O homem visto do alto | Guilherme Conte | Digestivo Cultural

busca | avançada
30533 visitas/dia
1,1 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Banda Silibrina apresenta Jazz brasileiro no Teatro Brincante
>>> Festival Ferrock movimenta a Ceilândia
>>> Dragão7 apresenta-se em Bauru, Lencóis e Garça nos 10 Anos do Circuito Cultural Paulista
>>> Show com grupo Tambora faz um mergulho na obra de compositoras de diversos países da América Latina
>>> Pianista revelação, Juliana D'agostini mostra seu talento no Natal Musical do VillaLobos
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> A poesia afiada de Thais Guimarães
>>> Manchester à beira-mar, um filme para se guardar
>>> Noel Rosa
>>> Sabemos pensar o diferente?
>>> Notas de leitura sobre Inácio, de Lúcio Cardoso
>>> O jornalismo cultural na era das mídias sociais
>>> Crítica/Cinema: entrevista com José Geraldo Couto
>>> O Wunderteam
>>> Fake news, passado e futuro
>>> Luz sob ossos e sucata: a poesia de Tarso de Melo
Colunistas
Últimos Posts
>>> Jeff Bezos é o mais rico
>>> Stayin' Alive 2017
>>> Mehmari e os 75 anos de Gil
>>> Cornell e o Alice Mudgarden
>>> Leve um Livro e Sarau Leve
>>> Pulga na praça
>>> No Metrópolis, da TV Cultura
>>> Fórum de revisores de textos
>>> Temporada 3 Leve um Livro
>>> Suplemento Literário 50 anos
Últimos Posts
>>> Rios inversos
>>> Você pertence a um não lugar
>>> Olho d'água
>>> A música da corrida
>>> Retalhos da vida
>>> Limbo
>>> Transmutações invisíveis
>>> Quem te leu, quem te lê
>>> Bom dia e paz
>>> O que sei do tempo II
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Lula e o Genocídio Negro
>>> Para entender Paulo Coelho
>>> Souza Dantas, Almoço e Chocolate
>>> Conto de amor tétrico ou o túmulo do amor
>>> Conto de amor tétrico ou o túmulo do amor
>>> Conto de amor tétrico ou o túmulo do amor
>>> Proxxima: primeiro dia
>>> O jornalismo cultural na era das mídias sociais
>>> Ária da Rainha da Noite
>>> Let us protect you in the labyrinth
Mais Recentes
>>> Não Morda A Isca: Como Escapar Da Pornografia
>>> Ensino de Ciencias e Cidadania
>>> Temas Transversais e a Estratégia de Projetos
>>> Sagarana
>>> Justiça e Esperança para Hoje
>>> Atlas Geográfico Escolar
>>> Trocando a Negação pela Graça de Deus
>>> Passagem para o Poético
>>> Atlas Geográfico Melhoramentos
>>> Morri para Viver Meu Submundo de Fama, Drogas e Prostituição
>>> Em Manhattan do terceiro Mundo
>>> Dança do fogo estudo sobre o Desejo
>>> Itinerário Espiritual de Santa Tereza de Ávila
>>> O Demônio e a Sra. Prym
>>> Inimigo Rumor 20
>>> Viena, Guia visual da Folha
>>> A Cura
>>> Pensamento Complexo: suas aplicações à liderança, à aprendizagem e ao desenvolvimento sustentável
>>> Dictionnaire D'Analyse du Discours (1ª ed.)
>>> Defenda seus direitos
>>> O momento da sua virada
>>> Uma Viagem Aos Reinos
>>> Trilha para os Jovens
>>> Titan - O mundo de aventuras fantásticas
>>> Sonhos Lúcidos
>>> Raiva. Seu Bem, Seu Mal
>>> O Shadowdale Vale Das Sombras
>>> O perdedor
>>> O livro secreto da maçonaria
>>> O livro da quituteira
>>> O caso Schreber
>>> O Caminho do mago
>>> Lobisomem O - Apocalipse - Rpg
>>> Livro do Mestre - Advanced Dungeons e Dragons
>>> Gurps. Modulo Básico
>>> Francisco de Assis e Francisco de Roma: Uma Nova Primavera na Igreja
>>> Forgotten Realms 3 Guia De Campanha Para Undermontain
>>> Cinema: O Divã e a Tela
>>> Até os Felizes Sofrem
>>> Assessoria de Imprensa
>>> As Virtudes da Casa
>>> Além do bem e do mal
>>> Aleister Crowley - A Biografia de um Mago
>>> A realização espontânea do desejo
>>> Belo Desastre
>>> Nao deixe para depois o que voce pode fazer agora
>>> Ecos Dos Mortos
>>> O pai sessenta minutos
>>> A Noite dos Quatro Furacões
>>> Caixa de Pássaros
COLUNAS

Sexta-feira, 23/3/2007
O homem visto do alto
Guilherme Conte

+ de 6100 Acessos

Cássio Scapin e Claudio Fontana (Foto: João Caldas / Divulgação)

Sergio Roveri é um daqueles artistas que consegue deter-se com atenção aos mínimos detalhes e enxergar ali poesia e sentido. Sua sensibilidade encontra guarida em diálogos muito bem construídos, em que o dito se completa e se revela no não-dito.

Nascido em Jundiaí, Roveri é um dos dramaturgos mais consistentes da nova geração, além de destacado jornalista e crítico de teatro. Sua produção está muito ligada à Praça Roosevelt e a todo um movimento teatral que se desenvolve ao longo do mainstream e que tem oferecido alguns dos trabalhos mais interessantes a que o público paulistano tem a chance de assistir.

Seus textos são marcados pela inteligência e fluidez. Obras como O encontro das águas e Abre as asas sobre nós - que lhe valeu recentemente o Prêmio Shell de melhor autor - já fazem parte da lista de encenações memoráveis da história recente do teatro paulistano.

O humor e as imagens poéticas caminham lado a lado em sua trajetória. A obra de Roveri é marcada por essa tênue caminhada na corda bamba entre o riso e o choro, a dor e o deleite, o sonho e a melancolia. A vida tratada em, além do preto e do branco, diversos matizes de cinza.

Andaime, sua nova montagem, situa-se nessa frágil linha entre o cômico e o trágico. Embora a faceta mais evidente desse texto - vencedor do Prêmio Funarte de Dramaturgia - esteja ancorada no riso, atingido com maestria pela dupla Cássio Scapin e Claudio Fontana, o peso daquelas existências revela-se aos poucos por trás da aparente amenidade de uma conversa jogada fora para que "o serviço passe mais rápido".

A peça traz dois limpadores de janela trabalhando em cima de um andaime. Enquanto passam de andar em andar, conversam longamente. Nada de muito profundo ou aflitivo; os temas ficam na esfera do cotidiano. Timidamente escapam da conversa pequenas confissões de sonhos, frustrações, vontades, histórias, lembranças. Homens duros que vez por outra baixam a guarda e se expõem.

Entre um cigarro e um comentário qualquer sobre pássaros, aqueles personagens revelam certa melancolia por sentirem-se tão à margem. "Tem horas que parece que somos invisíveis", diz um deles. É a voz daquelas pessoas que estão tão próximas de nós mas que parecemos realmente não ver.

Força no humor
A grandeza da obra de Roveri está na simplicidade e leveza com que trata o tema. Não se perde em discursos, manifestos ou esbravejos. A força e a sensibilidade de sua crítica encontram na eficiente pena do humor um canal para tocar os que estão do lado de cá da janela. Paramos para escutá-los, nos divertimos e nos identificamos com eles.

Scapin e Fontana estão muito bem, esbanjando segurança em seus papéis. O único senão em relação às interpretações é a falta de uma homogeneidade de sotaques e entonações, que oscilam em alguns momentos - falha que quase pode ser encarada como preciosismo, frente à grandeza do trabalho.

O diretor Elias Andreato conduz a montagem com clareza de propósitos e austeridade de recursos. O ritmo imposto é fluido, com tempos e pausas na medida certa. Nada de efeitos desnecessários que só comprometeriam o foco; sua aposta é no trabalho de interpretação e valorização do texto, apoiados na bela e funcional cenografia de Gabriel Villela. Só fica a curiosidade: como seria a peça se tivéssemos a vidraça entre nós e os atores? Afinal, é do lado de cá que estamos o tempo todo.

Para ir além
Andaime - Teatro Vivo - Av. Dr. Chucri Zaidan, 860 - Morumbi - Tel. (11) 3188-4141 - Sexta, 21h30, sábado, 21h e domingo, 18h - 70 min. - R$ 50 - Até 29/4.

* * *

As revoluções e a latinidade

Maritta Cury e Antonio Ranieri em 'A Revolta'

O historiador Eric Hobsbawn tem uma linha de pensamento que pode ser sintetizada na máxima de que a história é feita de permanências e rupturas. Estas se caracterizam por transformações radicais e violentas que subvertem a ordem vigente e estabelecem um novo status quo.

Revoluções exigem sangue e sacrifícios. É difícil operar as transformações para o estabelecimento de uma nova ordem. Esta, por sua vez, carrega dentro de si uma lógica que só é passível de ser derrubada por uma nova revolução. É essa condição de falibilidade intrínseca mantém a tensão entre os atores do jogo histórico.

A Revolta, do argentino Santiago Serrano, fala sobre revoluções. As grandes e as pequenas, as universais e as particulares. Situada em um ambiente rural sem tempo época definido, traz uma revolução social como pano de fundo para o palco das pequenas revoluções - as cotidianas, mundanas, que perfazem o nosso dia a dia.

Malva (Amália Pereira) é uma matriarca que se vê as voltas com uma ausência dolorosa em sua casa: um de seus filhos foi preso pelos opressores da sociedade local, por "suas idéias". Sua voluptuosa nora Judith (Maritta Cury), a "gringa", sofre com a carência e a falta do marido, além de estar em um país distante. Ela se envolve perigosamente com Martin (Antonio Ranieri), o outro filho de Malva, que trabalha para os mesmos senhores que prenderam o irmão. Nesse tenso ambiente ainda transita Sara (Janette Santiago), a escrava da família.

A iminência da revolta e da volta do filho aprofunda os conflitos entre as personagens e manda às favas o tênue equilíbrio que sustentava a casa. O resultado é violência, tanto física quanto verbal.

O texto de Serrano acaba funcionando como uma grande reflexão da própria evolução da história da América Latina. Ali estão os estrangeiros que vêm para explorar a terra e seus recursos, o estrangeiro que pensa a revolução com um olhar externo, o povo oprimido, o opressor, os que pensam a revolução como um bem geral, os que vêem nela benefícios individuais...

Malva, incapaz de ver o que acontece em sua volta, projeta no filho preso e em sua revolução seu obstinado desejo de vingança. Seus diálogos com a vizinha Antonia (Adriana Cubas), seu contraponto ideológico, evidenciam o choque entre as razões pessoais e o pensamento em um bem maior, que beneficie a todos de alguma forma.

A direção de Reginaldo Nascimento acerta em optar por uma construção cênica que prioriza o texto e o trabalho de ator. Os elementos cenográficos são os minimamente necessários para que a trama se desenvolva com os diálogos e as ações sem se sobreporem. É notável também seu talento para a criação de imagens marcantes.

É possível apreender da montagem um sólido trabalho de construção de interpretações, uma das preocupações fundamentais da Teatro Kaus Cia. Experimental. Todos estão muito seguros de suas personagens e intenções. O que pesa contra o jovem elenco é talvez certo excesso de rigidez.

As interpretações resultam, no geral, um tanto quanto duras, marcadas. Isso fica evidente, por exemplo, no modo de falar de Amália: talvez por pretenso virtuosismo, talvez por excesso de esmero, sua Malva soe barroca demais, o que compromete a própria compreensão plena do texto e de todas as suas nuances verbais. Um tom abaixo na partitura pode fazer com que o personagem ganhe em naturalidade.

São falhas que tendem a se atenuar e até desaparecer ao longo do amadurecimento do espetáculo em temporada. A troca com o público é valiosa quando se tem um grupo aberto e interessado no aprimoramento de uma linguagem, o que parece ser o caso do Kaus.

É de se destacar, aliás, a iniciativa do grupo de construir um trabalho ancorado em uma séria e constante pesquisa de dramaturgia. A Revolta é um dos filhos do projeto "Fronteiras - O Teatro na América Latina", que também englobou as montagens de Infiéis, do chileno Marco Antonio de La Parra, e de El Chingo, do venezuelano Edílio Peña. Ficam os votos de que a peça entre em temporada na cidade e a curiosidade a respeito dos caminhos a serem tomados pela companhia.

Para ir além
Teatro Kaus Cia. Experimental


Guilherme Conte
São Paulo, 23/3/2007


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Os Doze Trabalhos de Mónika. 3. Um Jogo de Poker de Heloisa Pait
02. Retratos da ruína de Elisa Andrade Buzzo
03. Que tal fingir-se de céu? de Ana Elisa Ribeiro
04. Poesia e Guerra: mundo sitiado (parte I) de Jardel Dias Cavalcanti
05. A noite do meu bem, de Ruy Castro de Julio Daio Borges


Mais Guilherme Conte
Mais Acessadas de Guilherme Conte em 2007
01. Impressões sobre a FLIP - 20/7/2007
02. O homem visto do alto - 23/3/2007
03. O cientista boêmio - 12/1/2007
04. Rafael Spregelburd e o novo teatro argentino - 11/5/2007
05. E se refez a Praça Roosevelt em sete anos - 13/4/2007


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




ENEIDA - VIRGÍLIO (LITERATURA LATINA)
VIRGÍLIO
ABRIL CULTURAL
(1983)
R$ 18,00



MULHER E LITERATURA
LÚCIA HELENA VIANNA (ORG.)
UFF- ABRALIC
(1992)
R$ 23,90



MIMO - EL ARTE DEL SILENCIO
PETER ROBERTS
TTARTTALO
(1990)
R$ 55,00



REVISTA BRASILEIRA DE ALERGIA E IMUNOPATOLOGIA VOL 18 Nº 2 MARÇ/ABRIL
NÃO INFORMADO
S.B.A.I
(1995)
R$ 3,00



ALÉM DO VÉU E FORA DO ARRAIAL
DONG YU LAN
ÁRVORE DA VIDA
(1999)
R$ 6,10



SIMÃO PEDRO E OS PRIMEIROS CRISTÃOS
LÉA CARUSO - ESPÍRITO JOSÉ
IDE
(2015)
R$ 29,15



RESPOSTA A JÓ
C.G. JUNG
VOZES
(1986)
R$ 32,00



LÁGRIMAS DE COMPAIXÃO
PIERRE WEIL
PENSAMENTO
(2005)
R$ 10,80



OS HOMENS E A HERANÇA NO MEDITERRÂNEO
BRAUDEL
MARTINS FONTES
(1988)
R$ 30,00



REVISTA CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA - 1 (CADERNO ESPECIAL)
VÁRIOS
CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA
(1967)
R$ 4,00





busca | avançada
30533 visitas/dia
1,1 milhão/mês