Cupido era o nickname dele | Digestivo Cultural

busca | avançada
75226 visitas/dia
1,7 milhão/mês
Digestivo Cultural
O que é?
Quem faz?

Audiência e Anúncios
Quem acessa?
Como anunciar?

Colaboração e Divulgação
Como publicar?
Como divulgar?

Newsletter | Disparo
* RSS, Twitter e Facebook
Últimas Notas
>>> Eu Maior, o filme de Fernando, Paulo e Marco Schultz e Andre Melman
>>> Diálogos de Platão, pela editora da Universidade Federal do Pará
>>> Porta dos Fundos
>>> Os Enamoramentos, de Javier Marías
>>> One Click, a História da Amazon, de Richard L. Brandt
>>> Amores & Arte de Amar, de Ovídio
>>> Gonzaga - De Pai pra Filho, de Breno Silveira
>>> Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade
Temas
Mais Recentes
>>> Clube de leitura da Livraria Zaccara: um ano!
>>> Os EEUU e o golpe de 64
>>> Todas as Tardes, Escondido, Eu a Contemplo
>>> Família e Maldade
>>> O Corno em Série
>>> A Cidade do Improvável
>>> Um Lugar para Fugir Antes de Morrer
>>> O goleiro que ganhou o Nobel
>>> O Amor é Sexualmente Transmissível
>>> Na minha internet foi assim, e na sua?
Colunistas
Mais Recentes
>>> Millôr Fernandes
>>> Daniel Piza (1970-2011)
>>> Steve Jobs (1955-2011)
>>> 11/9: Dez Anos Depois
>>> Séries de TV
>>> Discoteca Básica
Últimos Posts
>>> Araquém Alcântara #EuMaior
>>> John Huston: cinema e armas
>>> Paulo de Tarso Lima #EuMaior
>>> The Doors Live at The Bowl 68
>>> The Doors com Eddie Vedder
>>> Ricardo Lindemann #EuMaior
>>> AnaE lança novo livro em SP
>>> Professor Hermógenes #EuMaior
>>> Waldemar Falcão #EuMaior
>>> Barbara Abramo #EuMaior
Mais Recentes
>>> Sergio Britto & eu
>>> Para o Daniel Piza. De uma leitora
>>> Joey e Johnny Ramone
>>> A Cultura do Consenso
>>> De Kooning em retrospectiva
>>> Delírios da baixa gastronomia
>>> Jane Fonda em biografia definitiva
>>> Psicodelia para Principiantes
Mais Recentes
>>> Luis Salvatore
>>> Catarse
>>> Chico Pinheiro
>>> Sheila Leirner
>>> Guilherme Fiuza
>>> Antonio Henrique Amaral
Mais Recentes
>>> 40 mil seguidores no Twitter
>>> Comentários via Facebook
>>> Obrigado, Daniel Piza
>>> Seção Mais Acessados
>>> Digestivo no Facebook
>>> Você no Twitter do Digestivo
Mais Recentes
>>> Amor assassino
>>> Vanguarda e Ditadura Militar
>>> Dez pessoas para se seguir
>>> O altar das montanhas de Minas
>>> Amor à segunda vista
>>> O romance da década
>>> Luz Olímpica
>>> Daniel Piza no Pânico
>>> O Espadachim de Carvão
>>> Penguin 2.0
Mais Recentes
>>> Papo com Valdeck A. de Jesus
>>> Papo com Valdeck A. de Jesus
>>> Papo com Valdeck A. de Jesus
>>> Papo com Valdeck A. de Jesus
>>> Papo com Valdeck A. de Jesus
>>> Papo com Valdeck A. de Jesus
>>> Olga e a história que não deve ser esquecida
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Quem é (e o que faz) Julio Daio Borges
>>> A teoria do caos
Mais Recentes
>>> MANDALAS TRANSLÚCIDOS
>>> CDI é a nova agência da Atos
>>> UniBrasil lança curso superior em Gestão de Turismo
>>> Artistas e desenhistas de HQ criam obras para musicas de Maria de Medeiros
>>> 'Poesia de Primeira' no atelier Maria Tereza Vieira
>>> Cooperativa recebe alunos da FATEC de Mogi das Cruzes
>>> Cooperativa recebe alunos da FATEC de Mogi das Cruzes
>>> Exposição sobre Walter Levy será inaugurada dia 15/6
>>> Rock'n'roll Celebration terá convidado especial na comemoração de um ano no Santa Marta
>>> Banda Delorean apresenta viagem pela história do rock
COLUNAS >>> Especial Amor na Internet

Sexta-feira, 1/5/2009
Cupido era o nickname dele
Ana Elisa Ribeiro

+ de 3500 Acessos
+ 3 Comentário(s)

Não tenho a menor dúvida: a internet amplia nossas chances de viver um romance. Também não tenho a menor dúvida de que a internet não pode garantir que a qualidade desse romance seja boa ou má. Outra certeza: as paqueras só começam na internet. De repente, elas saltam para a "vida real" e tornam-se como as outras. E quando são vividas apenas virtualmente, podem ser tão intensas quanto as paqueras de carne e osso, só que com um tico mais de fantasia, por conta da distância física.

Difícil e meio inútil ficar categorizando e prescrevendo coisas sobre o amor na internet. Só quem começa algo assim, mediado por computador ou qualquer outro dispositivo, sabe o que é estar nessa experiência. E isso não é coisa nova. O telefone oferecia possibilidade parecida na forma daqueles serviços tipo "Disque Amizade", que ainda hoje são divulgados na tevê. No entanto, essas coisas via Embratel eram vistas com preconceito e pareciam um tantinho bregas.

Na internet, tudo ficou chique. Conectado em banda larga, o carinha veste um nickname e entra em uma sala de bate-papo. Em meados dos anos 1990, esse chat era, em geral, no UOL. Os assuntos vão e vêm, as pessoas trocam ideias no mesmo horário, se gostam, simpatizam, aparentam afinidades e um dia se encontram.

Bokinha quer falar reservadamente com Gaúcho. Como é que você é? Alto, tipo 1m e oitenta, olhos esverdeados (principalmente no sol), nem gordo nem magro, aloirado (em dias claros). E o que você faz na vida? Estudo Contábeis e moro com meus pais. Dirijo, tá? Bokinha fica feliz. Mas eles moram a 700 km um do outro. Fazer o quê? E ainda assim gastam noites inteiras batendo papo reservadamente.

Nos anos 1990, não existia Skype. Voz mesmo, nada. O jeito era "avaliar" a pessoa pela ortografia. Diz que não fez isso nenhuma vez? Claro que fez. O papo, os temas, o jeito de escrever. Mesmo em internetês, havia uma forma de avaliar os "você" com "ç" ou as trocas entre "z" e "s".

Mais ou menos em 1996, os bate-papos do UOL rolavam soltos. Conheci muita gente lá, virtualmente. A turma do Corvo foi um marco em minha vida social. Os encontros dessa turma eram sempre pela manhã. Um era dentista, outro era advogado, outra era promotora, outro era engenheiro. Pessoas de bem, que gostavam de bater papo na internet. Entrei nessa turma. Quatro ou cinco anos depois, o Corvo fundou um blog (O Corvo, claro), nos serviços Blig (blog do iG), e fomos todos para lá. Uma comunidade imensa, que trocava centenas (mesmo) de mensagens por dia, quando os serviços de comentários ainda precisavam ser caçados e agregados aos blogs meio na marra.

Conheci o Rio de Janeiro nessa época. São Paulo também. No Rio, o Corvo e a Marize me ciceroneavam. Em Sampa era o Guaraná que recebia tropas de amigos virtuais em sua quitinete em Moema. Copa do Mundo e nós todos lá, torcendo pelo Brasil, nos jogos da madrugada, gritando da sacada e vendo os aviões descerem pertinho.

JR Lemmon também. Bate-papo de hora do almoço. Eu na editora e ele na Receita. Papo vai, papo vem. Isso vicia. Tão gente boa. Passou mês, vamos almoçar? Vamos. Pronto. Daí resultou uma história longa e nos tornamos amigos. Ou meu marido, Jorge, que conheci por e-mail, por conta de um certo "movimento" da literatura na rede, ali pelos começos dos anos 2000.

Ele, jornalista, participava do Paralelos, no Rio. Eu, poeta, estava no bolo dos mineiros e paulistas que lançavam seus livros pela Ciência do Acidente, do Joca Terron. Papo vai, papo vem, me dá uma entrevista pro Paralelos? Dou. Primavera do Livro, no porto do Rio de Janeiro, vinho ruim, bancas de livros de literatura contemporânea, hospedados na casa da Marize, do Corvo. Namoramos, engravidamos, casamos. História perfeita? Não. As mesmas dificuldades de todos os casais. Nem melhor, nem pior.

O editor e o livro? Pela internet, claro. Comprei um livro do Joca, mandei uma carta (de papel, pelos Correios), ele me devolveu um e-mail e papo vai, papo vem, me dá seus originais aí, dou. Publiquei Perversa em 2002. Conheci o editor (cara a cara) no dia do lançamento do livro em Belo Horizonte. De novo, fui pra Sampa lançar o Perversa e fiquei na casa do Guaraná. Tudo misturado, não? E quem me levou pra conhecer o ABC foi o Flávio, também da internet.

Tem amor nisso aí? Não e sim. Amizades longas e verdadeiras, podem acreditar. Paqueras que nunca deram em nada. Paquera que virou casamento. Paquera que gerou filho de verdade. Paquera que virou paixonite e terminou mal. Tem de tudo. E a vida "real" estava parada? Claro que não. Estou contando apenas as possibilidades da internet. No mundinho mais próximo também havia personagens conhecidos em festinhas, em danceterias ou por meio de amigos. Amizades melhores? Não. Amores mais duradouros? Também não.

A internet precipitou (no sentido da química) relações; ampliou as possibilidades de nuclear pessoas em torno de certos temas; potencializou os modos de formar redes de relações; facilitou o contato (especialmente depois do Google, já que também facilitou que se encontre as pessoas). E estamos na chuva já bem molhados, não? Medo de quê? De mentirem para mim? Mas isso sempre se fez, on ou off-line. De o namoro dar errado? Precisa responder?

A humanidade está na briga contra o tempo e a distância faz tempo. A internet é mais um desses artifícios de trapacear Cronos. Talvez também Eros e Afrodite. E talvez tenhamos transformado a flecha do Cupido em um cursor.


Ana Elisa Ribeiro
Belo Horizonte, 1/5/2009

Quem leu este, também leu esse(s):
01. O Corno em Série de David Butter
02. Era Meu Esse Rosto de Eugenia Zerbini
03. Relendo 'O Pequeno Príncipe' de Sabrina Ferreira
04. Mark Dery e o cotidiano virtualizado de Guilherme Mendes Pereira
05. Manual prático do ódio de João Luiz Peçanha Couto


Mais Ana Elisa Ribeiro
Mais Acessadas de Ana Elisa Ribeiro em 2009
01. Amor platônico - 10/4/2009
02. Aconselhamentos aos casais ― módulo I - 13/3/2009
03. Eu + Você = ? - 27/2/2009
04. Cupido era o nickname dele - 1/5/2009
05. Siga em frente, não siga ninguém - 22/5/2009


Mais Especial Amor na Internet
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
3/5/2009
12h48min
Bravo, Ana Elisa! Adoro os seus textos! Que gostoso ler um texto sem pudores em relação a algo que revolucionou o nosso cotidiano, nossos relacionamentos, nossas formas de leitura e escrita, enfim, mudou a nossa sensibilidade, além de nos aproximar cada vez mais! abs do Sílvio Medeiros. Campinas, é outono de 2009.
[Leia outros Comentários de Sílvio Medeiros]
13/5/2009
10h51min
AER, saudações. Já postei algo semelhante num blog, faz algum tempo. Eu disse: "... ainda sou mais um olhar profundo..." e citei "Quem não compreende um olhar, tão pouco compreenderá uma longa explicação..." (Mario Quintana). Sempre tive medo do escuro...rs e a internet é isso (de certa forma). É um verdadeiro "rebu". Realmente mentiras, decepções e erros sempre foram desfecho de trágicos relacionamentos. Mas os olhos ainda são o espelho da alma. O que vemos podemos julgar por nós mesmos e somos assim o Juiz, o júri e o carrasco executor.
[Leia outros Comentários de Gleiciano Sacramento]
15/5/2009
10h50min
Ana Elisa, sem mais comentários. Gostei muito do texto todo, mas o último parágrafo "matou a pau"! Grande abraço, Áurea
[Leia outros Comentários de Aurea Thomazi]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.

Madras Editora
Globo Livros
Editora Francis
Editora Conteúdo
Cortez Editora
Hedra
Best Seller
Intrínseca
Editora Perspectiva
Nova Fronteira
Companhia das Letras
José Olympio
WMF Martins Fontes
Editora Record
MercadoLivre
Bertrand Brasil
Civilização Brasileira
LIVROS


GAROTA DOS SONHOS


O LIVRO DAS CORTESÃS


DIÁLOGOS - FEDRO


O NETWORKING EFICAZ


A ELITE


MARKETING HACKER


O CHAMADO DE CTHULHU E OUTROS CONTOS


AS ILUSÕES DO PÓS-MODERNISMO


HERMENÊUTICA DA OBRA DE ARTE


O PRAZER DO TEXTO


JOÃO DO RIO - VIDA, PAIXÃO E OBRA


VIRE O JOGO!


FINALE


VALE DOS DRAGÕES


DICIONÁRIO FILOSÓFICO


busca | avançada
75226 visitas/dia
1,7 milhão/mês