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Quarta-feira, 20/9/2006
Vai um podcast aí?
Rafael Fernandes

+ de 1600 Acessos
+ 1 Comentário(s)

Antes desse especial meu conhecimento de podcast era só, digamos, “teórico”. A verdade é que até semana passada não era um costumaz ouvinte. Não tenho iPod nem qualquer outro tocador de MP3. Aliás, nunca tive o hábito de ouvir música na rua, seja por walkman, discman ou tocador de MP3. Talvez por isso não tenha tanta proximidade com os podcasts, pois quando quero ouvir um vou de Winamp, mesmo, e se é para usá-lo acabo optando por ouvir os “básicos” MP3 (apesar de os podcasts terem a vantagem de poder apresentar uma ou outra informação nova interessante). Mas a partir da procura por material para este texto comecei a mudar de opinião e a ter mais afeição por essa nova forma de transmissão de áudio que, se não for a revolução que dizem, pode trazer muitas opções de informação.

A primeira analogia que pode vir à cabeça quando se pensa em podcasts é com o rádio — os apressados diriam que aqueles vão acabar com este. Mas o comparativo com as rádios parecem ser as próprias as rádios on-line, como a Live365 ou até mesmo os streamings das rádios “usuais” (como 89, Cultura e etc), entre outras; ou as novidades baseadas em tags como Last.fm, Pandora, entre outras, que têm diferenças em relação às rádios on-line, mas se aproximam mais das rádios convencionais do que os podcasts. De qualquer forma é sempre um erro “matar” uma mídia pelo surgimento de outra; a tendência, em geral, é de complementaridade ou, mais ainda, adaptabilidade, ou seja, ao enfrentar uma nova mídia a antiga tende a passar por uma mutação e achar sua nova cara e público. Mas é normal comparar podcasts com o rádio, afinal qualquer um pode “sintonizar” um deles e ir ouvindo de fundo. Mas são outra coisa — e não rádio — por alguns motivos: variedade, pois há um número limitado de rádios, já que se trata de concessão pública (ainda que as rádios on-line não tenham esse problema). A quantidade de podcasts de qualidade ainda é pequena, mas tende a crescer rápido (o que já está acontecendo) e não tem limite de número de novos. Poder de escolha é outro motivo: na rádio o ouvinte é obrigado a ouvir tudo o que toca, seja o que foi escolhido via jabá ou, em raros casos, pelos DJs. Com os podcasts, é possível focar no tema que se deseja ouvir e ninguém “perde” o programa da semana por esquecer o horário ou por não poder apreciar naquele momento. Além disso, para utilizar um podcast o ouvinte baixa um arquivo em MP3 em seu tocador ou computador, ou seja, tem “eternamente” o programa em seu poder (ao menos em teoria).

Para esse especial podcast saí pela rede procurando alguns. Li os textos do Julio e da Taís. Do Julio, peguei a dica do Música Discreta e do Guilherme Werneck que, se no geral não me atrai muito, me conquistou pelo ótimo Discofonia 50, de música instrumental brasileira, que abre com o Edu Ribeiro talentoso de verdade (o baterista, e não o “reggueiro-baladeiro”). E também pelo Discofonia 49 com a sempre ótima e estranha Björk e coisas bem pop e bem interessantes que não conhecia: Matthew Herbert, Matmos e Scott Walker. No Brasil outro lugar interessante para procurar novos programas, apesar de ainda ter uma variedade pequena, é a comunidade do Link, do Estadão, que traz algumas boas pedidas como o podcast do bom programa do Alto Falante que, tanto na TV quanto nos programas on-line, sempre traz boas surpresas e não tem o vício brit-pop de muitos podcasts atuais: aceita de Slayer a Franz Ferdinand, de Stevie Wonder a Metallica, de Justin Tmberlake a AC/DC sem restrições. Lá também achei o Miscelânea Vanguardiosa com material bastante interessante de música instrumental brasileira, mostrando Hermeto Pascoal, Moacir Santos, Luciana Souza entre outras ótimas transmissões.

Da Taís, peguei a dica do Podcasting Brasil, que tem um conteúdo variado, incluindo programas sobre negócios, cultura, entrevistas, entre outros, que cobrem desde marketing de empresas como Tigre, Caloi, MAM, Projeto Memória Brasileira, passando por nomes Bernardinho e Amaury Jr, entre tantas outras opções. Altamente recomendável. Por não ter o hábito de ouvir rádio, achei que não fosse muito a minha ouvir notícias ou entrevistas por podcast. Enganei-me. Nesse caso, as vantagens em relação à escolha do tema e momento da audição são muito grandes. Como no caso do podcast da Trip: não tenho o hábito de ouvir rádio, então dificilmente ouviria o programa Trip Fm. Seu podcast dá a oportunidade de ouvi-lo a qualquer hora, sem preocupação de esquecer ou não poder ouvir no exato momento em que passa na rádio — e posso escolher somente o que me interessa. O programa mistura entrevistas e músicas (algumas vezes com seleções feitas por convidados) — ouvi ótimas entrevistas de Zeca Baleiro, Maurício Kubrusly, Juca Kfouri, entre outros. Também achei bastante interessante ouvir o podcast da Info, com as notícias de mais destaque da semana comentadas pelos editores da revista. É altamente geek, mas e daí, é interessante mesmo.

Mas, quando é pra ouvir música tenho de admitir que, ao menos ultimamente (e mesmo com as novas descobertas citadas acima), me sinto muito mais atraído por sites como o Pandora ou o Last.fm, no qual posso descobrir novas bandas de um determinado estilo — que é classificado pelas já citadas tags (mais um hype atual da Internet). Dessa forma, posso pesquisar novos artistas e bandas especificamente por estilos mais próximos do meu gosto. É claro que num podcast posso, no meio de uma seleção maluca de seu autor, encontrar um artista que nunca acharia ouvindo uma rádio específica de, digamos, prog metal ou jazz. Mas não dá pra cobrir tudo, não é mesmo? E, além do mais, o uso de tag pode trazer agradáveis surpresas, sim, como, por exemplo, ouvindo a tag prog metal ser agraciado com um Deep Purple logo após um interessante Devin Townsend e, em seguida, Muse (talvez por ser algumas vezes associada a progressivo essa banda seja vista com certa birra por parte de críticos viciados em brit-pop) — bandas e artistas que se encaixam dentro de um estilo, mas são bastante diversas.

Fazer prognósticos sobre o futuro, em qualquer área, é sempre ruim. Na Internet, então, pior ainda. Há alguns anos, na 1ª bolha da rede, ela era a salvação, a solução para muitos negócios; muito se investiu e se apostou. A bolha estourou e muita gente se deu mal. O passo seguinte foi demonizar a rede: é inviável financeiramente, não funciona como negócio. Hoje, novamente, é a “salvação” — a saída para negócios em crise. Mas não sabemos o amanhã. Com os podcasts não poderia ser diferente: eles tanto podem realmente se afirmarem como uma mídia forte como sumir com o surgimento da próxima novidade — ou pode virar algo que nem imaginamos. Mas não dá pra negar que, agora, é seu momento (ao menos nos EUA). Até quando? Veremos.


Rafael Fernandes
São Paulo, 20/9/2006

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COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
22/9/2006
18h26min
Ter o som ou programa que quiser ao alcance do ouvido em qualquer lugar e a qualquer momento não é nada de mais. Porém, divulga-se como se fosse. Na verdade, começar a ouvir demais é, além de uma paranóia tecnológica, uma fuga da realidade total. Quem ouve apenas digere, não mastiga, e sonha, não age. A música é feita para distrair em momentos quaisquer, não para ser catalogada, armazenada e mostrada aos amigos. Idolatrar uma seqüência musical é um típico desvio da juventude de hoje. Podcast não faz muito sentido. Bom, eu tinha que escrever minha opinião de podcast em algum destes textos. Escolhi o seu porque achei muito bom, Rafael, e minha opinião na verdade é pra mim. Por aqui, apenas parabéns e um abraço!
[Leia outros Comentários de Aluizio]
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