busca | avançada
32332 visitas hoje
337 mil no mês
Segunda-feira
Artes
Internet
Terça-feira
Teatro
Televisão
Quarta-feira
Cinema
Música
Quinta-feira
Além do Mais
Gastronomia
Sexta-feira
Imprensa
Literatura
Newsletter
* por Julio Daio Borges
Segunda-feira
Daniel Bushatsky
Gian Danton
Ricardo de Mattos
Terça-feira
Débora Carvalho
Diogo Salles
Jardel Dias Cavalcanti
Quarta-feira
Guilherme Montana
Luiz Rebinski Junior
Rafael Fernandes
Quinta-feira
Elisa Andrade Buzzo
Marcelo Spalding
Vicente Escudero
Sexta-feira
Ana Elisa Ribeiro
Marta Barcellos
Rafael Rodrigues
Especiais
Últimos Posts
>>> Verão Poesia Internacional BH
>>> O tablet do Google
>>> Steve Jobs apresentando iBooks
>>> Steve Jobs apresentando o iPad
>>> Mais uma Borrachalioteca
>>> Jobs homenageia o Kindle
>>> iPad o Leitor da Apple
Mais Recentes
>>> Considerações sobre a leitura
>>> 77 anos do Mercado Municipal
>>> Ayn Rand ou o primado da razão
>>> A humanidade segundo Saramago
Mais Recentes
>>> Paula Dip
>>> Luis Eduardo Matta
>>> Spacca
>>> Cris Dias
>>> Ricardo Freire
>>> Lúcia Guimarães
Mais Recentes
>>> Monteiro Lobato... de fato! (Lawrence Husby)
>>> O mistério dos dinossauros (Claudio Spiguel)
>>> Cachorros e pichadores (Paulo Mauad)
>>> Os Olhos do Dragão (Isadora Padilha)
>>> Os entraves permanecem (Isadora Padilha)
>>> Lindo (Juliana Galvão)
>>> Coleção Para Gostar de Ler (Paulo Mauad)
>>> Ainda outra dúvida (Paulo Mauad)
>>> Não existe melhor (Denise Macedo)
FAQs
site, divulgação & colabs.
Quem Somos
histórico & mapa do site
Audiência & Anúncios
quem lê & como anunciar
Expediente & RSS
quem é quem & feeds
Últimos Releases
Categorias Atualizadas
Eletrônicos - Calculadoras
Celulares - LG
Celulares - Samsung
Celulares - Palm
Celulares - Acessórios - Adaptadores USB
Informática - Tuning
Eletrônicos - Filmadoras
Informática - Wireless e Wi-Fi
Celulares - Acessórios - Software
Celulares - Acessórios - Carregadores
Celulares - Acessórios - Capas e Suportes
Celulares - Acessórios - Outros
Celulares - Acessórios - Carcaças e Face Plates
Celulares - Acessórios - Cabos
Celulares - Acessórios - Adaptadores Dual Chip
Acessórios Áudio e Vídeo - Fones
Telefonia
Eletrônicos - Segurança para Casa
Celulares e Telefonia - Outros
Informática - Outros
Celulares - Apple iPhone
Celulares - Motorola
Celulares - Cartões de Memória
Celulares - Midi
Informática - Redes
Informática - Componentes
Informática - Impressoras
Informática - Gravadores
Eletrônicos - Som e Vídeo para Carro
Informática - Periféricos
Acessórios para Veículos
Celulares - Nextel
Eletrônicos - Outros
Eletrônicos - Carregadores e Baterias
Antiguidades
Celulares - Memória - microSDHC
Informática - AMD
Celulares
Saúde e Beleza
VoIP - Telefonia via Internet - Acessórios
Informática - PCs
Celulares e Telefonia
Eletrônicos - Áudio Portátil
Revistas
Celulares - Memória - SDHC
Celulares - PowerPack
Celulares - Foston
Celulares - Bak
Celulares - Anycool
Telefonia - Outros
COLUNAS

Quarta-feira, 21/5/2003
Monterroso, memorialista da incompletude
Rodrigo Gurgel
+ de 1100 Acessos

Somos apenas memória, nada mais, é a certeza que cada uma de nossas células repete, de maneira incansável, desde a nossa geração no ventre materno. Apenas essa capacidade inata de recordar seus códigos e reimprimi-los, segundo após segundo, às suas próprias funções, por mais mínimas que sejam, é o que assegura vida aos nossos corpos.

A aptidão de lembrar é o que permite também nossa interação com as múltiplas faces da existência. Sem recordar, estaríamos condenados a repetir sempre o mesmo gesto inicial para cada ato, ou seríamos obrigados a nos reportar, minuto a minuto, a extensos e elaborados compêndios, o que tornaria a vida inexeqüível.

A faculdade de recordar é, no entanto, tão corriqueira que só nos damos conta de sua imperiosa necessidade quando ela nos falta. Ou quando, por alguma razão, ela avulta aos nossos olhos, manifestando-se em toda a sua complexa grandiosidade.

Centenas de livros foram escritos tendo por mote a rememoração, real ou fictícia, e o mais famoso de todos talvez seja Em busca do tempo perdido, de Proust. É igualmente desse estreito vínculo do homem com suas recordações que nasce Los buscadores de oro (Alfaguara, México), memórias do escritor guatemalteco Augusto Monterroso, falecido há poucos meses.

Contudo, mais que um minucioso e extenso exercício de resgate do passado, a obra de Monterroso é um testamento da simplicidade desse escritor que viveu exilado no México desde 1944. Um exercício destituído de qualquer petulância, no qual o autor foge da facilidade – tão comum em certos escritores – de imputar a si mesmo os louros da genialidade ou do sucesso.

Ao contrário, o autor desconsidera sua capacidade de memorialista, menospreza-a, afirmando "nunca ter possuído boa memória para os sucessos externos de qualquer índole, sejam estes importantes ou banais". E confessa ser "incapaz de recordar e, portanto, de descrever situações ou ambientes, rostos ou expressões de pessoas".

Monterroso reconhece a origem dessa inaptidão no fato de "sempre ter padecido de uma incurável distração" e de "ter vivido as coisas como se o que me sucede estivesse sucedendo a outro, que sou e não sou eu". O próprio escritor explica:

"Vejo este outro vivê-las [as coisas] no instante em que se produzem e o vejo adiar quase conscientemente sua possível emoção. Observo que este fenômeno se acentua com os sucessos que poderiam se chamar positivos, como se as coisas boas não pudessem ser para mim, nem para esse outro eu que vejo atuar e que, com certeza, tampouco as merece. Então adio por um tempo mais ou menos longo a alegria que trariam consigo e espero com cautela para confirmá-las como certas, à maneira do cowboy que nos velhos filmes do Oeste morde a moeda de prata, receoso de que não seja legítima."

Esse distanciamento a que o autor se obriga – ou se condena – em relação às "coisas boas" é mais do que um negar a si mesmo a possibilidade de se regozijar com os acontecimentos, alcançando a qualidade de uma sensação de profundo estranhamento:

"O resultado é que, tristemente, para o momento da aceitação, o valor das coisas conquistadas diminuiu tanto em minha estima que quase já não valem a pena."

A origem desse não se reconhecer merecedor de alegrias e prazeres residiria, segundo Monterroso, em um acontecimento da infância, quando, com cinco anos, ele teve sua primeira experiência erótica ao examinar, sob a mesa do "penumbroso dormitório" de uma de suas tias, "com enorme curiosidade e gosto", a genitália da filha de uma empregada da casa, menina de sua idade:

"Assim, é provável que a satisfação que me produziu a linda cor rosada do sexo de minha primeira parceira erótica, e o conseqüente castigo que recebi ao ser expulso daquele inocente paraíso infantil, tenham imprimido em mim, de maneira indelével, um sentido de culpa e condenação, de categórico não merecimento do bom ou do prazenteiro, coisas estas que em todo o futuro deveriam ser, para sempre e por direito próprio, só para os demais."

O prazer, dessa forma, será sempre o alheio na vida de Monterroso. E suas breves memórias estão carregadas desse afastamento melancólico da capacidade de se sentir merecedor de todas as compensações, por menores que fossem.

No transcorrer das breves páginas que compõem Los buscadores de oro – envoltas em permanente aura de incompletude – estão presentes a figura sonhadora e débil de seu pai, a história dos países que compõem a América Central (e a denúncia do violento jugo que os EUA sempre impuseram a eles) e a descoberta da leitura, à qual a memória de Monterroso está irremediavelmente ligada, pois, para ele, o que foi lido ressalta com maior força do que o vivido.

Em Monterroso, a lembrança dos acontecimentos reais se transmuta e ganha contornos indecisos, mas o que foi lido permanece vivo e é descrito com espantoso detalhamento:

"Lia-os [os poemas] uma e outra vez e os repetia e memorizava em segredo, como algo muito meu e intransferível, gozando sozinho com a sensualidade das palavras, o ritmo dos versos e a sonoridade das rimas. (...) Não eram as coisas descritas ou seus significados, (...) senão as palavras, sua disposição e sonoridade, o que embelezava minha mente infantil através de meus olhos e de meus ouvidos. (...) Eram, repito, as vogais acentuadas e o reencontro das sílabas nas rimas o que me fazia parar em cada verso e preparar o ouvido, como quem se dispõe a escutar o eco de uma voz em um abismo."

Los buscadores de oro descreve as recordações de Monterroso até 1936, quando o escritor tem 15 anos. Memórias incompletas, portanto. Memórias cuja ambigüidade é um convite ao conhecimento de uma América Latina mutilada em suas tradições, formadas sob o signo do inacabado e das mudanças permanentemente atravancadas. Memórias jamais concluídas de quem definiu a tarefa do escritor como a de um viajante que deseja "não chegar nunca, explorar mundos desconhecidos e, sem se deter, seguir de novo como ao princípio".


Rodrigo Gurgel
São Paulo, 21/5/2003

Quem leu este, também leu esse(s):
01. O aniversário mais triste de São Paulo de Débora Carvalho
02. A arqueologia secreta das coisas de Elisa Andrade Buzzo
03. Teoria dos jogos de Gian Danton
04. O filme do Lula e os dois lados da arquibancada de Diogo Salles
05. São Luiz do Paraitinga de Ricardo de Mattos


Mais Rodrigo Gurgel
Mais Acessadas de Rodrigo Gurgel em 2003
01. Os gatos têm algo a nos ensinar? - 20/8/2003
02. Suicídio: as razões de Pavese e Koestler - 5/2/2003
03. Blasfêmia e prazer: as bem-aventuranças de Sade - 25/6/2003
04. Esboços para uma etnologia paulistana - 19/2/2003
05. Prece ao deus impossível - 8/1/2003


Mais Colunas Recentes

* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Site/Blog:
Texto:
 
0 (número de caracteres digitados até agora)
Título:
 
publicar este comentário no site
 
receber próximos comentários por e-mail
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.

Livraria Cultura
Campus-Elsevier
Submarino
Editora Globo
Editora Record
Editora Objetiva
Editora Planeta
Companhia das Letras
MercadoLivre
Conrad Editora
LANÇAMENTOS
Campus-Elsevier

Gestão 2.0
José Cláudio Terra
por R$ 49,90


A nova regra do jogo
Rafael Paschoarelli
por R$ 53,00


O poder das conexões
Nicolas A. Christakis
James H. Fowler

por R$ 69,90


Os bastidores da Crise
David Wessel
por R$ 69,90


Fitoterapia Contemporânea
Leda, Sá, Saad e Seixlack
por R$ 139,00


Como dizer tudo em inglês em viagens
Ron Martinez
por R$ 39,90


A era do radicalismo
Cass Sunstein
por R$ 49,90


Mudança Climática
Stephan Faris
por R$ 67,90


Eu quero ser rico!
Maurício Bastter Hissa
por R$ 45,00


Milionário-Minuto
Robert Allen
Mark Hansen

por R$ 59,90


As mulheres francesas não engordam
Mireille Guiliano
por R$ 49,90


O guia prático de finanças de Roberto Zentgraf
Roberto Zentgraf
por R$ 49,90


Tenha Calma!
Vera Martins
por R$ 47,00


O segredo das mulheres francesas
Mireille Guiliano
por R$ 32,90


Mulheres, trabalho e arte do savoir fare
Mireille Guiliano
por R$ 66,00

OFERTAS
Celulares - Cartões de Memória


Cartão Memoria Pro Duo 8gb Sony Memory Stick
por R$ 39.80
até 05/3/2010



Cartão Micro Sd 8gb Sandisk Microsd Original 100% Positivas
por R$ 44.89
até 13/3/2010



Sony Memory Stick Pro Duo 8gb Cartão De Memória 8 Gb
por R$ 44.95
até 16/3/2010



Cartão De Memória Sony Pro Duo 8gb
por R$ 39.99
até 06/3/2010



Cartão De Memoria Micro M2 2gb Sony Original Pronta Entrega
por R$ 18.90
até 18/2/2010



Cartão Memoria Micro Sd Hc 8gb Sandisk
por R$ 38.99
até 21/3/2010



Cartao De Memória Sony Micro M2 4gb
por R$ 33.99
até 13/3/2010



Microsd Transflash 16gb Micro Sd Cartão Memoria 16 Gb Sdhc
por R$ 103.99
até 02/4/2010



Cartão De Memória Micro Sd Hc 8gb
por R$ 43.99
até 08/4/2010



Memória Sd Hc 16gb Adata P Asus Eeepc Eee Pc Pronta Entre
por R$ 83.99
até 05/3/2010


Mais "Celulares - Cartões de Memória"...

busca | avançada
32332 visitas hoje
337 mil no mês