Daniel Piza, sempre aberto ao diálogo | Humberto Pereira da Silva | Digestivo Cultural

busca | avançada
27313 visitas/dia
1,0 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Aspirando & Expelindo
>>> EXPOSIÇÃO NA CAIXA CULTURAL RIO DE JANEIRO TRAÇA LINHA DO TEMPO DA ARTE DE FRANCISCO BRENNAND
>>> Cunha recebe Verão na Montanha - Festival levará à cidade música de qualidade e artistas renomados
>>> PUBLIQUE SEU LIVRO - SOUL EDITORA ESTÁ RECEBENDO ORIGINAIS
>>> TV Brasil exibe maratona com shows de astros como Bell Marques e Nando Reis
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Os Doze Trabalhos de Mónika. 8.Heroes of the World
>>> Os Doze Trabalhos de Mónika. 7. Um Senador
>>> Os Doze Trabalhos de Mónika. 6. Nas Asas da Panair
>>> Como se me fumasse: Mirisola e a literatura do mal
>>> Os Doze Trabalhos de Mónika. 5. Um Certo Batitsky
>>> A vida dos pardais e outros esquisitos pássaros
>>> Blockchain Revolution, o livro - ou: blockchain(s)
>>> Bates Motel, o fim do princípio
>>> Bruta manutenção urbana
>>> Por que HQ não é literatura?
Colunistas
Últimos Posts
>>> Jeff Bezos é o mais rico
>>> Stayin' Alive 2017
>>> Mehmari e os 75 anos de Gil
>>> Cornell e o Alice Mudgarden
>>> Leve um Livro e Sarau Leve
>>> Pulga na praça
>>> No Metrópolis, da TV Cultura
>>> Fórum de revisores de textos
>>> Temporada 3 Leve um Livro
>>> Suplemento Literário 50 anos
Últimos Posts
>>> Barrados no baile
>>> Fluxogramas
>>> Fio de Eros II
>>> Bipolaridade
>>> Filme Fisionomia Belém está disponível no Youtube
>>> Bem-vindo
>>> A vida sem calendário
>>> Avesso a fim de semana
>>> Trump e Jerusalém
>>> Circun(instâncias)
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Internet & Ensino, de Júlio César Araújo
>>> O Brasil na capa da Economist
>>> Isenta, mas jamais neutra
>>> Fórum de revisores de textos
>>> Jogos de escritores
>>> Discurso de formatura do Ensino Médio
>>> Discurso de formatura do Ensino Médio
>>> From push to pull
>>> João Gilberto na Casa de Chico Pereira
>>> Se quiser tirar algo de mim, tire o trabalho, a mulher não
Mais Recentes
>>> Caixão fechado- Agatha Christie - a nova aventura do detetive Poirot
>>> Um dia na Vida do Século XXI
>>> Jesus Cristo
>>> A Bíblia e seus segredos
>>> The Garden Party and Others Stories - Stage 5
>>> Tango - Livello Due B1
>>> The Great Gatsby - Intermediate Level 5
>>> Jurassic Park - Intermediate Level 5
>>> Casino Royale - Level 4
>>> Superbird - Level 2
>>> The Prince of Egypt - Brothers in Egypt - Level 3
>>> Wuthering Heights - Intermediate Level 5
>>> The Perfect Storm - Intermediate Level 5
>>> The Hound of the Baskervilles - Elementary Level
>>> Outstanding Short Stories - Level 5
>>> The Adventures of Tom Sawyer - Stage 1
>>> Grandes Mestres- sabedoria milenar hoje
>>> Lições da Cidade Questionamentos e desafios do Desenvolvimento
>>> Plano de Bairro: No Limite do Seu Bairro Uma Experiência Sem Limites
>>> Bíblia Sagrada: Edição Pastoral
>>> Minidicionário Espanhol-português Português-espanhol
>>> O espelho e outros contos machadianos
>>> 1984 (Mil novecentos e oitenta e quatro)
>>> Bia na África
>>> Felpo Filva
>>> O Gato de botas
>>> A cidade do sol
>>> Lolo Barnabé
>>> De Cara com o espelho
>>> Falando pelos cotovelos
>>> O Guardião da Bola
>>> Se essa rua fosse minha
>>> O Processo de Comunicação: introdução à Teoria e à Prática
>>> A Casinha do Tatu
>>> Novas Lições de Análise Sintática (9ª ed.)
>>> Corpo Humano - Real e Fascinante
>>> Divergente
>>> O Santuário de S. Geraldo Ano XLVI - Jan nº 4
>>> Mensageiro de Santa Rita - Janeiro - Fevereiro nº340
>>> Mensageiro de Santa Rita - Outubro nº392
>>> Mensageiro de Santa Rita - Abril nº406
>>> Mensageiro de Santa Rita - Abril nº387
>>> Estrela do Mar - Julho
>>> Estrela do Mar - Janeiro
>>> Estrela do Mar - Março
>>> Estrela do Mar - Maio
>>> Estrela do Mar - Outubro
>>> Estrela do Mar - Abril
>>> Estrela do Mar - Junho
>>> Estrela do Mar - Agosto
COLUNAS >>> Especial Daniel Piza (1970-2011)

Segunda-feira, 16/1/2012
Daniel Piza, sempre aberto ao diálogo
Humberto Pereira da Silva

+ de 3100 Acessos

O diálogo on-line abaixo foi travado há oito anos entre mim e Daniel Piza. Na ocasião, divergimos sobre um comentário que ele fez em sua coluna Sinopse, no jornal O Estado de S. Paulo, a respeito do filme O Desprezo, de J. L. Godard. Não o conhecia pessoalmente, o que só ocorreu tempo depois, no lançamento do livro que escreveu sobre Machado de Assis.

Bem, mas em 2003 iniciei o diálogo com uma missiva que reconheço dura e, talvez para alguns, pedante e arrogante. Com a morte precoce, e recente, de Daniel, torno-o público para dar aos leitores e admiradores uma ideia do enorme respeito que ele tinha por quem o lia. O modo como me expressei levaria qualquer outro a simplesmente me ignorar. Não foi o caso com ele. Estranhos caminhos da vida; chato imaginar sem ele o espaço Sinopse no Estadão...

* * *

From: Humberto
To: dpiza@estado.com.br
Sent: Sunday, April 27, 2003 6:36 PM
Subject: cinema


Caro Daniel Piza,

Já lhe escrevi outrora justamente para elogiá-lo e situá-lo entre os nomes mais proeminentes do jornalismo cultural desde Paulo Francis. A primeira coisa que faço com o Estadão dominical é abrir sua coluna. Inteligente, sagaz, independente, neste país de pensamento rasteiro e ideologia de boteco. Gosto imensamente de ler o que você escreve na Bravo! e já comprei "brigas" com colegas na filosofia, defendendo-o de ataques como o de que jornalistas culturais como você falam de tudo e não entendem de nada. Acho esse tipo de desqualificação espúria para quem fica na academia e não se expõe para o grande público.

Guardada a admiração, fiquei embasbacado ao ler hoje seu comentário sobre O Desprezo, de Godard. Mesmo levando em conta a agilidade do jornalismo cultural, fiquei simplesmente incrédulo com o que li. Ora, caro Daniel, se você me responder que procurou expressar seu gosto ("Gosto não se discute?") aí tudo bem. Eu fico em paz com minha consciência e a pensar com meus botões: "o Daniel Piza não gosta de Godard, tudo bem, eu também não gosto de Francis Bacon, de Edward Hopper, sei lá, de um pintor qualquer que ele gosta". Ficamos em paz e eu continuo a ler e admirar uma das grandes novidades do jornalismo cultural dos últimos anos.

Ou seja, não é para eu levar a sério a bobeira sobre "o limite do cinema" na coluna de hoje. De outro modo, vou dar a mão à palmatória aos meus colegas na filosofia: "até tu, Brutus, escapa ao ar inteligente e é contaminado pela imbecilização jornalística, ao trocar gostos por sapatos?". Já dizia um dito provecto: que o sapateiro fique no sapato.

Ao ler seu texto fico com a sensação de que estou sendo ensinado sobre Godard. Um cineasta antigo, que fez um filme desconhecido que não diz mais nada sobre o mundo ou a vida, com uns achadinhos verbais ou visuais. Ora, Daniel Piza, do punhado de jornalistas que pululam nas redações dos jornais e revistas neste país pode-se esperar o clichê imbecilizante "alguns achados verbais, visuais e algumas sequências chatas...", mas de você eu sinceramente não esperava.

Antes de tudo, devo dizer-lhe que sou totalmente avesso ao endeusamento de figuras excêntricas e polêmicas como Miles Davis, Stockhausen, Godard, João Gilberto, Pasollini, Andy Wharol e assim vai. Então acho que há muito de mitificação em torno de Godard desde os anos 60. Agora, para mostrar que não "entendeu" Godard parece que o melhor é dizer coisas como: está datado, filmou mal tal sequência...

Mesmo que eu não gostasse de Godard, e esse não é o caso, a pergunta é simples e cândida: por que perder tempo comentando um filme de 1964? Por que há mostras e mostras Godard pelos quatro cantos? Por que o tumulto em torno de O Elogio do Amor em Cannes? Por que entrevistas na The New Yorker? Por que quando vem "um Godard" no MAM há público? Por que colunistas inteligentes escrevem sobre o mito Godard? Daniel, você é jovem e eu também. Em 2023 veremos um Godard qualquer, em uma mostra pelo mundo. E, desde já, convido-o para o assistirmos, tomarmos uma cerveja depois e discutirmos a sobrevivência dos filmes de Godard.

Você sabe bem que Godard é um dos símbolos da cultura do século passado. Se seu projeto de cinema falhou, se estamos meio distantes para percebermos sua fortuna crítica, se a aproximação com um público tal é difícil, se é, nos seus ingênuos dizeres, "pseudo-erudito", não acho que seu texto se sirva para confundir os incautos e tomar Godard como um extemporâneo que merece o mesmo tratamento que um garoto que fez uma bobagem qualquer como As horas (aliás, de cujo comentário que você fez mereceu de minha parte uma boa exposição para amigos sobre a personalidade do Leonard Woolf), Frida ou Cidade de Deus.

Caro Daniel, para quem "entende" de cinema você escreveu bobagem; para quem não "entende", gera mal-entendido. Clichês empobrecem o jornalismo e dão lenha para que os acadêmicos encham o peito e digam: "fala de tudo e não entende de nada". Falar sobre Godard é intelectualmente chique? E isso é porque, talvez, os agentes da CIA vejam em Godard um símbolo do imperialismo para divulgar mensagem burguesa? Assim como, para ficarmos na seara do cinema, falar sobre Riefensthal, Eiseinstein, Griffith ou Buñuel. A propósito, o que não seria "datado" para você? E isso me enche de curiosidade: o que é uma sequência "bem filmada"?

Para alguém com algo mais que minhoca na cabeça será que resta dúvida que qualquer bobagem que Spielberg filmar é muito "bem filmada". Se para você o "bem filmado" de Spielberg está um grau acima do "mal filmado" de Godard, para aludirmos a critérios estéticos, então passo a desconfiar imensamente de suas críticas de arte para a Bravo!. Seus critérios sobre o que é "bem filmado" seriam para mim muito estranhos. E eu não teria parâmetros para considerar suas apreciações sobre arte em geral.

E, entenda, tudo isso porque nutro por você grande admiração. Do contrário, não perderia tempo com estas linhas.

Abraço do leitor,

Humberto Pereira da Silva

* * *

From: Daniel Piza
To: Humberto
Sent: Wednesday, May 07, 2003 6:54 PM
Subject: Re: cinema


Caro Humberto,

Primeiro, quero apontar uma desproporção. Vc dedica um texto de mais de 100 linhas para uma nota que não tinha mais de 5. Uma nota impressionista, específica, dentro dos parâmetros de uma coluna pessoal. Não uma resenha analítica sobre o filme, muito menos sobre a obra de Godard como um todo.

Quanto à questão em si, simplesmente acho que o excesso de citações e repetições deixa o filme chato. Não é preciso ter uma grande história; no entanto, quando ela não existe, é preciso adensá-la de forma consistente, seja pelas experiências de linguagem, seja pela exposição de idéias. Não fechei os olhos para Godard, mas apenas fui rever
O Desprezo e achei que o filme se perde em inegável inabilidade técnica e pouca originalidade intelectual.

Vc também argumenta que se Godard não fosse importante não estaríamos discutindo sua obra. Me parece óbvio. Assim como me parece óbvio que suas indagações sobre os limites do cinema são indispensáveis, como eu mesmo afirmo num ensaio, "Imagens, imagens, imagens", em meu livro
Questão de Gosto, onde tb cito Greenaway.

O fato é que o cinema pretensamente ensaístico de Godard, como ele mesmo reconhece, tem altos e baixos, até mesmo pelos riscos que corre.
O Desprezo me parece um baixo. A Bout de Souffle, Vivre sa Vie e Pierrot le Fou estão entre os altos, talvez porque não negligenciam a força cinética dessa arte, saturando-a intelectualmente na medida certa.


C'est tout. Abraço

Daniel Piza


* * *

P.S. ― Infelizmente em 2023 Daniel Piza não poderá falar sobre Godard; até lá, para lembrar outro provérbio antigo, a roda da fortuna continuará em movimento.


Humberto Pereira da Silva
São Paulo, 16/1/2012


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Manchester à beira-mar, um filme para se guardar de Renato Alessandro dos Santos
02. O Wunderteam de Celso A. Uequed Pitol
03. Minha finada TV analógica de Elisa Andrade Buzzo
04. Seis meses em 1945 de Celso A. Uequed Pitol
05. Vocês, que não os verei mais de Elisa Andrade Buzzo


Mais Humberto Pereira da Silva
Mais Acessadas de Humberto Pereira da Silva em 2012
01. 'O sal da terra': um filme à margem - 27/6/2012
02. Cézanne: o mito do artista incompreendido - 26/9/2012
03. Herzog, Glauber e 'Cobra Verde' - 18/4/2012
04. Paulo César Saraceni (1933-2012) - 25/4/2012
05. A Nouvelle Vague e Godard - 15/2/2012


Mais Especial Daniel Piza (1970-2011)
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




HISTORIA DEL TEATRO EUROPEO (DESDE LA EDAD MEDIA HASTA NUESTROS DIAS) (5 VOLUMES)
G.N.BOIADHIEV; A. DZHIVELÉGOV Y S. IGNATOY
EDITORIAL NACIONAL DE CUBA
R$ 210,00



TÉCNICAS DE RELAXAMENTO
PETHÖ SANDOR
VETOR
(1974)
R$ 20,00



COLAS BREUGNON - NOBEL DE LITERATURA DE 1915
ROMAIN ROLLAND
OPERA MUNDI
(1973)
R$ 40,00



AU PAYS DES ANTIQUAIRES
ANDRÉ MAILFERT
ERNEST FLAMMARION
(1954)
R$ 50,00



PELOS CAMINHOS DA HISTÓRIA
ADHEMAR MARQUES
POSITIVO
(2006)
R$ 60,00



O BEIJO INFAME
TONI MARQUES
RECORD
(2011)
R$ 30,00



MOMENTOS COM DEUS DEVOCIONAL PARA CASAIS
JAMES E SHIRLEY DOBSON
BETÂNIA
(2004)
R$ 10,00



DA MORTE, METAFÍSICA DO AMOR, DO SOFRIMENTO DO MUNDO
ARTHUR SCHOPENHAUER
MARTIN CLARET
(2001)
R$ 5,40



AMORES PERFEITOS
JOSÉ ÂNGELO GAIARSA
GENTE
(1994)
R$ 8,90



SCHELLING - OS PENSADORES
COLEÇÃO OS PENSADORES
ABRIL CULTURAL
(1980)
R$ 9,00





busca | avançada
27313 visitas/dia
1,0 milhão/mês