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Quarta-feira, 17/5/2006
Sem cortes, o pai do teatro realista
Tais Laporta

+ de 5100 Acessos

Se você fechar os olhos, provavelmente lembrará daquelas antigas rádio-novelas que faziam nossas avós vibrarem em casa. Mas as semelhanças terminam aí: diante de você, atores lêem, sem censura prévia, o texto completo de um grande dramaturgo. Não é preciso cenário, tampouco qualquer montagem para tirar proveito da apresentação, como apontou Guilherme Conte em "A redescoberta da(s) leitura(s)". A mais recente demonstração de como as leituras dramáticas interessam, sim, ao público, aconteceu no último dia 6 de maio, na Casa do Saber, um dos raros lugares de São Paulo que abrem espaço à atividade.

O diretor Sérgio Ferrara reuniu um elenco de peso, entre ele os veteranos Luiz Damasceno, Mirian Mehler e Antônio Petrin, para ler a íntegra de um dos dramas mais realistas do norueguês Henrik Ibsen (1828-1906), O Inimigo do Povo. Ele acentua que, diferente de um espetáculo, a atividade exige uma percepção mais segmentada. "É preciso prestar uma outra atenção para assistir à leitura, porque é um momento voltado especialmente para a audição da palavra", diferencia.

Enquanto a platéia se atém a imaginar formas e cores através dos diálogos, o diretor observa, do fundo da sala lotada, reações de humor, catarse e tédio. O público é, sem dúvida, o contato indispensável para testar os pontos fortes e fracos de um texto na preparação de qualquer peça. "Isto nos ajuda a definir novas arquiteturas para a montagem que está prevista para agosto ou setembro deste ano", explica Ferrara, sem detalhes definidos, a principal motivação para o encontro.

Encenar Ibsen por aqui e em outras bandas não foi uma escolha ao acaso. Já que está na moda homenagear décadas, meios séculos e centenários de mortes, aniversários e desaniversários, chegou a vez de lembrar, em 2006, os cem anos de falecimento do dramaturgo norueguês, responsável por romper com as fantasias do teatro europeu antes de se consolidar como o pai do drama realista em todo o globo. A dura crítica aos problemas sociais do século XIX presentes em sua obra é estranhamente contemporânea, bem como os personagens e situações criadas nas histórias.

A recíproca é proposital, já que Ibsen pretendeu aproximar a realidade de seus personagens com a do público, de forma que ele identificasse eventos da vida real nas cenas fictícias das peças. Tanto que os diálogos, extremamente naturais, peculiares às características de cada personagem, carregam o maior sustentáculo de suas mensagens. O Inimigo do Povo, escrito em 1882, traça uma análise universal das hipocrisias sociais, facilmente assimiláveis a qualquer época e território das civilizações humanas.

Na peça, o Dr. Thomas Stockmann, figura respeitada de uma pequena cidade balneária, descobre que os famosos banhos públicos da região estão contaminados por esgotos e detritos animais. A princípio, ele obtém o apoio de pessoas-chave para denunciar a gravidade do fato. Contudo, visto que a notícia prejudicaria os interesses econômicos da cidade, todos os habitantes e até sua família decidem ignorar os fatos e passam a repudiar suas idéias, tachando-o de "inimigo do povo". Ainda assim, Stockmann não abandona seus princípios e conclui, enfim, que "o homem mais poderoso do mundo é também o mais só", frase que colocaria Ibsen no topo dos bancos de citações célebres.

O drama acertou o alvo de uma sociedade esgotada de príncipes, fadas e heróis, embora prevalecessem, ainda, os valores ancestrais da família e da propriedade. Jean Rostand, filósofo e historiador francês, diria mais tarde, claramente em sintonia com a solidão do Dr Stockmann, que "embora ela pareça susceptível de unir, nada divide mais que a verdade". Seria ela, também, uma metáfora do realismo de Ibsen, nem sempre compreendido em sua época.

Casa de Bonecas (1879) e Espectros (1891), obras que ao lado de O Inimigo do Povo marcaram o realismo dramático do autor, influenciaram fortemente a emancipação feminina e os tabus sexuais no século XX ao tratarem, a primeira, de uma mulher que abandona o marido diante de seu mau caráter e, a segunda, uma personagem que opta por cuidar da doença venérea do esposo, adquirida em um evidente caso extraconjugal.

Mas, voltando aos fatos, vale ressaltar que a leitura aparentemente simples de um drama tão atual e contundente como O Inimigo do Povo, recheado de diálogos ilustrativos, pode ser mais marcante que espetáculos anunciados com confete, cujo descuido recai sobre um roteiro fraco ou mal adaptado. Eis a vantagem de Ibsen sem cortes: conhecer a essência da obra, sem a mão de terceiros.

Não que as montagens mereçam menos aplausos. Ao contrário, ganham forma com leituras desta espécie, responsáveis, muitas vezes, por minimizar os riscos de uma adaptação equivocada. Mirian Mehler, depois de interpretar a precavida Sra. Stockmann, confessou com a forte entonação que confere a seus personagens: "Isto, sim, é teatro." Em seguida, repetiu a última palavra, em caixa alta.


Tais Laporta
São Paulo, 17/5/2006


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