Elogio ao cabelo branco | Digestivo Cultural

busca | avançada
65688 visitas/dia
2,2 milhões/mês
Digestivo Cultural
O que é?
Quem faz?

Audiência e Anúncios
Quem acessa?
Como anunciar?

Colaboração e Divulgação
Como publicar?
Como divulgar?

Newsletter | Disparo
* Histórico & Feeds
TT, FB e Instagram
Últimas Notas
>>> Paco de Lucía (1947-2014)
>>> A Eclosão do Twitter, de Nick Bilton
>>> Em Busca da Terra do Nunca... e Johnny Depp
>>> A aquisição do Whatsapp, pelo Facebook, por 19 bilhões de dólares
>>> Django Unchained, de Quentin Tarantino
>>> O assassinato e outras histórias, de Anton Tchekhov
>>> The Zen of Bennett, com Tony Bennett
>>> Philip Seymour Hoffman (1967-2014)
Temas
Mais Recentes
>>> Essa tal de Dança Contemporânea
>>> A nova classe média
>>> Os 60
>>> O Mito da Eleição
>>> Como sobreviver ao Divórcio de Ricardo Lísias
>>> Era uma vez
>>> Política e Cidadania no Sertão do Brasil (parte 2)
>>> Histórias de superação que não fazem sucesso
>>> Proust, rugas e colesterol
>>> Kurt Cobain; ou: I Miss the Comfort in Being Sad
Colunistas
Mais Recentes
>>> Idade
>>> Origens
>>> Protestos
>>> Millôr Fernandes
>>> Daniel Piza (1970-2011)
>>> Steve Jobs (1955-2011)
Últimos Posts
>>> García Márquez 1982
>>> Gabo: Discurso do Nobel
>>> García Márquez, o filme (1999)
>>> García Márquez na CNN
>>> García Márquez no Digestivo
>>> Someday My Prince Will Come
>>> Redigir com Ana Elisa Ribeiro
>>> Erudito nas igrejas de SP
>>> As Quatro Estações 2003
>>> Filosofia e Jornalismo
Mais Recentes
>>> Harold Ramis (1944-2014)
>>> Sergio Britto & eu
>>> Para o Daniel Piza. De uma leitora
>>> Joey e Johnny Ramone
>>> A Cultura do Consenso
>>> De Kooning em retrospectiva
>>> Delírios da baixa gastronomia
>>> Jane Fonda em biografia definitiva
Mais Recentes
>>> Jaime Pinsky
>>> Luis Salvatore
>>> Catarse
>>> Chico Pinheiro
>>> Sheila Leirner
>>> Guilherme Fiuza
Mais Recentes
>>> Caixa Postal
>>> Nova Seção Livros
>>> Digestivo no Instagram
>>> 2 Milhões de Pageviews
>>> 40 mil seguidores no Twitter
>>> Comentários via Facebook
Mais Recentes
>>> Cézanne: o mito do artista incompreendido
>>> Literatura é para os feios e malvados
>>> Música para olhar
>>> Os Jornais Podem Desaparecer?, de Philip Meyer
>>> Prelúdio, de Júlio Medaglia
>>> Capacidade de expressão X capacidade linguística
>>> Entrevista com João Pereira Coutinho
>>> Saudades de Jorge Amado
>>> Virtudes e pecados (lavoura arcaica)
>>> Baudelaire, um pária genial (parte final)
LIVROS
Mais Recentes
>>> Viver Para Contar
>>> Crônica de Uma Morte Anunciada
>>> Álbum da Copa do Mundo 2014 - Fifa World Cup Brasil - Capa Dura
>>> Gossip Girl - Me Dê Uma Chance
>>> A Filha da Tsarina
>>> O Evangelho Segundo Judas
>>> O Dominador
>>> Corvo Negro
>>> Almanaque 1964
>>> As Sombras de Longbourn
>>> O Silêncio do Algoz
>>> Poesia e Polícia
>>> A paixao medida
>>> Um Outro Amor
>>> Nova Gramática Finlandesa
>>> O Mesmo Mar
>>> Eu Sou Proibida
>>> Dias Perfeitos
>>> Romance com pessoas
>>> Quarenta dias
>>> Cavaleiros
>>> Casa de Segredos
>>> Cartografia da Justiça no Brasil
>>> Homens Difíceis
>>> A Capitoa
>>> Caninos Em Família
>>> O Caminho de Ida
>>> No Caminho da Vitória
>>> O Caminho da Paz
>>> A Guerra que Matou Aquiles
>>> Um Bom Rapaz
>>> O Bispo
>>> Biomecânica Básica do Sistema Musculoesquelético
>>> Biologia Vegetal
>>> Biologia Molecular Básica
>>> Biologia celular e molecular
>>> Bilhões e lágrimas
>>> O Bicho Alfabeto
>>> Belleville
>>> Beco dos Mortos
>>> Bazinga!
>>> As Aventuras de Pedro Coelho
>>> Lira Grega - Antologia de Poesia Arcaica
>>> A Filosofia como Crítica da Cultura
>>> Humor é Coisa Séria
>>> Pensar o Contemporâneo
>>> Arquitetura Grega e Romana
>>> As Neurociências - Questões Filosóficas
>>> Aventuras de Alice no País das Maravilhas
>>> Autodesk Revit Architecture 2014
COLUNAS

Sexta-feira, 16/8/2013
Elogio ao cabelo branco
Ana Elisa Ribeiro

+ de 3100 Acessos

Os cabelos brancos são incomuns em minha família. Quem os podia ter, mantinha-os pintados de um castanho claro bastante convincente. O avô mais velho ostentava, desde sempre, uns cabelos prateados que em nada se pareciam com algo deselegante. Jeitosos e frequentemente penteados - com um pequeno pente de bolso -, esses cabelos foram motivo, a vida toda, de comentários elogiosos. É daí que conheço o mito do "homem grisalho charmoso".

Entre os parentes ainda mais próximos, vi reproduzido o mesmo expediente: a mãe com um castanho calculado, uma mistura de duas tinturas, para obter um resultado menos artificial. O pai de cabelos eternamente pretos, naturais, com leves insinuações de fios brancos na barba e nas costeletas.

Não somos uma família em que os fios brancos são precoces. Nenhum tio, nenhum primo. Não posso afirmar sobre as mulheres justamente porque nem elas mesmas devem se lembrar da última vez em que viram seus cabelos como são. Fica, então, a história camuflada dos fios de cabelo e, talvez, do envelhecer dessas pessoas. E a mim? O que caberia?

Certa vez, diante de Angela Lago, autora de literatura infantil que admiro muito, tomei coragem e elogiei seus branquíssimos cabelos curtos. Ela, com aquele olhar sorridente, me respondeu dizendo que "depois de certa idade, o branco traz um semblante de paz". Achei bonito, mas a baliza da "certa idade" ainda me desconcertou. O mesmo talvez eu dissesse a Adélia Prado, aquela senhora poeta mineira, que também traz sobre si uma coroa de fios branquíssimos. Quantos conselhos sobre isso ela deve ter enfrentado na vida? E quantos ela solenemente desconsiderou?

É, então, algo em que ponho reparo, desde sempre. Mas nem sei se sempre achei bonito ou interessante. Na verdade, meu incômodo vem das questões com a liberdade e os moldes - não modelos - que configuram o comportamento estético de uma mulher, em nossa sociedade.

Não quero enveredar por um discurso feminista ou cansativo. Quero mesmo é me lembrar da minha trajetória até o momento em que decidi que meus fios brancos ficariam como estão. E já estão há algum tempo.

Minha amiga, professora da Universidade Federal de São Carlos, tem os cabelos médios extraordinariamente grisalhos. E eu disse isso a ela, certa vez, prevendo meu futuro. Mas eu também investigava, junto ao meu elogio, como ela suportava a vida sendo uma mulher grisalha. E, sim, ela tinha umas experiências a contar.

Quantas pessoas se admiraram, ao me ver de perto, com meus fios longamente brancos? Quantas, quase desconhecidas, me deram conselhos sobre desleixo, cuidados, estética, feminilidade e tinturas? Quantos já me disseram, em tom tão delicado quanto auxiliar, que o cabelo branco me envelhece? Ah, caros, é bem o contrário: o envelhecimento é que os traz. Mas afora as questões de cronologia e lógica, estou diante de um conflito entre o que sou e o que devo ser.

Até hoje, desobedeci, francamente, a todos os conselhos, de amigos ou não, sobre cabelos brancos. Também desprezei as indicações de cor e técnica. Balaiagem pode despistar. Não vem ao caso. Mesmo nos salões de beleza, onde minhas características saltam mais aos olhos, tenho me esquivado dos desejos alheios para dar vazão aos meus. E vamos ficando assim, enquanto dura a persistência.

É teimosia? Não creio. É apenas o que é. Simples como as unhas crescerem e as rugas surgirem são os cabelos embranquecerem. Ou não? Curiosamente, isso não me parece extraordinário. Nem nos outros, nem em mim mesma. Onde está minha beleza? Se há alguma, está num conjunto e talvez na pinta ao lado do olho.

Os fios brancos vêm do couro cabeludo e descem até as espáduas. São transgressores, vivazes, destacam-se dos outros fios, tão mais, que são pretos. Fogem do alinhamento de tudo, esvoaçam mais transparentes. Ao contrário dos velhos da cidade, os fios brancos são pouco penteáveis. Alguns, para minha surpresa, são degradê. Vão ficando brancos, numa trajetória que deve ter ocorrido junto com os fatos da vida. Vão ficando mais duros e menos conciliáveis.

Li, numa revista, que os homens andavam platinando os cabelos pretos. Oh, céus! Para homens, isso é platinar. Quantos discursos não temos para nos driblar. Apenas às muito velhas é permitido desistir de se parecerem jovens. Que xampu é esse que deixa seus cabelos de um cinza lindo?

E então, vivia eu, plenamente, meu conflito entre os outros e meu cabelo, quando um amigo, terrivelmente doce, ao falarmos sobre alguma foto em que meus fios alvos apareciam em destaque, disse: "Deixa assim. Isso te dá um charme". Não foi pequeno meu susto ao ouvir um homem dizer o que quase ninguém diz, especialmente a uma mulher. Uma mulher charmosa não costumava ser a grisalha. Não sou ainda isso, mas posso vir a ser. E alguém me acharia, então, charmosa? É isso o que me anima a sempre pensar que há gosto para tudo, neste mundo. O discurso da diversidade é uma brincadeira, eu sei. Ele, geralmente, não passa de meia dúzia de frases na boca da maioria das pessoas. É, ainda, necessário se "encaixar". Mas quando um homem diz que está tudo bem, é pra se comemorar. E quando uma mulher me disser isso - o que é mais difícil -, vou achar que ainda é tempo de a gente viver como quer, inclusive com os cabelos.


Ana Elisa Ribeiro
Belo Horizonte, 16/8/2013

Quem leu este, também leu esse(s):
01. A verdade somente a verdade? de Adriane Pasa
02. Por falar em outras línguas de Carla Ceres
03. Xamãs & Concurseiros de Guilherme Pontes
04. Presente de grego? de Ana Elisa Ribeiro
05. Arthur Bispo do Rosário, Rei dos Reis de Jardel Dias Cavalcanti


Mais Ana Elisa Ribeiro
Mais Acessadas de Ana Elisa Ribeiro em 2013
01. O fim e o café solúvel - 26/4/2013
02. Elogio ao cabelo branco - 16/8/2013
03. A bibliotecária de plantão - 18/10/2013
04. Coisas que eu queria saber fazer - 18/1/2013
05. Se ele não me lê - 8/3/2013


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



>>> Letras do alfabeto ganham metáforas visuais criativas em livro infantil
>>> Oh os belos dias em cartaz no Sesc Santana
>>> Por acaso, navalha estreia em São Paulo
>>> Shakespeare à brasileira
>>> FLAUTISTAS DA PRO ARTE 25 ANOS | Abertura da temporada 2014
>>> Fundação Ema Klabin apresenta universo feminino com show de Fogueira das Rosas
* clique para encaminhar

Nova Fronteira
WMF Martins Fontes
Civilização Brasileira
Editora Conteúdo
Best Seller
Madras Editora
Globo Livros
Bertrand Brasil
Editora Perspectiva
Hedra
Editora Contexto
Arquipélago Editorial
Cortez Editora
Companhia das Letras
Editora Record
José Olympio
Intrínseca
LIVROS


ALMANAQUE DO CRUZEIRO
Por R$ 43,95
+ frete grátis



PENSAR O CONTEMPORÂNEO
Por R$ 34,95
+ frete grátis



O RITUAL DOS CHRYSÂNTEMOS
Por R$ 34,95
+ frete grátis



O MESMO MAR
Por R$ 27,95
+ frete grátis



UM BOM RAPAZ
Por R$ 27,95
+ frete grátis



ZIRALDO NO PASQUIM
De R$ 49,90
Por R$ 25,99
Economize R$ 23,91



PRAZER, DOR, AS PAIXÕES
De R$ 18,00
Por R$ 11,69
Economize R$ 6,31



ALMAS QUE SE QUEBRAM NO CHÃO
Por R$ 57,95
+ frete grátis



ANJO CAÍDO
Por R$ 28,95
+ frete grátis



A ARTE DA GUERRA - EDIÇÃO COMPLETA
Por R$ 49,89
+ frete grátis



busca | avançada
65688 visitas/dia
2,2 milhões/mês