Paulo César Saraceni (1933-2012) | Digestivo Cultural

busca | avançada
81485 visitas/dia
1,7 milhão/mês
Digestivo Cultural
O que é?
Quem faz?

Audiência e Anúncios
Quem acessa?
Como anunciar?

Colaboração e Divulgação
Como publicar?
Como divulgar?

Newsletter | Disparo
* RSS, Twitter e Facebook
Últimas Notas
>>> Eu Maior, o filme de Fernando, Paulo e Marco Schultz e Andre Melman
>>> Diálogos de Platão, pela editora da Universidade Federal do Pará
>>> Porta dos Fundos
>>> Os Enamoramentos, de Javier Marías
>>> One Click, a História da Amazon, de Richard L. Brandt
>>> Amores & Arte de Amar, de Ovídio
>>> Gonzaga - De Pai pra Filho, de Breno Silveira
>>> Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade
Temas
Mais Recentes
>>> Todas as Tardes, Escondido, Eu a Contemplo
>>> Família e Maldade
>>> O Corno em Série
>>> A Cidade do Improvável
>>> Um Lugar para Fugir Antes de Morrer
>>> O goleiro que ganhou o Nobel
>>> O Amor é Sexualmente Transmissível
>>> Na minha internet foi assim, e na sua?
>>> Um livro canibal
>>> Toda poesia de Paulo Leminski
Colunistas
Mais Recentes
>>> Millôr Fernandes
>>> Daniel Piza (1970-2011)
>>> Steve Jobs (1955-2011)
>>> 11/9: Dez Anos Depois
>>> Séries de TV
>>> Discoteca Básica
Últimos Posts
>>> Ricardo Lindemann #EuMaior
>>> AnaE lança novo livro em SP
>>> Professor Hermógenes #EuMaior
>>> Waldemar Falcão #EuMaior
>>> Barbara Abramo #EuMaior
>>> O turista cinéfilo
>>> Flávio Gikovate #EuMaior
>>> Vanete Almeida #EuMaior
>>> Space Oddity de David Bowie
>>> Ivan Lessa no Observatório
Mais Recentes
>>> Sergio Britto & eu
>>> Para o Daniel Piza. De uma leitora
>>> Joey e Johnny Ramone
>>> A Cultura do Consenso
>>> De Kooning em retrospectiva
>>> Delírios da baixa gastronomia
>>> Jane Fonda em biografia definitiva
>>> Psicodelia para Principiantes
Mais Recentes
>>> Luis Salvatore
>>> Catarse
>>> Chico Pinheiro
>>> Sheila Leirner
>>> Guilherme Fiuza
>>> Antonio Henrique Amaral
Mais Recentes
>>> 40 mil seguidores no Twitter
>>> Comentários via Facebook
>>> Obrigado, Daniel Piza
>>> Seção Mais Acessados
>>> Digestivo no Facebook
>>> Você no Twitter do Digestivo
Mais Recentes
>>> Chico Pinheiro
>>> Harry - A Biografia
>>> A mentira crítica e literária de Umberto Eco
>>> Pela estrada afora
>>> Twitter versus Facebook
>>> O Livro Completo dos Maçons
>>> Caixa de Memórias
>>> Minha casa, sua casa
>>> Renato Russo, por Bruce Gomlevsky
>>> O Nobel de Tranströmer
Mais Recentes
>>> Papo com Valdeck A. de Jesus
>>> Papo com Valdeck A. de Jesus
>>> Olga e a história que não deve ser esquecida
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> Quem é (e o que faz) Julio Daio Borges
>>> A teoria do caos
>>> Outsider: quem não se enquadra
>>> A fragilidade dos laços humanos
>>> Como escrever bem — parte 2
>>> Como escrever bem — parte 1
Mais Recentes
>>> Torcida alemã vai acompanhar final da Liga dos Campeões da Europa no Schwarzwald, em Curitiba
>>> ESPM-SP realiza vestibular de inverno 2013 em Campo Grande
>>> Banda Lilith é atração semanal no Bar Santa Marta
>>> COMUNICADO - Acesso da Imprensa ao Hotel Deville Salvador
>>> VITA Batel promove palestra gratuita sobre cuidados com a pele
>>> Leitura de 'Bonitinha, mas ordinária' na CAL
>>> Denise & Vera Casoni Jazz Ballet amplia aprendizagem com aulas de Teatro Musical
>>> Grupo de Londrina homenageia O Rappa em Curitiba
>>> Turismo de Habitação: Fazenda Histórica abre Hospedagens
>>> Lançamento do Livro 'O Salaminho e a Gravata Francesa'
COLUNAS

Quarta-feira, 25/4/2012
Paulo César Saraceni (1933-2012)
Humberto Pereira da Silva

+ de 1800 Acessos

Há três nomes essenciais quando se tem em vista o contexto e situação histórica que deram origem ao Cinema Novo: Nelson Pereira dos Santos, Glauber Rocha e Paulo César Saraceni. Desde "Rio, 40 graus" (1955), Nelson desponta como a figura impulsionadora do movimento: um pouco mais velho, torna-se uma espécie de guru da nova geração; já Glauber, principal agitador e idealizador, chamou a atenção internacional com seu primeiro longa metragem, "Barravento" (1962), premiado no Festival de Karlovy Vary, antiga Tchecoslováquia. Nesse mesmo momento, outros nomes merecem atenção - Ruy Guerra, Cacá Diegues, Leon Hirszman e Joaquim Pedro Andrade -, mas a Saraceni, entre os amigos conhecido como Sarra, deve-se dar um destaque especial. Como se pode ver nos arquivos de Glauber Rocha, disponíveis no Tempo Glauber, e no livro de memórias de Sarra, "Por dentro do Cinema Novo" (Nova Fronteira, 1993), é dos papos entre ele e Glauber nos bares da zona sul carioca ou em Salvador, no início dos anos 60, que se pode ter em mente o que os jovens cineastas queriam fazer para revolucionar o cinema brasileiro.

Em 1959, no apartamento da artista plástica Ligia Pape, foram exibidos para uma plateia seleta, que incluía artistas como Amilcar de Castro e Helio Oiticica, os primeiros filmes dos dois: "O Pátio", de Glauber, e "Caminhos", de Sarra. Foi nessa sessão que Reinaldo Jardim, editor do Caderno de Cultura do Jornal do Brasil, propôs abrir espaço para os jovens cineastas e publicar um manifesto com as novas ideias que traziam. A redação do manifesto acabou na intenção, mas em termos práticos é a partir desse incentivo que Glauber volta para a Bahia e filma "Barravento" na praia de Buraquinho, enquanto Sarra vai para o Arraial do Cabo e realiza o documentário "Arraial do Cabo" (1959).

Com esse filme, Sarra ganha uma bolsa para estudar no importante Centro de Cinema Experimental em Roma. Ele leva o filme consigo e o apresenta no Festival de Santa Margherita. "Arraial" causou impressão muito favorável, com suas imagens de forte apelo social, e revelou o que passou a ser em seguida chamado como Cinema Novo. Estimulado pelos debates e discussões suscitadas pelo filme, na volta ao Brasil ele fez "Porto das Caixas" (1962), "Integração Racial" (1964) e, um ano após o golpe de 64, "O Desafio".

Mesmo tendo aberto as portas para o Cinema Novo na Europa, ao contrário de Glauber, Nelson ou Ruy Guerra, esses filmes de Sarra, feitos em sequência, não foram exibidos em festivais importantes (barrado por Carlos Lacerda, então Governador da Guanabara, "O Desafio" foi apresentado clandestinamente no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, em 1965). Não tiveram, portanto, a ressonância de "Deus e o Diabo" (1964), "Vidas Secas" (1963), "Os Fuzis" (1964), respectivamente, que foram exibidos em Cannes e Berlim (Na Berlinale, o filme de Ruy Guerra foi premiado com o Urso de Prata). Depois desses filmes iniciais, a carreira de Sarra segue caminho um tanto errático e pouco profícuo. Ele fez ainda filmes como "Capitu" (1967), adaptação de Machado de Assis, e um projeto que acalentava há muito tempo, "A Casa Assassinada" (1970), baseado no livro de Lucio Cardoso. Mas a obra posterior de Sarra dá sinais de que sua verve criativa e seu espírito inovador se acomodaram. Quando se fala em Cinema Novo, impossível não lhe fazer referência, mas talvez por isso sua importância não seja devidamente considerada.

Com sua morte recente, em 14 de abril, nos cabe então lembrar que "Arraial do Cabo", "Porto das Caixas", "Integração Racial" e "O Desafio" são emblemáticos da estética cinemanovista. Mais que isso, são filmes deflagradores: "Arraial" antecipa "Aruanda" (1960), de Linduarte Noronha, "Porto das Caixas" toca a questão da mulher oprimida como o fará Leon Hirszman em "A Falecida" (1965) e "O Desafio", como "Terra em Transe" (1967), de Glauber, coloca em pauta o papel do intelectual diante da ditadura. Ou seja, a estética e os conteúdos social e político nesses filmes oferecem o germe para a filmografia por vir. Nesse sentido, Sarra é, de fato, aquele que abriu fendas, que se colocou adiante e, com isso, contaminou Glauber e outros ao redor para o desafio de se fazer cinema em transe.

Quando exibiu "Arraial" na Itália, ouviu do cineasta Jean Rouche que a nova onda era fazer cinema com "a câmara na mão". Rápido, escreveu para Glauber e lhe transmitiu essa ideia. Este, sensível, acolheu o sentido do que Sarra transmitiu e na 6ª Bienal de São Paulo, em 1961, expôs que o propósito de sua geração era o de fazer cinema com "uma câmara na mão e uma ideia na cabeça". Sem um manifesto formal, surge assim aquele que é o principal movimento do cinema brasileiro e um dos pontos altos de nossa história cultural.

Os filmes de inicio de carreira de Saraceni, hoje, são de difícil acesso (indisponíveis em DVD, podem ser vistos em acervos públicos, como na Biblioteca da ECA, ou sequências fragmentadas pelo you tube). Como decorrência, sua importância não é devidamente enfatizada: Sarra praticamente não é visto pelas novas gerações. É uma pena, pois "O Desafio", com suas imagens sombreadas, clima blasé e diálogos angustiantes, perfila-se entre as obras primas do cinema nacional nos anos 60. Ao lado de "Terra em Transe", reflete de modo intenso o impasse da intelectualidade brasileira diante da realidade da ditadura que se impôs. Assim como o filme glauberiano, "O Desafio", feito no calor da hora, revela a grande intuição de Sarra para sentir e expressar por meio de uma obra de arte o que foi o golpe de 64.

Sintomático desse sentimento é o plano que exibe o pôster de "Guernica", de Picasso, no quarto em que o casal protagonista conversa sobre a situação do país e a impossibilidade de uma relação amorosa naquelas condições. Mero elemento cenográfico, tão repleto de sentido quando se pensa nas razões que levaram Picasso a pintar o bombardeio de uma população indefesa durante a guerra civil espanhola. Enfim, Sarra se foi; fica sua obra, "O Desafio" do filme e, para nós, o de preservar a memória de um gigante de nossa cultura.


Humberto Pereira da Silva
São Paulo, 25/4/2012

Quem leu este, também leu esse(s):
01. Brasileiros aprendendo em inglês de Carla Ceres
02. Os contos de degeneração de Irvine Welsh de Luiz Rebinski Junior
03. A polêmica da Feira do Livro de Bento Gonçalves de Marcelo Spalding
04. O iPad não é coisa do nosso século de Marcelo Spalding
05. Tiros, Pedras e Ocupação na USP de Duanne Ribeiro


Mais Humberto Pereira da Silva
Mais Acessadas de Humberto Pereira da Silva em 2012
01. Treze Teses sobre Cinema - 7/3/2012
02. A Nouvelle Vague e Godard - 15/2/2012
03. 'O sal da terra': um filme à margem - 27/6/2012
04. Paulo César Saraceni (1933-2012) - 25/4/2012
05. 'Cabeças' de Paulo Francis - 28/3/2012


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

Companhia das Letras
WMF Martins Fontes
Nova Fronteira
Best Seller
Editora Record
MercadoLivre
Civilização Brasileira
Intrínseca
Editora Perspectiva
Editora Conteúdo
Hedra
Bertrand Brasil
Madras Editora
Editora Francis
José Olympio
Globo Livros
Cortez Editora
LIVROS


DA DOR NASCE O AMOR


A ABELHINHA SOLETRADORA


A PECULIAR TRISTEZA GUARDADA NUM BOLO DE LIMÃO


ALFA ROMEO


OS IRMÃOS SISTER


A ARTE DA FICÇÃO


ALICE COOPER - BEM-VINDO AO MEU PESADELO


CHEGANDO LÁ!


TAGARELICE ESPIRITUOSA


EU RECEBERIA AS PIORES NOTÍCIAS DOS SEUS LINDOS LÁBIOS


O DJ - CHOQUE ELETRÔNICO


BEAUVOIR APAIXONADA


AZEITE - HISTÓRIA, PRODUTORES, RECEITAS


FUI AO CÉU E VOLTEI


BICHOS DO LIXO


busca | avançada
81485 visitas/dia
1,7 milhão/mês