O jornalismo cultural no Brasil | Luiz Rebinski Junior | Digestivo Cultural

busca | avançada
27294 visitas/dia
862 mil/mês
Mais Recentes
>>> Dia 22 tem a festa
>>> Cia Fragmento de Dança convida para sessão de cinema e Festa no Kasulo
>>> Punk 77: Tributo aos 40 anos do Punk com shows gratuitos em SP (29/7)
>>> Teatro do Incêndio promove oficina de teatro e artes integradas para jovens e crianças na Bela Vista
>>> A artista Claudia Malaguti participa de coletiva no Centro Cultural Light
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Apontamentos de inverno
>>> Literatura, quatro de julho e pertencimento
>>> O Abismo e a Riqueza da Coadjuvância
>>> Os Doze Trabalhos de Mónika. 4. Museu Paleológico
>>> Um caso de manipulação
>>> Brasil, o buraco é mais embaixo
>>> Nós que aqui estamos pela ópera esperamos
>>> Os Doze Trabalhos de Mónika. 3. Um Jogo de Poker
>>> Retratos da ruína
>>> Notas confessionais de um angustiado (VI)
Colunistas
Últimos Posts
>>> Stayin' Alive 2017
>>> Mehmari e os 75 anos de Gil
>>> Cornell e o Alice Mudgarden
>>> Leve um Livro e Sarau Leve
>>> Pulga na praça
>>> No Metrópolis, da TV Cultura
>>> Fórum de revisores de textos
>>> Temporada 3 Leve um Livro
>>> Suplemento Literário 50 anos
>>> Ajudando um amigo
Últimos Posts
>>> O pão nosso de cada dia
>>> Os opostos se atraem
>>> Coração de mãe
>>> Mascarando a dor
>>> Quanto às perdas II
>>> Pesquisa e blog discutem "Marca Amazônia"
>>> Náiades
>>> Equino
>>> Vágado
>>> Raízes II
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Fragmentos para a História da Filosofia, de Schopenhauer
>>> O inventário da dor de Lya Luft
>>> Auto lá!
>>> Seu minuto, meu segundo
>>> A internet e os blogs
>>> Cleópatra, a rainha enigmática
>>> Sempre cabe mais um
>>> De fato e ficção
>>> Super-heróis ou vilões?
>>> O amor é um jogo que ganha quem se perde
Mais Recentes
>>> Trilogia Completa A Seleçao
>>> A Escolha (da trilogia A Seleção)
>>> A Vida do Toxicômano
>>> O Livro que revela Deus Tao - te King
>>> Ela disse, Ele disse: o namoro - Nova Ortografia
>>> Hotel Atlântico
>>> Jung e Astrologia
>>> Breve História das Heresias
>>> Apócrifos. Os proscritos da Bíblia
>>> Meditação e Gnose - Como Desenvolver Tranquilidade e Sabedoria
>>> O Evangelho É a Força de Deus que Salva
>>> Arte como Terapia
>>> A Vida Eterna hoje;
>>> Qualidade e Produtividade nos Transportes
>>> O Homem e suas relações. Ciência humanas e experiências religiosas
>>> Sociologia da Religião
>>> Sociologia da Religião
>>> Testemunhas da Esperança
>>> O Cristo Místico de São João da Cruz
>>> Vinho novo em odres velhos. Sacramentos da Libertação
>>> História do Poder Legislativo no Brasil
>>> Por que não ser místico. Um convite irresistível para experimentar a presença de Deus
>>> O ministério da amizade
>>> A Religião e o desenvolvimento da ciência moderna
>>> Nascido a tempo. Vida de Paulo, o apóstolo
>>> Cristo minha vida
>>> PENSAR A FÉ teologicamente
>>> O Evangelho de Paulo
>>> Salmos Favoritos
>>> Paulo. Um documento ilustrado sobre a vida e os escritos de uma figura chave do cristianismo
>>> A Unidade Transcendente das Religiões
>>> Compreender Nietzsche
>>> A origem da obra de arte
>>> Harry Potter e a pedra filosofal -
>>> A Mãe ( Saúde e Cura no Yoga)
>>> O Progresso
>>> 1 Corintios 11 a 16
>>> Uma Introdução à Bíblia. (Coleção completa, 8 volumes)
>>> Uma Introdução à Bíblia. As comunidades cristãs a partir da segunda geração (Vol. VIII)
>>> Uma Introdução à Bíblia. As comunidades cristãs da primeira geração (Vol. VII)
>>> Uma Introdução à Bíblia. Período Grego e Vida de Jesus (Vol. VI)
>>> Uma Introdução à Bíblia. Exílio babilônico e dominação persa (Vol. V)
>>> Uma Introdução à Bíblia. Reino dividido (Vol. IV)
>>> Uma Introdução à Bíblia. Formação do Império de Davio e Salomão (Vol. III)
>>> Uma Introdução à Bíblia. Formação do Povo de Israel (Vol. II)
>>> Uma Introdução à Bíblia. Porta de entrada (Vol. I)
>>> O mercador de tapetes
>>> O Sári Vermelho
>>> Contos De Todos Os Cantos - Projeto Literário 2013
>>> Quem é Quem na Bíblia
COLUNAS

Quarta-feira, 2/1/2008
O jornalismo cultural no Brasil
Luiz Rebinski Junior

+ de 9100 Acessos
+ 3 Comentário(s)

A revolução tecnológica que se intensificou a partir dos anos 1990, com a conseqüente popularização da internet e a introdução de novas mídias ao consumidor, modificou de forma radical a configuração e veiculação da notícia, tendo forte impacto na maneira de se fazer e consumir jornalismo. Esse foi o principal ponto de convergência entre os profissionais que ministraram o curso de Jornalismo Cultural promovido pela Revista Cult durante os dias 24 e 25 de novembro. Nomes como Marcos Augusto Gonçalves (editor do caderno "Ilustrada" da Folha de São Paulo), Sergio Rizzo (crítico de cinema), Ivan Marques (editor do programa Entrelinhas da TV Cultura), Sergio Martins (crítico musical de Veja) e Marcos Flamínio Peres (editor do caderno "Mais!") discutiram o jornalismo cultural no Brasil e suas transformações nos últimos 50 anos.

Com o fortalecimento da
Web 2.0, que deu ao leitor/internauta status de "colaborador", e com a febre dos blogs, os meios de comunicação tradicionais, principalmente impressos, vêm perdendo força ano a ano ― seja em termos de tiragem ou em relação a sua influência na sociedade como formador de opinião. Ou seja, os jornalistas de certa forma perderam a exclusividade da notícia, já que hoje qualquer cidadão pode disseminar informações, sem que para isso tenha formação acadêmica ou esteja ligado a uma empresa de comunicação.

O jornalismo cultural, por sua vez, além da adaptação ao novo contexto tecnológico, desde a metade dos anos 1980 vem se modificando ao migrar de um modelo pedagógico para um jornalismo utilitário, onde o que importa não é mais ensinar, mas suprir as necessidades de consumo e as preocupações de ordem individual de seus leitores.

Os cadernos culturais, com suas exíguas páginas, que precisam ser distribuídas entre os diversos segmentos da cultura ― da literatura à dança ―, não conseguem mais dar cabo à cobertura da cultura nacional. Essa limitação física do papel relegou à internet grande importância, já que na web o espaço é ilimitado, o que possibilita, pelo menos em tese, maior aprofundamento dos temas. O caráter híbrido da internet também oferece muito mais possibilidades ao leitor, que pode interagir com outros formatos. Tudo isso vem alterando de forma significativa a maneira como os leitores se relacionam com a informação e, conseqüentemente, dando nova configuração à notícia.

Influência da Academia
Historicamente ligado à academia, o jornalismo cultural brasileiro durante muitas décadas foi feito exclusivamente de (e para) doutores, que utilizavam as páginas dos jornais para falar de suas teses a respeito de determinado autor ou livro. Para isso dispunham de espaço quase que ilimitado, totalmente fora dos padrões do jornalismo atual, onde o número de caracteres (toques) de cada texto é rigorosamente calculado e perde cada vez mais espaço para a publicidade. A linguagem acadêmica dos textos, por vezes hermética, era também um fator que afastava o leitor "comum" dos suplementos de cultura, tornando o espaço um nicho exclusivo de letrados. Símbolo de ruptura desse modelo, o caderno "Mais!", lançado em 1992 pela Folha de São Paulo, rompeu com o formato acadêmico dos suplementos, que desde os anos 1950 ― época em que surgia a "Ilustrada" ―, eram feitos exclusivamente por gente da academia. Produto direto da transformação gráfica e editorial empreendida pelo "Projeto Editorial da Folha" (1985-86), o "Mais!" substituiu o "Folhetim", caderno dominical que circulou até 1989 e que mantinha características dos primeiros suplementos: poucas fotos, predominância do preto-e-branco, projeto gráfico sofrível e textos longuíssimos, que não raras vezes preenchiam todo o espaço físico do jornal, de ponta a ponta.

O "Mais!" apostou em um jornalismo leve, que além de literatura contemplasse outros temas como sociologia, antropologia, história e artes plásticas. Tudo isso em textos enxutos ― quando comparados aos cadernos anteriores ― que dessem cabo à diversidade de opiniões. Os acadêmicos passaram então a dividir espaço com escritores, repórteres e críticos desvinculados das universidades, tendo que adaptar seus textos a um novo padrão, bem menos denso e mais acessível do ponto de vista da linguagem.

O conceito de cultura a partir daí também ganhou contornos bem mais amplos na imprensa brasileira. A chamada alta cultura, que outrora reinava absoluta, foi gradativamente perdendo espaço para assuntos antes considerados pouco relevantes. A linha divisória entre a cultura erudita e a cultura de massa praticamente deixou de existir. Temas do cotidiano ganharam força, ampliando o leque de assuntos dos cadernos e suplementos. Hoje praticamente tudo é tema de cultura. Qualquer assunto pode ganhar interpretações sociológicas ou antropológicas e ser esmiuçado em uma grande reportagem. Essa flexibilização dos temas teve impacto direto na forma com que o conteúdo passou a ser levado ao leitor.

As transformações ocorridas nas grandes cidades também influenciaram. O ritmo veloz dos grandes centros praticamente eliminou a ociosidade, escasseando o tempo vago. Com isso, os textos jornalísticos, não só da área de cultura, hoje precisam ser concisos, de leitura fácil e rápida, tudo em nome do "tempo do leitor", que nunca foi tão minguado. O jornalismo cultural não fugiu à regra, teve que se adaptar também. Mas dessa mudança surgiram novos desafios. Se por um lado o jornalismo de cultura passou a ser mais acessível ao leitor, com diagramação atraente e texto leve, por outro a cultura passou a ser tratada quase que exclusivamente como "produto". Os assuntos são escolhidos cada vez mais de acordo com critérios de mercado. Os cadernos hoje estão muito mais preocupados em indicar para o consumo do que em discutir ou polemizar sobre assuntos pontuais. É claro que as publicações segmentadas, como revistas e jornais especializados, que melhoraram muito ao longo dos anos 1990, em termos de quantidade e qualidade, diferenciam-se da fugacidade dos cadernos diários dos jornais justamente por ter um espaço maior para discussões aprofundadas e por estarem falando para um público menos heterogêneo.

Se antes o problema era o excesso de erudição, que limitava o acesso dos não-especialistas, agora é a falta de profundidade dos assuntos que incomoda. O que parece claro é que, com o impacto da internet, o jornalismo cultural, especialmente em jornais, ainda procura um formato que dê conta das exigências do leitor do século XXI. A única certeza que se tem é que o papel não pode e não deve competir com a internet. Achar um novo modelo, que contemple interatividade e seja ao mesmo tempo inteligente e profundo, parece ser o grande desafio do jornalismo cultural hoje.


Luiz Rebinski Junior
Curitiba, 2/1/2008


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Cultura pop de Gian Danton


Mais Luiz Rebinski Junior
Mais Acessadas de Luiz Rebinski Junior em 2008
01. O jornalismo cultural no Brasil - 2/1/2008
02. Bukowski e as boas histórias - 15/10/2008
03. Despindo o Sargento Pimenta - 16/7/2008
04. O óbvio ululante da crônica esportiva - 27/8/2008
05. Crônicas do anonimato - 19/3/2008


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
3/1/2008
20h34min
Eu tenho um blog, leio diariamente textos de internet e pretendo ser jornalista cultural. Graças à pouca idade que tenho só comecei a ler textos culturais há pouco tempo (3 anos, sei lá...). Não acho o jornalismo cultural de jornais (Estado de S. Paulo) superficial, mas o de revistas semanais (Veja) costuma ser beeem pobrezinho, principalmente se tratando de cinema (Transformers seria cinema?).
[Leia outros Comentários de Cris A.]
12/1/2008
04h34min
Vou tentar ser "conciso", "rápido" e "fácil": 1. Quem é esse leitor "comum" que parece ser compreendido como o oposto desse outro ser misterioso, o "letrado"? O sujeito que lê o caderno de cultura afinal de contas não é mais letrado? Então para quê ele lê o caderno de cultura? 2. Um texto "menos denso" é o quê? Menos idéias por centímetro quadrado de papel? A falta de densidade não parece uma perda do tal precioso e escasso tempo desses curiosos leitores "comuns"? 3. E o tal novo texto além de ter que ser "conciso", precisa também ser "menos denso". Um texto "conciso" e "menos denso" é o equivalente para mim a uma sopa bem aguada servida numa taça de café. Esse jornalismo cultural "mais acessível", "de leitura fácil e rápida", não passa de um engodo de gente que se acha inteligente e culta, mas não tem tempo para ler nem o caderno de cultura do domingo, quanto mais um livro inteiro quanto mais uma mísera dúzia de livros por ano.
[Leia outros Comentários de Paulo Moreira]
18/1/2008
19h13min
Luiz, Desculpa ficar enchendo o saco, mas achei que isso seria interessante em vista da nossa conversa. legenda traz uma nota rápida sobre o cara que edita 2 cadernos importantes do NYT - o Review of Books e o Week in Review [uma espécie de retomada analítica das notícias principais da semana]. Note que o cara é conservador [portanto, não tenho a menor simpatia por ele em termos políticos], mas acho que estávamos conversando sobre algo que vai além da posicao política.
[Leia outros Comentários de Paulo Moreira]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




UM JOGADOR (LACRADO)
FIÓDOR DOSTOIÉVSKI
34
(2004)
R$ 22,90



ENSAIOS DE MAQUINAS ELETRICAS
ALFONSO MARTIGNONI
GLOBO
(1987)
R$ 9,00



OS BALCÃS HISTÓRIA E CRISE
JAYME BRENER
ÁTICA
(1996)
R$ 11,00



GABRIELA, CRAVO E CANELA - 2ª EDIÇÃO
JORGE AMADO
COMPANHIA DAS LETRAS
(2012)
R$ 12,90



O CAÇADOR DE TATU
RAQUEL DE QUEIROZ
LIVRARIA JOSÉ OLYMPIO
R$ 15,00



MOVIMENTO ESTUDANTIL E DITADURA MILITAR (1964-1968)
JOÃO ROBERTO MARTINS FILHO
PAPIRUS
(1987)
R$ 18,00



ATITUDE 3
JUSTIN HERALD
FUNDAMENTO
(2005)
R$ 5,99



ENCONTRE DEUS NA CABANA
RANDAL RAUSER
PLANETA
(2009)
R$ 15,00



O TEATRO NO BRASIL - J. GALANTE DE SOUSA (2 VOLUMES)
J. GALANTE DE SOUSA
MEC/INL
(1960)
R$ 90,00



ANJO DA ESCURIDÃO
SIDNEY SHELDON E TILLY BAGSHAWE
RECORD
(2013)
R$ 35,00
+ frete grátis





busca | avançada
27294 visitas/dia
862 mil/mês