, uma dica do @guykawasaki, via Truemors.
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Julio Daio Borges
23/2/2009 à
00h32
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Martin Kollar, photographer




Martin Kollar, via tão-somente, que linca pra nós.
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Julio Daio Borges
20/2/2009 à
00h22
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A morte de Gilberto Dupas
Talvez porque a mídia brasileira esteja preocupada demais com o curioso caso de Paula Oliveira. Ou, mais provável, talvez seja a proximidade do Carnaval e, por isso, a agenda do noticiário esteja batendo em retirada da cobertura mais analítica. Fato é que o intelectual Gilberto Dupas morreu dia 17 de fevereiro e poucos parecem ter se dado conta disso. Mesmo os jornais, onde Dupas desempenhava um papel de interlocutor constante, dedicaram-lhe poucas linhas, o que não está à altura de sua contribuição no campo das ideias e da discussão dos problemas brasileiros e das contradições da globalização.
Em 2004, no longo ensaio Tensões contemporâneas entre o público e o privado, lembro-me de ter lido uma análise elementar no que se refere à lógica perversa das desigualdades em nosso tempo. Mesmo para quem comungava de certas ideias liberais e da mão invisível do mercado, aquele texto explicitava os impasses de uma sociedade que buscava o status da aparência, uma espécie de triunfo do ideário da sociedade do espetáculo, em detrimento dos direitos sociais e das conquistas da cidadania. Dupas era um pensador agudo e arguto desses temas, mas não se deixava levar pelo espetáculo midiático ― logo, não era o queridinho dos talk shows e dos programas de entrevista na infame TV aberta.
Além de Tensões Contemporâneas..., Gilberto Dupas foi autor de outros livros, entre os quais destacam-se O mito do progresso, lançado em 2006, Ética e poder na sociedade da informação, publicado em 2001. Embora tivesse como ênfase a análise da conjuntura econômica e mundial, o texto de Dupas primava pela clareza de ideias e pela sedução das palavras, elementos que atestavam uma prosa rica de imaginação. A propósito, ler os escritos de Gilberto Dupas neste momento é uma forma inteligente de sair do marasmo e do pessimismo gerados pela crise.
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Fabio Silvestre Cardoso
19/2/2009 às
18h11
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Julio Daio Borges
Editor
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