busca | avançada
23097 visitas hoje
58 mil no mês
Digestivo Cultural
O que é?
Quem faz?

Audiência e Anúncios
Quem acessa?
Como anunciar?

Colaboração e Divulgação
Como publicar?
Como divulgar?

Newsletter
* Feeds & Twitter
Últimas Notas
>>> Centenário de Noel Rosa, por Francisco Bosco, na Rádio Batuta
>>> Caminhos de um Brasil Solidário, de Luis Eduardo e Ana Elisa Salvatore
>>> WikiLeaks, uma arma contra o abuso de poder
>>> O Kindle 3 e as respostas da Amazon ao iPad
>>> O Google em crise de meia-idade
>>> Os primeiros volumes da Penguin Companhia
>>> Não contem com o fim do livro, uma conversa com Umberto Eco
>>> Coleção MPBaby, pela MCD
Temas
Mais Recentes
>>> A quem interessa uma sociedade alienada?
>>> Meus álbuns: '00 - '09 ― Pt. 5
>>> A ilusão da alma, de Eduardo Giannetti
>>> Introdução ao filosofar, de Gerd Bornheim
>>> Sobre o preço dos livros 2/2
>>> Nasce um imortal: José Saramago
>>> Nas redes do sexo
>>> Instantes: a história do poema que não é de Borges
>>> O elogio da narrativa
>>> Sobre o preço dos livros 1/2
Colunistas
Mais Recentes
>>> Eleições 2010
>>> Copa 2010
>>> iPad
>>> Futuro do Cinema
>>> Livro Eletrônico
>>> Melhores de 2000-2009
Últimos Posts
>>> Ping: a rede social da Apple
>>> A nova Apple TV
>>> Fred Wilson e a 'morte' da Web
>>> Christian Barbosa no MitA
>>> Nosso Lar
>>> João Moreira Salles e o fim
>>> Tim Ferriss e a autopublicação
>>> O sertão do tamanho do mundo
>>> 3 perguntas: Bumblefoot
>>> Economist matando os blogs
Mais Recentes
>>> Um kadish para Tony Judt
>>> Bill Gates e o Internet Explorer
>>> Jim Clark e a Nestcape
>>> Marc Andreessen e o Mosaic
>>> O dia em que Paulo Coelho chorou
>>> Ponto de ruptura no jornalismo
>>> O entusiasmo de Lobato
>>> O senhor embaixador
Mais Recentes
>>> Ryoki Inoue
>>> Harry Crowl
>>> Ron Bumblefoot Thal
>>> Noga Sklar
>>> Paula Dip
>>> Luis Eduardo Matta
Mais Recentes
>>> Newsletter: 50 mil Assinantes
>>> Editoras como Parceiras
>>> Feeds dos Autores
>>> Comentários Liberados
>>> 10 mil seguidores no Twitter
>>> Newsletters à sua escolha
Mais Recentes
>>> Vendi meus livros, mas doeu (Walter Luiz Cid do N)
>>> Nossa esquecida finitude (Gabriel Marques)
>>> O mercado do jabá (carlos roberto rocha)
>>> O interesse na alienação (Débora Carvalho )
>>> Já não estamos vacinados? (wellvis)
>>> Vigiar os políticos (Carla Ceres)
>>> Meu novo ídolo! (Alberto de C Freitas)
>>> Necessidade de pensar (Manoel Messias Perei)
>>> Nossos livros de bolso (Rafael Rodrigues)
>>> E se fosse psicografado? (José Frid)
Mais Recentes
>>> Quem tem medo do Besteirol?
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Dos amores possíveis
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Ponto de ruptura no jornalismo
>>> Quanto custa rechear seu Currículo Lattes
COLUNAS >>> Especial Amor na Internet

Terça-feira, 5/5/2009
Don Juan de mIRC
Rafael Rodrigues
+ de 1300 Acessos
+ 3 Comentário(s)

Quando comecei a acessar a internet, em 1998, o que havia de mais popular entre meus amigos e colegas de escola era o mIRC, um programa de chat. Tudo girava em torno dele, naquela época. Se íamos marcar um encontro, era por lá. Se tínhamos um arquivo do colégio para enviar para o outro, idem. Se procurávamos garotas, o mIRC era nossa primeira opção.

Para quem não conheceu o programa, tentarei explicar mais ou menos seu funcionamento. Cada usuário escolhia um apelido, um nickname, e uma vez conectado a algum servidor (cada rede de IRC unificava vários servidores, que geralmente eram mantidos em máquinas de provedores de acesso a internet; a importância de uma rede era medida justamente pelo número de servidores e de usuários conectados a ela), ele escolhia em quais salas de conversa iria entrar. Essas salas eram chamadas de "canais", e cada cidade tinha seu próprio "canal". O daqui se chamava "Feira"; o de João Pessoa (PB), onde fiz vários amigos, se chamava "Jampa", e por aí vai. Havia também, claro, as salas temáticas, como "Hardware" e "Ajuda", que eram canais de suporte aos usuários.

Como todo bom nerd, eu era muito tímido. (Hoje já não sou um nerd, mas continuo tímido; não tanto quanto antes, graças a Deus.) E nada melhor para um tímido do que uma tela de computador. Afinal, só por aqui é possível ter (ou forjar) uma eloquência e um charme que muitas vezes não conseguimos revelar (ou realmente não temos) pessoalmente. Foi por isso que, desde o princípio, apostei todas as minhas fichas no mIRC, para conseguir uma namorada.

Ora, todo santo dia alguém me vinha com a conversa de que "pegou" uma garota no fim de semana e estava com outro encontro marcado para alguns dias depois. Quem era cara de pau e não muito feio certamente bateu recordes de "pegação" naqueles anos. Porque não precisava ser um galã. Geralmente os galãs tinham namorada ou já estavam com fama de "galinhas", o que espantava as garotas mais certinhas. E algumas delas, acreditem, eram (são!) bonitas. E lá fui eu atrás delas.

Mas não era tão fácil. As meninas mais certinhas geralmente eram também as mais difíceis. A abordagem virtual variava pouco: "Oi, td bem? Quer teclar?". Algumas respondiam com um "não" que, se não fazia barulho, derrubava o ego, causando uma leve (?) sensação de fracasso. Que, é óbvio, durava pouco. Só o tempo de escolher um outro nick e fazer mais uma vez a mesma pergunta.

Nessas idas e vindas, confesso a vocês, não tive sucesso nenhum. Me apaixonei, sim, algumas vezes, não tenho vergonha de admitir. Isso fez com que a conta telefônica da nossa casa chegasse a níveis nunca dantes vistos. Outra consequência nefasta dessas paixões virtuais foi a queda drástica do meu desempenho escolar. Se bem que, na verdade, a culpa disso foi minha vontade de dominar o mundo pelo mIRC. Uma pena eu não ter encontrado outro Cérebro, apenas Pinkys.

Mas voltemos às paixões. A internet mostra que podemos ainda nos apaixonar pelas ideias de alguém, pela sua conversa, pelas afinidades, e não apenas por um par de coxas e seios volumosos. É possível se apaixonar por caracteres, por fotos, por sorrisos lindos e distantes. Depois, nos apaixonamos pela voz e pelo riso gostoso que nos chegam instantaneamente através de fios. Nos apaixonamos pelo "desliga você primeiro". Mas tudo isso pode naufragar no primeiro encontro. É quando você descobre que aquela voz de bebê na verdade tem quase 100 quilos e você, ora, você é apenas um pirralho com menos de 50.

O que era uma pena, certamente. Porque você, o tímido, o que não pegava ninguém, enfim poderia chegar no colégio triunfante, na segunda-feira, dizendo que no fim de semana havia "pegado" a linda, a inteligentíssima, a super-gente-fina "Flor de Lis". Isto se ela não tivesse "omitido" certas características físicas suas e, na verdade, fosse mesmo digna do nick "Willy".

Bom, deixemos as decepções de lado e falemos de casos mais amenos. Como quando cheguei a enviar um buquê de flores para uma garota, porque, como nos ensinam os filmes, toda mulher se derrete por um buquê de flores. Infelizmente, os filmes não nos preparam para as mulheres que não se derretem por um buquê de flores. Resultado: gastei dinheiro à toa e não ganhei sequer um selinho. Só um abraço, um beijo na bochecha e, claro, a sua amizade (bah!).

Numa outra oportunidade, um amigo e eu marcamos um encontro duplo, porque, claro, se fôssemos premiados com dois dragões, um poderia ajudar o outro com a desculpa "ih, rapaz, minha mãe tá precisando que eu vá pra casa agora". Nesta oportunidade, não chegamos a conhecer nossas talvez-futuras-namoradinhas. Ambas nos deram bolo. Como já estávamos no cinema mesmo, fomos assistir a Pearl Harbor, para não perder a viagem. E ficamos brincando de Nostradamus, mesmo sem conhecer o fato que deu origem ao filme, acertando tudo o que iria acontecer na cena seguinte.

Mas, como diz aquele ditado, "água mole em pedra dura, tanto bate até que fura", a verdade é que foi através do mIRC que conheci a mulher da minha vida. Passamos anos conversando virtualmente, sem nunca marcar um encontro. Talvez por causa da timidez que nos dominava. O engraçado é que nossas conversas eram inocentes, não havia, nenhum de nós tinha "segundas intenções". Era mesmo somente amizade, gostávamos de conversar um com o outro. Nos divertíamos bastante e dividíamos nossos problemas e decepções ― inclusive as amorosas! Talvez essa tenha sido a razão de nunca termos proposto um encontro: o mundo real poderia fazer com que nossa amizade esfriasse, com que nossas conversas se tornassem monótonas.

O fato é que não se pode escapar do destino e, no fim de 2002, na primeira fase de uma entrevista de emprego ― aquela, da dinâmica de grupo ―, descobrimos nossas identidades secretas, totalmente por acaso. A amizade continuou e só fez aumentar, a partir de então. Finalmente, no fim de 2004, nossa história juntos teve início.

No fundo, no fundo, vivo um amor que teve origem em conversas virtuais e foi crescendo e ultrapassando as barreiras internéticas até se transformar num amor real, de carne e osso. É fato que poucas são as histórias românticas virtuais que dão certo, mas algumas, felizmente, vencem as dificuldades e as distâncias e duram por muito tempo. A diferença, entre amores virtuais e amores reais, é só o meio. O sentimento é o mesmo.


Rafael Rodrigues
Feira de Santana, 5/5/2009

Quem leu este, também leu esse(s):
01. Big Brother da Palmada de Daniel Bushatsky
02. A questão do fim do livro de Marcelo Spalding
03. As vidas de Chico Xavier de Gian Danton
04. Duas escritoras contemporâneas de Ricardo de Mattos
05. Entrando para ganhar de Celso Augusto Uequed Pitol


Mais Rafael Rodrigues
Mais Acessadas de Rafael Rodrigues em 2009
01. Meus melhores livros de 2008 - 6/1/2009
02. No line on the horizon, do U2 - 24/2/2009
03. Meus melhores discos de 2008 - 27/1/2009
04. Gênios e loucos - 10/2/2009
05. Sociedade dos Poetas Mortos - 10/11/2009


Mais Especial Amor na Internet

* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
25/5/2009
07h41min
"É sempre bom lembrar/ Que um copo vazio/ Está cheio de ar/ Que o ar do copo ocupa o lugar do vinho/ Que o vinho busca ocupar o lugar da dor/ Que a dor ocupa a metade da verdade/ Da verdadeira natureza interior/ Uma metade cheia/ Uma metade vazia/ Uma metade tristeza/ Uma metade alegria/ A magia da verdade/ Inteira ao todo poderoso Amor." Quando o seu conterrâneo, Gilberto Gil, escreveu essa composição, a computação ainda era na base dos "Cartões Perfurados". A diferença, hoje, é apenas a existência da internet, pois essa Relatividade Sentimental do Gil apenas seguiu a Lei de Lavoisier.
[Leia outros Comentários de Dalton]
25/5/2009
09h50min
Muito legal o texto! A internet também tem ajudado a diminuir as distâncias dos corações apaixonados... Pessoas que se conheceram em barzinhos nas férias, festas de amigos, coisas assim podem manter contato via net, apesar de toda a distância, e matar um pouquinho da saudade, além de poder dividir horas juntos, estudando, via web cam, lendo livros, rindo, tudo sem gastar muito. Ai, ai, os corações apaixonados! =)
[Leia outros Comentários de Juliany Luz]
23/3/2010
22h55min
Amei o texto e me identifiquei com ele, pois vivo no momento uma paixão assim... O encontro ainda não se deu por minha causa, pois temo que haja uma decepção de ambas as partes. Da parte dele, hummm... Diz ele estar muito certo de que isso jamais ocorrerá... bom... eu não sei... Na dúvida, prefiro continuar vivendo esse amor na virtualidade, até que eu não me aguente e corra para encontrá-lo!!! Detalhe importante: moramos próximos um do outro, mas cadê a coragem? Temo perdê-lo caso haja decepção de uma ou de ambas as partes... Já marquei com ele várias vezes, mas chega na hora "H" e eu acabo desistindo. Mas tenho sofrido muito com isso. Enfim, seja o que Deus quiser, beijos!
[Leia outros Comentários de fernanda flores]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.

Hedra
Companhia das Letras
Conrad Editora
Livraria Cultura
Editora Globo
KindleBookBr
Submarino
Editora Unicamp
Editora Objetiva
Editora Record
Cosac Naify
Campus-Elsevier
AIC
Intrínseca
Editora Planeta
Editora Paz e Terra
PROMOÇÕES
Campus-Elsevier

Inspire-se!
Jim Champy
por R$ 49,90


A Era do Twitter
Shel Israel
por R$ 69,90


Positivamente Irracional
Dan Ariely
por R$ 69,90


Design Thinking
Tim Brown
por R$ 69,90


Previsivelmente Irracional
Dan Ariely
por R$ 55,90


Profissão: Investidor
Jason Zweig
por R$ 77,00


Criação e Inovação no Caos
Jeremy Gutsche
por R$ 89,90


A Geração Y no trabalho
Nicole Lipkin
April Perrymore

por R$ 59,90


Cobiçado
David Freemantle
por R$ 59,90


Formação de Traders
Rodrigo Puga
Márcio Rodrigues

por R$ 45,00


Viral Loop
Adam Penenberg
por R$ 66,00


As grandes religiões do mundo
Stephen Prothero
por R$ 79,90


Destaque-se
Jim Champy
por R$ 29,90


O Legado de Peter Drucker
Bruce Rosenstein
por R$ 39,90


Criação de novos negócios
José C.A. Dornelas
Jeffry A. Timmons

por R$ 149,90

busca | avançada
23097 visitas hoje
58 mil no mês