Torce, retorce, procuro, mas não vejo... | Ruy Goiaba | Digestivo Cultural

busca | avançada
55963 visitas/dia
1,5 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Linha do Tempo
>>> Shopping Higienópolis Promove II Festival de Vinhos
>>> Núcleo de Economia Criativa (NEC) tem mais de 200 opções de presentes para o Dia dos Pais
>>> FILMES DE TERROR SÃO DESTAQUE NO FESTIVAL LATINO-AMERICANO DE SP
>>> Programa discute as novidades do mercado com a TV sob demanda
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> George Orwell e o alerta contra o totalitarismo
>>> Influências da década de 1980
>>> Gerald Thomas: cidadão do mundo (parte final)
>>> O romance do 'e se...'
>>> Xadrez, poesia de Ana Elisa Ribeiro
>>> Espírito e Cura
>>> Precisa-se de empregada feia. Bem feia.
>>> Minha Terra Tem Palmeiras
>>> Gerald Thomas: Cidadão do Mundo (parte IV)
>>> Depois do chover
Colunistas
Últimos Posts
>>> Acabou o governo
>>> O Chileno
>>> Fabio Gomes
>>> Irmãos Amâncio
>>> Rita de Cássia Oliveira
>>> Gil e Pepeu em Montreux 1978
>>> Wagner Moura em Narcos
>>> Marcio Acselrad
>>> Mais uma de Leonardo da Vinci
>>> Mr. Sandman
Últimos Posts
>>> Os Rolling Stones deveriam ser tombados
>>> Viva a revolução
>>> As redes sociais como ferramentas de mobilização
>>> A segunda vida, de Machado de Assis
>>> Agosto, mês augusto
>>> Verso de Ausência
>>> A culpa da alegria
>>> Frase da semana
>>> A vitória da pochete
>>> Farmácia popular
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Um livrinho, um poetinha
>>> Em defesa dos cursos de Letras
>>> Semana da Canção Brasileira
>>> Multimodalidade
>>> Entrevista à revista Capitu
>>> Eles - os artistas medíocres
>>> Predadores humanos
>>> Os 100 maiores cientistas
>>> Ribamar, de José Castello
>>> Maria Rezende no Sesc BH
Mais Recentes
>>> uma breve historia do tempo
>>> jOÃO cABRAL DE mELLO E nETO
>>> Nem vem que não tem - a vida e o veneno de Wilson Simonal
>>> Cálculo 2 James Stewart
>>> diario de um mago
>>> a revolução luciferiana
>>> Karl Ove Knausgård
>>> fabio morais
>>> controversia religiosa
>>> Haroldo de campos
COLUNAS

Quarta-feira, 28/5/2003
Torce, retorce, procuro, mas não vejo...
Ruy Goiaba

+ de 6100 Acessos

Houve um período, no início dos anos 60, em que os jazzistas pareciam especialmente interessados em usar músicas "para crianças" nas suas improvisações. Quase simultaneamente, Miles Davis gravava o tema da Branca de Neve ("Someday My Prince Will Come"), o pianista Bill Evans incluía em seus shows "Alice in Wonderland" e John Coltrane fazia sucesso com "My Favorite Things", do musical "The Sound of Music" -na época, ainda não transformado no filme "A Noviça Rebelde".

Claro que a transformação dessas músicas era, muitas vezes, radical. Coltrane gravaria, alguns anos depois, uma versão "free" de uma das músicas de "Mary Poppins" ("Chim Chim Cheree"), além de tocar, ao vivo, longas e ensurdecedoras "coisas favoritas" -sem nenhum traço da melodia original.

Mas isso não desmente o fato de que elas eram, sim, musicalmente interessantes. E seu uso pela música dita "séria" é, na verdade, uma tradição que remonta aos clássicos, com seu aproveitamento de temas folclóricos. Até Mahler usou o "Frères Jacques" para compor o sombrio (e bota sombrio nisso) terceiro movimento de sua primeira sinfonia ("Titã").

Tudo isso para dizer que não devemos desprezar o Gilliard quando ele canta a "Festa dos Insetos". Um dia, algum novo Mahler descobrirá essa maravilha.

Não vi e não gostei
Essa frase, atribuída ao Oswald de Andrade, sintetiza minha reação diante de coisas-que-estejam-na-moda (ou, em português castiço, hype). Basta que "todo mundo" esteja lendo um livro, ouvindo um CD ou vendo um filme para que meu cérebro emita um impulso que pode ser traduzido assim: "Deve ser uma merda! Não vou ver". Livro, CD e filme podem ser ótimos, mas não adianta. Esse impulso é mais forte que eu (e vivam os clichês).

Goiabas conceituais
E eu perdi a oportunidade de participar da Bienal de artes plásticas. Pois é: também sou um artista conceitual, multimídia e performático. Criei a seguinte instalação: eu mesmo, sentado na frente do computador, vestindo um escafandro azul-royal, com pés-de-pato combinando. Sobre o terminal, meu pingüim de louça e uma tabuleta com uma citação de santo Agostinho ("Dai-me a castidade e a continência, mas não para já").

O que significa? Ora, a impossibilidade de ser casto diante dos apelos eróticos e cibernéticos do mundo contemporâneo. Ou a contradição entre nossas limitações corporais e intelectuais (daí o pingüim) e o desejo de mergulhar no mar de informações da internet (o que explica o escafandro). Ou a prova cabal de que o "artista" é um xarope. Ou tudo isso junto. Ou não.

Quer saber? Na verdade, há algo faltando. Vou fazer como o Tunga e contratar cinco mulheres para ficar dando voltas em torno da minha instalação. Peladas, é claro.

Sem sacanagem; afinal, é tudo conceitual.

Welcome to the club
Sempre desconfiei de que Narcisa "Ai, Que Loucura" Tamborindeguy fosse goiaba pura, até a medula. Agora, não tenho mais dúvidas. Dêem só uma olhada no que, em seu site, ela chama de "grandes destaques da literatura": Albert Camus, Barbara Cartland, Agatha Christie e Ernest Hemingway. Uma mulher que equipara, numa frase, Camus e Hemingway a Barbara Cartland é feita sob medida para um homem como eu, que guarda seus quartetos de cordas do Haydn no meio dos CDs do Nelson Ned. Só não proponho casamento porque meu salário é modesto demais para comprar o talco medicinal de que ela gosta.

O velhinho "serial killer"
Nelson Rodrigues estava certo quando dizia aos jovens: "Envelheçam depressa, antes que seja tarde". A supervalorização do simples fato de ser jovem, de algumas décadas para cá, aumentou exponencialmente a concentração de cretinice por metro quadrado neste planetinha. Muitos crêem que a data de nascimento numa certidão seja, por si só, uma excelsa qualidade e que "novo" seja sinônimo de "melhor" (o que faz da Aids, por exemplo, uma coisa bem "melhor" e mais "muderrrna" do que a gonorréia). No fundo, é compreensível: jovens descerebrados são ótimos consumidores e excelente massa de manobra.

Contra esse estado de coisas, já pensei em escrever um conto, tendo como protagonista um velhinho "serial killer". Um belo dia, ele se cansa de ler Schopenhauer, Ortega y Gasset e Cioran, porque acha que a simples leitura não vai resolver os problemas do mundo -e passa das palavras à ação. Começa a freqüentar assembléias estudantis, shopping centers e shows do Natiruts ("liberdade pra dentro da cabeeeçaaa"...), entre outros lugares insalubres, para seqüestrar jovens cretinos e empalá-los com sua bengala pontiaguda ou sufocá-los com seu fraldão geriátrico (usado, of course). Não pensei ainda no final, mas acho melhor fazer com que isso vire logo ficção -ou, daqui a 30 anos, eu mesmo vou me transformar nesse velhinho.

Diálogos impertinentes
Aqui em São Paulo, há um evento com esse nome -promovido, se não me engano, pelo Sesc e pela PUC-, que é transmitido pela TV a cabo. Os organizadores convidam, a cada programa, uma dupla de seres iluminados (filósofos, ociólogos, pepsicólogos etc.) para discutir assuntos geralmente estratosféricos. Eu acho que os debates seriam muito mais interessantes se eles chamassem interlocutores realmente impertinentes. Seguem sugestões:

* Milton Neves e Roberto Avallone: "Avallone, você é medíocre!" "O quê? Eu sou medíocre, interrogação? Medíocre é a senhora sua mãe, exclamação!"

* Luiz Mott e Jorge Lafond: "Calminha, Vera Verão! Você está nervosa!" "Você é uma bicha gooorda, escrooota! Se eu estivesse aí, quebrava a sua cara!" (A troca de gentilezas era por telefone.)

* Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes: "As sílabas servem para batucar, Brown?" "Sim, Arnaldo. Para batu-educar, para batu-alimentar, para baco-vinhar, para basco-escoar e para basquear-pintar."

(Nota do Ruy: os principais trechos desses diálogos não são ficcionais. Está cada vez mais difícil competir com a goiabice do dito mundo real. Ai ai ai de mim, como diria o João Bosco.)

Nota do Editor
Ruy Goiaba assina o blog puragoiaba, onde estes textos foram originalmente publicados.


Ruy Goiaba
São Paulo, 28/5/2003

Quem leu este, também leu esse(s):
01. Contra a breguice no Facebook de Marta Barcellos
02. Bibliotecários de Ricardo de Mattos
03. Adolescentes e a publicação prematura de Carla Ceres
04. Mente Turbinada e Brasil na Copa de Marilia Mota Silva
05. Memórias de um caçador, de Ivan Turguêniev de Ricardo de Mattos


Mais Ruy Goiaba
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS


CADÊ O SOL?
VERA LÚCIA DIAS E ROMONT WILLY

De R$ 28,00
Por R$ 14,00
50% off
+ frete grátis



MEDIDA DA VIDA, A
MARDER, HEBERT

De R$ 79,00
Por R$ 39,50
50% off
+ frete grátis



A CEIA DOMINICANA
REINALDO SANTOS NEVES

De R$ 50,00
Por R$ 25,00
50% off
+ frete grátis



ALMANAQUE WICCA 2014
EDITORA PENSAMENTO

De R$ 9,90
Por R$ 4,95
50% off
+ frete grátis



LEGADO DE CINZAS
TIM WEINER

De R$ 67,90
Por R$ 33,95
50% off
+ frete grátis



EM DEFESA DO FAZ DE CONTA
SUSAN LINN

De R$ 38,00
Por R$ 19,00
50% off
+ frete grátis



A PROMESSA DE FELICIDADE
JUSTIN CARTWRIGHT

De R$ 42,00
Por R$ 21,00
50% off
+ frete grátis



VALE DOS DRAGÕES
SALAMANDA DRAKE

De R$ 32,00
Por R$ 16,00
50% off
+ frete grátis



A MULHER QUE ERA O GENERAL DA CASA
PAULO MOREIRA LEITE

De R$ 36,00
Por R$ 18,00
50% off
+ frete grátis



DIREITO PROCESSUAL CIVIL 2 - PRIMEIRA FASE
MONTANS DE SÁ E DIOGO CARVALHO FIGUEIREDO

De R$ 39,90
Por R$ 19,95
50% off
+ frete grátis



busca | avançada
55963 visitas/dia
1,5 milhão/mês