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Quinta-feira, 21/3/2013
Clube de Leitura Cult
Eugenia Zerbini

+ de 3800 Acessos

- Achei as primeiras páginas contundentes, aquele diálogo entre pai e filho, mas de repente dei de cara com páginas que de certa forma acabaram me cansando. Não sei, muitos detalhes...

- Adjetivos demais.

- Eu comecei bem, mas - sabem? - deixei o livro de lado. Depois de um tempo, peguei de novo e daí foi uma maravilha.

"Giram as tampinhas de suas long necks, o gás escapa dos gargalos com interjeições de desdém, brindam a nada específico.

Me arrependo de não ter ido mais a esse litoral catarinense. Todo mundo ia nos anos setenta. Tua mãe ia antes de me conhecer. Eu que comecei a levar ela pro sul. Uruguai, coisa e tal. Essas praias lá me davam um pouco de agonia. Meu pai morreu pra esses lados de Laguna, Imbituba. Em Garopaba.
Leva alguns instantes para perceber que se trata do avô, morto antes dele nascer".

Começou assim o primeiro encontro de 2013 do Clube de Leituras Penguin-Companhia das Letras, sediado no Espaço Revista Cult. Intermediado por Pedro Schwartz, os oito participantes, durante pouco mais de uma hora, trocaram opiniões sobre o mais recente romance de Daniel Galera (1979), o aclamado Barba Ensopada de Sangue (SP, Cia das Letras, 2012). Nada pareceu constrangê-los no debate de um dos livros mais incensados pela crítica, em 2012 ( O Globo, O Estado de São Paulo, Revista Cult, Valor Econômico). Todos se colocaram à vontade, tendo sido recordado de que se tratava de um grupo de leitores, reunidos para trocar idéias acerca de um livro, não para fazer teoria ou crítica literária. Ninguém se sentiu embaraçado para dizer ou que esse era o primeiro livro que lera de Galera ou até para ressalvar que não havia concluído a leitura. Muitos já haviam lido Cachalote, a graphic novel publicada em 2010. Além do enredo desta última e do livro objeto das discussões da noite, Daniel Galera também é autor de Dentes guardados (2001); Mãos de cavalo(2006); Até o dia em que o cão morreu (2007); e Cordilheira (2008).

Há quem diga que nós nascemos e morremos sozinhos. A leitura também é uma ação solitária. Cada um tem seu ritmo, hábitos, manias. Há os que leem antes de dormir. Para outros, é atividade de fim de semana. Os leitores bissextos preferem ler nas férias... Há os que leem em ônibus e metrô (isso mais comum no exterior, onde o transporte público oferece condições decentes para os usuários). Existem leitores que se dedicam a diversos livros ao mesmo tempo, enquanto outros só começam um quando terminam outro. Tem o grupo que usa marcadores de páginas (alguns, especialíssimos; outros, simples pedaços de papel). Mas, depois de ler um livro, nada mais prazeroso do que comentar sobre o que se leu.

- Eu tiraria aquele fim. Os conceitos são importantes - perdoar e ser perdoado -, mas colocaria as mesmas ideias em alguma reflexão do personagem antes do fim. Tirou o clímax. Depois da cena do resgate da cachorra, não tem mais o que escrever.

- O que eu gostei mesmo foi o jeito que ele escolheu para o narrador. O cara é campeão de triatlo, corre, anda de bicicleta e nada.

- Tem o lance do mar. Em Cordilheira, o mar também é uma presença forte.

-Dizem que é a experiência do próprio escritor. Que ele se retirou para uma praia em Santa Catarina (quem sabe, até mesmo Garopaba) para poder escrever.

"Mais tarde perambula de barriga cheia pela avenida principal e pelas transversais marcando no mapa uma cafeteria, uma ferragem, uma lavanderia expressa, uma parilla uruguaia, até se dar conta de que boa parte daquele comércio é transitório e nasce e morre ao sabor das temporadas de verão. Reparando bem, muitas lojas já fecharam após o Carnaval e algumas estão com as vidraças cobertas de papel pardo ou papelão. Um aviso escrito à mão numa sorveteria artesanal informa que o estabelecimento seguirá funcionando durante o inverno em outra rua. Tudo que não é verão é inverno".

O bom livro sustenta-se por si, sem que seja necessária nenhuma informação sobre o autor. Pelo contrário, Margaret Atwood (1939), em Negociando com os mortos (SP, Rocco, 2004), afirma com sabedoria que não é porque gostamos de foi gras que temos que conhecer o pato. O importante é que em Barba ensopada de sangue o enredo é original e vigoroso. O personagem principal, além de triatleta, sofre de prosopagnosia, distúrbio neurológico que o impede de reconhecer os semblantes dos outros. Às vezes confunde até seu próprio reflexo no espelho. Cria-se, assim, um jogo interessante de identidades e projeções, tudo iluminado por uma fotografia antiga, prova da existência do avô (e sua semelhança física com o neto). Os personagens são bem construídos e os diálogos (em que pese a ausência de sinais travessão ou aspas) bem escritos. Um livro superlativo.

"Tem cinco sujeitos numa das mesas. O bigodudo está atrás do balcão secando os copos com um pano branco. Todos o observam e ninguém diz nada. Ele já não lembra do rosto deles e fica olhando de um para outro, sentindo o sangue escorrer nos olhos, piscando sem parar e franzindo o rosto inchado. Quatro dos cinco usam boné, três são loiros, e mais que isso ele não conseguiu reparar. Põe a mão em volta do queixo e espreme a barba ensopada de sangue de cima para baixo, até a ponta, fazendo escorrer um filete rubro que forma uma pequena poça nas lajotas brancas do pavimento.

Qual de vocês mesmo pegou a minha cachorra?"

Apesar dos elogios de todos, há, contudo, uma voz que indaga ao mediador:

- Supondo que uma editora recebesse os originais dessa obra, sem saber da autoria, será que publicariam, ou melhor, será que se dariam ao cuidado de ler essas mais de 400 páginas, com descrições detalhadas, exaustivas, que ocupam parágrafos e mais parágrafos, sem o respiro de nenhum diálogo?
A resposta não vem, lembrando-se apenas de que o primeiro capítulo, antes do lançamento do livro, já havia sido publicado na edição da revista Granta dedicada aos 20 melhores jovens autores brasileiros. Além disso, os direitos autorais do Barba ensopada de sangue, mesmo antes da publicação no Brasil, já haviam sido vendidos no exterior. De todo modo é uma saga familiar, com um não sei o quê de mítico, contada de um jeito único.

- Voltando à questão do mar, guardei uma frase do livro: "o mar é o útero ao contrário".

- É, mas eu fiquei me perguntando: Bonobo não morreu em Mãos de Cavalo? Por que ele reaparece agora, numa história completamente diferente? E os enredos não batem. Não pode ser aquele, o mesmo Bonobo.

- Vai ver que o autor gosta do nome. Usou lá e repetiu aqui. Só isso.

Para o próximo encontro (25 de março de 2013, das 20 às 21 horas)l, ficou acertado que o livro será Os Enamoramentos (SP, Cia das Letras, 2012) de Javier Marias (1951). Inscrições pelo e-mail clubedeleitura@penguincompanhia.com.br


Eugenia Zerbini
São Paulo, 21/3/2013


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