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Quarta-feira, 11/4/2012
Os últimos soldados da Guerra Fria
Luiz Rebinski Junior

+ de 2100 Acessos

Fernando Morais é um caso raro na literatura brasileira. O escritor mineiro já fez três livros que de alguma maneira tem o socialismo (alguém de se lembra disso?) como tema, é biógrafo do mais detestado escritor brasileiro de todos os tempos (no Brasil) e seu próximo projeto é uma biografia de ACM, que em termos de detratores não fica muito atrás de Paulo Coelho, o tal escritor brasileiro mais detestado de todos os tempos. Só pelos três livros sobre o socialismo citados nas primeiras linhas aí de cima, ele tinha tudo para ser taxado como um escritor engajado, para não dizer chapa-branca. Mas Morais, pelo contrário, é um best-seller. E isso, neste caso, soa como elogio.

O escritor, sempre que pode, costuma dizer que todos os seus livros poderiam ser publicados em jornal, como grandes reportagens. É verdade. Mas o grande barato da bibliografia de Morais está não no seu texto jornalístico, mas no seu faro de repórter. Claro, Chatô era um personagem quase óbvio da nossa história. Assim como Olga Benario, que até então era uma nota de rodapé na biografia de Luis Carlos Prestes. E porque ninguém falou dos japas malucos do interior de São Paulo que decapitavam seus compatriotas que admitiam a derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial? Isso não se sabe e não importa. O fato é que Morais fez, foi atrás e botou toda sua experiência de repórter a serviço de projetos que lhe consumiram muito tempo e trabalho. Como diria o senhor Talese, Morais é um homem que entende da arte de sujar os sapatos.

Então, os temas polêmicos e que de alguma forma poderiam gerar opiniões maniqueístas, se diluem em textos bem apurados, bem escolhidos e bem escritos. E, claro, Morais é um homem bem informado, que tem resposta para qualquer pergunta mais indigesta a respeito de suas escolhas como biógrafo. Você pode não gostar de Paulo Coelho, detestar o sucesso dele e odiar até mesmo as letras que escreveu com Raul Seixas, mas isso não apaga a trajetória doida que Coelho teve. E são as grandes histórias (no sentido figurado da coisa) que parecem mover Morais como escritor. Afinal de contas, ACM e Olga Benario são tão parecidos quanto água e vinho.

E o faro de Morais funcionou mais uma vez em seu mais recente livro, Os últimos soldados da Guerra Fria. Se Truman Capote teve a ideia para A sangue frio ao ler uma nota de rodapé no New York Times, Morais escutou no rádio, em 1998, a notícia que lhe renderia anos e anos de trabalho. O livro trata da prisão de cubanos nos Estados Unidos, acusados de espionagem. A acusação era verdadeira e a história por trás deste episódio, fantástica.

Recrutados para deter atentados terroristas orquestrados por dissidentes de Miami contra Havana, 14 cubanos passaram anos e anos infiltrados em organizações de extrema direita na Flórida. Mas não vá pensando que se trata de algo do tipo 007. Pelo contrário, os agentes cubanos são paupérrimos e ganham a vida fazendo bicos em Little Havana, o bairro cubano de Miami. As condições do país se refletem na vida de seus agentes. Mas a história de Morais é muito melhor do que as aventuras sem noção do personagem de Ian Fleming. As primeiras cem páginas do livro são contadas em alta voltagem, em reviravoltas à altura dos bons romances de Graham Greene.Em umas das primeiras passagens, um major do exército cubano nada durante sete horas, provido apenas de um tubo de respiração tipo snorkel, atravessa a baía de Guantánamo, infestada de tubarões, e chega à base naval dos Estados Unidos e se entrega, desertando. Claro que tudo faz parte dos planos da inteligência cubana para que não houvesse desconfiança quando seus agentes estivessem integrados às redes anticastristas de Miami. Mas, assim como em um romance, o leitor vai montando as peças da história, mas sem muita certeza de nada. E estamos falando de um relato histórico, que deve ser guiado pelos fatos. Mas, entre bombas explodindo em hotéis, recrutamento de mercenários na América Central e destruição de aviões em pleno ar, Morais construiu um trhiller político que, como costumam dizer as orelhas de best-sellers, "prendem" o leitor. E talvez de todos os livros do escritor, este realmente seja o mais agradável nesse sentido. Corações sujos tem uma história fantástica e reveladora, mas não tem a pegada de romance policial de Os últimos soldados da Guerra Fria.

O livro também reconstitui fatos importantes que hoje parecem distantes, como as diversas crises migratórias sofridas por Cuba, os acordos com os Estados Unidos para que cubanos deixassem a Ilha e o caso Elián, o garoto de sete anos que sobreviveu a um naufrágio quando ia, de bote, com sua mãe e outros cubanos para Miami. Outros personagens, como o Prêmio Nobel de Literatura Gabriel García Márquez, que atuou como pombo correio de Fidel Castro e Bill Clinton, recheiam a trama.

Em 2008 entrevistei Fernando Morais em um lobby de hotel quando cobria uma feira literária. O papo girou em torno de Paulo Coelho, que era o seu personagem do momento. Mas, lá pelas tantas, o escritor citou o livro que estava escrevendo, que até então levava o título de Furacão na Flórida. Durante vários meses tentei, em vão, falar com Morais sobre o livro. Queria arrancar algo do projeto que ainda me parecia nebuloso, mas que cheirava a coisa boa. Não consegui nada, o escritor se esquivou de minhas investidas e só fui saber do que, ao certo, se tratava o livro, quando o li, há pouco tempo. O jornalista ficou sem uma boa pauta, mas o leitor foi recompensado.


Luiz Rebinski Junior
Curitiba, 11/4/2012


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