O tempo de Arturo Pérez-Reverte | Celso A. Uequed Pitol | Digestivo Cultural

busca | avançada
44543 visitas/dia
947 mil/mês
Mais Recentes
>>> Companhia de Danças de Diadema leva "por+vir" ao palco do Teatro Clara Nunes
>>> 38ª Edição da Feira da Comunidade acontece no domingo, 29 de outubro, na A Hebraica
>>> Alex Flemming inaugura intervenção "Anaconda" na Casa-Museu Ema Klabin
>>> Fundação Ema Klabin abre Festival Internacional de Música Judaica
>>> Projeto Jardim Imaginário inaugura a instalação "Penetra" de Marcius Galan
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> A poesia afiada de Thais Guimarães
>>> Manchester à beira-mar, um filme para se guardar
>>> Noel Rosa
>>> Sabemos pensar o diferente?
>>> Notas de leitura sobre Inácio, de Lúcio Cardoso
>>> O jornalismo cultural na era das mídias sociais
>>> Crítica/Cinema: entrevista com José Geraldo Couto
>>> O Wunderteam
>>> Fake news, passado e futuro
>>> Luz sob ossos e sucata: a poesia de Tarso de Melo
Colunistas
Últimos Posts
>>> Jeff Bezos é o mais rico
>>> Stayin' Alive 2017
>>> Mehmari e os 75 anos de Gil
>>> Cornell e o Alice Mudgarden
>>> Leve um Livro e Sarau Leve
>>> Pulga na praça
>>> No Metrópolis, da TV Cultura
>>> Fórum de revisores de textos
>>> Temporada 3 Leve um Livro
>>> Suplemento Literário 50 anos
Últimos Posts
>>> Filipeta invulgar
>>> Toscanini e o Hino da República
>>> A máquina de escrever.
>>> Vegetativo
>>> Açaí com granola
>>> Em suspenso
>>> Nesse mundo de anjos e demônios
>>> A lâmpada
>>> Irredentismo
>>> Tabela periódica
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Duas crises: a nossa e a deles
>>> O fim da obrigatoriedade do diploma no jornalismo
>>> Quem é mesmo massa de manobra?
>>> Quem é mesmo massa de manobra?
>>> Olavo de Carvalho: o roqueiro improvável
>>> Olavo de Carvalho: o roqueiro improvável
>>> Olavo de Carvalho: o roqueiro improvável
>>> Temporada 3 Leve um Livro
>>> Pulga na praça
>>> Você vai ser grande
Mais Recentes
>>> O Livro Perdido das Bruxas de Salem
>>> O Pote Vazio
>>> La Gran Sabana
>>> Del Roraima al Orinoco
>>> Bioquimica Clínica para o Laboratório- Principios e Interpretações 5ª ed.
>>> Alimentos Light e Diet- Informação Nutricional
>>> Mecânica Ortodôntica Corretiva em Typodont
>>> Ecofisiologia dos Vertebrados-Introdução aos Seus Principios e Aplicações
>>> Patologia Estrutural e Funcional 5ª ed.
>>> Rosa Maria No Castelo Encantado
>>> Hino do Universo
>>> Al-Qaeda
>>> Falsificação de Remédios e Poder de Polícia
>>> A Ditadura Encurralada
>>> Semiologia Cardíaca-Diagnostico e Tratamento Junto ao Leito 5ª ed.
>>> Blackwater
>>> O Peixinho Azul E Outras Histórias
>>> Terrorista
>>> Manual de Sinais e Sintomas 3ª ed.
>>> Falcão Meninos do Tráfico
>>> Odontologia Hospitalar
>>> A Arte da Sedução
>>> Deraldo Motta realizador de sonhos
>>> Ventilação Mecânica em Neonatologia e Pediatria
>>> A Fonoaudiologia na Paralisia Cerebral-Diagnostico e Tratamento
>>> Disturbios do Sono e a Odontologia-Tratamento do ronco e Apineia
>>> Disturbios da Voz e seu Tratamento
>>> Educação em Saude-Com Enfoque em Odontologia e em Fonoaudiologia
>>> An Introduction to the Invertebrates 2ª ed.
>>> Fisioterapia em Pediatria 3ªed.
>>> Tratado de Yôga
>>> Moral Cristã em tempos de relativismos e fundamentalismos
>>> Otávio Mangabeira e sua Circunstância
>>> Guia para amar a si mesma e viver melhor a adolescência
>>> Ela disse, ele disse
>>> Controvérsias em Periodontologia-º1 - Periodontologia 2000
>>> Os Lusíadas - Reprodução paralela das duas edições de 1572
>>> Manual da Série Branca
>>> Saudades da Guanabara & O campo político da cidade do Rio de Janeiro (1960-1975)
>>> Step By Step Minimally Invasive Glaucoma Surgery
>>> O fiador dos brasileiros & Cidadania, escravidão e direito civil no tempo de Antônio Pereira Rebouças
>>> Mulato: negro-não negro, branco não-branco
>>> Tropeços da medicina bandeirante + Medicina paulista entre 1892-1920
>>> Apontamentos para a História da Revolução Riograndense de 1893
>>> A criação de periquitos e seus cuidados
>>> Gripe: história da pandemia de 1918
>>> Bilhões e bilhões & Reflexões sobre vida e morte na virada do milênio
>>> O mundo assombrado pelos demônios & A ciência vista como uma vela no escuro
>>> A Escravidão Reabilitada
>>> A Lógica do Mercado de Ações
COLUNAS

Terça-feira, 5/11/2013
O tempo de Arturo Pérez-Reverte
Celso A. Uequed Pitol

+ de 5500 Acessos

As notícias que chegam da Espanha nos dizem que o país se encontra em profunda decadência econômica e social e que os espanhóis estão, como nos piores momentos de sua história, deixando a pátria em busca de emprego e meios de vida em outras terras. Quanto aos que ficam, dizem, estão cabisbaixos, tristes e sem perspectiva. No plano político, a insatisfação é imensa, com ameaças sérias de separatismo e denúncias diárias de corrupção. Típico país em decadência, portanto. Nada, claro, que assuste: este é um estado que os espanhóis conhecem bem. A Espanha é a nação decadente por excelência, ocupando o posto há – falando por baixo – mais de um século. É quase um decadente profissional. E, justamente nos momentos de maior decadência – digo “maior”, porque decadente tem sido sempre – a velha Espanha dá mostras de inquebrantável vivacidade intelectual. Lembremos das primeiras décadas do XX, época em que o destino de todo espanhol, fosse ele galego, basco, catalão, andaluz, asturiano ou castelhano, era arrumar sua trouxinha e bandear-se para este canto do mundo em que vivemos: naquele momento de miséria, guerra e crise, os espanhóis nos deixaram, num espaço curtíssimo de tempo, nada menos do que Unamuno, Azorín, Baroja, Ortega y Gasset, Antonio Machado e muitos outros.

Diante disto, cabe perguntar: qual o grande nome que a Espanha sumamente decadente de hoje deixará para o mundo? É cedo para dizer. Já nos avisava Borges para nunca esperarmos menos de cem anos antes de julgar um escritor. Mas podemos arriscar um pouco, e pensar num nome que, se não temos certeza de que permanecerá daqui a um século, terá muito a dizer para o mundo de hoje, e em especial, para o Brasil de hoje: Arturo Pérez Reverte.

É difícil imaginarmos daqui o impacto que tem no seu país este jornalista de 61 anos, ex-correspondente de guerra, romancista premiado e membro da prestigiada e seletíssima Real Academia Española. Para termos uma breve ideia, neste último dia 28 de outubro, às nove e meia da noite, milhões de cidadãos espanhóis deixaram seus Ipads de lado, cancelaram idas aos bares e restaurantes e ligaram seus televisores para assistirem a um programa de nome curioso para os tempos que correm por lá: “Salvados”. O motivo? Ali Pérez-Reverte concederia entrevista. O programa foi líder de audiência naquele horário e quem foi para a frente da TV não se decepcionou. Esperava a coragem, a frase certeira, a crítica corrosiva, a feroz e altiva independência que é, desde Sêneca, marca inconfundível dos espanhóis; encontrou o diagnóstico definitivo para seu país: “España es un país que está maldito históricamente. Perdimos dos ocasiones de oro, en el Concilio de Trento y en la época de la Revolución Francesa”. Opinou que “nos faltó lo que hubo en otros países, una guillotina” . Falou também de problemas que dizem respeito ao resto do mundo: “En otros tiempos, cuando las cosas iban mal, había ideologías que sostenían los ánimos. Ahora no hay líderes y la sociedad está indefensa. No hay una acción coordinada común ni una revolución que permita cambiar las cosas”. E por que? Em primeiro lugar, porque “Vivimos en un mundo con demasiados mecanismos de anestesia”. Há como discordar?

“Escribo con tanta libertad que me sorprende que me dejen”, diz ele, provavelmente entre risos. Quem quiser pode acessar este blog mantido por um fã espanhol de Reverte, e ler uma compilação de seus artigos colhida de vários jornais espanhóis. A surpresa é mesmo inevitável: como dão espaço a este homem? Pérez-Reverte fustiga com igual vigor aos direitistas e aos esquerdistas, aos liberais e aos comunistas, a americanos e a anti-americanos, aos europeístas de seu país e aos anti-europeus de outras terras, aos militares, ao Estado, ao povo e à imprensa, com quem mantém relação complicada, tendo sido demitido várias vezes, de várias empresas, por nunca ter voltado atrás em uma opinião dada. Dureza, talvez, de ex-correspondente de guerra, presente em conflitos tão sangrentos e bárbaros quanto a guerra do Líbano, de 1982, ou da Iugoslávia, nos anos 90. Dureza, talvez, de espanhol: em certos momentos a prosa de Reverte assemelha-se à do seu compatriota Pío Baroja, que, como ele, exerceu o jornalismo e a ficção e notabilizou-se pelas observações impiedosas sobre seu país e a condição humana em geral, recebendo por isso o qualificativo revelador de “el hombre malo de Itzea”. Por isso tudo, a leitura de Pérez-Reverte desde o Brasil é altamente reveladora sobre o tipo de jornalismo que temos. Aqui não há “hombres malos”: há bons moços do grupo A contra bons moços do grupo B. O jornalista que se autodenomina independente e crítico do que chama de politicamente correto pertence a um tipo bem definido, com características perceptíveis até mesmo pelo estilo em que escreve. É seletivo: ataca apenas a parcela do discurso hegemônico que lhe interessa atacar. Fecha os olhos para a outra e, como bom moço que é, reclama a todo momento que é um perseguido. O “hombre malo” Pérez Reverte jamais faz isso: aceita o caminho que escolheu e suporta-o, como bom espanhol, estoicamente.

Isso tudo é surpreendente para o brasileiro, mais do que para o espanhol, mais do que para Pérez-Reverte. Será fácil dizer que essa dificuldade de nossa imprensa se deve ao nosso caráter conciliador, ao homem cordial, ao jeitinho e assim por diante. Não porque estas figuras não existam, mas sim porque, no mundo, este tipo de jornalista é a regra. A exceção fica na decadente Espanha de nossa época. Gerardo Mello Mourão atribui a Gilberto Amado a seguinte resposta, ao lhe perguntarem em que país gostaria de ter nascido: “Em qualquer um, desde que em tempo de decadência”. Ter nascido aqui ou acolá é um acidente, a que não se pode perdoar nem louvar. Por isso, quanto a mim, não sei se gostaria de ter nascido em outro lugar. Mas posso dizer que gostaria partilhar com os espanhóis o tempo de Arturo Pérez-Reverte.


Celso A. Uequed Pitol
Canoas, 5/11/2013


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Um caso de manipulação de Celso A. Uequed Pitol
02. Nem tudo é pessoal de Marta Barcellos
03. Cego, surdo e engraçado de Adriane Pasa
04. O Próximo Minuto, por Robson Pinheiro de Ricardo de Mattos
05. Blindagem das palavras? de Daniel Bushatsky


Mais Celso A. Uequed Pitol
Mais Acessadas de Celso A. Uequed Pitol em 2013
01. O tempo de Arturo Pérez-Reverte - 5/11/2013
02. De Siegfried a São Jorge - 4/6/2013
03. Os burocratas e a literatura - 5/2/2013
04. A Vigésima-Quinta Hora, de Virgil Gheorgiu - 5/3/2013
05. O Direito mediocrizado - 26/3/2013


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




CASAMENTO INESQUECÍVEL
RACHEL BSILEY E ROBYN GRADY
HARLEQUIN
(2013)
R$ 4,99



TEORIAS DA PSICOPATOLOGIA E PERSONALIDADE-ENSAIOS E CRÍTICAS
THEODORE MILLON ( ORG)
INTERAMERICANA
(1973)
R$ 22,30



PLAIDOYER POUR L' EUROPE DECADENTE
RAYMOND ARON
ROBERT LAFFONT
(1977)
R$ 18,00



O HOMEM QUE VIA O TREM PASSAR
GORGES SIMENON
NOVA FRONTEIRA
(2006)
R$ 16,70



ATLAS NATIONAL GEOGRAPHIC: DICIONÁRIO GEOGRÁFICO F/K
EDITORA ABRIL
ABRIL COLEÇÕES
(2008)
R$ 12,00



A GRANDE CATÁSTROFE DE 1983 - UMA PREVISÃO ASSUTADORA
BORIS CRISTOFF
RECORD
(1979)
R$ 5,89



A MORTE DA RAZÃO ( ESCAPE FROM REASON)
IFRANCIS SCHAEFFER
FIEL
(1974)
R$ 19,20



RIPENING SEED
COLETTE
PENGUIN BOOKS
(1987)
R$ 23,00



JESUS. ENSINAMENTOS ESSENCIAIS
ANTHONY DUNCAN
CULTRIX
(1995)
R$ 12,00



VIAGEM AO CENTRO DA TERRA VOL. 19
JÚLIO VERNE
ABRIL CULTURAL
(1972)
R$ 16,00





busca | avançada
44543 visitas/dia
947 mil/mês