busca | avançada
25182 visitas hoje
60 mil no mês
Digestivo Cultural
O que é?
Quem faz?

Audiência e Anúncios
Quem acessa?
Como anunciar?

Colaboração e Divulgação
Como publicar?
Como divulgar?

Newsletter
* Feeds & Twitter
Últimas Notas
>>> Centenário de Noel Rosa, por Francisco Bosco, na Rádio Batuta
>>> Caminhos de um Brasil Solidário, de Luis Eduardo e Ana Elisa Salvatore
>>> WikiLeaks, uma arma contra o abuso de poder
>>> O Kindle 3 e as respostas da Amazon ao iPad
>>> O Google em crise de meia-idade
>>> Os primeiros volumes da Penguin Companhia
>>> Não contem com o fim do livro, uma conversa com Umberto Eco
>>> Coleção MPBaby, pela MCD
Temas
Mais Recentes
>>> A quem interessa uma sociedade alienada?
>>> Meus álbuns: '00 - '09 ― Pt. 5
>>> A ilusão da alma, de Eduardo Giannetti
>>> Introdução ao filosofar, de Gerd Bornheim
>>> Sobre o preço dos livros 2/2
>>> Nasce um imortal: José Saramago
>>> Nas redes do sexo
>>> Instantes: a história do poema que não é de Borges
>>> O elogio da narrativa
>>> Sobre o preço dos livros 1/2
Colunistas
Mais Recentes
>>> Eleições 2010
>>> Copa 2010
>>> iPad
>>> Futuro do Cinema
>>> Livro Eletrônico
>>> Melhores de 2000-2009
Últimos Posts
>>> Ping: a rede social da Apple
>>> A nova Apple TV
>>> Fred Wilson e a 'morte' da Web
>>> Christian Barbosa no MitA
>>> Nosso Lar
>>> João Moreira Salles e o fim
>>> Tim Ferriss e a autopublicação
>>> O sertão do tamanho do mundo
>>> 3 perguntas: Bumblefoot
>>> Economist matando os blogs
Mais Recentes
>>> Um kadish para Tony Judt
>>> Bill Gates e o Internet Explorer
>>> Jim Clark e a Nestcape
>>> Marc Andreessen e o Mosaic
>>> O dia em que Paulo Coelho chorou
>>> Ponto de ruptura no jornalismo
>>> O entusiasmo de Lobato
>>> O senhor embaixador
Mais Recentes
>>> Ryoki Inoue
>>> Harry Crowl
>>> Ron Bumblefoot Thal
>>> Noga Sklar
>>> Paula Dip
>>> Luis Eduardo Matta
Mais Recentes
>>> Newsletter: 50 mil Assinantes
>>> Editoras como Parceiras
>>> Feeds dos Autores
>>> Comentários Liberados
>>> 10 mil seguidores no Twitter
>>> Newsletters à sua escolha
Mais Recentes
>>> Vendi meus livros, mas doeu (Walter Luiz Cid do N)
>>> Nossa esquecida finitude (Gabriel Marques)
>>> O mercado do jabá (carlos roberto rocha)
>>> O interesse na alienação (Débora Carvalho )
>>> Já não estamos vacinados? (wellvis)
>>> Vigiar os políticos (Carla Ceres)
>>> Meu novo ídolo! (Alberto de C Freitas)
>>> Necessidade de pensar (Manoel Messias Perei)
>>> Nossos livros de bolso (Rafael Rodrigues)
>>> E se fosse psicografado? (José Frid)
Mais Recentes
>>> Quem tem medo do Besteirol?
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Dos amores possíveis
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Ponto de ruptura no jornalismo
>>> Quanto custa rechear seu Currículo Lattes
COLUNAS >>> Especial Twitter

Quarta-feira, 9/7/2008
Eu, tu, íter...
Guga Schultze
+ de 1500 Acessos
+ 2 Comentário(s)

Estava lendo, aqui no Digestivo, o ensaio de Luli Radfahrer, sobre o fim do e-mail, e pensando sobre o Twitter. Minha mãe tinha um tweeter na pia da cozinha, aquele pequeno triturador acoplado no ralo da pia. Mas o Twitter, que de certa forma também mastiga a comunicação, vem de tweet, que é o tititi dos passarinhos, em inglês. Muito mimoso, né? Hitchcock ia gostar disso.

Mas o e-mail é uma ferramenta com uma característica muito boa ainda: permite que você escolha o que ler, qual a mensagem que você quer ler. O hábito muito educado de escrever o "assunto" de um e-mail é fundamental. Tem e-mail que a gente não lê, que a gente simplesmente descarta e esquece. Com um pouco de prática você já reconhece a mala sem alça na primeira olhada.

O e-mail indesejado chega até você, mas não te contamina com sua mensagem chata. Você o descarta, você tira ele da frente dos seus olhos e segue sua vida em paz. A coisa é sutil: o e-mail passa essa sensação. Usando o e-mail você tem a impressão de que sua privacidade ainda está resguardada, esse é o diferencial. E essa impressão conta. Alguém poderia dizer que no Twitter, por exemplo, você não tem essa escolha. Claro, você escolhe quem seguir, mas o Twitter torna evidente que você não sabe fazer escolhas muito bem. Don't be a twit (pateta), mas às vezes não dá.

O Twitter torna visível, pra você mesmo, que você feqüentemente faz péssimas escolhas, que você não é tão esperto como tinha pensado, que você não passa de um desinformado em potencial, tentando acompanhar o ritmo de extraterrestres e suas mensagens criptografadas. Você sente vergonha de perguntar sobre todas aquelas siglas, todas aquelas expressões estranhas, todos aqueles nomes completamente desconhecidos que o sujeito que você "segue" tem o prazer perverso de postar.

Em suma, o Twitter é excludente. Para a grande maioria dos mortais, os não-iniciados, o Twitter diz exatamente isso: você é um não-iniciado. Não importa que os números me desmintam e que o Twitter esteja congestionado com milhões de usuários e que esse número aumente. Ele aumenta porque o Twitter é mesmo rápido, fácil e tem tudo para ser o território ideal do solipsismo. Tudo, absolutamente tudo, que reforçe o solipsismo natural do "cerumano" ― esse ser notável ― tem seus milhares de adeptos instantâneoas. Vamos ao Houaiss:

"Solipsismo:
substantivo masculino
1 Rubrica: filosofia.
doutrina segundo a qual só existem, efetivamente, o eu e suas sensações, sendo os outros entes (seres humanos e objetos), como partícipes da única mente pensante, meras impressões sem existência própria [Embora freq. considerado uma possibilidade intelectual (caso limite da filosofia idealista), jamais foi endossado integralmente por algum pensador.]
2 Derivação: por extensão de sentido.
vida ou conjunto dos hábitos de um indivíduo solitário"

Bem no meio da conectividade, da comunicação global massiva e sem fronteiras, da velocidade e instantaneidade do grande fluxo da informação mundial, está o germe do solipsismo absoluto. Tuiteiros são solipsistas natos. Existe alguma comunicação efetiva. Alguns gatos pingados trocam miados entre si e usufruem dessa possibilidade de uma forma inteligente ou, pelo menos, útil. Mas a própria pergunta inicial, que o Twitter coloca na porta de entrada, What are you doing?, o que você está fazendo, o que você anda aprontando, é um convite delicioso ao onanismo virtual.

As pessoas ouvem músicas e te avisam: "Ouvindo G.K.Tatoo, Simpsons botox at the devil's instance, oh mygod!" .

As pessoas dão notícias: "No BCT, imigrantes trocam vistos de entrada por DLs do Nick do Assholding CO."

As pessoas se confessam: "Uso pince-nez como piercing, mas não tolero a cara do Salamin Cornwall."

Você pensa: What a hell??? Mas até que é divertido. E você vai na onda e tasca: "Chegando em casa, ouvindo SPLHCB e pensando na tatuagem de oncinha da vizinha." Por que não?

Mas é impossível ler tudo. Aos apologistas da comunicação instantânea, ininterrupta e massiva: é humanamente impossível ler tudo. Muito menos absorver tudo. E, mesmo que fosse possível, você cairia numa esquizofrenia virtual. São milhares de assuntos, a seqüência deles é caótica e o requisito para entrar nessa corrente é: aprenda a ser indiferente, aprenda a ser leviano, breve e razoavelmente inconseqüente. São conselhos que, se fossem para orientar uma vida, você não daria a seu filho, se tiver um.

É curioso notar que na era da comunicação total, você precisa aprender a criar filtros, justamente para bloquear grande parte dessa comunicação. Saber filtrar o que interessa é tão ou mais necessário do que a informação em si. Você tem que estar consciente das suas prioridades o tempo todo, porque você simplesmente não tem mais tempo disponível a perder. Seu radar tem que estar muito bem ajustado, para separar o que é relevante do que não é.

A informação excessiva quase exige que você se torne um especialista, seja no que for. Um especialista, como disse o Millôr, é aquele sujeito que só não ignora uma coisa. E eles formarão nichos, e os nichos de especialistas não conversarão entre si. Profecias de Cassandra, minha triste princesa.

Sou dos que acham que uma pessoa que tem, digamos, cinqüenta e dois amigos, não tem quase nenhum. Acho que o ser humano tem uma capacidade natural de ter de oito a treze amigos e cento e quarenta e quatro conhecidos, fora os parentes e namorada(o)s. Não compilei os números, não fiz a pesquisa estatística e nem pretendo. Também desconfio que a minha intuição é genéticamente muito antiga, digamos, por volta de 40.000 a.C., quando os Cro-Magnons andavam, tribalmente, aprontando pela Europa e costumavam dizer: lutaremos até a morte para sobreviver. Dããã. Um contra-senso, mas aqueles Cro-Magnons eram realmente muito doidos.

De forma que gosto de encher o saco dos profetas da nova ordem, os apologistas da Matrix, que gostam muito da idéia, não de se libertar da Matrix, mas de ficar dentro dos seus casulos, em comunicação perpétua com outras borboletas em potencial, usufruindo de uma mente coletiva, criando uma realidade comum e sonhando um sonho comum de máxima produtividade, máxima eficiência e prazeres cor-de-rosa, muito educados e criteriosamente planejados. Mas, encher o saco dos caras é só um pequeno prazer, onanista e bobo, da minha parte. Não levo muita fé, porque sei que remo contra a corrente.

E, para não dizer que não falei de flores, o Twitter tem suas vantagens. É ótimo para quem tem alguma coisa a divulgar: um site, um negócio, uma obra, o que for. Você faz sua simpática propaganda e provavelmente colhe resultados. O fato de escrever com 140 toques também já filtra os mais verborrágicos e os que não têm o que dizer ― ainda que alguns insistam em postar numa seqüência sem fim ―, de forma que o Twitter mantém um nível, digamos, mais alto no quesito "um mínimo de inteligência", o que já é muito. Em relação ao Orkut, por exemplo. Sinto muito, mas eu experimentei o Orkut por dois meses. Procurei, por exemplo, grupos que eu julguei que seriam interessantes e que se mostraram tão aquém das minhas expectativas mais simples, que eu desisti. Das duas, uma: ou fui exigente demais ou o nível era baixo demais. Não sou presunçoso ― nada além do normal ― mas vou ficar com a segunda hipótese.

E, por último, penso que devo informar aqui que eu estou no Twitter. Quase escrevi que eu uso o Twitter. Não uso. Não tem nenhuma utilidade para mim, no momento. Vou lá para me divertir um pouco, o que já é muito. Há alguns dias postei uma bobagem por lá, porque estive lendo umas coisas do horóscopo chinês ― aquele negócio do ano do rato, ano do tigre etc ― e escrevi que descobri o meu ano: o ano nimato. No que me diz respeito, acho que acertei na mosca.


Guga Schultze
Belo Horizonte, 9/7/2008

Quem leu este, também leu esse(s):
01. Livrarias, bibliotecas e outros paraísos de Ana Elisa Ribeiro
02. A vida subterrânea que mora em frente de Elisa Andrade Buzzo
03. A Pixar e Toy Story 3 de David Donato
04. A sociedade em rede de Gian Danton
05. Patriotada às avessas de Luiz Rebinski Junior


Mais Guga Schultze
Mais Acessadas de Guga Schultze em 2008
01. Dançando com Shiva - 5/3/2008
02. Contra reforma ortográfica - 10/9/2008
03. Algumas notas dissonantes - 16/1/2008
04. Sobre o som e a fúria - 26/3/2008
05. Don Corleone e as mulheres - 24/9/2008


Mais Especial Twitter

* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
13/7/2008
19h46min
A questão é complicada mesmo. Mas, sem sentirmos, vamos selecionando o que nos interessa e acabamos numa rotina internética. Às vezes, temos a grata surpresa de encontrarmos algo muito bom, que, de uma certa maneira, vai fazer parte da nossa seleção. Na maioria das vezes é uma decepção. Ainda bem que existem caras como você que fazem valer a pena esses passeios pela internet. Acho que vou comprar um Twitter para minha pia. Beijo.
[Leia outros Comentários de Adriana Godoy]
19/8/2008
00h58min
Me parece que você volta à discussão "internet isola as pessoas", com um novo recurso para criticar. Concordo que o Twitter não tem ainda, se é que um dia terá, utilidade. É uma ferramenta efêmera, que promove o passageiro. Mas não concordo em nada com o solipsismo. Não enxergo gente solitária, vejo pessoas que querem compartilhar algo e que entendem que não precisam ficar restritas ao universo em volta (casa, escola, clube, faculdade etc) para fazer isso. E se o Twitter é uma via que leva a esse compartilhamento, ótimo! Grande abraço!
[Leia outros Comentários de rafael bucco]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.

Hedra
Editora Paz e Terra
Editora Globo
Editora Planeta
Campus-Elsevier
AIC
Conrad Editora
Editora Record
Companhia das Letras
Editora Unicamp
Intrínseca
Livraria Cultura
Editora Objetiva
KindleBookBr
Cosac Naify
Submarino
PROMOÇÕES
Campus-Elsevier

Criação de novos negócios
José C.A. Dornelas
Jeffry A. Timmons

por R$ 149,90


Profissão: Investidor
Jason Zweig
por R$ 77,00


Criação e Inovação no Caos
Jeremy Gutsche
por R$ 89,90


Positivamente Irracional
Dan Ariely
por R$ 69,90


Design Thinking
Tim Brown
por R$ 69,90


O Legado de Peter Drucker
Bruce Rosenstein
por R$ 39,90


Formação de Traders
Rodrigo Puga
Márcio Rodrigues

por R$ 45,00


Destaque-se
Jim Champy
por R$ 29,90


A Geração Y no trabalho
Nicole Lipkin
April Perrymore

por R$ 59,90


As grandes religiões do mundo
Stephen Prothero
por R$ 79,90


Previsivelmente Irracional
Dan Ariely
por R$ 55,90


A Era do Twitter
Shel Israel
por R$ 69,90


Cobiçado
David Freemantle
por R$ 59,90


Viral Loop
Adam Penenberg
por R$ 66,00


Inspire-se!
Jim Champy
por R$ 49,90

busca | avançada
25182 visitas hoje
60 mil no mês