A arte da crônica | Luiz Rebinski Junior | Digestivo Cultural

busca | avançada
72750 visitas/dia
1,7 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Roberto Seresteiro lança CD no Sesc Belenzinho, 20/9, com participação de Roberto Luna
>>> Orquestra de Câmara da USP convida violinista Cármelo de Los Santos, Tomie Ohtake, 02/09, 21h
>>> Brasilianas.org recebe o Ministro da Educação Renato Janine Ribeiro
>>> Partituras lança ferramenta de manipulação de áudio para episódio especial
>>> Papo de Mãe discute o fenômeno da "geração ganguru" na TV Brasil
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> A Delicadeza dos Hipopótamos, de Daniel Lopes
>>> Pantanal
>>> Por que a discussão política tem de evoluir
>>> Não olhe para trás (ou melhor, olhe sim)
>>> Fake-Fuck-Fotos do Face
>>> Silêncio
>>> Dando conta de Minas
>>> Em noite de lua azul
>>> O poeta, a pedra e o caminho
>>> O testemunho de Bernanos
Colunistas
Últimos Posts
>>> 16 de Agosto
>>> Elvis 2015
>>> Eugênio Christi
>>> Nosso Primeiro Periscope
>>> Monica Cotrim
>>> Solange Rebuzzi
>>> Aden Leonardo Camargos
>>> Helena Seger
>>> Camila Oliveira Santos
>>> Cassionei Niches Petry
Últimos Posts
>>> DÍZIMA PERIÓDICA
>>> Um poeta e três esposas
>>> Um poeta e três esposas
>>> Continuísmo - A Praga Maior
>>> É para ter medo de Virginia Woolf
>>> Por que o Lula Inflado incomoda tanto
>>> Monumento a Noël Rosa
>>> SUPERLUA
>>> A grandiosa máquina em busca do êxito
>>> Trilogia de um texto só
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Entrevista com Rogério Pereira
>>> O orgulho ferido
>>> Imprensa em 2005
>>> Blogs de jornalistas triloaded
>>> Apresentação
>>> Marcel Proust e o tempo reencontrado
>>> Dostoiévski era um observador da alma humana
>>> A Erva do Diabo, de Carlos Castaneda
>>> A Erva do Diabo, de Carlos Castaneda
>>> O que é a memética?
Mais Recentes
>>> O Petróleo é nosso
>>> A Criança Divina e o herói
>>> Sócrates
>>> Veritas
>>> Helena/ O Alienista
>>> Indícios incriminadores
>>> A dama de ferro
>>> Viagem por um Mar Desconhecido
>>> Os casos mais difíceis de Lilyj White
>>> A marca da maldade
>>> ALÉM DAS FORÇAS - NOBEL DE LITERATURA DE 1903
>>> Contágio criminoso
>>> O SENHOR PRESIDENTE - NOBEL DE LITERATURA DE 1967
>>> HISTÓRIA DE ROMA - NOBEL DE LITERATURA DE 1902
>>> Lavoura de corpos
>>> FOME - NOBEL DE LITERATURA DE 1920
>>> Causa mortis
>>> O HEREGE DE SOANA e MICHAEL KRAMER - NOBEL DE LITERATURA DE 1912
>>> COLAS BREUGNON - NOBEL DE LITERATURA DE 1915
>>> POESIAS - NOBEL DE LITERATURA DE 1931
>>> POESIAS - NOBEL DE LITERATURA DE 1966
>>> POESIAS ESCOLHIDAS - NOBEL DE LITERATURA DE 1906
>>> O PÁSSARO AZUL - NOBEL DELITERATURA DE 1911
>>> O FAROLEIRO E OUTROS CONTOS - NOBEL DE LITERATURA DE 1905
>>> POEMAS - NOBEL DELITERATURA DE 1963
>>> POESIAS ESCOLHIDAS - NOBEL DE LITERATURA DE 1959
>>> DIÁRIO ÍNTIMO e PENSAMENTOS - NOBEL DE LITERATURA DE 1901
>>> INTERESSES CRIADOS e ROSAS DE OUTONO - NOBEL DE LITERATURA DE 1922
>>> MANCHA QUE LIMPA - NOBEL DE LIETARATURA DE 1904
>>> MIRÉIA
>>> HISTÓRIA MODERNA DOS ESTADOS UNIDOS - 3 VOLs.
>>> OS SERTÕES - 3 volS.
>>> Uma mesa no deserto
>>> O LIVRO DE ENOCH - O LIVRO DAS ORIGENS DA CABALA
>>> Realidad y Juego
>>> O Visconde Que Me Amava
>>> Os Evangelhos: Jesus Cristo
>>> MBA Curso Prático de Marketing
>>> Freakonomics o lado oculto e inesperado de tudo que nos afeta
>>> 1001 dicas e conselhos úteis para melhor usar seu computador: um guia práticopara aproveitar todas as possibilidades do seu PC e da internet
>>> Nadando para o século XXI
>>> O amor é mais um labirinto
>>> O Barroco no Brasil
>>> Evandro Carneiro Esculturas
>>> Stores of the year / 7
>>> Os mais belos castelos e fortalezas de Portugal
>>> Jogos sem Regras Game Without Rules
>>> Santiago de Compostela Os 8 portais do caminhos
>>> Museu Imperial
>>> Spanish Style
COLUNAS

Quarta-feira, 4/1/2012
A arte da crônica
Luiz Rebinski Junior

+ de 2400 Acessos

Humberto Werneck, em uma rápida entrevista, me diz que a crônica é "a vida ao rés do chão", evocando o célebre ensaio de Antonio Candido. Em tempos internéticos, o "causo literário" ainda resiste à superficialidade do mixuguês. E, em grande parte, por conta de Werneck, que se tornou uma espécie de militante de seu ofício: além de espalhar suas pílulas literárias pelos diversos meios de comunicação do país, o autor mineiro tem se esforçado para que a efemeridade crônica da crônica ganhe sobrevida, saia das páginas amareladas e tomadas por ácaros dos arquivos de jornais e reviva nas mãos de novas gerações por meio do livro, esse intrépido objeto que também ousa sobreviver aos tempos virtuais. É que além de cronista dos mais interessantes, Werneck tem se notabilizado por suas antologias, como a imperdível reedição ampliada de Bom dia para nascer, coletânea de crônicas de Otto Lara Resende, publicadas na Folha de S. Paulo no começo dos anos 1990.

E a dívida da crônica brasileira com Werneck não para de crescer: o escritor mineiro encabeça a recente coleção "Arte da Crônica", da avant-garde Arquipélogo Editorial, do timoneiro Tito Montenegro, que, além do livro de Werneck, Esse inferno vai acabar, já publicou Nós passaremos em branco, do curitibano Luís Henrique Pellanda, e Certos Homens, de Ivan Angelo.

O livro de Werneck traz 44 textos publicados em jornais - ah, os jornais, ainda o santuário da crônica! - como O Estado de São Paulo e Brasil Econômico. Se um dos combustíveis da crônica é a urgência do prazo de fechamento do jornal, sua danação, no entanto, é justamente a vida breve que tem. Por isso o livro, como uma fotografia, consegue eternizar o instante retratado pela crônica, esse texto fascinante e tipicamente brasileiro. Melhor para os leitores, que podem ler e reler textos magistrais, que parecem brotar do nada, como "Saudade da coxa de Catupiry", em que Werneck teoriza sobre a modernização dos tira-gostos, hoje irreconhecíveis em meio à infinidade de combinações que jogaram pra escanteio os tradicionais quitutes - entre eles a coxinha, o pastel e quibe, clássicos absolutos de qualquer festinha.

Ainda que muitos cronistas não gostem de ter seu ofício comparado a um trabalho meramente saudosista, a crônica tem na memória e na lembrança grande parte de seu sabor. Assim como aquela pegada cômica, em que a graça está justamente nas desventuras do próprio cronista, ou de algum "amigo" inexistente - sim, porque, assim como na ficção, na crônica há espaço para uma ou outra lorota, claro. Tente não rir de "A gente se acostuma", texto em que Werneck consegue falar do velho clichê que se refere ao nosso "jeitinho" sem fazer apologia ou crítica social.

"Meu amigo Paulo Leite tem seis lâmpadas no teto do banheiro, e faz tempo que cinco estão queimadas, o que no chuveiro o obriga a se posicionar assim meio de lado sob o único foco de luz hoje operante. Se também esse entregar os pontos, o banho noturno do conhecido fotógrafo passará a ser tomado em Braille." Taí um bom cronista: fala de coxinha e lâmpadas queimadas sem ser piegas ou chato. Herdeiro dos grandes cronistas mineiros - de Sabino a Paulo Mendes Campos -, Werneck nos faz acreditar quer tudo é possível - e fácil - com a escrita ao transformar um feijãozinho ralo em uma poderosa feijoada.

No livro há ainda momentos impagáveis, como o lado B de entrevistas saídas "Do caderno de um repórter". Estão lá pequenas histórias sobre grandes entrevistados de Werneck, gente "miúda" como Nelson Rodrigues, Carlos Drummond e Vinícius de Moraes. Textos que, puxados pelo fio da memória, renderiam um belo livro solo.

Nós passaremos em branco

Se Werneck é o alquimista que transforma o comezinho em grande tema, Luís Henrique Pellanda encarna o caçador de tipos em Nós passaremos em branco. Seu habitat é o centro de Curitiba, e sua matéria-prima homens e mulheres eclipsados pelo cotidiano, invisíveis para a maioria da população, que emergem nas crônicas como seres complexos - às vezes místicos, às vezes misteriosos. Não importa apenas contar uma boa história, o escritor dá aos seus personagens contornos épicos, com toques sobrenaturais, traz à tona detalhes que nos escapam, mas não ao cronista. Ao transformar o árido território por onde transitam seus personagens em um palco de alguma beleza, Pellanda reafirma a crença na própria literatura: sabe ele que o grande escritor vive constantemente afrontado pelas pequenezas da vida. Assim surgem os desgraçados que povoam a "Antologia dos demônios de Curitiba", uma série de oito textos que apresenta tipos que povoam o centro da capital paranaense, personagens tão fascinantes quanto esdrúxulos. Estão lá "O Diabo da Cruz Machado", "O morcego da Ermelino" e o "Encosto Bilheteiro", um time de párias de fazer inveja a João Antônio e que deixaria Malagueta, Perus e Bacanaço com caras de coroinhas.

"Há uma numerosa legião de pequenos diabos trafegando pelo centro de Curitiba, responsável, cada um deles, por uma tentação distinta, mesquinha e também pequena. O fato de serem miúdas essas tentações, a ponto de parecerem envergonhadas de sua condição rasteira, não significa, no entanto, que impliquem em perdas desprezíveis. Porque, para Deus, não obstante sua grandeza imensurável, nada é realmente pequeno", escreve o cronista em "O Encosto Bilheteiro".

Mais do que caçar almas penadas de existência torta, Pellanda faz o que, desde Dalton Trevisan, nenhum escritor curitibano havia feito: redesenhar o centro de Curitiba com contornos literários. E há conhecimento de causa nisso. Pellanda conhece as duas pontas da coisa: o centro de Curitiba e o terreno arenoso da escrita, ajudado nisso tudo pela experiência de repórter. O cronista também subverte a urgência da crônica ao burilar seus textos como se fossem contos. Parágrafos lapidados com paciência de artesão, como em "Conan, o milagreiro", crônica que traz a frase escolhida para dar título ao livro. Não é preciso saber onde funcionava o Cine Plaza, em Curitiba, nem ter assistido ao filme The Doors, de Oliver Stone, para se deixar levar pelo corte certeiro do texto do escritor, que relembra a pré-estreia do filme de Stone em uma cidade provinciana, com jovens carentes por uma mísera aparição de uma lenda do rock, ainda que falsamente encarnado por um galã de Hollywood.

"Em suma, o tempo voa, o dia destrói a noite, a noite divide o dia e nós passaremos em branco. Era o sonho de Manuel Bandeira, morrer completamente. Jim Morrison se foi em 1971, há quarenta anos, duas vezes duas décadas, e nos deixou uma única certeza: não há nenhuma vantagem prática em estar enterrado no Père Lachaise, ao lado de Balzac, Chopin, Camus e - ó esperança! - Kardec."

Ainda hoje, depois de uma tradição gloriosa, que fez da crônica um gênero idiossincrasicamente brasuca, não nasceu cronista que saiba explicar o que ao certo é a crônica. Mas não precisa. Livros como os de Werneck e Pellanda, caro leitor, nos traduzem exatamente os diversos sabores desse gênero delicioso.


Luiz Rebinski Junior
Curitiba, 4/1/2012

Quem leu este, também leu esse(s):
01. A literatura em transe de Marta Barcellos
02. O que aconteceu com a Folha de S. Paulo? de Julio Daio Borges
03. O anoitecer da flor-da-lua de Elisa Andrade Buzzo
04. Eleanor Catton e seus luminares de Eugenia Zerbini
05. Quando morre uma paixão de Adriane Pasa


Mais Luiz Rebinski Junior
Mais Acessadas de Luiz Rebinski Junior em 2012
01. A arte da crônica - 4/1/2012
02. Os contos de degeneração de Irvine Welsh - 17/10/2012
03. O senhor Zimmerman e eu - 9/5/2012
04. Luz em agosto - 15/8/2012
05. O caminho rumo ao som e a fúria - 1/2/2012


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS


CALUNGA
LIMA, JORGE DE

De R$ 34,90
Por R$ 17,45
50% off
+ frete grátis



MILTON NA AMÉRICA
PETER ACKROYD

De R$ 45,00
Por R$ 22,50
50% off
+ frete grátis



LENGA-LENGA
ZULEIKA DE ALMEIDA PRADO

De R$ 27,00
Por R$ 13,50
50% off
+ frete grátis



ADOBE DREAMWEAVER CS5
ADOBE CREATIVE TEAM

De R$ 148,35
Por R$ 74,18
50% off
+ frete grátis



O ATIRADOR DE IDEIAS
ADILSON XAVIER

De R$ 24,90
Por R$ 12,45
50% off
+ frete grátis



ESTADO CRÍTICO
RÉGIS BONVICINO

De R$ 39,90
Por R$ 19,95
50% off
+ frete grátis



A DÉCIMA SINFONIA
JOSEPH GELINEK

De R$ 44,80
Por R$ 22,40
50% off
+ frete grátis



ALTOS VOOS E QUEDAS LIVRES
JULIAN BARNES

De R$ 23,50
Por R$ 11,75
50% off
+ frete grátis



ADOÇÃO CONSENTIDA
DALVA AZEVEDO GUEIROS

De R$ 43,00
Por R$ 21,50
50% off
+ frete grátis



COMO GATA E RATO, COMO CÃO E GATA
LUIZ RAUL MACHADO

De R$ 25,00
Por R$ 12,50
50% off
+ frete grátis



busca | avançada
72750 visitas/dia
1,7 milhão/mês