Veja e Cachoeira: relações perigosas | Digestivo Cultural

busca | avançada
55201 visitas/dia
1,7 milhão/mês
Digestivo Cultural
O que é?
Quem faz?

Audiência e Anúncios
Quem acessa?
Como anunciar?

Colaboração e Divulgação
Como publicar?
Como divulgar?

Newsletter | Disparo
* RSS, Twitter e Facebook
Últimas Notas
>>> Diálogos de Platão, pela editora da Universidade Federal do Pará
>>> Porta dos Fundos
>>> Os Enamoramentos, de Javier Marías
>>> One Click, a História da Amazon, de Richard L. Brandt
>>> Amores & Arte de Amar, de Ovídio
>>> Gonzaga - De Pai pra Filho, de Breno Silveira
>>> Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade
>>> Cartas a um Jovem Poeta, de Rainer Maria Rilke
Temas
Mais Recentes
>>> O Corno em Série
>>> A Cidade do Improvável
>>> Um Lugar para Fugir Antes de Morrer
>>> O goleiro que ganhou o Nobel
>>> O Amor é Sexualmente Transmissível
>>> Na minha internet foi assim, e na sua?
>>> Um livro canibal
>>> Toda poesia de Paulo Leminski
>>> A via férrea da poesia de Mario Alex Rosa
>>> Garanto que você não vai gostar
Colunistas
Mais Recentes
>>> Millôr Fernandes
>>> Daniel Piza (1970-2011)
>>> Steve Jobs (1955-2011)
>>> 11/9: Dez Anos Depois
>>> Séries de TV
>>> Discoteca Básica
Últimos Posts
>>> Waldemar Falcão #EuMaior
>>> Barbara Abramo #EuMaior
>>> O turista cinéfilo
>>> Flávio Gikovate #EuMaior
>>> Vanete Almeida #EuMaior
>>> Space Oddity de David Bowie
>>> Ivan Lessa no Observatório
>>> Subversão Cultural
>>> AnaE manda avisar
>>> Caro Francis
Mais Recentes
>>> Sergio Britto & eu
>>> Para o Daniel Piza. De uma leitora
>>> Joey e Johnny Ramone
>>> A Cultura do Consenso
>>> De Kooning em retrospectiva
>>> Delírios da baixa gastronomia
>>> Jane Fonda em biografia definitiva
>>> Psicodelia para Principiantes
Mais Recentes
>>> Luis Salvatore
>>> Catarse
>>> Chico Pinheiro
>>> Sheila Leirner
>>> Guilherme Fiuza
>>> Antonio Henrique Amaral
Mais Recentes
>>> 40 mil seguidores no Twitter
>>> Comentários via Facebook
>>> Obrigado, Daniel Piza
>>> Seção Mais Acessados
>>> Digestivo no Facebook
>>> Você no Twitter do Digestivo
Mais Recentes
>>> Dicionário de Filosofia
>>> Como os Mercados Quebram
>>> Educação, Imagem e Mídias
>>> Monteiro Lobato - Livro a Livro
>>> O Poder da Energia
>>> Jardim de Inverno
>>> Na Cozinha com Nigella
>>> Notas Sobre o Anarquismo
>>> A nova interface do Google
>>> Dicionário de Filosofia
Mais Recentes
>>> Quem é (e o que faz) Julio Daio Borges
>>> A teoria do caos
>>> Outsider: quem não se enquadra
>>> A fragilidade dos laços humanos
>>> Como escrever bem — parte 2
>>> Como escrever bem — parte 1
>>> Matinas sobre a Serrote
>>> Parangolé: anti-obra de Hélio Oiticica
>>> Parangolé: anti-obra de Hélio Oiticica
>>> Um contrabaixo na contramão
Mais Recentes
>>> Lançamento do livro "O Ídolo de Madeira"
>>> Grupo Gattu reestreia comédia policial no Teatro do Corinthians
>>> Estudantes de Design utilizam técnicas de teatro para testar a usabilidade de produtos
>>> Números extraordinários marcam encerramento do concurso da iStockphoto
>>> Mistura de ritmos embala noites do Santa Marta
>>> Exposição do artista José Diniz dá origem a seminário
>>> O REI DAS ORQUIDEAS
>>> UniBrasil promove curso internacional de Direito Constitucional Latino-Americano
>>> Bourjois traz linha Flower Perfection ao Brasil
>>> Nordestino e curitibano dividem palco do Santa Comédia nesta segunda-feira
COLUNAS

Segunda-feira, 28/5/2012
Veja e Cachoeira: relações perigosas
Gian Danton

+ de 2700 Acessos

Um dos assuntos mais comentados das mídias sociais nas últimas semanas — e ignorado pela maior parte da grande mídia — é a relação entre a revista Veja e o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Investigação da Polícia Federal descobriu mais de 200 ligações entre o diretor da revista em Brasília, Policarpo Júnior e o bicheiro. Além das várias referências a jantares do jornalista com Cachoeira e com o diretor da Delta, Cláudio Abreu (em uma das gravações, Cláudio Abreu diz que achou que o jornalista ia lhe "dar um beijo").

A revista se defende argumentando que na prática jornalística até mesmo um criminoso pode ser uma fonte de informações.

De fato, um repórter pode entrevistar um bandido. Se houvesse qualquer impedimento nesse sentido, simplesmente não existiria o jornalismo policial. São inúmeros os casos em que o jornalista consegue a informação antes mesmo da polícia. A própria Veja tem um exemplo interessante: foi na entrevista com uma repórter da revista que o Maníaco do Parque admitiu seus crimes. Ou seja: não há nada de errado em usar um criminoso como fonte de informação. O que a imprensa não pode fazer é trabalhar em favor do criminoso-fonte. Da mesma forma, não pode haver intimidade entre ambos. E vários indícios indicam que foi o que ocorreu no caso Veja-Cachoeira.

Para começar, o número de ligações trocadas entre Policarpo Júnior, diretor da Veja em Brasília: são duzentas ligações, que revelam um nível de intimidade incomum nesse tipo de relação, em especial em vista do fato de que Policarpo sabia que Cachoeira era contraventor.

O mesmo Policarpo em 2005 foi responsável por livrar Cachoeira da prisão. Na época, a Veja publicou uma reportagem denunciando que o deputado André Luiz havia pedido 4 milhões para não incluir o nome do bicheiro na CPI da Loterj. Policarpo chegou a servir de testemunha do bicheiro e afirmou ter a gravação da conversa. O resultado foi a desmoralização da CPI e a liberdade do bicheiro.

Ao que tudo indica, Cachoeira usava a revista como forma de derrubar aqueles que não se encaixavam no seu esquema de corrupção ou de ameaçar os que não cumpriam sua parte em acordos, como parece ser o caso do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz. As escutas revelam que o governador fez alguma promessa a Cachoeira no período eleitoral. Uma vez que a mesma não havia sido cumprida, o grupo resolveu bater no governador, usando a Veja. A ideia era derrubar Agnelo e colocar em seu lugar o vice, mais simpático ao grupo.

A forma como a Veja tratou durante os últimos anos o senador Demóstenes Torres, mão política de Cachoeira, é exemplar. A revista nunca poupou elogios ao senador e chegou a chamá-lo de Mosqueteiro da ética. Mais: quando Cachoeira decidiu que precisava se colocar Demóstenes no Supremo Tribunal Federal como forma de se blindar contra possíveis ações jurídicas, a revista contribuiu com uma entrevista nas páginas amarelas intitulada "Só nos resta o Supremo" em que lançava a candidatura do senador à mais alta corte do país.

Com o silêncio da grande imprensa (apenas a Record e a revista Carta Capital publicaram matérias sobre o assunto), uma das poucas formas de se conseguir informações sobre o assunto foi a internet. O resultado disso foi um movimento pela ética no jornalismo que tomou o Twitter e colocou o escândalo Veja-Cachoeira no trending topics diversas vezes.

Veja contra-atacou argumentando que o manifesto era ilegítimo e que havia sido forjado por robôs programados para retuitar as tags. Chegou a fazer um infográfico mostrando como o perfil @lucy_in_sky era na verdade um robô programado pelo Governo Federal para atingir a revista. Os editores não se deram nem ao trabalho de entrar no perfil ou de tentar contato com a pessoa por trás da conta. Publicada a matéria, foi imediatamente desmentida. O perfil @lucy_in_sky era de uma senhora aposentada de 59 anos que adora ir ao cinema, fazer caminhadas na praia e que não suporta injustiça contra os mais fracos.

Há algo incontestável sobre o jornalismo: ele é baseado em fatos. Se não existe fato, não existe notícia. O jornalista pode escolher os fatos que achar mais interessantes, ou simplesmente dar mais destaque para eles, ou ignorar os que acha que não são interessantes. Mas nunca pode inventar ou forjar um fato. Foi o que a Veja fez ao "provar" que o perfil @lucy_in_sky era um robô: inventou um fato.

Não é a primeira vez que a Veja envereda na ficção. Em maio de 2010 a revista publicou uma declaração do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro na matéria "A farra da antropologia oportunista". O cientista veio a público denunciar que não havia sido entrevistado pela revista e, portanto, a citação era falsa. A revista respondeu que a citação havia sido retirada de um dos livros do antropólogo (embora o texto da reportagem desse a entender que o mesmo havia sido entrevistado). Eduardo continuou sem entender: "não pronunciei em qualquer ocasião, ou publiquei em qualquer veículo, reflexão tão grotesca, no conteúdo como na forma". Ou seja: a revista simplesmente inventou uma declaração e colocou-a a boca de uma autoridade no assunto como forma de referendar seu ponto de vista.

Apesar da amplitude do escândalo Veja-Cachoeira, a grande mídia se lançou numa campanha para desquallificar a CPMI que investiga o caso e repudia veementemente qualquer possibilidade do editor da Veja ser ouvido.

É triste ver a que ponto chegou o jornalismo brasileiro, mas espera-se que o episódio torne o leitor mais crítico a respeito do papel desse mesmo jornalismo. Talvez o resultado seja uma imprensa melhor.


Gian Danton
Macapá, 28/5/2012

Quem leu este, também leu esse(s):
01. Umas armadilhas suaves de Ana Elisa Ribeiro
02. De tinta e fio é feito o homem de Elisa Andrade Buzzo
03. A Casa de Ramos de Elisa Andrade Buzzo
04. A Farsa de 2012 de Gian Danton
05. Coisas que eu queria saber fazer de Ana Elisa Ribeiro


Mais Gian Danton
Mais Acessadas de Gian Danton em 2012
01. Por que os livros paradidáticos hoje são assim? - 13/2/2012
02. Veja e Cachoeira: relações perigosas - 28/5/2012
03. A era e o poder do Twitter - 2/1/2012
04. Contos fantásticos no labirinto de Borges - 26/3/2012
05. Lobato e modernistas: uma história mal-contada - 16/4/2012


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

Best Seller
Editora Conteúdo
Madras Editora
Editora Record
José Olympio
MercadoLivre
Editora Perspectiva
Bertrand Brasil
Globo Livros
Cortez Editora
WMF Martins Fontes
Companhia das Letras
Editora Francis
Hedra
Civilização Brasileira
Intrínseca
Nova Fronteira
LIVROS


AS ILUSÕES DO PÓS-MODERNISMO


VIOLÊNCIA E MODERNISMO - IBSEN, JOYCE E WOOLF


O DESAFIO DAS DESIGUALDADES


COPENHAGUE ANTES E DEPOIS


COMO MORREM OS POBRES E OUTROS ENSAIOS


USOS E ABUSOS DA HISTÓRIA


O CAMINHO DO MEIO


HAWTHORNE E SEUS MUSGOS


HISTÓRIA DA POMBAGIRA


O CÂNONE ACIDENTAL


MILTON NA AMÉRICA


JARDIM DE INVERNO


O TRÁGICO E A PIEDADE


NOITE INFELIZ


A CAUDA LONGA


busca | avançada
55201 visitas/dia
1,7 milhão/mês