busca | avançada
24161 visitas hoje
59 mil no mês
Digestivo Cultural
O que é?
Quem faz?

Audiência e Anúncios
Quem acessa?
Como anunciar?

Colaboração e Divulgação
Como publicar?
Como divulgar?

Newsletter
* Feeds & Twitter
Últimas Notas
>>> Centenário de Noel Rosa, por Francisco Bosco, na Rádio Batuta
>>> Caminhos de um Brasil Solidário, de Luis Eduardo e Ana Elisa Salvatore
>>> WikiLeaks, uma arma contra o abuso de poder
>>> O Kindle 3 e as respostas da Amazon ao iPad
>>> O Google em crise de meia-idade
>>> Os primeiros volumes da Penguin Companhia
>>> Não contem com o fim do livro, uma conversa com Umberto Eco
>>> Coleção MPBaby, pela MCD
Temas
Mais Recentes
>>> A quem interessa uma sociedade alienada?
>>> Meus álbuns: '00 - '09 ― Pt. 5
>>> A ilusão da alma, de Eduardo Giannetti
>>> Introdução ao filosofar, de Gerd Bornheim
>>> Sobre o preço dos livros 2/2
>>> Nasce um imortal: José Saramago
>>> Nas redes do sexo
>>> Instantes: a história do poema que não é de Borges
>>> O elogio da narrativa
>>> Sobre o preço dos livros 1/2
Colunistas
Mais Recentes
>>> Eleições 2010
>>> Copa 2010
>>> iPad
>>> Futuro do Cinema
>>> Livro Eletrônico
>>> Melhores de 2000-2009
Últimos Posts
>>> Ping: a rede social da Apple
>>> A nova Apple TV
>>> Fred Wilson e a 'morte' da Web
>>> Christian Barbosa no MitA
>>> Nosso Lar
>>> João Moreira Salles e o fim
>>> Tim Ferriss e a autopublicação
>>> O sertão do tamanho do mundo
>>> 3 perguntas: Bumblefoot
>>> Economist matando os blogs
Mais Recentes
>>> Um kadish para Tony Judt
>>> Bill Gates e o Internet Explorer
>>> Jim Clark e a Nestcape
>>> Marc Andreessen e o Mosaic
>>> O dia em que Paulo Coelho chorou
>>> Ponto de ruptura no jornalismo
>>> O entusiasmo de Lobato
>>> O senhor embaixador
Mais Recentes
>>> Ryoki Inoue
>>> Harry Crowl
>>> Ron Bumblefoot Thal
>>> Noga Sklar
>>> Paula Dip
>>> Luis Eduardo Matta
Mais Recentes
>>> Newsletter: 50 mil Assinantes
>>> Editoras como Parceiras
>>> Feeds dos Autores
>>> Comentários Liberados
>>> 10 mil seguidores no Twitter
>>> Newsletters à sua escolha
Mais Recentes
>>> Vendi meus livros, mas doeu (Walter Luiz Cid do N)
>>> Nossa esquecida finitude (Gabriel Marques)
>>> O mercado do jabá (carlos roberto rocha)
>>> O interesse na alienação (Débora Carvalho )
>>> Já não estamos vacinados? (wellvis)
>>> Vigiar os políticos (Carla Ceres)
>>> Meu novo ídolo! (Alberto de C Freitas)
>>> Necessidade de pensar (Manoel Messias Perei)
>>> Nossos livros de bolso (Rafael Rodrigues)
>>> E se fosse psicografado? (José Frid)
Mais Recentes
>>> Quem tem medo do Besteirol?
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Dos amores possíveis
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Ponto de ruptura no jornalismo
>>> Quanto custa rechear seu Currículo Lattes
COLUNAS >>> Especial Livro Eletrônico

Sexta-feira, 15/1/2010
Livros, revistas, jornais e displays eletrônicos
Ana Elisa Ribeiro
+ de 1200 Acessos
+ 1 Comentário(s)

Não sei quando foi que aprendi, nem como, mas alguém deve ter me ensinado a folhear um livro. Em geral, essas coisas são aprendidas de duas maneiras: pela experiência direta ou pela experiência mediada. Em outras palavras: ou a gente pega e fuça; ou alguém mostra para a gente como é que faz.

Há mediadores mais pacientes, daqueles que são amigáveis, que pegam na mão, que dão orientações precisas, que esperam que a gente aprenda no nosso ritmo e até os que dão bombom no final, para recompensar. Há mediadores mais ansiosos, que xingam, que enunciam frases rudes, mas que deixam a gente aprender mais ou menos em paz. Há mediadores que perdem a paciência e começam a fazer por nós, correndo na frente para despachar logo o "aluno" impertinente. Nesse caso, é comum que a gente não aprenda nada. Isso exige o esforço de pedir um repeteco, de ficar sofregamente observando, por cima das mãos e dos ombros do "professor", para ver bem o que ele está fazendo ou mesmo de, discretamente, pedir ajuda a outra pessoa. Há ainda a possibilidade de que esse último instrutor (sem discussões filosóficas sobre esses termos, ok? Aqui, não!) faça tudo lentamente, e a gente acaba aprendendo tudo. Acho que foi assim que aprendi a operar videocassetes e videogames (lembrando que sou da geração Atari, cujo joystick só tinha um pauzinho e um botão vermelho). Há, ainda, o mediador que xinga todas as nossas gerações passadas, chama a gente de burro e outros bichos, além de nos deixar deprimidos. Isso acontece.

Dada a relativa oferta do artefato nos meus arredores, provavelmente aprendi a operar livros por experiência direta. Peguei, descobri que tinha "cabeça pra cima" e "cabeça pra baixo" (depois que aprendi que as letras do alfabeto têm isso), percebi que o negócio era pra ser aberto com movimento para a esquerda, vi folhas empilhadinhas, presas por um lado, vi números de página etc. Há um vídeo no YouTube bem legal sobre isso (uma brincadeira, mas com um fundão danado de verdade) e alguns autores importantes trabalham nessa linha, como o badalado historiador francês Roger Chartier.



Jornais, estes sim, aprendi pela experiência mediada. Meu pai, sem muito dizer, lia, religiosamente, o jornal na hora do almoço (ou no final da tarde ― houve um tempo em que a notícia continuava fresca por mais tempo). Eu e meus irmãos, na presença daquela cena diária, na falta do que conversar (e até para ter o que conversar) ou para acompanhar a mastigação do arroz com feijão, íamos pegando as sobras do jornal do meu pai. Enquanto ele dava uma superpanorâmica pelo periódico inteiro, meu irmão surrupiava, por baixo da página aberta, o caderno de esportes ou o de veículos, enquanto eu catava o "Caderno 2", cujo tema era cultura (na verdade, notícias de entretenimento, alguma rasa crítica de qualquer coisa e a programação da TV). Assim aprendemos a procurar, a escanear, a preferir, a ser fiéis a algum colunista (lembro sempre do sensacionalmente inteligente Eduardo Almeida Reis...), a folhear, a comentar.

Revistas também foram mediadas. Não cheguei a ganhar assinaturas da Turma da Mônica. Aliás, os quadrinhos são apenas um dos gêneros de texto que vamos aprendendo na lida com práticas sociais de leitura/escrita. É preciso aprender a ler quadrinhos. Até mesmo em alguns livros de Português há lições (formais) de como interpretar quadrinhos, os códigos dos balões etc. Não é assim? Mas essa não foi uma mediação ou uma oferta muito forte na minha casa nem na minha escola. As revistas que pintavam no doce lar eram outras. Meu pai assinou a Veja por ininterruptos muitos anos. Foi com ela que aprendemos um tanto de outras práticas desse tipo de leitura mais fragmentária ou, como gostam alguns teóricos, "mosaiquica". A revista tem um mapa mais denso do que o jornal, um pouquinho mais aprofundado também. As páginas amarelas, a leitura de entrevistas, o contato com um projeto gráfico mais elaborado e "navegável", padrões, consistência etc. Isso foi aprendido na interação com a revista. Muito embora não tivéssemos aulas de "como operar revistas", a mediação silenciosa do pai (ou de quem mais praticar essa leitura) nos fez aprender a ler.

Há outros jeitos de ler textos. Há inúmeros outros displays de material verbal por aí. É só olhar ao redor. Até criança analfabeta sabe que há uns desenhos espalhados para todo lado que servem para ser lidos.

O computador como display já é uma outra história. Ou não? De novo, minha primeira experiência foi mediada. Uma tia, um ex-namorado, um amigo. Todos envolvidos, mesmo meio sem saber, na minha aprendizagem das práticas de ler/escrever na máquina que se ligava na tomada. Diante daquela experiência intensa, fui descobrindo, pela experiência direta, outras coisas para fazer com o computador, ainda relacionadas ao mundo da escrita. Não tive aulas, não fui à escola aprender informática, nada disso. Eu me apropriei dessa prática de um jeito híbrido (entre a mediação e a objetividade), assim como fazemos (todos nós) com tudo o que aprendemos por aí. Já pensou se dependêssemos de escola para aprender as coisas todas que existem? Ou o currículo seria absurdamente extenso ou nós seríamos limitadíssimos (mais ainda) ao que alguém nos disse. O oferta de informação e conhecimento é mais intensa hoje, mas não é, graças a Deus, exclusividade de nossa época.

Ler no celular, ler no Kindle, ler no notebook... são práticas mais recentes, isso é certo. E como é que a gente aprende a fazer isso? Precisamos mesmo de aulas formais de como ler no celular? É preciso lembrar, no entanto, que cada objeto desses tem suas "affordances" (palavra meio sem tradução...), ou seja, você faz com o artefato o que ele propõe a você. Na verdade, a gente também propõe coisas a ele, às vezes algo que o projetista nem imaginou. Livros de papel fazem uma proposta específica ao leitor. Pegue, abra, folheie, busque da maneira X, feche, não deixe dando sopa em locais úmidos, nem no sol excessivo etc. O Kindle faz outra proposta, mais parecida com a dos displays de leitura que têm botões, tela, rolagem etc. E qual é o problema? Nenhum. Só que Kindle não é livro. Enquanto chamarmos uma coisa de outra coisa, teremos esse conflito engraçado de identidade. O leitor versátil deve ler textos em diversos displays. Não é bacana? Muito melhor do que se tivéssemos apenas um modo de ler e escrever. Por isso é que ser leitor é um jogo gostoso: a partida não acaba nunca, ou porque os displays se renovam ou porque nós podemos sempre aprender coisas novas (e não apenas no sentido operacional) em relação a essas práticas. E não digo isso no sentido evolutivo, como se uns modos fossem melhores do que os outros. Pensar isso é fundamental para se compreender a leitura e suas máquinas como um horizonte só, cheio de possibilidades.


Ana Elisa Ribeiro
Campos de Goytacazes, 15/1/2010

Quem leu este, também leu esse(s):
01. Sobre o preço dos livros 2/2 de Rafael Rodrigues
02. A questão do fim do livro de Marcelo Spalding
03. Duas escritoras contemporâneas de Ricardo de Mattos
04. Entrando para ganhar de Celso Augusto Uequed Pitol
05. Assim é... de Marta Barcellos


Mais Ana Elisa Ribeiro
Mais Acessadas de Ana Elisa Ribeiro em 2010
01. O menino mais bonito do mundo - 29/1/2010
02. Por que a Geração Y vai mal no ENEM? - 30/7/2010
03. Palavrão também é gente - 26/2/2010
04. Cartas@de.papel - 26/3/2010
05. Escrevendo com o inimigo - 13/8/2010


Mais Especial Livro Eletrônico

* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
15/1/2010
09h08min
Ninguém aprende por aprender, apenas aprendemos a ler um livro na certeza de descobrirmos a leitura... A partir do momento em que já dominamos o código da leitura e da escrita. E passamos exercer este domínio pra descobrir um novo mundo, que é o dos livros...
[Leia outros Comentários de Manoel Messias Perei]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.

Hedra
Editora Paz e Terra
Editora Globo
Editora Planeta
Campus-Elsevier
AIC
Conrad Editora
Editora Record
Companhia das Letras
Editora Unicamp
Intrínseca
Livraria Cultura
Editora Objetiva
KindleBookBr
Cosac Naify
Submarino
PROMOÇÕES
Campus-Elsevier

A Era do Twitter
Shel Israel
por R$ 69,90


Viral Loop
Adam Penenberg
por R$ 66,00


Design Thinking
Tim Brown
por R$ 69,90


Criação e Inovação no Caos
Jeremy Gutsche
por R$ 89,90


O Legado de Peter Drucker
Bruce Rosenstein
por R$ 39,90


Criação de novos negócios
José C.A. Dornelas
Jeffry A. Timmons

por R$ 149,90


Cobiçado
David Freemantle
por R$ 59,90


Inspire-se!
Jim Champy
por R$ 49,90


Destaque-se
Jim Champy
por R$ 29,90


As grandes religiões do mundo
Stephen Prothero
por R$ 79,90


A Geração Y no trabalho
Nicole Lipkin
April Perrymore

por R$ 59,90


Profissão: Investidor
Jason Zweig
por R$ 77,00


Previsivelmente Irracional
Dan Ariely
por R$ 55,90


Positivamente Irracional
Dan Ariely
por R$ 69,90


Formação de Traders
Rodrigo Puga
Márcio Rodrigues

por R$ 45,00

busca | avançada
24161 visitas hoje
59 mil no mês