busca | avançada
28389 visitas hoje
1,1 milhão / mês
Digestivo Cultural
O que é?
Quem faz?

Audiência e Anúncios
Quem acessa?
Como anunciar?

Colaboração e Divulgação
Como publicar?
Como divulgar?

Newsletter
* Feeds & Twitter
Últimas Notas
>>> A morte do Jornal do Brasil
>>> Alfa, o leitor eletrônico da Positivo
>>> Amar la Trama, de Jorge Drexler
>>> Cachalote, de Daniel Galera e Rafael Coutinho
>>> A Economia das Crises, por Nouriel Roubini e Stephen Mihm
>>> A Questão dos Livros, de Robert Darnton
>>> Coders at Work, de Peter Seibel
>>> House, 6ª Temporada
Temas
Mais Recentes
>>> Por que a Geração Y vai mal no ENEM?
>>> A questão do fim do livro
>>> Meus álbuns: '00 - '09 ― Pt. 4
>>> Metade da laranja ou tampa da panela?
>>> Duas escritoras contemporâneas
>>> Arte e liberdade
>>> O Aspirante a Corrupto
>>> Entrando para ganhar
>>> Poesia, no tapa
>>> Ainda, sempre, Oranje!
Colunistas
Mais Recentes
>>> Copa 2010
>>> iPad
>>> Futuro do Cinema
>>> Livro Eletrônico
>>> Melhores de 2000-2009
>>> Melhores de 2009
Últimos Posts
>>> Entrevista a Karina Cedeño
>>> Claudia Leitte, articulista...
>>> 3 perguntas: Voa Viola
>>> O fenômeno Felipe Neto
>>> The Cure Vídeos
>>> Tom Zé por Giron
>>> The Cure em 2008
>>> Daddy Brother Lover Little Boy
>>> Arianna Huffington sobre o fim
>>> Agnaldo Farias no Supertônica
Mais Recentes
>>> Ponto de ruptura no jornalismo
>>> O entusiasmo de Lobato
>>> O senhor embaixador
>>> Novos caminhos para a cultura
>>> Onde botar os livros?
>>> Twitter versus Facebook
>>> Marina candidata
>>> Sereníssima
Mais Recentes
>>> Harry Crowl
>>> Ron Bumblefoot Thal
>>> Noga Sklar
>>> Paula Dip
>>> Luis Eduardo Matta
>>> Spacca
Mais Recentes
>>> Editoras como Parceiras
>>> Feeds dos Autores
>>> Comentários Liberados
>>> 10 mil seguidores no Twitter
>>> Newsletters à sua escolha
>>> 1,5 Milhão de Pageviews
Mais Recentes
>>> Metacronista? (Carlos Goettenauer)
>>> Nada se salva da mesmice (Sandra Chaves)
>>> Li o Jornal do Brasil (Liliane )
>>> A arte de escrever jornal (Manoel Messias Perei)
>>> Medo de morrer das editoras (Fabiula Neubern)
>>> Uma ameaça enorme aos jornais (Yuri Vieira)
>>> Os livros indispensáveis (Gil Cleber)
>>> Meu coração doeu (Sidcley)
>>> Que delícia ler a experiência (Paula Ribas)
>>> Viajei neste seu Rally (Celito Medeiros)
Mais Recentes
>>> A morte do Jornal do Brasil
>>> Os desafios de publicar o primeiro livro
>>> Os desafios de publicar o primeiro livro
>>> Os desafios de publicar o primeiro livro
>>> Amar la Trama, de Jorge Drexler
>>> A morte do Jornal do Brasil
>>> Alfa, o leitor eletrônico da Positivo
>>> House, 6ª Temporada
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Amar la Trama, de Jorge Drexler
Categorias Atualizadas
>>> Celulares e Telefonia
>>> Eletrônicos - Segurança para Casa
>>> Celulares - Bak
>>> TV a Cabo e Via Satélite - Outros
>>> Celulares - Nokia
>>> Celulares - Memória - Memory Stick Duo / Pro Duo
>>> Celulares - Siemens
>>> TV a Cabo e Via Satélite - Antenas
>>> Segurança para Casa - Campainhas
>>> TV a Cabo e Via Satélite - Receptores
>>> Filmadoras - 8 mm, Hi8 e Digital8
>>> Celulares - Foston
>>> GPS - Mapas e Cartas Náuticas
>>> Informática - Notebooks
>>> Móveis e Decoração
>>> Segurança para Casa - Fechaduras e Travas
>>> HP - iPAQ
>>> Televisores - Tela Plana
>>> Celulares - Memória - miniSD
>>> Eletrônicos - TV a Cabo e Via Satélite
>>> MP3, MP4 e MP5 Players - MP4
>>> Celulares - Memória - MMC - Multimedia Card
>>> Informática - Mídias - Blu-Ray
>>> Carregadores e Baterias - Carregadores
>>> Carregadores e Baterias - Pilhas

Itens Mais Recentes
>>> Celular Mp10 Midi 460 Similar Bak725 Dual Touch Tv curitiba
>>> Antena Aquario Dtv 3000 3 Em 1 Vhf Uhf Hdtv Tv Digital Fullh
>>> Smartphone Hp Ipaq 910c Business Messenger. Novissimo!
>>> Dvd Cd Mp3 Player Automotivo H Buster Hbd 9210 Av Tela 3 Pol
>>> Pre Amplificador Mic 100 Valvulado Behringer Mic100
>>> Placa Da Fonte Tv Samsung Lcd Ln26a330 Ln32r81bx Ln26a450
>>> Secretária Digital At&t
>>> Cd Player Portátil Ultra Compacto Coby
>>> Fone De Ouvido Headphone Leadership Microfone Pc Lan Mp3 Nf
>>> Flayback Fat3832 04 Germany
>>> Flayback At2079 B6
>>> Flayback At2079 S0
>>> Lote18 Ci Circuito Integrados Logica Epron Memoria Cmos Ttl
>>> Cd Player Sony Mex Bt4707u Mp3 Usb E Aux Frontal Bluetooth
>>> Anunciador De Presença Gravável Personalize Suas Saudações
>>> Cabo Net Digital Video Componente C Audio Original Garantia
>>> Osciloscopio Cs 4025 Kenwood
>>> Ferro De Solda Pistola 550w P Estanho Prof. Frete Gratis
>>> Titan 150 Esd Mix
>>> Estou Maluco ? Ipig Leilão A 1 Real ! Ipanda Celular Iphone
>>> No Break Apc Be600 Br Bivolt Automático 360 Watts
>>> Repelente A Energia Solar Sem Fio Mata Mosquito Pernilongo
>>> Pião Sonoro Em Alumínio Brinquedos Educativos Criança Antigo
>>> Tenda Dobrável 3x3 Alumínio Verde Azul Ou Branca Nf
>>> Data Show Projetor Sharp Xr10s 450 00
COLUNAS

Sexta-feira, 16/10/2009
O Free, de Chris Anderson
Julio Daio Borges
+ de 2100 Acessos
+ 1 Comentário(s)

* O Free, do Chris Anderson, acabou chegando mais rápido do que eu esperava, no Brasil. Mesmo assim, acabei adquirindo a edição em inglês. O livro veio cercado de muita expectativa... Quando li o primeiro artigo sobre o conceito de "free", ainda na Wired, estávamos à beira da crise econômica mundial, e, na minha cabeça, sua argumentação não fez o menor sentido... Parecia que Chris Anderson queria levar as ideias do Long Tail, seu livro anterior, às últimas consequências. Me ocorreu, ainda, que a indústria editorial podia tê-lo obrigado a produzir uma nova obra-prima — mas, como sabemos, isso não se dá, assim, industrialmente... O seu insight, do Long Tail, é brilhante, mas, antes de entrar em Free, não acho que ele conseguiu repetir o feito. A polêmica subsequente se revelou quase tão interessante (ou mais) que o livro... Primeiro, Chris Anderson foi atacado por Malcolm Gladwell, autor de Outliers, na New Yorker. E, de certa maneira, foi decepcionante constatar o quanto Gladwell se mostrou conservador para defender... a New Yorker. (Ou seja: você pode ter ideias bem modernas sobre as coisas, mas, quando o assunto envolve seu emprego, você retrocede às posições mais tacanhas...) Seth Godin, guru do marketing na internet, veio em socorro de Anderson. E alertou Gladwell: o mundo se transformou, pare de defender o que vai acabar, se você não quiser acabar junto...

* Mas vamos às ideias de Anderson, antes que alguém se perca pelo caminho... Em Long Tail, ele defende que a participação dos blockbusters, que antigamente dominavam os mercados de cultura (por exemplo), é cada vez menor; e que a participação do "resto", uma cauda longa, de vários produtos que vendem pouco, com preços tendendo a zero, é cada vez maior. Chris Anderson usou, principalmente, exemplos da Amazon e de outras lojas virtuais, como a locadora Netflix. Num ambiente de "tijolo e cimento", o comércio desses itens, de pouca saída, ficaria impedido — ao contrário do que acontece na internet, onde o custo de armazenamento é consideravelmente menor e onde essa economia, antes escondida, da cauda longa (long tail), poderia se manifestar e se revelar mais plenamente. O resumo da ópera é que, com o advento da internet, a tal "cauda longa" seria responsável por metade do movimento em e-commerce — e que suas possibilidades, de comércio de poucos itens, e de pequenos fornecedores, criaria mercados antes impossíveis (na economia real). Assim, num mundo ideal, um escritor de poucos leitores, um músico de alguns ouvintes, um cineasta de público reduzido, sobreviveriam, encontrando suas respectivas audiências, graças à internet.

* Em Free, Anderson pega essa ideia dos "preços tendendo a zero" e extrapola, imaginando um mundo em que quase todos os produtos seriam de graça, e onde se ganharia fazendo uso de outras modalidades econômicas, como serviços. Nas chamadas indústrias culturais, isso é mais fácil de se entender porque, de certa forma, já está acontecendo. Não entrando aqui em dilemas éticos sobre coisas como "pirataria" e direitos autorais, o fato é que você pode adquirir músicas praticamente de graça hoje, filmes quase de graça, informação praticamente de graça, também, e os preços dos livros — com o Kindle e similares — tendem a cair sensivelmente... Chris Anderson extrapola no sentido de dizer: "Já que é quase de graça, ou os preços tendem a zero, vamos 'dar de graça' logo de uma vez..." O exemplo maior dele, em Free, é o Google. O maior mecanismo de busca na internet está criando um ecossistema onde você tem tudo de graça — e-mail, processador de texto, planilha, calendário, mapas, navegador, vídeos etc. —, mas que, idealmente, se sustenta com publicidade. (É questionável sob muitos aspectos, mas vamos prosseguir, para concluir o raciocínio...) Conclusão: do mesmo jeito que o Google "dá de graça" — para ganhar dinheiro de alguma outra forma depois —, deveríamos assumir que alguns produtos já são de graça mesmo, e tentar criar uma nova economia que justifique produzi-los daqui pra frente.

* Onde está o furo de Free? Inicialmente, no fato de que as-coisas-que-estão-na-internet são de graça, só porque podem ser distribuídas (quase) gratuitamente. Ou seja: um álbum pode parecer de graça, para quem o baixa, porque, afinal, fora o preço da conexão, e o tempo, não custou quase nada encontrá-lo, fazer seu download e ouvi-lo imediatamente. Se assumirmos sua "gratuidade", estamos ignorando o custo de gravá-lo, produzi-lo, empacotá-lo, divulgá-lo e distribui-lo (no mundo real). No mínimo, os músicos passaram anos praticando; o produtor passou horas no estúdio; os técnicos de som, idem; as gravadoras tiveram de prensá-lo; o marketing teve de torná-lo conhecido; e a logística permitiu que ele fosse palpável ao consumidor. Claro que não é mais 100% assim, mas — para a maioria do conteúdo que adquirimos on-line durante anos —, foi assim (vamos assumir). Logo, a aceitação do free de Chris Anderson, seria uma espécie de "perdão" pelas nossas "transgressões" on-line, uma "socialização" dos prejuízos (embora eles sejam incalculáveis) e, sobretudo, uma atitude resignada no sentido de admitir que as pessoas, os consumidores, não vão mais pagar, como pagaram, por coisas como discos, filmes, periódicos e até livros...

* Onde está o segundo furo de Free? No Google. O Google pode dar de graça, por enquanto, processadores de texto como o Word, planilhas eletrônicas como o Excel, armazenamento praticamente infinito de e-mails na internet (Gmail), vídeos que custariam dinheiro no YouTube, mapas que antes comprávamos em bancas de jornal, entre outras coisas, porque fatura bilhões com a venda de palavras-chave associadas a seu mecanismo de busca (onde é líder de mercado etc.). Mas tirando as buscas, e o AdWords, todo o resto, praticamente, dá prejuízo para o Google. O Google, por mais admirável que seja nas suas iniciativas de não nos cobrar por todos esses serviços, cria uma "bolha" no mercado de internet, financiando sites insustentáveis como o YouTube, e desenvolvendo produtos quase pelo prazer de desafiar o reinado da Microsoft, porque Eric Schmidt (CEO) é da mesma geração de Steve Ballmer — entre outras ferramentas, como o Google Earth, que não fazem o menor sentido economicamente, mas que criam uma ilusão, futurista, de que o "de graça" (free) está se expandindo no universo... (Seria como se a mesma Microsoft, em sua riqueza de bilhões em outras décadas, resolvesse fabricar carros de graça, pelo simples prazer de concorrer com a GM, a Ford ou a Toyota.)

* Portanto, uma consequência lógica disso tudo é que nem todo mundo pode sustentar um modelo de negócios onde o "de graça" assume um papel primordial na estratégia. (Mesmo considerando que o Google se mantenha assim — dando tudo de graça — por toda a eternidade...) Já sabemos, pelo que estamos assistindo, desde a chegada da internet, que gravadoras não podem dar seus discos de graça; estúdios de cinema não podem dar ingressos para as salas, nem DVDs, de graça; revistas e jornais não podem entregar seus exemplares de graça; e, muito possivelmente, editoras (e autores) não podem abrir mãos de seus livros de graça... (Por enquanto, estou trabalhando com o mainstream — que, por esses e por outros motivos, está ruindo desde as últimas décadas do século passado...) Tudo bem, estamos criando outros modelos, que surgiram junto com a internet, mas será que essas novas estruturas vão permitir, culturalmente, o florescimento de novas iniciativas como foram, no auge do século XX, a indústria fonográfica, a indústria do cinema, o mercado editorial, a mídia eletrônica e a grande imprensa? Porque o free, de Anderson, não se aplica ao "velho mundo". Se esse conceito for uma tendência — como afirma categoricamente o mesmo Schmidt do Google —, podemos ir dando adeus ao mainstream e mergulhando, ainda mais fundo, no underground que a internet trouxe...

* Agora, vamos aos acertos do Free, de Chris Anderson... Em primeiro lugar, é inegável que, com a internet, surgiu, por exemplo, uma "economia da colaboração". Por mais que se desqualifique a informação na Wikipedia, digamos, é notável que um projeto desses tenha surgido, consiga se manter no ar e se sustente, basicamente, graças às iniciativas de seus colaboradores, de produzir artigos... de graça. Ou em troca de valores intangíveis como "reconhecimento", "status", "reputação". Não creio que a motivação principal de Jimmy Wales, ao criar a Wikipedia, tenha sido minar os modelos de negócio das enciclopédias anteriores (em papel) — mas é óbvio que a Wikipedia, mesmo com todos os seus erros, se coloca como uma ameaça a elas. Da mesma maneira que a blogosfera se coloca como uma ameaça ao jornalismo em papel ou, ao menos, como uma ameaça ao jornalismo de grande imprensa na internet. Ninguém vai preferir, conscientemente, se informar pela blogosfera, mas pode acabar se distraindo com ela — e com seu próprio blog —, consumindo, no fim das contas, menos jornais, revistas e até sites da chamada grande mídia. Para essas pessoas, que produzem esse conteúdo, tanto em blogs, quanto em redes sociais, quanto em wikis, o conceito de free se aplica — porque estão entregando um "produto", conteúdo, "de graça" (em troca de alguma motivação mais "social"), enquanto estão, quase sempre inconscientemente, minando um modelo de negócios anterior a elas...

* A habilidade de Chris Anderson — outro acerto — está, justamente, em querer capitalizar em cima dessa "economia da colaboração". Ele, obviamente, sabe que o velho mainstream não tem como competir com o "de graça". E, pior, o velho mainstream não tem sequer como embarcar no "de graça" — porque estará, muito possivelmente, canibalizando seu negócio principal. E Chris Anderson não está, em absoluto, preocupado em salvar o velho mainstream (o que pode ter irritado Malcolm Gladwell e a New Yorker), mas está preocupado em olhar para frente, incentivando modelos que sustentem o "de graça" (além do Google). Quem pagou a conta do Blogger — e dos milhões de blogs que foram criados na sua plataforma desde 1999 — foi o Google, que adquiriu a ferramenta em 2003, desejando convertê-la em mais um suporte para a sua rede de anúncios na internet (AdSense). Será que pagou, mesmo, a conta? Não sabemos; mas pode ter pago, sim. Tirando o Orkut, que notoriamente dá prejuízo, outra iniciativa que talvez pague a conta, atualmente, é o Facebook. Nesta altura do campeonato, nem Mark Zuckerberg, o fundador, entende como se sustenta a maior rede social do mundo, com mais de 200 milhões de usuários, mas o fato é que já existe uma economia — de anúncios, de marketing direto, de comércio de itens virtuais etc. — que fatura milhões por ano. Sem mencionar o Twitter... OK, o site não tem um modelo de negócios ainda, mas seus investidores não estão brincando a ponto de "financiar" bilhões de tweets à toa...

* E Chris Anderson acerta, mesmo que não seja economista, quando diz que, digitalmente, estamos vivendo uma "economia de abundância", ao contrário da "de escassez" de antes. Tudo bem que "economia de abundância" vai contra o próprio conceito de economia — a ciência das escolhas num mundo de recursos limitados (ou escassos) —, mas, ao mesmo tempo, ganha sentido se formos pensar que, hoje, temos de escolher, sim, no meio da abundância digital. Abundância de informação, por exemplo. Nas intermináveis discussões sobre feeds e Twitter (como fontes de informação), optamos, antes, pelos fluxos, pelas torrentes ou até pelas correntes que vamos evitar, para chegar, finalmente, no que desejamos consumir. Sem falar nos mesmos discos, filmes e, daqui a pouco, livros — que, de raridades, passaram a nos cercar em downloads frenéticos que ninguém mais consegue usufruir, em e-mails com os próprios arquivos ou indicações insistentes "para baixar", ou até em ofertas, de queima de estoque em lojas de e-commerce, apelando para um passado nostálgico de... escassez de recursos? Claro que existe o "outro lado da moeda": o excesso de informação provoca "escassez de atenção". Gosto de dizer que o nosso tempo não mudou, o nosso dia continua tendo 24 horas e, por mais que a expectativa de vida tenha aumentado, não vamos viver indefinidamente... Mas, ainda que átomos não sejam sintetizados em laboratório como bits, Anderson acerta ao propor uma conversa inevitável para os próximos anos: a da abundância de commodities digitais.

* Free como livro, no final das contas, não é uma realização de monta como foi The Long Tail. Talvez porque, para quem acompanha as ideias de Chris Anderson, o primeiro é apenas a consequência lógica do segundo. Sem contar que a onipresente crise econômica deve ter soado o alarme dos editores, exigindo um capítulo inteiro apenas sobre esse assunto e um excesso de exemplos de produtos "de graça" (para justificar o título do livro) que podem ter diluído o potencial ensaístico do autor da expressão "cauda longa". Free, contudo, é uma das principais iniciativas no sentido de tentar entender essa nova economia, que não é só pirataria, como gostariam os detentores dos copyrights — e que engaja milhões de pessoas, diariamente, em blogs, wikis e redes sociais, ameaçando, mesmo que inconscientemente, o velho establishment da comunicação e da cultura (para não falar em outras indústrias). Quem nasceu dentro da internet, em termos de modelo de negócio, tem de ler Free — nem que seja para desenvolver novas táticas de sobrevivência. E quem antecede a internet, mas deve lidar atualmente com ela, tem de ler Free — nem que seja para encontrar a saída que o próprio autor não encontrou: como fazer a transição de uma "economia de átomos" para uma "economia de bits" (sem matar o negócio)? A escassez do mundo real não vai acabar tão cedo, mas a abundância do mundo virtual já é um problema para nós — e talvez essa seja mais uma razão para ler o livro de Chris Anderson: precisamos entender direito o que é esse "free" e o que vamos fazer dele daqui em diante...

Para ir além






Julio Daio Borges
São Paulo, 16/10/2009

Quem leu este, também leu esse(s):
01. O fim do futebol-arte? de Humberto Pereira da Silva
02. A vida subterrânea que mora em frente de Elisa Andrade Buzzo
03. A seleção de Dunga de Humberto Pereira da Silva
04. Como se enfim flutuasse de Elisa Andrade Buzzo
05. Por que comemorar o dia das mães? de Débora Carvalho


Mais Julio Daio Borges
Mais Acessadas de Julio Daio Borges em 2009
01. Verdades e mentiras sobre o fim dos jornais - 29/5/2009
02. Considerações sobre Michael Jackson - 7/8/2009
03. O Free, de Chris Anderson - 16/10/2009
04. A Lógica do Cisne Negro, de Nassim Nicholas Taleb - 4/12/2009
05. Fui assaltado - 21/8/2009


Mais Colunas Recentes

* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
14/11/2009
20h57min
Olá, Julio. Honestamente, só posso dizer que, nos últimos tempos, graças a textos desse naipe que têm, como dizer, milagrosamente caído nas minhas mãos, o Grande Sem Sentido, sobre os mais diversos assuntos, começa a ganhar algum sentido. Escritor é intermediário... e também tradutor: é quem fornece a explicação sobre o que parece inexplicável, ou até mesmo acerca de um estágio anterior a esse. Texto impecável. Abraços.
[Leia outros Comentários de bernard]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.

Editora Objetiva
AIC
Editora Paz e Terra
Editora Planeta
Editora Unicamp
Livraria Cultura
Intrínseca
MercadoLivre
Editora Globo
Companhia das Letras
KindleBookBr
Hedra
Conrad Editora
Editora Record
Campus-Elsevier
Cosac Naify
Submarino
LANÇAMENTOS
Livraria Cultura

Coleção de areia
Italo Calvino
por R$ 39,00


A vitória de Orwell
Christopher Hitchens
por R$ 43,00


Biblioterapia
Clarice Fortkamp Caldin
por R$ 35,00


Poesia Digital
Jorge Luiz Antonio
Solange Pereira Belfort

por R$ 45,00


As divas da Rádio Nacional
Ronaldo Conde Aguiar
por R$ 58,00


A casa do Rio Vermelho
Zelia Gattai
por R$ 47,00


A garota Einstein
Philip Sington
por R$ 54,90


O Livro Vermelho
Carl Gustav Jung
por R$ 480,00


Diego e Frida
J. M. G. Le Clezio
por R$ 39,90


De menino a homem
Gilberto Freyre
por R$ 59,00


A teoria das janelas quebradas
Drauzio Varella
por R$ 35,00


O Aleph
Paulo Coelho
por R$ 24,90


Máquina de Joseph Walser
Gonçalo M. Tavares
por R$ 39,00


Drama em cena
Raymond Williams
por R$ 62,00


Comprometida
Elizabeth Gilbert
por R$ 24,90

OFERTAS
Câmeras e Acessórios


Câm. Digital Sony Cyber Shot W350 14.1mp 4gb Capa Tripe
por R$ 564.00
até 18/8/2010



Filmadora Sony Dcr Sr68 80gb Bolsa Original Sony Sr68
por R$ 1099.00
até 27/8/2010



Câmera Digital Sony Dsc W210 12.1 4 Gb Case Tripé
por R$ 467.00
até 18/8/2010



Kit Sony Dsc Tx5 Tx5 Case Rígida 8gb Original Tripé
por R$ 1239.00
até 10/8/2010



Kit Sony Dsc Tx7 Tx7 Case Rígida 8gb Original Tripé
por R$ 1299.00
até 09/8/2010



Telescópio Luneta 675x Lançamento Com Ocular De 1.25
por R$ 236.90
até 30/7/2010



Camera Digtal Sony Dsc Hx1 9.1 Mp 8 Gb Tripé Bolsa
por R$ 1241.00
até 25/9/2010



Camera Canon Rebel Xsi 450d 4gb 12.2 Mp Kit Ef 18 55mm
por R$ 1499.99
até 11/8/2010



Filmadora Sony Dcr Sr88 120gb Bolsa Original Sony Sr88
por R$ 1339.00
até 27/8/2010



Filmadora Sony Hdr Xr150 120gb Bolsa Original Sony Xr150
por R$ 1999.00
até 27/8/2010


Mais "Câmeras e Acessórios"...

busca | avançada
28389 visitas hoje
1,1 milhão / mês