busca | avançada
23497 visitas hoje
375 mil no mês
Digestivo Cultural
O que é?
Quem faz?

Audiência e Anúncios
Quem acessa?
Como anunciar?

Colaboração e Divulgação
Como publicar?
Como divulgar?

Newsletter
* Feeds & Twitter
Últimas Notas
>>> A morte anunciada da Web, na revista Wired
>>> Reflexões sobre um século esquecido (1901-2000), por Tony Judt
>>> Centenário de Noel Rosa, por Francisco Bosco, na Rádio Batuta
>>> Caminhos de um Brasil Solidário, de Luis Eduardo e Ana Elisa Salvatore
>>> WikiLeaks, uma arma contra o abuso de poder
>>> O Kindle 3 e as respostas da Amazon ao iPad
>>> O Google em crise de meia-idade
>>> Os primeiros volumes da Penguin Companhia
Temas
Mais Recentes
>>> Tempo vida poesia 3/5
>>> Os diários de Jack Kerouac
>>> Eleição para boi dormir?
>>> A Bienal do Livro ― diário de bordo
>>> Por que é preciso despistar a literatura
>>> A quem interessa uma sociedade alienada?
>>> Meus álbuns: '00 - '09 ― Pt. 5
>>> A ilusão da alma, de Eduardo Giannetti
>>> Introdução ao filosofar, de Gerd Bornheim
>>> Sobre o preço dos livros 2/2
Colunistas
Mais Recentes
>>> Eleições 2010
>>> Copa 2010
>>> iPad
>>> Futuro do Cinema
>>> Livro Eletrônico
>>> Melhores de 2000-2009
Últimos Posts
>>> André Mehmari no Supertônica
>>> Skip Prichard matando ebooks
>>> Guilherme Arantes na Cultura
>>> Musica erudita e os bibelôs
>>> Migre.me fora do ar
>>> Ping: a rede social da Apple
>>> A nova Apple TV
>>> Fred Wilson e a 'morte' da Web
>>> Christian Barbosa no MitA
>>> Nosso Lar
Mais Recentes
>>> Palhaços e candidatos
>>> Um kadish para Tony Judt
>>> Bill Gates e o Internet Explorer
>>> Jim Clark e a Nestcape
>>> Marc Andreessen e o Mosaic
>>> O dia em que Paulo Coelho chorou
>>> Ponto de ruptura no jornalismo
>>> O entusiasmo de Lobato
Mais Recentes
>>> Ryoki Inoue
>>> Harry Crowl
>>> Ron Bumblefoot Thal
>>> Noga Sklar
>>> Paula Dip
>>> Luis Eduardo Matta
Mais Recentes
>>> Newsletter: 50 mil Assinantes
>>> Editoras como Parceiras
>>> Feeds dos Autores
>>> Comentários Liberados
>>> 10 mil seguidores no Twitter
>>> Newsletters à sua escolha
Mais Recentes
>>> Los profetas Isaías y Ezequ... (André)
>>> Que situação engraçada, essa (Adalgiso Junior)
>>> Coelho adora Borges (Luzia Helena )
>>> Conhecendo Assis Brasil (Gabriel Lucas)
>>> Quero ler seu livro (Débora Carvalho)
>>> Parabéns pela lucidez (Cláudio Toldo)
>>> Reflexão e serenidade (Manoel Messias Perei)
>>> Alguém acredita ainda? (Marcos Ribeiro)
>>> Isso vem desde os primórdios (Camila Silveira)
>>> Então o poema é bom (Gildemar Pontes)
Mais Recentes
>>> Digestivo nº 468
>>> Digestivo nº 468
>>> A quem interessa uma sociedade alienada?
>>> Michael Jackson e a Geração Thriller
>>> A morte anunciada da Web, na revista Wired
>>> Curiosidades da Idade Média
>>> Instantes: a história do poema que não é de Borges
>>> Os dez mandamentos do leitor
>>> Instantes: a história do poema que não é de Borges
>>> Como esquecer um grande amor
COLUNAS

Terça-feira, 24/2/2009
No line on the horizon, do U2
Rafael Rodrigues
+ de 3300 Acessos
+ 2 Comentário(s)

No line on the horizon, décimo segundo trabalho de estúdio da banda de rock irlandesa U2, já nasce grande. Só de versões comercializadas, o disco terá cinco: uma "normal", em formato jewel case (leia-se caixa de acrílico), e quatro limitadas, que variam da mais simples ― em digipack, com encarte um pouco maior que o da versão "normal" e um minipôster da banda ― até a mais luxuosa ― contendo, além do CD, um DVD com o filme Linear, do cineasta britânico Anton Corbijn ― diretor do clipe de "Get on your boots", primeiro single do disco ―, um livro de capa dura com 64 páginas e um pôster.

O U2 é uma das raras bandas que pode se vangloriar de seu pior trabalho ser um bom disco. No caso, o equivocado Zooropa, no qual entre canções boas, mas que nem de longe fazem jus à reputação do grupo, podemos encontrar ao menos quatro de indiscutível qualidade, à altura da banda: "Numb", "Lemon" (belíssimas, apesar de poucos gostarem) e as maravilhosas "Stay (Faraway, so close)" e "The first time".

Pode-se dizer que Zooropa é uma tentativa mal-sucedida do estupendo Pop, lançado quatro anos depois, disco que é uma das obras-primas da banda e que, infelizmente, não foi bem recebido nem pela crítica nem pelo público, sendo ainda hoje alvo de críticas. Assumidamente prematuro, foi lançado às pressas, depois de uma gravação conturbada; o próprio Bono Vox já declarou que, se pudesse, regravaria o disco. Essa "pressa" fica mais evidente em uma das músicas de Pop, "Last night on earth", uma canção poderosa, mas que aparenta ter sido editada de maneira displicente. A maior prova de que o disco foi lançado antes do tempo e de que a própria banda de certa forma se arrepende disso está na coletânea The best of 1990-2000, na qual três faixas de Pop ― "Gone", "Discothèque" e "Staring at the sun" ― ganharam novas versões.

Zooropa e Pop sucedem Achtung baby, que inaugura de maneira sublime uma nova fase na carreira do grupo, encerrada de maneira brilhante por The Joshua Tree. (Entre os dois há Rattle and Rum, mas é um disco no qual predominam covers e versões ao vivo, poucas são as músicas inéditas.) Esta "nova fase" é marcada por uma espécie de atualização sonora. Até The Joshua Tree há ainda no U2 uma quase vontade de não se deixar levar totalmente pela indústria da música, como se isso significasse uma ruptura com suas raízes e sua nação. A banda era, sim, um grande sucesso em todo o mundo, mas nada comparado ao que veio depois. E isso veio com Achtung baby, lançado em 1991, que é considerado um dos melhores álbuns do grupo, atrás apenas de ― ou empatado com ― The Joshua Tree. É em Achtung baby que o U2 começa a flertar com o pop e a música eletrônica, fugindo um pouco do tom épico dos discos anteriores ― The Joshua Tree e The unforgettable fire. Em seus sucessores (os já mencionados Zooropa e Pop), essas características estariam ainda mais presentes.

Citar essa quase fuga das raízes e entrada no cenário luminoso da música eletrônica é importante para entender o novo álbum da banda, No line on the horizon, a ser lançado dia 27 de fevereiro na Irlanda e em 02 de março no resto do mundo (exceto nos Estados Unidos, onde o disco será lançado dia 03 de março). É também necessário um breve olhar sobre All that you can't leave behind e How to dismantle an atomic bomb, lançados em 2000 e 2004, respectivamente.

Quando a banda, depois do mal desempenho de Pop junto à crítica e ao público, anunciou que entraria em estúdio, a expressão mais utilizada era "volta às raízes". Depois de uma incursão à música "de discoteca", a banda desejava fazer o bom e velho rock'n'roll de sempre (do qual nunca se afastou, é bom deixar claro; nem mesmo em Pop), e o álbum citado como referência era, justamente, The Joshua Tree. De certa forma, All that you can't leave behind é uma "recriação" de TJT, mas guardando-se as devidas proporções, é claro. O disco de 2000 nada tem, a rigor, do glorioso álbum de 1987. Enquanto que em All that you can't leave behind os integrantes aparecem, nas fotos do encarte, num aeroporto, no encarte de TJT vemos a banda em fotos tiradas em campos. Em um, o clima é de modernidade; no outro, é bucólico. Sinal de que a banda estava se ajustando aos "novos tempos", mas de maneira sóbria (as fotos no aeroporto são discretas e em preto e branco, longe do excesso de cores, poses e adereços dos tempos de Zooropa e Pop). Não obstante essa diferença de ares e paisagens, o som de ambos discos é o U2 em estado puro. São os álbuns nos quais o U2 é mais U2. Houve quem criticasse o uso de equipamentos modernos e a descarada intenção de criar um hit ("Elevation" e seus sintetizadores), mas a verdade é que em All that can't leave behind pode-se sentir um pouco da aura épica do U2, presente com toda a magnitude em The Joshua Tree e, com um pouco menos de vigor, em Achtung baby.

Já em How to dismantle an atomic bomb a banda optou por seguir a trilha que o disco anterior indicava: a mescla de rock com músicas mais introspectivas, deixando um pouco de lado a influência eletrônica. É um álbum valoroso, de extrema qualidade, todas as canções poderiam ser músicas de trabalho. Pode-se dizer que How to dismantle an atomic bomb é um All that you can't leave behind mais maduro, apesar de a inspiração para ambos discos serem um pouco diferentes (o impacto do novo século/milênio que se desenhava foi o mote de All..., e a situação geopolítica do mundo pós-11 de setembro foi o que guiou a composição de How...).

Agora, em No line on the horizon, a banda traz o melhor do melhor de todos os seus discos. Não é à toa que Steve Lillywhite (que, juntamente com os lendários Brian Eno e Daniel Lanois, produziu o disco) vem dizendo que este é o melhor trabalho do U2 até hoje. Há, no novo álbum, a presença de Achtung baby e Pop, em músicas como a contagiante "Get on your boots"; em "Magnificent" há um quê de The Joshua Tree; "Moment of surrender" lembra um pouco The unforgettable fire; "I'll go crazy if i don't go crazy tonight" poderia estar em All that you can't leave behind ou em How to dismantle an atomic bomb. Mas, também, há canções completamente diferentes do U2 ― e, paradoxalmente, tão U2 quanto qualquer outra. A faixa-título, por exemplo. É diferente de tudo o que a banda já fez, mas nada é tão Bono-Edge-Mullen-Clayton quanto. Mesmo caso de "Stand up comedy" e "Fez ― Being born", por exemplo; esta última inicia sombria, soturna, mas caminha para um refrão redentor; "Stand up..." é uma mistura excepcional de pop/rock, com uma pitada de funk e, por mais incrível que possa parecer, rap. Outra canção brilhante é "Unknown Caller", muitíssimo bem construída e arranjada, com vocais perfeitos de Bono e The Edge.

Com mais de trinta anos de estrada, milhões de discos vendidos e dezenas de Grammys na estante, o U2 poderia perfeitamente encerrar sua carreira ou colocar no mercado álbuns não mais que razoáveis. Felizmente, não é este o caso. O que se vê é uma banda sem medo de arriscar e mudar ― inclusive o visual (Bono voltou a usar o cabelo curto, o "corte de exército" da época de Pop). Um grupo que não tem vergonha de assumir posturas políticas e pacifistas em seus discos e em suas vidas pessoais (vide a cruzada solitária de Bono em busca de um mundo menos desigual e belicoso). Uma banda que, de tempos em tempos, presenteia seus fãs com uma obra-prima ― como agora ―, e nos faz acreditar um pouco que o mundo ainda pode ser melhor e que, para isso, basta fazer como eles: dar sempre o melhor de nós.


Rafael Rodrigues
Feira de Santana, 24/2/2009

Quem leu este, também leu esse(s):
01. Ainda, sempre, Oranje! de Tatiana Mota
02. A letargia crítica na feira do vale-tudo da arte de Jardel Dias Cavalcanti
03. Inútil, o filme e a moda que ninguém vê de Elisa Andrade Buzzo
04. Resenha particular sobre um ano bom de Ana Elisa Ribeiro
05. A despedida de Ingmar Bergman de Marcelo Miranda


Mais Rafael Rodrigues
Mais Acessadas de Rafael Rodrigues em 2009
01. Meus melhores livros de 2008 - 6/1/2009
02. No line on the horizon, do U2 - 24/2/2009
03. Meus melhores discos de 2008 - 27/1/2009
04. Gênios e loucos - 10/2/2009
05. Sociedade dos Poetas Mortos - 10/11/2009


Mais Colunas Recentes

* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
25/2/2009
20h53min
Fantástico seu texto. Muito bem colocado. Pena que boa parte da mídia brasileira não entendeu bem o que este novo disco significa. Parabéns.
[Leia outros Comentários de Wesley]
3/3/2009
20h49min
Parabéns pela excelente crítica feita a "No line on the horizon": o álbum simplesmente me emociona do começo ao fim... O que os caras fizeram foi arrepiante! Faltou citar a equilibrada dose de new age e synthpop diluída em meio a várias faixas, que, é claro, são essencialmente rock'n'roll do melhor... Outro ponto que foi muito bem exposto foi sobre o álbum "Pop". Posso ser incompreendido, mas esse álbum foi demais... É um dos meus preferidos até hoje. Sem contar que fui ao Popmart, no Morumbi, em 1998. Ouvir Mofo ao vivo foi animal!!! O campo parecia que ia desabar...
[Leia outros Comentários de Vinicius Campos]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.

Conrad Editora
AIC
Hedra
Cosac Naify
Editora Objetiva
Campus-Elsevier
Editora Globo
KindleBookBr
Editora Planeta
Submarino
Livraria Cultura
Intrínseca
Editora Record
Companhia das Letras
Editora Paz e Terra
Editora Unicamp
LANÇAMENTOS
Livraria Cultura

As Armas Secretas
Julio Cortázar
por R$ 29,00


O Alienista Caçador de Mutantes
Natalia Klein
por R$ 19,90


Não Me Deixes
Rachel de Queiroz
por R$ 27,00


A Maldição do Cigano
Stephen King
por R$ 21,90


Usina
José Lins do Rego
por R$ 39,00


Mundo Financeiro
Alexandre Povoa
por R$ 64,00


História da Televisão no Brasil
Sacramento, Roxo e Ribeiro
por R$ 49,90


Boas-vindas à Filosofia
Marilena Chauí
por R$ 14,50


Política
João Ubaldo Ribeiro
por R$ 35,90


As Cobras
Luis Fernando Verissimo
por R$ 49,90


A última entrevista de José Saramago
José Rodrigues dos Santos
por R$ 18,00


Ficadas e Ficantes
Angelica Lopes
por R$ 25,00


Muchacha
Laerte
por R$ 29,00


Máximas de Balzac
Honoré de Balzac
por R$ 24,90


Snoopy Extraordinário
Charles Schulz
por R$ 45,00

busca | avançada
23498 visitas hoje
375 mil no mês