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BLOG

Segunda-feira, 6/2/2017
Blog
Redação

 
Painel entalhado em pranchas de cedro *VÍDEO*



Alegoria à vida do 'Lugar sem nome'


Trabalhei neste painel durante 18 meses, aproximadamente.
Foi um período quase monástico para mim.
Entalhava diariamente, consumia muitas drogas.
Era um adolescente recém chegado de Nietzsche, Hermann Hesse e Dostoievsky.
Gostava da cultura grega.
O cheiro do cedro, o tac-tac do trabalho de "pica-pau" até hoje são lembranças muito emotivas.

Painel entalhado em pranchas de cedro.
Dimensões aproximadas de 18 m².
Localizado na cidade de Ibiporã, PR.
Realizado em 1982.

*** veja o vídeo ***

João Werner em redes sociais:


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Postado por Blog de João Werner
6/2/2017 às 11h33

 
DESLEMBRANÇAS

O tempo não tem pressa

e lentamente

erige em seu lugar as deslembranças

pedaços de hiatos

fragmentos de espaço

decompondo a memória

e sua história.


O sorriso paterno

esbatido na distância

já é um rictus

nem riso nem sorriso

e sua voz não soa mais no ouvido.


O retrato da casa em si tão vívido

desenhado em relevo na saudade

vira saudade só

sem corpo apenas mito.


Assim o tempo desconstrói a sua obra

acrônica e atópica

que se afirma por si

tão metafísica quanto metafórica

de vácuo preenchida

na sua imponderável engenharia.


Ayrton Pereira da Silva

(in Umbrais, Sette Letras, 1977)



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Postado por Impressões Digitais
5/2/2017 às 19h15

 
O fio de cabelo no lóbulo da orelha

Estava com o rosto diante do espelho contando as rugas quando percebi algo quase invisível se movendo.

Encostei o rosto até bem perto do espelho e me dei conta que havia um longo fio de cabelo no lóbulo da minha orelha direita.

Puxei o danado, gritei de dor.

Com o rosto abrasado, fiquei me perguntando por quanto tempo ele estava ali, sem que eu percebesse.

Por segundos insanos pensei em fazer com aquele fio de cabelo o mesmo que fazia com o cigarro nos tempos de fumante: puxar papo, conversar diversos assuntos.

Puxei novamente, a dor recuou porque já não existia a surpresa e no instante seguinte me preparei para dar fim ao incomodo, apanhei a tesoura e estiquei o fio até o fim, mas eis que reparando de perto, notei que o danado tinha um tom dourado.

Será que alguém vai acreditar que quando criança eu era loiro dos cabelos cacheados?

Talvez fosse o último remanescente dos meus tempos de cabelos cacheados e que tenha sobrevivido há mais de meio século.

Senti um inesperado apego por aquele fio de cabelo e até pensei em guardá-lo numa caixa de vidro.

Minha nossa, que louco é esse que guarda o fio de cabelo numa caixa de vidro?

Depois fiquei em dúvida se devia contar isso numa crônica.

Eis me aqui, decidido.

Devo declarar que desde muito moço sofro com a falta de cabelos.

Tenho cultivado ultimamente uma barba ralinha para disfarçar, que cuido com esmero, por vaidade e porque se tornou um motivo para eu ir a uma barbearia, costume que havia abandonado desde os anos noventa, quando os cabelos se foram e me tornei ligeiramente calvo.

Foi um tempo ruim, de repente, tudo despencou.

No começo, tentei disfarçar usando boné, mas não me acostumei, porque me pesava a cabeça e escondia os olhos.

Nunca entendi o sujeito que tem cabelos e usa boné.

Resolvi deixar para o outro dia o que fazer com o fio dourado. Quando acordei, corri para frente do espelho e procurei em vão o meu precioso fio dourado, mas notei apreensivo que só existia a maciez de sempre no lóbulo da minha orelha.

Será que durante o sonho puxei sem querer a ponta da orelha e o fio se soltou?

O que foi que sonhei, afinal?

Não me lembro de nada.

Mas recordei com riqueza de detalhes uma árvore imensa que existe bem à frente do colégio Dom Bosco, tão velha que deve ter visto de tudo, seus galhos secos insistem abraçar em tons cinza a cidade que engoliu o vilarejo, e lá no alto, bem no canto direito, num verde tão belo que emudece, despenca um fino galho de folhas verdes.

E me apeguei àquele galho verde para nunca mais, porque ele desperta a vitalidade, o conhecimento e toda a história que ainda pulsa na árvore antiga, talvez tal e qual o fio dourado, agora desaparecido na minha orelha.

Então pensei no amigo Marcos Estevão, que além de médico é poeta, psiquiatra dos bons, quem sabe numa boa conversa ele me indique algum remédio, ou apenas um bom gole de uísque, para por fim à falta que me faz aquele cabelo dourado, que sumiu sem se despedir, deixando esse inexplicável sentimento de vazio no lóbulo da minha orelha direita.

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Postado por Blog de ANDRÉ LUIZ ALVEZ
5/2/2017 às 18h25

 
Visitação a Gregório de Matos (série: sonetos)

Ao Deus pudesse então lançar-me à sorte
Em busca de alívio aos pesares nossos,
Bem o sentiria entre a pele e os ossos,
Do tempo, paz e peso, que eu suporte.

Jamais vos direi que desejo a morte,
Em nada meu sentir ao Cristo imita,
Não lhe reviverei a voz contrita
E aqui espero amor que me conforte.

Não vos direi da existência sofrida,
Inda que fugaz, conforta-me o dia,
Fortuita luz a incendiar-me a vida.

Do eterno tempo nesta romaria
Ao instante que sem corte o divida,
Em busca do amor, não me apartaria.


(Soneto até então inédito)

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Postado por Blog da Mirian
4/2/2017 às 08h31

 
Locomotiva do tempo

Somos passageiros do tempo,
Todos nós, para além da vida,
Seja nessa ou naquela estação,
Lembranças ficarão perdidas.

Não há tempo para despedidas,
Por vezes nem mesmo adeus,
A locomotiva no tempo avança,
Conforme os atos teus e meus.

No eterno sono de Morpheus,
Quem passou, se foi da vida,
Quem fica continua a viagem,
Escondendo no peito a ferida.

Mas, não há pessoa iludida,
Todos sabem, um dia partirão,
O comboio nunca ficará vazio,
Há sempre a próxima estação.

Uns chegam, outros se vão,
Nos vagões superlotados,
Todos buscam seus destinos,
Caminhos certos ou errados.

Não precisa tomar cuidados,
Ninguém desce em seu lugar.
Enquanto uns desembarcam,
Pretendo nesse comboio ficar.

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Postado por Blog Feitosa dos Santos - Prosas & Poemas
1/2/2017 às 17h48

 
Eu pássaro

Eu pássaro nas correntes quentes,
De vento que me leva norte e sul,
Eu pássaro voando na imensidão,
Desse céu branco e de anil azul.

Eu pássaro que voo, vou e volto,
Ao mesmo lugar de onde parti,
Eu pássaro canto o meu canto,
Daquela noite fria, eu já esqueci.

Suave canto, da alma o acalanto,
E do corpo, a indolente solidão,
Eu pássaro fremente nas alturas,
De volta, vibra firme o coração.

Eu pássaro não vivo longe de ti,
És chuva, terra, o sol e o vento,
Cobertor que aquece o meu corpo,
Retornar à vida que me dá alento.

Eu pássaro, sempre vou e volto,
Eu pássaro, sempre volto e vou,
Eu pássaro na terra, ares e mares,
Eu pássaro que nunca te enganou.


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Postado por Blog Feitosa dos Santos - Prosas & Poemas
1/2/2017 à 00h21

 
Entre tapas, churros e chatos



Recentemente voltei de uma viagem de dez dias a Madrid, Toledo e Valencia, para a qual não tive muito tempo de me preparar. Não era a primeira vez que visitava a Espanha e, das outras vezes, havia feito meu dever de casa diligentemente, vasculhando informações em livros, filmes e artigos publicados sobre este país encantador e sempre surpreendente. Autoconfiante no meu castelhano (talvez um pouco demais!) e nas boas experiências passadas, fiz a mala de qualquer jeito e rumei ao aeroporto, despreocupada e feliz. Porém - há sempre um "pero" quando se fala a língua dos espanhóis! - por mais que a gente se prepare antes, a Espanha sempre nos faz sentir como um marinheiro de primeira viagem.

Compartilho aqui algumas observações culturais e gastronômicas que fiz durante esta curta temporada, que provam, mais uma vez, que a Espanha é um universo infindável de descobertas deliciosas para o estrangeiro.

1) Ao contrário do que eu supunha - depois de ter lido reportagens sobre a crise financeira que atravessa a Espanha desde 2008, com taxa de desemprego superior a 25% e um grande número de jovens que têm deixado o país em busca de melhores condições de trabalho -, o que vi nas ruas das cidades que visitei não reflete absolutamente o clima de um país em crise. Os espanhóis parecem se divertir bastante, frequentam bares e restaurantes alegremente até altas horas da madrugada, não se preocupam com a segurança nas ruas e utilizam meios de transporte público perfeitamente confiáveis a qualquer hora do dia ou da noite. Não vi crianças vendendo balas ou pedindo esmolas. Avistei alguns grafites na periferia das cidades, mas não vi nenhum edifício do centro pichado.

2) Os espanhóis são muito diretos, falam o que lhes dá na telha, sem subterfúgios, em alto e bom som. Adoro isso! Imagino que, para muitos estrangeiros, esse jeito franco pode vir a ser confundido com grosseria - mas é apenas uma característica da cultura espanhola. No fundo, são bem afáveis. Eles têm uma mania semelhante à dos brasileiros de tocar fisicamente a pessoa com quem estão falando (um tapinha nas costas, um pequeno toque no braço) para demonstrar certa atenção especial. Há pessoas que detestam esse tipo de invasão do espaço privado, mas o espanhol nem liga e vai tateando quem ele bem entender. Sinceramente, acho que eu me daria muito bem se vivesse entre eles.

3) A vida noturna em Madrid é uma das mais animadas (e econômicas) de toda a Europa. A “noite”, aliás, começa bem depois do sol se por. Notei que eles dizem “sete horas da tarde”, em vez de “sete horas da noite”. Pessoas de todas as idades (inclusive crianças) circulam ruidosamente pelas ruas da cidade, conversando, rindo e cantando, até se cansarem. É invejável o jeito guloso dos espanhóis de curtirem a noite. Quando saem de casa para qualquer programa, eles sempre passam antes em algum bar para tomar pelo menos uma taça de vinho ou cerveja e mordiscar tapas. "Nós não sobreviveríamos sem nossos bares", me disse um espanhol. Numa noitada típica, percorrer diversos bares de tapas, um após o outro, é o próprio programa. Parece algo “normal”, mas não é. Desafio qualquer turista brasileiro a fazer isso sem a ajuda de um amigo espanhol! Muito provavelmente o viajante voltará ao quarto de hotel exausto e faminto. É que há uma “técnica” toda especial que só eles entendem de se pedir alguma coisa nos balcões, em geral apinhados de gente comendo, bebendo e gritando.


Bar de tapas El Lacón em Madrid


É preciso, antes de mais nada, que o turista tenha conhecimento de um fato perturbador: o espanhol não faz fila. Sério. Os atendentes dos balcões só prestam atenção aos clientes que lhes dirigem a palavra gritando. Além da gente ter que brigar para ser ouvido, tem que se esforçar para pronunciar corretamente o nome daqueles tapas que estão no cardápio, mas que a gente nunca viu antes. Para complicar, alguns desses nomes não estão sequer escritos em castelhano, mas em algum dos outros muitos idiomas ou dialetos falados no país. Palavras como “pintxos” (espetos bascos) e “espencat” (tapa valenciano) aparecem em perfeita harmonia ao lado de “patatas bravas”. Levei algum tempo para perceber que “chato” não era o que eu pensava, mas uma pequena dose de vinho e que “vaso de chato” é um diminuto copo para degustação.

4) Confesso que alguns tapas não me apeteceram quando li seus nomes no cardápio – como “oreja de cerdo” (orelha de porco) e “matambre de ternera” (mata-fome de vitela), mas os entendidos garantem que são muito saborosos. Em contrapartida, me deliciei à vontade com as tradicionais “gambas al ajillo” (camarões no alho), “croquetas de jamón” (croquetes de presunto), “queso manchego” e inesquecíveis porções de “jamón ibérico” (presunto curado, orgulho da região). Aprendi que “tostas” correspondem às nossas conhecidas “bruschettas” e são sempre uma boa pedida para acompanhar o vinho ou a cerveja.


Tostas no Mercado San Miguel, Madrid


5) Para a gente se aquecer num dia frio, há poucas bebidas mais deliciosas do que o “carajillo” – café fortificado com algum tipo de bebida alcoólica. Tomei uma vez com Bailey’s e logo fiquei viciada. Em que outro lugar do mundo você pode pedir em voz alta no balcão “un carajillo, por favor!”, com a maior dignidade ?

6) Outra bebida muito apreciada pelos espanhóis é a “horchata”, um tipo de refresco feito com o leite extraído de uma planta chamada “chufa”. No Brasil ela é conhecida como “junquinho” (ou “junça”) e considerada planta daninha, mas na Espanha é cuidadosamente cultivada. Não morro de amores por esta bebida leitosa e adocicada, mas, quando a gente viaja, parece que tudo fica mais atraente. Tomei “horchata” duas vezes na rua e achei ótimo!


Horchatería em Valencia


7) Outra coisa que não como de jeito nenhum aqui no Brasil, mas que na Espanha tem um sabor todo especial é “churro”. Não que esta fritura massuda e sem graça tenha um gosto melhor lá na Espanha. O que muda é o jeito de se comer: antes de levá-lo à boca, a gente deve mergulhar o churro numa xícara de chocolate quente. Só então, tentando evitar os respingos de chocolate pela mesa no trajeto entre a xícara e a boca, estaremos prontos para saboreá-lo à moda espanhola. É viagem garantida de volta à infância!


Churros com chocolate: uma viagem à infância


Enquanto comia meus primeiros churros da viagem, achando que já dominava toda a cena madrilenha, dei com os olhos num cartaz que me confundiu um pouco, onde se anunciavam “porras con chocolate”. Uma rápida consulta ao garçon me tranquilizou. Na Espanha, “porra” é um tipo de churro, feito com a mesma massa, porém mais grosso e sem as ranhuras na superfície.



Churros e porras são vendidos por todos os cantos da Espanha, mas há um local em Madrid que se destaca de todos os outros – a Chocolateria San Ginés, fundada em 1894. No começo do século XX, era ponto de encontro de celebridades literárias, mas hoje os frequentadores são na maioria turistas. Um detalhe que me impressionou: a chocolateria fica aberta 24 horas por dia, sete dias por semana.

8) Uma dica valiosa para qualquer turista desavisado na Espanha: “bocadillo” não significa “bocadinho”, mas sanduíche feito com aqueles pães deliciosos, tipo baguete italiana, de farinha boa. Logo no início da viagem, caí na besteira de pedir um “sándwich de jamón”, caprichando na pronúncia, apenas para receber da balconista o sanduíche de presunto mais sem graça deste mundo, feito com pão de forma. Depois dessa experiência frustrante, aprendi: para comer um bom sanduíche, é preciso pedir “bocadillo de jamón ibérico”. E nem precisa caprichar na pronúncia, que todo o mundo entende.



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Postado por Blog da Monipin
29/1/2017 às 12h12

 
Etapas iniciais da criação de uma pintura *VÍDEO*



Ninfa


Pintura a óleo sobre tela,
50 x 70 cm.
(2017)



João Werner em redes sociais:


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Postado por Blog de João Werner
25/1/2017 às 13h45

 
A cidade e/ é sua música.



Henry volta a se apresentar no Sesc Boulevard na próxima sexta-feira (27) para lançar "Belém Incidental". Foto: Divulgação


"Sou um compositor de canções tradicional, com a diversidade rítmica e poética de quem passou a maior parte da vida em Belém e que se nutre da cidade até hoje". Assim se apresenta Henry Burnett, músico paraense que lança seu quinto álbum, "Belém Incidental", na próxima sexta-feira (27), às 19h, em show gratuito no Sesc Boulevard.
Falar da obra de Henry é também falar de Belém. Não porque o músico, que também é pós-doutor em Filosofia e professor na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), repita clichês que se proliferam nas artes, no turismo e na mídia da capital paraense, mas sim por apresentar em suas canções diversas “facetas”, muitas vezes angustiantes e que incomodam, de uma população que não raramente se esquece e desconhece a si mesma.
(Re)unindo poesia e música, em boa parte de suas canções podemos notar "diagnósticos" sobre a cidade, reflexos de seu discurso e análise sobre uma urbe em que o “desamor” predomina e em que parece haver pouca ou quase nenhuma esperança.
Mais que isto: talvez suas canções - para além das que estão no álbum a ser lançado - carreguem certo "espírito de época" de uma metrópole cada vez mais conturbada, apressada e desorganizada, onde a frieza da população se choca cada vez mais com as altas temperaturas que castigam humanos, animais e objetos.


A banda de Henry Burnett (voz, violão, guitarra) é formada ainda por Renato Torres (guitarras e vocais); Maurício Panzera (baixo) e Tiago Belém (bateria)

Levando todo este panorama em conta, aproveitei a data de lançamento do álbum de Henry para, assim como fiz nos últimos dois anos, ouvi-lo sobre as perspectivas (?) para a cidade em seu mês de aniversário, “comemorado” (?) no dia 12, quando completou 401 anos. Enviei então a Henry a provocação/ exercício de imaginação utópica que fiz com outras doze pessoas, que resultaram no texto "Belém do Pará, ano um. 401". A questão era:
"Após 400 anos, Belém pode começar uma nova trajetória. Vive o 'ano 01'. O que a cidade precisa com mais urgência? Qual o conselho tens a dar à cidade imaginando que sua história (re)começa agora? O que desejas a ela/ à população?".

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Acredito que em um primeiro momento tais questões surpreenderam (ou assustaram) Henry. "Quem disse isso? parece uma fala de político, de quem não tem responsabilidade pública e utiliza o ano redondo para criar uma falsa ilusão de projeto.", disse o músico ao se deparar com tal proposição, comentando a situação da cidade. Bingo! Era exatamente o tipo de reação esperada, que tem como fio condutor a mesma sensação/ sentimento citados por outras pessoas: o incômodo da reflexão e da observação, em retrospectiva ou não, da cidade e suas diversas circunstâncias cada vez mais problemáticas.
Logo após, Henry explicou sua resposta. "Belém não tem projeto, o último, apenas insinuado, foi elaborado na gestão do Edmilson Rodrigues, mas ao que parece o povo preferiu a continuidade do atual prefeito e o descalabro pelo qual passa nossa cidade agonizante. Não tenho nenhum conselho a dar, é tarde para isso ou para qualquer reação que possa recuperar o que foi a cidade. Nem se trata disso, de ‘voltar ao passado’, mas de um cuidado elementar com a arquitetura, a vida social e com o que resta em pé, nem isso existe. A história não está começando, está terminando. O que pode eventualmente começar é uma nova história, mais triste e decadente", decretou.

Veja também: Belém do Pará, ano um. 401

Parecer pessimista? Não. Análise realista? Possivelmente. Tal diagnóstico, que erroneamente pode ser transformado em bandeira “política” ou de outras ordens, revela uma precisão que não cai somente no lugar de fala ou queixas aleatórias "de cunho social".
Neste sentido, é possível citar a violência que toma conta da cidade, em especial nos inúmeros bairros e áreas periféricas da capital paraense. Sons de fogos de artifício, rojões e de disparos não raramente se unem em meio a festejos de ordens diversas, como comemorações (ou discussões) por conta de uma vitória ou derrota azul marinha ou bicolor, situação "descrita" em “Terra Firme”, canção presente no álbum-livro Retruque/ Retoque.



Nesta cidade em que a água da chuva dilui as manchas de sangue, sangrias abertas diariamente, ainda que se tente fugir, alguns clichês (símbolos ou mesmo ícones?) parecem inevitáveis, como a referência à chuva da tarde, ou mais precisamente às 14h30, como na canção presente no CD “Não para magoar”. A mesma chuva que “nos escurece” e que serve de “cenário para mil amantes" causa diversos riscos e é a base de "Chuva op. 14:30":



Apesar de toda a poesia e lirismo da canção, sabemos que o cenário atual da cidade é bem mais complexo, problemático e menos idílico. Talvez isto explique o grande número de “exilados” fora do Estado ou ainda pessoas que seguem uma rotina “em movimento”, habitando na cidade, mas viajando sempre que possível (seja para casas no interior ou mesmo outros estados ou países). Cria-se então uma Belém mais contemporânea, menos ligada a um espaço físico de fato, mas sim a insigths, lembranças e cenários "nebulosos". Uma Belém somente de relance, em movimento, de passagem. Sonora e violenta, a cidade das aparelhagens é a base de uma das principais canções do novo álbum do músico: "Belém de passagem".



Neste movimento, diversas "Beléns" se cruzam, por vezes dialogam e em muitas ocasiões se chocam. Em especial uma Belém mais melancólica, próxima e acessível a todos, evidenciada (ou evidenciando) a decadência citadina, como a apresentada em "Oswald Canibal", resultado da parceria de Henry com o poeta Paulo Vieira.



Simbiose de fatores, referências e estilos, a canção tem sua gênese na relação entre a poesia modernista de Oswald Andrade e a filosofia contemporânea de Benedito Nunes, passando pelo interstício que une (pelo bem, pelo mal) São Paulo e Belém do Pará. A canção "fala" da ambição do modernista Oswald e cita o recorrente diagnóstico de Benedito Nunes sobre o esfacelamento de Belém.

Leia também: Pelo bem, pelo mal, Oswald Canibal

Neste “ciclo”, se é que podemos chamar assim, tal decadência termina sendo fortalecida pelos próprios moradores, que desamam a cidade, como afirmou o próprio Henry em entrevista em 2015, em outra reportagem minha, sobre o então aniversário de 399 anos da capital paraense. Aos problemas públicos e privados que se reproduzem em escala e dificultam melhorias na capital paraense, se soma então “o desamor pelos espaços de convívio, a destruição do patrimônio” por parte da população.
Na época, para Henry, este seria o maior problema observado na capital paraense. A solução? O próprio Henry responde: “A necessidade maior é simplesmente amar a cidade e cuidar dela como cuidamos da nossa casa, entendendo que a cidade deve ser uma continuidade amorosa de nossa intimidade”, explica. E isto pode ser feito através de linguagens artísticas, como a música, ainda que permaneçam inúmeras " promessas inscritas nas artes da cidade, que ainda não as merece".

Confira: “Desamor”, mudanças na fisionomia e problemas marcam Belém contemporânea

Belém Incidental
Em entrevista, Burnett deu detalhes de Belém Incidental. "Foi um álbum pensado muito lentamente, embora tenha sido finalizado de modo rápido. São 10 faixas, que começaram a ser gravadas em Santarém há mais ou menos 4 anos, com produção de Fábio Cavalcante”, explica.
Além disso, Henry afirmou que “o álbum mistura canções antigas ("Vozes do norte", "Balanço de onda") com a safra mais recente ("Belém de passagem, com letra de Paulo Vieira); no meio delas, canções com meus outros dois parceiros frequentes, Renato Torres ("Reino") e Edson Coelho ("Trem do samba"). Cada faixa foi escolhida com calma, por isso o conjunto fala. A exceção é "E nós", que escrevi para os 70 anos da minha mãe, no ano passado", antecipou.


O disco estará disponível para download a partir de sexta. Imagem: Divulgação.

Seguindo o modelo de música independente (ou de “contra-indústria”, utilizado por alguns autores), o músico disse ainda que "o disco foi todo gravado em home studio, quatro no total. Mas a maior parte foi gravada e finalizada no Guamundo home studio, do Renato Torres, que divide a produção do disco com o Fábio, destacou.
Para quem já conhece sua obra, Henry avisou que "uma mudança muito grande foi feita neste álbum, onde assumi uma faceta apenas insinuada nos discos anteriores: o rock. De algum modo, esta opção significa uma homenagem ao grande movimento do rock paraense, simbolizado pela única convidada do disco, a Sammliz", finalizou.



Perfil
Henry Burnett nasceu em Belém do Pará em 1971. Pós-doutor em Filosofia, atualmente é professor na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Como músico, possui quatro CDs gravados: o experimental “Linhas Urbanas”, 1996; “Não Para Magoar”, 2006; “Interior”, 2007, gravado em Buenos Aires em parceria com Florencia Bernales e o livro/CD “Retruque/Retoque”, 2010, em parceria com o poeta paraense Paulo Vieira. Além disso, Henry também produziu o CD “Depois da revoada”, 2012, junto com o músico e poeta paulistano Julio Luchesi.
Já como pesquisador, Henry é autor do livro “Cinco prefácios para cinco livros escritos: uma autobiografia filosófica de Nietzsche” (Tessitura Editora, Belo Horizonte, 2008), da coletânea de ensaios sobre filosofia e música “Nietzsche, Adorno e um pouquinho de Brasil” (Editora Unifesp, 2011) e do volume da Coleção Leituras Filosóficas da Editora Loyola “Para ler O Nascimento da Tragédia de Nietzsche” (2012).

Serviço
Lançamento do álbum Belém Incidental, de Henry Burnett
Onde? Sesc Boulebard (Boulevard Castilhos França, 562/563, Campina)
Quando? Sexta-feira (27), 19h.
Entrada Franca

Por Enderson Oliveira

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Postado por Blog de Enderson Oliveira
25/1/2017 às 13h06

 
Inda não te conhecia (Série: sonetos)

Não te encontrei e te sei dia e noite;
inda longe, há muito te queria.
A esse tédio que tudo esvazia,
nenhum vazio haverá que me açoite.

A estranha voz do pássaro da noite
de tanto vibrar não trará o dia;
em sendo rouxinol ou cotovia,
que em teu corpo meu lábio pernoite.

Ante o mar de enluarada tormenta,
o desejo sem chave ou sem saída,
tão logo me avassala, me apascenta.

Aos olhos a sedução consentida,
bebamos a calma paixão sedenta.
O amor não pede tempo nem medida.



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Postado por Blog da Mirian
21/1/2017 às 07h43

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