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Quarta-feira, 2/8/2006
Ninguém segura Lady Macbeth
Tais Laporta

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+ 1 Comentário(s)

Depois de subir aos palcos com Gerald Thomas (Esperando Beckett) e Aderbal Filho (A Peça sobre o Bebê), a atriz e jornalista Marília Gabriela encara seu terceiro desafio no teatro: protagonizar a imponente Senhora Macbeth, personagem secundária de Shakespeare, que ganha uma aura de destaque na nova montagem dirigida por Antonio Abujamra, em São Paulo. Em cartaz até 20 de agosto no Sesc Vila Mariana, Senhora Macbeth é uma livre adaptação do clássico medieval, escrita pela argentina Griselda Gambaro, que desenhou uma ótica atual e feminina para o conflito vivenciado pela esposa do sanguinário Macbeth.

Sob os holofotes, o roteiro ganha um aprofundamento psicológico raramente visto no teatro brasileiro, o que justifica sua merecida repercussão na América Latina e, recentemente, na Europa (mais precisamente, Espanha e Suécia). "A Griselda foi muito feliz em lançar luzes sobre essa personagem pequena em Shakespeare, mas muito importante sob a perspectiva do amor e do poder. É uma mulher ambiciosa, sensual, apaixonada, enfim, cheia de hormônios", define Marília Gabriela, justificando a personalidade que aprendeu a incorporar - e que, de certa forma, empresta de si mesma. Mas é justamente ao explorar o lado mais vulnerável da personagem que a atriz se esforça para afogar a mulher auto-suficiente que reside nela mesma. Sobressai na interpretação, contudo, uma Sra Macbeth poderosa. "Sou movida pelos mesmos impulsos que ela. Paixão, arrebatamento, tesão, loucura, coragem, isso eu tenho também", acredita.

No original de Shakespeare, escrito em 1623, Lady Macbeth é tão ambiciosa e calculista quanto o marido. Muitas interpretações garantem que foi ela quem fez a cabeça do amado para assassinar seus inimigos, e assim, conquistar o trono da Escócia. Diz ela em trecho do clássico: "Vinde, espíritos sinistros que servis aos desígnios assassinos (...). Enchei-me, da cabeça aos pés, da mais horrível crueldade!". Sem dúvida, o dramaturgo construiu uma mente sedenta por poder, escondida nas sombras do grande personagem shakespeariano. A adaptação de Griselda concebeu um novo universo interno para a Senhora Macbeth que sobrevive até hoje. No caso, toda ambição de poder é esmagada pelo amor absoluto que ela devota por aquele homem. Aí nasce o conflito de uma mulher anulada no amor e cega por poder, prestes a perder seu sangue-frio para o sentimento de culpa.

Marília Gabriela pisa no palco com cabelos negros e um figurino imperial, realçado pelos oportunos efeitos de som e iluminação do espetáculo. Mas esses apelos sensitivos não desviam o foco do brilho e lucidez da peça. Quase todo o tempo, a atriz divide a atenção com as três bruxas de Macbeth, interpretadas por Natália Corrêa, Danielle Farnezi e a veterana Selma Egrei - o ator Eduardo Leão faz uma ponta especial. Com grande propriedade cênica, o trio atormenta e consola a ambígua personagem, a ponto de travestir sua consciência, como aponta Gabriela. "Elas têm uma ironia feminina que falta à Senhora Macbeth. É um homem lidando com três mulheres, um ser culpado por amar um assassino e ansiar o poder, enfim, uma mulher com conflitos acima de tudo humanos. Ela é o homem que não deu certo até hoje".

Na preparação para o espetáculo, Abujamra e Hugo Rodas, co-diretor da peça, revezaram o comando dos ensaios com vieses opostos: o trágico e o cômico, respectivamente. Daí, a montagem só poderia resultar em uma tragicomédia. "Ele (Abujamra) queria apostar comigo em que momento sairia a primeira risada na platéia", brinca a atriz sobre a recepção do público. Logo que aceitou o desafio de encarnar a Senhora Macbeth, ela reconhece que sentiu insegurança. "Num primeiro momento achei que não ia conseguir, não sabia para que lado ir com a personagem". Com o tempo, o frio na barriga passou, e ela garante que entra no palco do mesmo jeito que sai, bem confortável.

Se Abujamra está pleno da competência da atriz? "Há muitos anos digo que ela deve envelhecer no palco e largar o jornalismo. Agora surge essa surpresa maravilhante, esse rigor!", define com tais palavras o diretor, que também é admirador incondicional e amigo de Griselda Gambaro. "Suas peças têm uma inclinação para a beleza como poucas pessoas sabem fazer", justifica o afeto. O grande trunfo da Argentina: o ser humano que ela retrata se sobressai à mulher, num mundo criativo onde os papéis dos sexos estão bem divididos. Para o diretor, é um privilégio levar o texto da autora a São Paulo, já que não duvida da forte possibilidade da peça se tornar um sucesso aplaudido mundialmente.

Aos desavisados uma dica: quem não conhece a história original de Macbeth, melhor ler a peça ou assistir a uma das adaptações em filme antes de comprar os ingressos. Por mais que a montagem seja desprendida do clássico, há inúmeras referências a fatos e personagens de Shakespeare sem grande contextualização, o que pode dificultar o entendimento do expectador. Mas isso não significa que é uma peça solitária na erudição. Pelo contrário, é popular e moderna. Nada que anule, portanto, a atualidade, a beleza e a poesia do espetáculo.

Para ir além
Senhora Macbeth - Sesc Vila Mariana - Sexta e sábado, 21h - Domingo, 18h - De R$ 15 a R$ 30 - Até 20/08


Tais Laporta
São Paulo, 2/8/2006


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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
7/8/2006
02h32min
Segundo Harold Bloom, Shakespeare criou personagens tão nítidos que escaparam do seu universo original, onde foram gerados e saltaram, com a facilidade das criaturas vivas, para a dimensão humana. Ou seja, você lembra de Hamlet, por exemplo, como lembra de alguém que você conhece. Bloom afirma que Hamlet é um ser mais real que muita gente de carne e osso. Também afirma que o gênio de Shakespeare, nesse aspecto, não se limita apenas aos personagens principais. Nesse caso Lady Macbeth pode muito bem ter pressionado a autora, Griselda Gambaro, para uma nova aparição. O texto de Taís Laporta nos informa claramente várias coisas interessantes e, entre elas, que Marília Gabriela pode ser mesmo uma boa atriz. Isso é uma boa notícia. Boas peças, boas atrizes, bons autores nunca são demais. Resta saber o que Shakespeare diria disso tudo. Acho que não diria nada, mas escreveria outra peça a respeito.
[Leia outros Comentários de Guga Schultze]
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