Nem Aos Domingos | Marilia Mota Silva | Digestivo Cultural

busca | avançada
25931 visitas/dia
1,1 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Pixel Show promove gratuitamente exibição do documentário "The Happy Film"
>>> Inédito no Brasil, espetáculo canadense SIRI estreia em novembro no Oi Futuro
>>> Antonio Nóbrega apresenta show comemorativo pela passagem dos 25 anos do Instituto Brincante
>>> Visita Temática : Os Múltiplos Tempos da Coleção de Ema Klabin
>>> Chagall é tema de palestra na Casa Museu Ema Klabin
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> A poesia afiada de Thais Guimarães
>>> Manchester à beira-mar, um filme para se guardar
>>> Noel Rosa
>>> Sabemos pensar o diferente?
>>> Notas de leitura sobre Inácio, de Lúcio Cardoso
>>> O jornalismo cultural na era das mídias sociais
>>> Crítica/Cinema: entrevista com José Geraldo Couto
>>> O Wunderteam
>>> Fake news, passado e futuro
>>> Luz sob ossos e sucata: a poesia de Tarso de Melo
Colunistas
Últimos Posts
>>> Jeff Bezos é o mais rico
>>> Stayin' Alive 2017
>>> Mehmari e os 75 anos de Gil
>>> Cornell e o Alice Mudgarden
>>> Leve um Livro e Sarau Leve
>>> Pulga na praça
>>> No Metrópolis, da TV Cultura
>>> Fórum de revisores de textos
>>> Temporada 3 Leve um Livro
>>> Suplemento Literário 50 anos
Últimos Posts
>>> Olho d'água
>>> A música da corrida
>>> Retalhos da vida
>>> Limbo
>>> Transmutações invisíveis
>>> Quem te leu, quem te lê
>>> Bom dia e paz
>>> O que sei do tempo II
>>> Quem é quem?
>>> Academia
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Um monstro que ri
>>> Lições literárias
>>> Fahrenheit 451, Oralidade e Memória
>>> História dos Estados Unidos
>>> Apresentação
>>> Modernismo e Modernidade
>>> Deus ex machina
>>> O assassinato de Herzog na arte
>>> Homenagem a Orestes Barbosa
>>> O lado A e o lado B de Durval Discos
Mais Recentes
>>> O príncipe e o mendigo
>>> Dicionário de Ciências Ocultas 1 e 2
>>> Jonas
>>> O desafio historiográfico
>>> Decifrando o Genoma
>>> O Baudolino
>>> O Império do Sol
>>> Encanto Mortal
>>> A Ilha do Dia Anterior
>>> Ciência Política
>>> O Trabalho Infantil na Cidade de São Paulo
>>> Controlando a Osteoporose
>>> Controlando a Osteoporose
>>> Controlando a Osteoporose
>>> Controlando a Osteoporose
>>> Controlando a Osteoporose
>>> Controlando a Osteoporose
>>> Controlando a Osteoporose
>>> Encantando Totalmente o Cliente
>>> As Vinhas da Ira _ Volume II
>>> Ser Mãe
>>> Sonetos Escolhidos
>>> Sonetos Escolhidos
>>> Nada Dura Para Sempre
>>> Dioniso & Cia. na moqueca do dendê: desejo, revolução e prazer na obra de Jorge Amado
>>> Ciência & Realidade 6ª série
>>> Redação Curso Básico Vol 1
>>> Redação Curso Básico Vol 2
>>> A Conquista da Matemática 7ª Série
>>> Redação Curso Básico Vol 3
>>> Português Através de Textos 5
>>> Português Através de Textos 7
>>> Ciência & Realidade 7ª série
>>> Ciência & Realidade 5ª série
>>> A Conquista da Matemática 6ª Série
>>> Caderno de Português Fundamental 5ª série
>>> Bom Tempo Estudos Sociais Ciências 4
>>> Língua Portuguêsa Vol 4
>>> Descobrindo a Gramática
>>> Português Através de Textos 6
>>> Verdades Fundamentais da Parábola do Rico e de Lázaro
>>> Dificuldades Bíblicas e Outros Estudos Vol. 1 (2ª ed.)
>>> Um rabino conversa com Jesus- um diálogo entre milênios e confissões
>>> Conceitos de crítica
>>> Conceitos fundamentais da poética- (2ª ed.)
>>> Marketing Digital Novas tecnologias & Novos Modelos de Negócio
>>> Excel 2007
>>> Project para Profissionais
>>> O crime do padre Amaro (15ª ed.)
>>> A câmara clara - nota sobre a fotografia (2ª ed.)
COLUNAS

Quarta-feira, 2/5/2012
Nem Aos Domingos
Marilia Mota Silva

+ de 5100 Acessos

Outro dia, um desses amigos de internet, que gosta de repassar power points que pingam letrinhas, piadas sexistas e textos provocativos, me mandou essa crônica de Mario Prata:

Homem Gosta é de Homem

"Homem gosta de homem! Disse, corajosamente, o cartunista Miguel Paiva (Radical Chic) na semana passada no gostoso (e gostosa) Marília Gabi. É preciso ter peito para fazer-se uma declaração dessa em público. E, quem tem peito, geralmente, são as mulheres.

E a Marília retrucou:- Mulher também.

Escrevi e montei uma peça há uns anos atrás, chamada Bésame Mucho (que depois virou filme do Ramalho).

Esta peça tratava justamente deste assunto. A relação de ternura entre dois homens. Da infância até a maturidade.

Antes que alguém viesse dizer que era coisa de viado, tive que inventar uma palavra para explicar a relação entre os dois personagens masculinos. A palavra era "homoternurismo" e, para minha infelicidade, até hoje não se incorporou ao Aurélio.

Mulher é bom, é ótimo, nem se discute. Mas que os homens preferem os homens, também não se discute.

Desde a infância, menino gosta de brincar com menino. Clube do Bolinha. Menina não entra!

Na adolescência, é a mesma coisa. Temos olhos para os seios e os bumbuns da meninas, mas no meu time de futebol elas não entravam. Era rapaz de um lado e as meninas do outro.

A gente casa, ama a esposa da gente, tem filhos, mas não vê a hora de ir para o botequim tomar umas e outras com os amigos. Os amigos do peito. Já notaram que os homens não têm amigas do peito? Têm amigas com peito. Na hora da confidência mais confidencial, na hora do aperto, do ombro amigo, é o amigo do peito (para se chorar) que está ali.

Favor não confundirem, jamais, homoternurismo com homossexualismo.

E a gente vai crescendo e vai formando o nosso time de amigos eternos, confiáveis, pau (ops!) pra toda obra.

O domingo, por exemplo, foi feito para se passar com os amigos. O jogo de futebol, os gols na televisão, a cervejinha gelada. Mas qual é a mulher que não quer ir a "um cineminha" no domingo?

Devia ser proibido mulheres aos domingos, dizia um meu amigo do peito, casado.

Tudo isso que eu escrevi aí em cima, se for mesmo válido, só é válido até uma certa idade. A idade que eu estou agora. Quase cinquenta anos, cheio de amigos e sem nenhuma mulher. Talvez por pensar assim.

"Um misógino!", diriam elas. Mas o mesmo Aurélio, que não consolidou o homoternurismo, diz que misoginia é uma "repulsa mórbida do homem ao contato sexual com as mulheres". Não é o caso. E, outro dia, discutia isso com um velho amigo velho de 84 anos. Ele concordou, em termos, do alto de sua sabedoria de ancião. Mas fez uma ressalva. Jogou na minha cara:

- Daqui para a frente, é melhor começar a convidar mulheres para ir ao jogo de futebol. É melhor ir aprendendo a tomar caipirinha com mulheres no sábado antes da feijoada. Já está na hora de parar de reparar apenas nos seios e nas bundinhas da mulheres. As mulheres têm mais alma que os homens!

- E daí?, respondeu o machão aqui.

- E dai, meu filho, que você na velhice vai ficar chato, intransigente, metódico, sistemático. Aliás, já está ficando. E não tem nenhum amigo do peito nessa hora para te socorrer.

Se você chegar sozinho na velhice, não conte comigo, que eu já fui embora. Quem sempre cuidou de você foram as mulheres. A começar pela sua mãe.

- Você está querendo que eu arrume uma outra mãe?

- Não, meu filho. Uma mulher. Vai por mim, mulher é muito melhor que homem. E quanto mais velhas ficam, melhor nos entendem. Ao contrário dos homens.

E pediu mais uma caipirinha, enquanto olhava o traseiro da jovem, muito jovem, garçonete. Encerrou, com o olhar distante:

- Mulher é o que há, menino! Trate logo de arrumar uma, enquanto você está vivo... E quer saber de mais uma coisa? Esse papo de homoternurismo, pra mim, é coisa de viado!"

O Estado de S. Paulo, em 29/05/95


Não pode ser, pensei. Seria muita boçalidade!

Para tirar a dúvida, enviei a crônica para quinze amigos, homens com mais de quarenta anos, e pedi que me dissessem se concordavam com o que a crônica dizia.

A resposta unânime foi que "sim, sim, é exatamente isso. A crônica diz a verdade". Alguns acrescentaram um "Infelizmente", como que se desculpando.

Mesmo assim, não me convenci. Eles se subestimam!

Que homem goste de homem, está bem. As mulheres também se divertem mais entre si. Mas que precisem castrar as mulheres, reduzi-las a peitos e bundas, isso não pode ser. Seria muito deprimente.

Mulher devia ser proibida aos domingos, diz a crônica. E lá vem o protesto homoternúrico: Mas elas querem ir a um cineminha! Não pode!

No resto da semana, há trabalho, duas jornadas pelo menos, se não tem filhos. Mas eles reviram os olhinhos, agoniados: o domingo foi feito para passar com os amigos! É dia em que eles assistem ao futebol, bebem cerveja e trocam olhares úmidos, carregados de homoternurismo.

Mas há uma ressalva, o autor adverte: tudo isso só vale até lá pelos cinquenta anos.
Aí a coisa muda de figura. Os rapazes viram velhos com problema de próstata e cólon. Passam direto da fase narcisística infantil para a velhice narcisística infantil. Os amigos desaparecem e eles precisam de quem cuide deles.

...Você na velhice vai ficar chato, intransigente, metódico, sistemático. Aliás, já está ficando. E não tem nenhum amigo do peito nessa hora para te socorrer...Quem sempre cuidou de você foram as mulheres. A começar por sua mãe".

Então é isso: À beira da velhice e suas mazelas, os homens devem procurar uma companheira, não porque a idade lhes ensinou a amar algo além de si mesmo e seu reflexo no espelho, mas porque precisam de alguém que cuide deles: um combo de empregada, governanta, secretária, enfermeira, acompanhante. Sem remuneração, direitos trabalhistas, turnos, folgas, horários. E que aguente tudo. Em outras palavras: Uma mulher, esposa, companheira. É o resumo da peça.

Fica a questão:

O que esse senhor casadoiro, com a barriga redonda de cerveja, agradável como um cascalho no sapato, inteligente e sensível como um prego no asfalto (a deduzir da crônica), misógino e homoternúrico, teria a oferecer à mulher escolhida?

Ele não pensa nisso, não se preocupa com isso! E ainda se pergunta porque, com menos de 50 anos (quando escreveu a crônica), estava sozinho. Oh...



Marilia Mota Silva
Rio de Janeiro, 2/5/2012


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Estevão Azevedo e os homens em seus limites de Guilherme Carvalhal
02. Séries da Inglaterra; e que tal uma xícara de chá? de Renato Alessandro dos Santos
03. A fotografia é um produto ou um serviço? de Fabio Gomes
04. Os Doze Trabalhos de Mónika. 1. À Beira do Abismo de Heloisa Pait
05. Amy Winehouse: uma pintura de Jardel Dias Cavalcanti


Mais Marilia Mota Silva
Mais Acessadas de Marilia Mota Silva em 2012
01. Nem Aos Domingos - 2/5/2012
02. Só dói quando eu rio. - 23/5/2012
03. O que querem os homens? Do Sertão a Hollywood - 5/9/2012
04. Carregando o Elefante - 3/10/2012
05. Quem tem medo da Rio+20? - 13/6/2012


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




LIVRO DA VIDA VOLUME II
VICTOR CIVITA (EDITOR)
ABRIL CULTURAL
(1971)
R$ 15,00



ASSASSINATO NO CAMPO DE GOLFE
AGATHA CHRISTIE
CÍRCULO DO LIVRO
R$ 4,90



THE MK CHALLENGE
ALMA D GORDON
MISSIONARY INFORMATION BUREAU
(1989)
R$ 35,00



O RESTO É SILÊNCIO
ERICO VERÍSSIMO
GLOBO
R$ 15,00



MARIA E O EVANGELHO
JEAN-GALOT
ASTER
(1961)
R$ 11,00



O LIVRO DE RECEITAS DO PROFESSOR DE PORTUGUÊS- ATIVIDADES PARA A SALA DE AULA- 3ª ED.
CARLA VIANA COSCARELLI
AUTÊNTICA
(2010)
R$ 28,70



THE COMPLETE STORIES, PLAYS AND POEMS OF OSCAR WILDE
OSCAR WILDE
TIGER BOOKS
(1994)
R$ 30,00



PSICOSOCIOLOGIA DAS RELAÇÕES PÚBLICAS
CÂNDIDO TEOBALDO DE SOUZA ANDRADE
LOYOLA
(2005)
R$ 11,00



A DAMA DO CACHORRINHO E OUTRAS HISTÓRIAS
ANTON TCHÉKHOV
L&M POCKET
(2009)
R$ 6,00



IMAGINAR EL MATRIMONIO
BATTISTA BORSATO
SAL TERRAE
(2003)
R$ 62,00





busca | avançada
25931 visitas/dia
1,1 milhão/mês