O tempo de Arturo Pérez-Reverte | Celso A. Uequed Pitol | Digestivo Cultural

busca | avançada
23599 visitas/dia
757 mil/mês
Mais Recentes
>>> Marmita saudável está na moda!
>>> Editora Alaúde publica versão atualizada da prestigiada obra Palavras de Poder - vol. 2
>>> Tragédia em Mariana inspira livro infanto-juvenil
>>> Teatro do Incêndio realiza encontro com Os Favoritos da Catira e Samba de Umbigada
>>> Cozinha prática: Miyoko Schinner lança guia para preparar e armazenar ingredientes básicos veganos
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Amy Winehouse: uma pintura
>>> Casa Arrumada
>>> Revolusséries
>>> Mais espetáculo que arte
>>> Thoreau, Mariátegui e a experiência americana
>>> Meu querido aeroporto #sqn
>>> Essas moças de mil bocas
>>> Como uma Resenha de 'Como um Romance'
>>> Quem é mesmo massa de manobra?
>>> Imprimam - e repensem - suas fotografias
Colunistas
Últimos Posts
>>> Fórum de revisores de textos
>>> Temporada 3 Leve um Livro
>>> Suplemento Literário 50 anos
>>> Ajudando um amigo
>>> Ebook gratuito
>>> Poesia para jovens
>>> Nirvana pra todos os gostos
>>> Diego Reeberg, do Catarse
>>> Ed Catmull por Jason Calacanis
>>> Lançamento e workshop em BH
Últimos Posts
>>> Intransferível
>>> Germecontínuo
>>> Billie Holiday, Strange Fruit e 100 anos do Jazz
>>> O vôo e a queda
>>> Anil
>>> Aquarela do desejo
>>> Trilha dos séculos (série: Sonetos)
>>> Convite para as coisas que não aconteceram
>>> Faca de estrelas
>>> Estalactites
Blogueiros
Mais Recentes
>>> 1° Festival de Samba Paulista
>>> Ajudando um amigo
>>> Entrevista com Ron Bumblefoot Thal
>>> Receita para se esquecer um grande amor
>>> A Soma de Todos os Medos
>>> Paulo Francis e a Petrobras
>>> Em defesa da arte urbana nos muros
>>> A eternidade nos labirintos de Borges
>>> Na calada do texto, Bentinho amava Escobar
>>> A selfie e a obsolescência do humano
Mais Recentes
>>> Diários do Vampiro - reunião Sombria
>>> Diários do Vampiro - O despertar
>>> O filho de Netuno
>>> A casa de Hades
>>> O sangue do Olimpo
>>> A Escrava Isaura
>>> A marca de Atena
>>> A maldição do Titã
>>> A Filosofia da Liberdade- Elementos de uma cosmovisão moderna
>>> Historia de una Maga Negra
>>> A Volta ao Mundo em 80 Dias
>>> O Mergulho do Rei
>>> Santo Anselmo Abelardo
>>> Michael Jordan A História De Um Campeão E O Mundo Que Ele Criou
>>> Os Números do Jogo: Por Que Tudo Que Você Sabe Sobre Futebol Está Errado
>>> Firebird Essencial
>>> Scorpions - Minha História Em Uma Das Maiores Bandas de Todos Os Tempos
>>> O Ateneu
>>> Primeiro Anuário Brasileiro de Fórmula 1 1996-1997
>>> Vidas Paralelas. Cinco casamentos vitorianos
>>> Dorival Caymmi. O mar e o tempo
>>> Diálogos
>>> O Filósofo e a Teologia
>>> Alimento Diário- 1º Samuel - volumes 1,2 e 3
>>> Pântano De Sangue
>>> Psicologia Aplicada à Administração
>>> Nosso Lar
>>> Introdução à Teoria Geral da Administração
>>> A Revelação de Deus
>>> Guerra contra os Santos- Tomo 2- versão integral
>>> Evolução e Temporalidade em Teilhard, Vocabulário Teilhard ( 2 volumes)
>>> O Equilíbrio do Ser- Aristóteles
>>> Jogos Vorazes em Chamas
>>> Zona de Perigo
>>> Jogos Vorazes
>>> Davi, um Homem Segundo o Coração de Deus
>>> Moisés, um Homem Dedicado e Generoso
>>> José, Um Homem Íntegro e indulgente
>>> Espirito de Sabedoria e de Revelação-A Chave para conhecer as profundezas de Deus
>>> Teologia Sistemática- Três Volumes em UM
>>> Você na telinha - Como usar a mídia a seu favor
>>> Educação Financeira - Como educar seu filho
>>> O clube das segundas esposas
>>> O Amor do Espírito
>>> Pretinha, Eu?
>>> O Vale das Utopias
>>> História de Mulheres na Bíblia
>>> O Poder da Oração no Casamento
>>> Para entender a versificação espanhola e gostar dela
>>> Comédias Para se Ler na Escola
COLUNAS

Terça-feira, 5/11/2013
O tempo de Arturo Pérez-Reverte
Celso A. Uequed Pitol

+ de 5300 Acessos

As notícias que chegam da Espanha nos dizem que o país se encontra em profunda decadência econômica e social e que os espanhóis estão, como nos piores momentos de sua história, deixando a pátria em busca de emprego e meios de vida em outras terras. Quanto aos que ficam, dizem, estão cabisbaixos, tristes e sem perspectiva. No plano político, a insatisfação é imensa, com ameaças sérias de separatismo e denúncias diárias de corrupção. Típico país em decadência, portanto. Nada, claro, que assuste: este é um estado que os espanhóis conhecem bem. A Espanha é a nação decadente por excelência, ocupando o posto há – falando por baixo – mais de um século. É quase um decadente profissional. E, justamente nos momentos de maior decadência – digo “maior”, porque decadente tem sido sempre – a velha Espanha dá mostras de inquebrantável vivacidade intelectual. Lembremos das primeiras décadas do XX, época em que o destino de todo espanhol, fosse ele galego, basco, catalão, andaluz, asturiano ou castelhano, era arrumar sua trouxinha e bandear-se para este canto do mundo em que vivemos: naquele momento de miséria, guerra e crise, os espanhóis nos deixaram, num espaço curtíssimo de tempo, nada menos do que Unamuno, Azorín, Baroja, Ortega y Gasset, Antonio Machado e muitos outros.

Diante disto, cabe perguntar: qual o grande nome que a Espanha sumamente decadente de hoje deixará para o mundo? É cedo para dizer. Já nos avisava Borges para nunca esperarmos menos de cem anos antes de julgar um escritor. Mas podemos arriscar um pouco, e pensar num nome que, se não temos certeza de que permanecerá daqui a um século, terá muito a dizer para o mundo de hoje, e em especial, para o Brasil de hoje: Arturo Pérez Reverte.

É difícil imaginarmos daqui o impacto que tem no seu país este jornalista de 61 anos, ex-correspondente de guerra, romancista premiado e membro da prestigiada e seletíssima Real Academia Española. Para termos uma breve ideia, neste último dia 28 de outubro, às nove e meia da noite, milhões de cidadãos espanhóis deixaram seus Ipads de lado, cancelaram idas aos bares e restaurantes e ligaram seus televisores para assistirem a um programa de nome curioso para os tempos que correm por lá: “Salvados”. O motivo? Ali Pérez-Reverte concederia entrevista. O programa foi líder de audiência naquele horário e quem foi para a frente da TV não se decepcionou. Esperava a coragem, a frase certeira, a crítica corrosiva, a feroz e altiva independência que é, desde Sêneca, marca inconfundível dos espanhóis; encontrou o diagnóstico definitivo para seu país: “España es un país que está maldito históricamente. Perdimos dos ocasiones de oro, en el Concilio de Trento y en la época de la Revolución Francesa”. Opinou que “nos faltó lo que hubo en otros países, una guillotina” . Falou também de problemas que dizem respeito ao resto do mundo: “En otros tiempos, cuando las cosas iban mal, había ideologías que sostenían los ánimos. Ahora no hay líderes y la sociedad está indefensa. No hay una acción coordinada común ni una revolución que permita cambiar las cosas”. E por que? Em primeiro lugar, porque “Vivimos en un mundo con demasiados mecanismos de anestesia”. Há como discordar?

“Escribo con tanta libertad que me sorprende que me dejen”, diz ele, provavelmente entre risos. Quem quiser pode acessar este blog mantido por um fã espanhol de Reverte, e ler uma compilação de seus artigos colhida de vários jornais espanhóis. A surpresa é mesmo inevitável: como dão espaço a este homem? Pérez-Reverte fustiga com igual vigor aos direitistas e aos esquerdistas, aos liberais e aos comunistas, a americanos e a anti-americanos, aos europeístas de seu país e aos anti-europeus de outras terras, aos militares, ao Estado, ao povo e à imprensa, com quem mantém relação complicada, tendo sido demitido várias vezes, de várias empresas, por nunca ter voltado atrás em uma opinião dada. Dureza, talvez, de ex-correspondente de guerra, presente em conflitos tão sangrentos e bárbaros quanto a guerra do Líbano, de 1982, ou da Iugoslávia, nos anos 90. Dureza, talvez, de espanhol: em certos momentos a prosa de Reverte assemelha-se à do seu compatriota Pío Baroja, que, como ele, exerceu o jornalismo e a ficção e notabilizou-se pelas observações impiedosas sobre seu país e a condição humana em geral, recebendo por isso o qualificativo revelador de “el hombre malo de Itzea”. Por isso tudo, a leitura de Pérez-Reverte desde o Brasil é altamente reveladora sobre o tipo de jornalismo que temos. Aqui não há “hombres malos”: há bons moços do grupo A contra bons moços do grupo B. O jornalista que se autodenomina independente e crítico do que chama de politicamente correto pertence a um tipo bem definido, com características perceptíveis até mesmo pelo estilo em que escreve. É seletivo: ataca apenas a parcela do discurso hegemônico que lhe interessa atacar. Fecha os olhos para a outra e, como bom moço que é, reclama a todo momento que é um perseguido. O “hombre malo” Pérez Reverte jamais faz isso: aceita o caminho que escolheu e suporta-o, como bom espanhol, estoicamente.

Isso tudo é surpreendente para o brasileiro, mais do que para o espanhol, mais do que para Pérez-Reverte. Será fácil dizer que essa dificuldade de nossa imprensa se deve ao nosso caráter conciliador, ao homem cordial, ao jeitinho e assim por diante. Não porque estas figuras não existam, mas sim porque, no mundo, este tipo de jornalista é a regra. A exceção fica na decadente Espanha de nossa época. Gerardo Mello Mourão atribui a Gilberto Amado a seguinte resposta, ao lhe perguntarem em que país gostaria de ter nascido: “Em qualquer um, desde que em tempo de decadência”. Ter nascido aqui ou acolá é um acidente, a que não se pode perdoar nem louvar. Por isso, quanto a mim, não sei se gostaria de ter nascido em outro lugar. Mas posso dizer que gostaria partilhar com os espanhóis o tempo de Arturo Pérez-Reverte.


Celso A. Uequed Pitol
Canoas, 5/11/2013


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Afinidade, maestria e demanda de Fabio Gomes
02. Não olhe para trás (ou melhor, olhe sim) de Cassionei Niches Petry
03. Canção de som e fúria de Carina Destempero
04. O Menino que Morre, ou: Joe, o Bárbaro de Duanne Ribeiro
05. Treze Teses sobre Cinema de Humberto Pereira da Silva


Mais Celso A. Uequed Pitol
Mais Acessadas de Celso A. Uequed Pitol em 2013
01. O tempo de Arturo Pérez-Reverte - 5/11/2013
02. De Siegfried a São Jorge - 4/6/2013
03. Os burocratas e a literatura - 5/2/2013
04. A Vigésima-Quinta Hora, de Virgil Gheorgiu - 5/3/2013
05. O Direito mediocrizado - 26/3/2013


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




A EXTRAORDINÁRIA JORNADA DE EDWARD TULANE
KATE DI CAMILLO
MARTINS FONTES
(2014)
R$ 14,00



HOWARD HUGHES EM HOLLYWOOD
TONY THOMAS
FRENTE
(2004)
R$ 24,90
+ frete grátis



A LOUCURA DO TRABALHO: ESTUDO DE PSICOPATOLOGIA DO TRABALHO
CHRISTOPHE DEJOURS
OBORÉ
(1987)
R$ 19,90



TEATRO E CIRCUNSTÂNCIA - OSWALDO MENDES (TEATRO BRASILEIRO)
OSWALDO MENDES
NÚCLEO
(2005)
R$ 10,00



SAGA
ÉRICO VERÍSSIMO
GLOBO
(1980)
R$ 19,80



A LEI DA ATRAÇÃO: O SEGREDO COLOCADO EM PRÁTICA
MICHAEL J. LOSIER
NOVA FRONTEIRA
(2007)
R$ 18,00



BIOQUÍMICA BÁSICA
BASTOS DE MARIA
INTERCIÊNCIA
(2008)
R$ 12,00



HISTÓRIA DE RATINHO / HISTÓRIA DE GIGANTE
ANNEGERT FUCHSHUBER
ATICA
(1999)
R$ 12,00



ANTOLOGIA ESCOLAR DE CONTOS BRASILEIROS (LITERATURA BRASILEIRA)
HERBERTO SALES (ORG.)
EDIOURO
R$ 5,00



INTRODUCCIÓN A LA HISTORIA DEL ARTE - ARNOLD HAUSER (EM ESPANHOL)
ARNOLD HAUSER
INSTITUTO DEL LIVRO - CUBA
(1969)
R$ 15,00





busca | avançada
23599 visitas/dia
757 mil/mês