Não existe pote de ouro no arco-íris do escritor | Julio Daio Borges | Digestivo Cultural

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COLUNAS

Sexta-feira, 29/7/2005
Não existe pote de ouro no arco-íris do escritor
Julio Daio Borges

+ de 16400 Acessos
+ 26 Comentário(s)

Eu já ia usar esse título, mas eu ia escrever sobre a Geração 90. Eu ia escrever sobre a história que eu ouvi de um dono de sebo, que conheceu todo esse pessoal. De como eles estão na mídia toda hora (tema de Coluna anterior) e de como eles estão felizes por receber um adiantamento (para escrever um livro em, sei lá, um ano) de 500 reais mensais. 500 reais. Tem base? Para ser escritor. Escritor de editora grande. Escritor com distribuição nacional, tal e coisa, coisa e tal. Escritor.

Mas o assunto do Movimento Literatura Urgente me atropelou. Na verdade, por conta de uma matéria sobre isso na Veja, os próprios escritores já entraram na conversa que eu ia começar. Entraram de sola. E eu vou tentar provar por que esse Movimento está errado e por que quase todos eles - dentro desse Movimento - também estão. Não provar pelas mesmas razões que eles evocam, mas por outras, e por experiência própria. Vocês estão livres para concordar ou discordar, tá?

Eu não sei o que aconteceu dos anos 90 pra cá, mas um montão de escrevinhadores - na minha geração (e eu me incluo) - resolveu achar que podia viver de publicar. Será que foi o surgimento (e a consolidação) da editora do Luiz Schwarcz? Será que foi a revolução (editorial) que a Companhia das Letras provocou? Será que foi a modernização do setor que as outras editoras (velhas e novas) se viram obrigadas a implementar? Será que foi o êxito do Rubem Fonseca? Será que foi o João Ubaldo Ribeiro na Nova Fronteira? Será que foi o Luis Fernando Verissimo na Objetiva? Será que foi o Paulo Coelho - sinal-da-cruz agora - na Rocco?

Eu sei lá. Eu sei que um monte de gente, na aurora dos seus vinte anos, dos anos 90 pra cá, resolveu achar que dava.

Não dá. Nunca deu e nem digo que nunca dará, mas dificilmente daria - em qualquer lugar. Não é um problema do Brasil. Não é um problema estrutural nosso, mas é a realidade do escritor. Vocês - escritores da Geração 90, que estão agora reclamando - já pensaram que Kafka, um dos pais da modernidade, morreu antes de se consagrar? Lembram que ele pediu a Max Brod, seu testamenteiro, para queimar a maior parte do seu espólio? Não, vocês não se lembram, vocês não conseguem se lembrar. Lembram provavelmente de Thomas Mann, outro dos pais da modernidade, que não amargou falta de reconhecimento mas que já se estabeleceu logo no primeiro romance. Mas vocês se esqueceram de que Thomas Mann é um caso à parte.

Vamos voltar pra cá. Vocês - escritores da Geração 90 - esqueceram que, no Brasil, quase ninguém viveu de ser escritor? Eram funcionários públicos; tinham outros cargos, tinham outras profissões. Ninguém era escritor full time. Só o Jorge Amado - que tinha a militância por trás. O Drummond foi trabalhar com Gustavo Capanema, ministro do Getúlio. O Guimarães Rosa foi ser médico; depois, diplomata. O Euclides da Cunha era engenheiro; construía pontes (nem jornalista era). O Rubem Fonseca trabalhou um tempão na Light (foi também delegado de polícia, como todo mundo sabe). O Ferreira Gullar foi escrever roteiro e dramaturgia na Globo. O Mário de Andrade não foi ao casamento do Fernando Sabino por falta de grana. O Oswald de Andrade era dono do bairro inteiro de Cerqueira César (vulgo "Jardins"), em São Paulo, e torrou toda a sua fortuna com esse negócio de ser escritor. O Álvares de Azevedo morreu aos 22 anos; o Castro Alves, aos 24. O Luis Fernando Verissimo - o bem-amado da capa da Veja, que vende milhões de exemplares todos os anos - mora até hoje na mesma casa que foi de seu pai (Érico Verissimo, também escritor). O Paulo Coelho ficou milionário, tá, mas só. E alguém aqui quer imitá-lo?

Agora, vocês, com vinte, trinta anos, que querem viver de literatura (ou viver de escrever), acham que dá. Não é por que vocês querem que vai dar. Sinto lhes informar.

O problema de escrever é um só. É gostoso; é terapêutico; alivia que nossa... Mas não resolve os nossos problemas, de escritores. O escritor geralmente começa na adolescência, com um diário (eu disse "diário", não disse "blog"). Tem um problema qualquer - de carência, de insegurança, de auto-afirmação - e dá-lhe diário pra extravasar. Como eu disse, é terapêutico, funciona. O problema continua lá (escrever não resolve), mas parece que - depois de escrever - fica mais fácil lidar. Esse é o problema, na verdade. A maioria dos escritores carrega essa muleta para a vida inteira ("Os escritores - ao contrário de todas as outras pessoas - não conseguiram se livrar do diário", Martin Amis na Flip 2004), e quando a coisa aperta, mais lá na frente, dá-lhe diário ou o que estiver no lugar (agora pode colocar "blog"). Como os problemas não se resolvem escrevendo, o escritor começa a colocar a culpa nos que estão em volta: pais, professores, namorada, esposa, chefe, sociedade, governo, essas coisas. A escrita vira uma fuga e ele desiste de resolver os problemas que - porque o mundo está contra ele - não se resolvem mais. Então procura uma solução mágica.

Esse Movimento Literatura Urgente é mais uma solução mágica para resolver o problema do escritor. Uma mesada, um subsídio, uma parte dos impostos, sei lá, não importa. Os escritores não se convenceram até agora de que não vão viver apenas de publicar. Ainda mais no começo da carreira...

Se eu, pela minha experiência, tivesse um conselho para quem pensa em ser escritor - e deixar tudo pra trás para se dedicar -, meu conselho seria: não largue, não deixe tudo pra trás. Se você tem um emprego, não deixe seu emprego. Se você tem uma profissão, não largue sua profissão. Porque ser escritor não é emprego, não é profissão, não é cargo. Ainda não descobriram uma maneira de se viver só de publicar. E não é só no Brasil - em nenhum lugar.

O problema - da Geração 90, agora - é que eles acreditaram que dava pra viver de publicar. Eles viram a miragem - largaram tudo -, caminharam até lá e depois descobriram que não havia nada. Percorreram o arco-íris inteiro mas o pote de ouro não estava lá no final. Saíram na Folha, falaram na televisão, tocaram no rádio, embarcaram para feiras (ou festas ou jornadas) literárias, bienais, fundaram editoras, foram contratados por "editora grande", montaram blogs, o escambau - mas, enfim, descobriram que não adiantava nada. Porque não existe mercado editorial no Brasil. O mercado editorial daqui é uma ficção! Não temos leitores, as tiragens são simbólicas, os livros são considerados caros, proporcionalmente quase ninguém compra, e a porcentagem que o escritor recebe é aquela que vocês já sabem: 10% ou menor, muito menor. Vamos fazer uma conta rápida: as tiragens máximas são de 3 mil exemplares; vender mil (um mil) no Brasil (estou falando de escritor relativamente novo) é um estrondo; um livro de R$ 50 (preço de capa - livro caro), mil exemplares, 10% para o escritor; dá 5 mil reais. Cinco mil reais para viver um, dois anos - dá menos do que os 500 reais mensais (de adiantamento) que eu citei no primeiro parágrafo.

E como é que vocês foram achar que dava?

Então o escritor - da Geração 90, da Geração 2000, sei lá - acabou de concluir que não dá. Tenta outras formas de remuneração (afinal, já largou tudo: amigos, família, profissão - às vezes, nem tem pra largar): jornalismo, cinema, etc. Jornalismo também não dá. Escritores e jornalistas precisam conversar. O escritor - que não é jornalista - não é, portanto, contratado do jornal (da revista, sei lá). Colabora mas quase nunca recebe (é colaborador, não é do staff). Ou recebe, mas recebe mal (de novo, nem aqueles 500 reais). A mídia está quebrada, cara, não te contaram? Cinema. Ele ouviu falar que o Marçal Aquino ganha uma grana para roteirizar. Mas é o Marçal. O Marçal tem quantos anos nas costas de sua carreira de escritor? E a indústria cinematográfica brasileira vive - ainda - uma situação de instabilidade periclitante. As leis de incentivo podem mudar. O cinema brasileiro pode acabar, como acabou - de uma hora pra outra - na era Collor, porque acabaram os subsídios, a isenção de impostos, blablablá. E quem ganha com cinema é profissional de imagem. R$ 8 mil, por semana, para um diretor de arte. Escritor não é diretor de arte.

"E, agora? Devo me jogar da ponte?" Não, não deve; mas deve olhar os dois lados da questão. Por causa da internet (eu não disse "por culpa"), temos cada vez mais escrevinhadores. Inflacionou o mercado. É natural que escrever - que já não valia nada - agora valha menos do que nada. Os escritores vão ter de pagar pra publicar. Aliás, já está acontecendo. Vocês são escritores da Geração 90, vocês sabem. Quantos não tiveram de editar com dinheiro do próprio bolso para poder começar? Eu acho que - tirando quem tirou a sorte grande - todos tiveram de se (auto-)editar. Agora olhem para os empregadores de escrevinhadores como nós. Se você não aceitar colaborar a troco de nada (ou a troco de uma remuneração aviltante), numa revista ou num jornal, alguém vai aceitar. A oferta é enorme. Cinema, mesma coisa. O resto, mesma coisa (tradução, mesma coisa). E quanto mais blogs, e quanto mais ferramentas de publicação, pior. Mais escrevinhadores passando fome. É uma tendência que não dá pra mudar.

Aí os escritores que já partiram pro tudo ou nada (independentemente da sua qualidade literária) chegam a essas mesmas conclusões e começam a se desesperar. Apelam então. Exigem desvio de impostos, ou alíquotas, para um Movimento que vai - em princípio - lhes garantir maneiras de se sustentar. Ou seja: mais uma vez, eles não querem resolver seus problemas próprios, mas querem que o governo - ou o mercado editorial, mediante uma taxa - resolva (ou facilite o seu lado). Nada contra palestras e circuitos literários, e oficinas, e colóquios, e o escambau, mas isso não resolve. É que nem acreditar que o Fome Zero resolve o problema da fome. Não resolve. É artificial. Amanhã, o governo muda, as taxas mudam, baixam uma portaria, e voltamos à aridez do cinema da era Collor. Não adianta se pendurar no estado, não adianta querer impor - à força - um número crescente de escritores, ao mercado (e ao público), que o Brasil (ou qualquer país) não comporta.

As soluções - se é que elas existem - são as mesmas e não são de agora. Educação, leitura, livros baratos, poder aquisitivo, cultura, hábito, bons escritores. O melhor que o escritor pode fazer agora é escrever o melhor que pode, e esperar. Que venha uma nova geração. Que venham novos leitores. (A geração internet, quem sabe?) Que o Brasil avance. Que o mercado editorial se desenvolva... O caminho é o mesmo em todo lugar.

E, óbvio, a maioria dos "escritores" que estamos vendo aí hoje vai "rodar". É a lei da selva. É a seleção natural. Sobram os melhores. Não adianta impor cotas, não adianta querer sustentar uma casta se a mesma sociedade - em que se circunscreve essa casta - não parece, naturalmente, inclinada a sustentá-la. Sem mencionar um simples fato: que critérios vamos adotar? Os fundadores do Movimento Literatura Urgente têm prerrogativa na hora de administrar (e de ministrar) as verbas? É triste, mas, mais uma vez, os escritores brasileiros estão deixando de se envolver com literatura para se envolver com política. Não podem querer transmitir, para a sociedade, o ônus de uma escolha pessoal. Uma escolha problemática.


Julio Daio Borges
São Paulo, 29/7/2005


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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
29/7/2005
11h18min
De uns tempos pra cá venho justamente desconfiando dessa tal inflação do mercado de que você fala por causa (e não culpa) da Internet e seus escrivinhadores - onde acabo me incluindo. Depois de ler seu texto não tenho mais dúvida. Apesar disso, essa incoerência em querer publicar qualquer coisa a qualquer custo (como se existissem leitores ávidos a cada esquina) ainda me espanta. Evidente que isso não significa nunca mais escrever uma letra, mas creio ser dificílimo apoiar uma pirâmide em sentido inverso: na base, quase nada; no topo, quase tudo. Impressionante como esse "empreendimento" ainda se sustenta, ainda que precariamente. A resolução para este "problema" (seja ela qual for) me parece ainda muito distante de ser alcançada. Lamentavelmente.
[Leia outros Comentários de Wagner Campelo]
29/7/2005
12h08min
Umas observaçoes: 1) não sei aonde, li que uma boa máquina de escrever daria jeito na situação. Afinal com a máquina, tem que se ter muita paciência quando se erra, tem que se reescrever a página inteira para ficar limpinho. Exercício que desanima muita gente. 2) Discordo que não dá para viver de ser escritor. Não dá para viver tentando ser Kafka. Mas aqui nos EUA eu encontro pessoas que escrevem estes romances de bolso, e vivem disso. Não são nenhuma obra da genialidade humana, mas vivem disso. Tem que ouvir seus clientes, como qaulquer micro-empresário, fazer ajustes e tal. Veja só quantos livros de fantasia são publicados por ano (e são uns dois por autor). 3) O problema da nova geração, de qualquer coisa feita no Brasil, é que querem logo serem famosos. Querem logo serem comparados a qualquer coisa que tenha notoriedade ou seja símbolo de qualidade. Mas pera lá, será que é mesmo tão importante termos outro Kafka brasileiro? Nisso eu prefiro a recomendação do meu orientador, siga o seu caminho. E 4) não entendo porque o público leitor se preocupa com movimentos. Isso é coisa de público um pouco idiotizado. Será que cada um não deveria ser capaz de ler, e julgar por si mesmo a qualidade de um livro? Isso impediria coisas chinfrins de se propagarem em velocidade instantânea... O problema da coisa chinfrin que se propaga rápido não é sua existência, mas sim que pode acabar danificando algo de bom que venha a acontecer. Mas ótima questão a ser levantada Julio! E prepare-se para as machadinhas...
[Leia outros Comentários de Ram]
29/7/2005
18h45min
Bom texto. A meu juízo, uma das causas desta baixa perspectiva que a maioria dos escritores tem de ver sua obra mais difundida - e, por conseguinte, mais rentável -, é a evidente má comunicação existente entre autores e leitores no Brasil. Não se trata simplesmente de falta de leitores. A Literatura brasileira, por mais extraordinária que seja, não tem apelo junto à massa de pessoas que compram livros. É uma Literatura para poucos, para um nicho intelectual muito restrito. A saída para os escritores que pretendam viver de Literatura no Brasil é se voltar para um público mais amplo. Mas, essa missão parece complicada numa nação onde todos querem, de alguma forma, consagrar-se como literatos e é vista, por muita gente, quase como uma heresia.
[Leia outros Comentários de Luis Eduardo Matta]
30/7/2005
01h16min
"É triste, mas, mais uma vez, os escritores brasileiros estão deixando de se envolver com literatura para se envolver com política." Como se envolver com literatura sem deixar de se envolver com política?
[Leia outros Comentários de fabiano fel]
30/7/2005
01h47min
No 15º capítulo do 3º tomo da "Coleção Lendas, Fábulas e Mitos dos Índios Tupiwanbara da América Central" consta uma estorieta que pode resolver a questão proposta por Julio. Achei útil postar seu resumo: "O terrível gigante Patã, ladrão do sol e fechador de fontes, cria 5 filhas, grandes serpentes chamadas de Anhã.(...) A cada lua elas crescem 1 metro, e precisam comer mais. A cada 30 anos as Anhãs são presas de fome tão grande, que uma delas ataca Patã, matando-o com seu veneno. (...) Essa permanece 1 ano ingerindo as carnes do gigante. (...) Porém, na noite em que regurgita os ossos do Pai, a Anhã assassina se transforma em Patã, e mata as antigas irmãs. De seu tornozelo brota uma pequena serpente, a nova Anhã, que o devorará. (...) Mas porém houve uma noite em que Iamã prestava atenção na terra, e abençoou uma Anhã de nome Tuangá. E Tuangá matou Patã, e não se alimentou dele. E por 6 meses o sol brilhou constantemente, e não faltava água. Mas porém uma de suas irmãs achou o corpo morto do Gigante, e devorou-o, e transformou-se em Patã. (...) O novo Patã, receoso, expulsou Iamã do céu. E matou Tuangá. Mas Tuangá renasceu da própria pele, porque havia sido abençoada. E se vingou, envenenando Patã. Mas uma Anhã achou seu corpo, e virou gigante e matou Tuangá.(...) E toda vez que Patã rouba o sol e seca as fontes, Tuangá renasce e mata Patã, e nos devolve a luz e a água. E assim que Tuangá foi o Primeiro Ator, porque troca de peles, e é o deus de todos os Atores e Artistas, que devem seguir Tuangá." Achei extraordinário como essa pequena estorieta resolve nossa questão!
[Leia outros Comentários de Fabiano]
30/7/2005
12h33min
Julio, você, sem saber (provavelmente), exprimiu exatamente o que eu passei como escritor. Quis muito ganhar a vida apenas escrevendo e publicando, e cada vez vejo que isso não dá, é uma ilusão. Por mais sorte que eu tenha de ter publicado um livro por uma grande editora juvenil, procurei um emprego e consegui, num site da internet! E não, não vou abandonar este emprego... ! Fico também confortado em saber que muitos escritores passam por isso, por esse querer achar o pote de ouro no final do arco-íris... Mas também acho que, talvez, um dia, daqui a uns quinze anos, eu possa - se eu for bom o suficiente - viver de literatura. Mas talvez quinze anos não, talvez só na próxima encarnação... Um dado importante é que a maioria dos escritores que vivem de literatura são todos cinquentões ou mais...! E, para finalizar, sinto muito feliz com o que você disse de mil exemplares vendidos é um estrondo... Sou um estrondo!!! Abraço, DNY
[Leia outros Comentários de Denny Yang]
30/7/2005
7. uau!
15h31min
uau!
[Leia outros Comentários de Paula Mastroberti]
30/7/2005
23h31min
Na batata, Julio. "...os escritores... não podem querer transmitir, para a sociedade, o ônus de uma escolha pessoal". Já pensaram se os administradores de empresas que faliram se organizassem com o mesmo objetivo? "Não, alto lá, ele faliu porque é incompetente" – muitos auto-intitulados escritores diriam. "Porque administrador de empresa é a corja do neoliberalismo, que só pensa em lucro. Nós, os-que-se-auto-intitulamos-escritores defendemos a arte". E querem que o governo sustente vocês? Ah, tá bom... Se vocês defendessem o dinheiro, quem sabe o governo até ajudase... A pessoa escolhe o parto com maior número de complicações possíveis e bota a culpa no médico por causa de um aborto. E olha que quem aqui escreve é um contista caseiro, que redige para o desprazer de uma meia dúzia de amigos... Seguindo a filosofia de um conhecido, músico de uma banda de blues e rock: "Sabe o que a gente faz quando chega no fim de uma apresentação num boteco qualquer, onde o cache não paga nem a bebida que a gente tomou? A gente olha um pro outro e diz: isso aqui tá um fiasco mesmo, vamos tocar mais uma pra esquecer". Vai que o público ainda se anime com a saideira no fim da noite...
[Leia outros Comentários de Rogério Kreidlow]
1/8/2005
08h44min
"O escritor é aquele solitário. Eu não sei qual é meu leitor e não me submeto à posição de procurá-lo" (Autran Dourado). Pelo que tenho observado a literatura é uma espécie de loucura. Assim como a leitura, uma loucura mansa. Ninguém jamais conseguirá viver da literatura. Ela é que vai tomando conta do escritor de uma maneira, a princípio, sub-reptícia, que vai num crescendo até uma dominação completa, absoluta e absurda. Talvez exista um escritor no fim do arco íris? O escritor é uma pessoa que tem noção de que procura o impossível, mira o infinito por muitas e muitas horas e por conta disso vive num êxtase completo. A indagação cuja resposta está oculta sob o véu de Maya é tão avassaladora que nada mais tem importância, a não ser a resposta. Resta saber quanto tempo levará para encontrá-la. Mesmo sabendo que ela será superada por outra mais adiante. Mesmo sabendo que não existe uma única resposta. Se observarmos a vida dos Grandes podemos tirar algumas conclusões que servirão para nos dar algum guia nessa noite escura. F. Kafka trabalhava numa companhia seguradora e cuidava dos acidentes do trabalho, ou algo similar. Vivia num ambiente inóspito e encontrou as suas respostas graças ao aconchego de seu amigo, sua irmã, e sua noiva de longos anos. Todos eles cuidavam de Kafka, e cuidar significa dar conforto, incentivo e deixar o homem em paz para escrever. James Joyce era professor de línguas em Trieste, achou no ensino da língua uma maneira de sobreviver. Mas a verdade é que a literatura tomou conta dele, encontrou alguém (sua esposa) que lhe deu conforto espiritual e incentivo para escrever e foi disso que viveu. Marcel Proust, filho de um grande médico sanitarista, jamais teve problemas com a vida material, viveu sob o internato da Literatura e sob as ordens de uma governanta que não sabia bem o que ele fazia, mas sabendo do prazer que ele encontrava nisso, ajudou-o como ninguém. Teve um grande suporte do seu motorista, e conviveu com muitos, mas poucos amigos. Queria a distância para poder encontrar a sua resposta. A proximidade não se conjugava bem com isso. Machado de Assis, com a história que todos conhecemos encontrou em sua esposa a fartura de sentimentos que precisava para escrever. O apoio e o incentivo que cuidou dele durante toda uma vida. Adquiriu uma estabilidade emocional que permitiu que conseguisse mostrar as grandes verdades que o cercavam e que nós não teríamos condições de ver. Por isso é grande, até hoje.
[Leia outros Comentários de Erwin Maack]
1/8/2005
08h48min
Não ficarei apontando outros mais, apenas finalizo com Thomas Mann, que foi citado como exceção. Eu ousaria dizer que é a regra, não a exceção. Escrevo isso porque é em sua obra que o escritor diz algumas verdades, em qualquer outra situação ele finge (Fernando Pessoa). E no seu “Fausto” ele mostra o que o escritor está disposto a fazer para encontrar suas respostas, e mais; do quanto ele precisa desse conforto espiritual para criar. O personagem (escritor de sucesso, expoente mesmo) tem duas pessoas que cuidam dele em tempo integral. São admiradoras da sua obra que se privam de seus interesses para cuidar daquele ser. Tentei acrescentar um outro ângulo para ser observada a questão. Mas a grande verdade é que a literatura precisa de pessoas que a sirvam, ela não conseguirá servir a ninguém. Para conseguirmos alguma coisa dela, para encontrar a nossa resposta, temos que nos dedicar integralmente, e, para conseguirmos isso, temos que ter um ambiente criativo, que é dado por aqueles que convivem com ele. Portanto quase poderíamos dizer que um grande escritor é uma fatalidade. Ah, e a matéria? Ah a matéria... não existe.
[Leia outros Comentários de Erwin Maack]
1/8/2005
20h11min
Julio, não dá para viver no Brasil, simplesmente, seja escrevendo, seja tentando fazer qualquer tipo de arte. É incrível que num país como este, com um povo fácil de se comandar, vivamos um momento tão crucial. Como você diz: não dá para jogar tudo para trás e viver de ser escritor. Todos dos que já ouvi falar sempre tiveram outra atividade. Ainda mais no meu caso, que tento editar poesia. Se ninguém compra outros livros, vai comprar livro de poesia? Tenho somente um livro editado, de biografia, mas este foi custeado pelo município pois tratava de patronos de uma biblioteca. No mais, estou fazendo meus livretos artesanalmente e mostrando para poucos amigos, aqueles que não vivem da arte de escrever, mas que amam a poesia. Parabéns pelo artigo.
[Leia outros Comentários de Maura Soares]
3/8/2005
17h52min
Maravilhoso artigo, Julio. Assino embaixo.
[Leia outros Comentários de João Peçanha]
16/8/2005
19h25min
O que eu sei dessa geração dita 90, dos novos, é que muita gente é bem ruinzinha e foi e é sucesso de crítica; vide o tal Marcelo Mirisola, intragável. Enfim, são os tempos. Mas, claro, quanto ao seu texto, todos tentam mas nem todos são escritores merecedores de uma perpetuidade na mídia; todos tentam, mas nem todos irão sobreviver da literatura. Sempre foi assim, creio. Abraço!
[Leia outros Comentários de isa fonseca]
17/8/2005
15h34min
Tudo isso começou depois que descobri que eu estava cercado por escritores. Foi navegando na internet que encontrei muito deles. O dono da mercearia, o cara que pedia esmolas, a solteirona velhaca, o açougueiro, o carteiro beberão, o motorista de ônibus, o brigadiano do fim da rua, a modernete tatuada e a bunduda da casa amarela. Havia textos de todos eles lá, páginas e mais páginas pessoais, blogs, sites e sites lotados de escritores. Eu reconheci todos e tentei ler alguma coisa, mas a verdade é que não consegui terminar de ler a grande maioria. Nada me emocionava, nada me animava a continuar com a leitura, conseguia ler apenas um ou dois parágrafos e então desistia deles...
[Leia outros Comentários de Emerson Wiskow]
25/8/2005
12h26min
Aliás, quem comprou um livro no último mês? Eu comprei, mas em sebo! No Brasil falta os tais livros de bolso, com papel de jornal e bem baratinho. Eu adoraria ser um escritor com duzentos pseudônimos e quinhentos livros sem nenhum valor literário, apenas divertidos.
[Leia outros Comentários de Mão Branca]
26/8/2005
11h06min
Achar que dá pra viver de literatura no Brasil é mais do que ilusão, é desconhecimento de literatura. A maioria dos escritores brasileiros tiverem que se bancar um bom tempo, outros, a vida inteira, muitos só vieram a ser reconhecidos depois de mortos. Quanto ao MLU, é claro que mais cedo ou mais tarde... iria aparecer. Afinal, o cinema tem incentivo, a música tem incentivo, e pq não a literatura? O que resta aos novos escritores é o que sempre restou, escrever e publicar quando der e da forma que der. O resto é consequência.
[Leia outros Comentários de Gustavo Henn]
26/8/2005
14h14min
O autor falou tudo... é natural que todos nós que nos aventuramos no mundo das letras tenhamos este sonho... de viver apenas delas... faz parte de um imaginário coletivo.... mas o que está escrito lá é a pura verdade. Poe morreu na miséria, cara.... e muitos outros.... Escrever é por prazer e não por remuneração.... Por isso que eu não largo minha sala de aula... além de gostar dela.... preciso comprar papel e caneta para continuar a escrever.... Abraços...
[Leia outros Comentários de J. R. Siqueira]
6/1/2006
19h38min
Tenho quatro livros publicados (somente um foi por minha própria conta) – mas continuo no que considero o limbo do semi-ineditismo. E tenho a maior vergonha quando algum conhecido me apresenta a alguém dizendo: Ela é escritora. "Ela é escritora". É constrangedor demais, como se expusessem uma parte de minha personalidade que eu quero esconder, uma ingenuidade congênita, um defeito de nascença... uma doença sem nome. A que dão o nome de "escritor". Sinto como se me olhassem com comiseração: "Coitada... Estará pensando que será uma Clarice Lispector ou uma Virgínia Woolf? Tem bobo pra tudo neste mundo".
[Leia outros Comentários de Melina]
6/12/2006
14h46min
Seu artigo realmente é um banho de água fria na cabeça esquentada do escritor novato. Embora seja mais fácil o Papai Noel existir do que um escritor ter a chance de ter seu trabalho reconhecido, a escrita em si já é a recompensa... Eu amo escrever e, como digo aos meus amigos, é o único momento em que me sinto pleno e 100% satisfeito. Quanto a ser lido? Acredito que se houver um leitor, já terá válido a pena ter escrito algo.
[Leia outros Comentários de Frank Oliveira]
22/6/2007
08h51min
Aqui você cumpre muito bem uma função de alertar iniciantes repletos de sonhos para uma realidade que, muitas vezes, estes não têm a menor noção; isso sem dúvida é importante, Julio; é preciso que alguém faça isso, você faz. Em outros artigos percebemos "outros Julios", falando para outros tipos de leitor; isso certamente não é fácil. Associar freqüência de textos a qualidade é difícil, quem escreve sabe disso, mas você consegue manter a qualidade geral do digestivo, cobrindo vários temas, atingindo diversos espaços. Quem lê alguns artigos seus consegue entender e perceber o público ao qual se dirige. Parabéns pelo que consegue, eu o admiro por isso, por conseguir ser múltiplo e atingir muitos objetivos! Abraço, Cristina
[Leia outros Comentários de Cristina Sampaio]
22/6/2007
15h20min
Só posso concordar e dizer: é isso! Parabéns pelo texto. Bj. Dri
[Leia outros Comentários de Adriana]
6/2/2009
10h27min
Obrigado pela reflexão, me fez sentir em grupo. Acho que a literatura é um vício maldito, não conseguimos nos livrar dela. Mas, através dessa dor pegajosa, às vezes damos bons frutos para as pessoas. E por causa de tudo que foi escrito aqui, eu resolvi usar meu blog para publicar crônicas, e não nóias pessoais; o mais "literato" possível, o menos "diário" possível. Se vou publicar os textos do blog, ou se alguém vai ler, isso não importa, o mais importante é o "aqui e agora", o presente, o texto saído do forno, e disponível para quem quiser ler e discutir. Nada de futuro, nada de expectativas. Acho que no fundo isso é um reflexo do espírito rock'n'roll. Valeu!
[Leia outros Comentários de Leco Peres]
25/9/2009
19h47min
Concordo com os cometários e observações. Gostaria de acrescentar que o verdadeiro escritor, como qualquer profissional especializado, escreve para suprir uma necessidade da humanidade, e não por vaidade. Ninguém paga pelo que não precisa. Descubra aqueles que precisam do que você tem a oferecer e edifique sua vida de escritor em torno dessa contribuição. O que você escreve pode não ser necessário para todo mundo, mas certamente é necessário para um grupo de pessoas. O escritor, além de escrever, tem que ter noções de mercado, marketing, administração e vendas. O livro é um produto e tem que ser tratado como tal. Não desita. Alguém está esperando por você.
[Leia outros Comentários de Roberto Marques]
24/4/2010
11h19min
Dá para viver de literatura, sim, desde que você se sujeite a escrever o que as editoras querem publicar - desde que você queira ser um Paulo Coelho, ou J.K. Rowling. Minha literatura é deprê, eu assumo - mas fazer o quê? Sei que ninguém vai investir nisso, portanto para dar a público o que eu escrevo, só mesmo um blog. Um dia isso pode se transformar em investimento, quem sabe?
[Leia outros Comentários de Antonio Uchoa Neto]
29/4/2010
05h57min
Julio, falou pouco e acertado! Como dizem aqui no interior. Acabei de ler sobre o iPad, o fim dos jornais, revistas e livros impressos. Acho que você tem toda razão. Os escritores de verdade devem buscar alternativas. Eu já não trabalho com livros impressos, passei para e-book há um bom tempo (2006) e já vendia em disquetes, CD e DVD, muito antes. Tenho cinco e-books, com belas capas e vendo por R$5,90 cada, envio por e-mail. Não gasto com gráfica, nem correios e outras despesas. Estou feliz, escrevo dois a três contos por semana, publico no meu blog e estamos aí para o que der e vier. Olha que não sou mais jovem, tenho 66 anos e só agora consegui entrar para a Academia Divinopolitana de Letras. Acho que com isso tudo uma coisa boa vai acontecer: o barateamento do preço dos livros. Já estou vendo livrarias vendendo livros pela metade dos preços. Na internet também. Manoel
[Leia outros Comentários de Manoel Amaral]
7/9/2010
10h04min
Sou escritora e internauta. Na rede (escrevo para 07 sites e gerencio 04 blogs) tenho cerca de 800.000 leituras. Publiquei, à minha custa, 06 livros. Vendi 1500 exemplares, somando todos. Ou seja, na Net, de graça, sem receber nem pagar, tenho muito mais leitores e atendo muito mais público. Segui, como escritora, os caminhos normais: lançamentos, pagos à minha custa, entrevistas em jornais, participei de várias Bienais e festas literárias e sou convidada para fazer palestras em escolas e bibliotecas. De graça! Tenho três títulos acadêmicos. Ficam lindos na minha biblioteca e é só. Amigo, você está coberto de razão. Deixei-me seduzir pela "Deusa Cadela", como D.H. Lawrence chamava a Literatura. Não digo que tive prejuízo com os livros; nenhum encalhou, todos foram vendidos e ainda sobrou "algum" para mim. O problema com os escritores iniciantes é que caem nas mãos das editoras caça-níqueis, e se enchem de desespero e prejuízos; além do desencanto, é claro. Sempre que me procuram, faço questão de alertá-los.
[Leia outros Comentários de Miriam Sales ]
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