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Segunda-feira, 4/2/2002
Revolução dos sexos
Arcano9

+ de 2200 Acessos

O outro dia contei uma piada para uma amiga, uma piada que eu havia lido acho que na Internet e que achei superengraçada. Era assim: Você sabe o que diferencia o homem da mulher? Simples. Uma mulher encontra outra, uma amiga, na rua. "Amiga!!!", diz a primeira, "você está linda! Noooossa, seu cabelo está um arraso, suas unhas também... que cor de esmalte maravilhosa!" A outra responde: "Obrigado! Eu vou sair hoje à noite com o Carlos. Você também está linda! Onde você comprou esse vestido?" "Ah, este vestido eu comprei lá na butique tal.... obrigado! Vamos ver se a gente se encontra para um café! Tenho novidades..." "Ah! Tá bom. Também tenho que ir. Que bom saber que você está bem! Então, tchau." E As duas se despedem com um beijinho no rosto.

Dois amigos, por outro lado, se encontram na rua. "Fala, viado!", diz o primeiro. "E aí, boiola!", responde o segundo, com um tapinha no ombro do primeiro". "E essa camisa aí? Onde você comprou tinha para homem?" "Acho que sim, sua mãe comprou uma lá..." "E como é que vai sua mulher, aquela gostosa?" "Não tão bem quanto a sua, posso te garantir..." "Falô então, seu corno, um dia a gente toma uma cerveja" "Tá legal, então". E aí os dois saem, cada um para um lado.

Agora, o que cada um dos homens e das mulheres saíram pensando depois dos encontros.

Primeiro as mulheres... a primeira pensa: "Aquela vaca. A última vez que ela me viu, ela quase se atira em cima de meu marido. Que cabelo horroroso, parece uma bruxa. E aquele buço, o que que é aquilo?" A outra pensa: "Aquela perua. Tão falsa. É bom ela ficar esperta, senão eu roubo o marido dela, aquele gostoso!"

Agora os homens. O primeiro pensa: "Putz, o Zé é gente fina. Vou ver se um dia passo na casa dele..." e o outro: "Tô em falta com esse cara. Vou chamar ele para o futebol do domingo..."

Bom, eu adorei. Adoro também outras centenas de milhares de piadas sobre as diferenças entre homens e mulheres que circulam pela Internet. A maioria favorece os homens, é claro (provavelmente porque só homens perderiam tempo elaborando tão meticulosamente esses causos virtuais), mas também há as piadas em que o homem se sai mal.

As mulheres são falsas? Querem derrubar umas às outras? Eu não sei, é claro, porque sou um homem, e para a maioria das mulheres, principalmente as casadas há mais de 10 anos, os homens não entendem as mulheres e nunca entenderão. Isso, é claro, é fascinante. E seria mais fascinante se os homens também fossem um mistério para as mulheres, mas geralmente não somos. Mas... espera. Antes que eu me envolva nisso e comece a perambular na ladainha eterna de que homens são de Marte e Mulheres são de Vênus, vamos tentar partir para o extremo oposto. Sim, amigo leitor. Em meio à guerra dos sexos, em meio à dialética de atração e retração que separara e une a homens e mulheres, eu o convido a pensar comigo: em que somos iguais?

Vamos pensar nas coisas básicas. Por exemplo, a moda. Homens não usam saia, certo? Certo. Mas mulheres usam terninhos. Homens e mulheres usam terninhos. Não foi com muita tristeza que há uns dias eu recebi a notícia de que Yves Saint-Laurent havia se aposentado. Ele foi o cara que fez com que a mulher deixasse dessa besteira de só usar blusinhas e pudesse usar um itenzinho de vestuário masculino sem ser enfernizada por isso. Desde então, para a tristeza de todo mundo, as mulheres passaram a se vestir mais e mais como homem. Nos anos oitenta foi aquele auge asqueroso - as mulheres yuppies, fumando charuto, de terno e gravata, com o cabelo curto. As mulheres idênticas aos homens. Hoje, a coisa melhorou um pouco: você passeia pelo metrô e encontra mulheres com cabelos longos e saias coloridas, e mulheres com cara de poucos amigos e seus terninhos impecáveis. Advogadas. Economistas. Enfim, poderosas - o que para mim não é necessariamente um elogio "da moda".

Mas saiamos desse campo. Vamos ao ambiente de trabalho. Eu já tive mulher chefe, e você? Acho que todos nós já tivemos. Aquelas senhoras admiráveis, que galgaram os degraus poluídos pelo machismo e ocupam hoje posições de destaque nos mais variados campos profissionais. Acho que são raros hoje os campos em que a mulher não possa conquistar a mesma posição que o homem. Isso é ótimo. Não me ponha política no meio - votar na Roseana só porque ela é mulher é burrice, óbvio - mas eu realmente vejo as coisas de um modo muito positivo. As mulheres também sabem jogar o joguinho mesquinho da política corporativa. Sabem cravar a faca nas costas das pessoas certas. Aliás, como mostra o diálogo que abriu este texto, elas de fato podem ter uma habilidade natural para isso, algo que, se bem aproveitado, as pode levar longe na guerra dos escritórios.

No que mais as mulheres e homens são iguais? Veja os últimos desdobramentos do conflito entre Israel e a Autoridade Palestina. Há tempos que as mulheres prestam o serviço militar em Israel - isso não é novidade. O que é novidade é o que aconteceu na semana passada, quando uma palestina detonou explosivos presos a seu corpo em uma rua de Jerusalém. Sim, pela primeira vez uma mulher mártir, uma mulher suicida, uma mulher extremista islâmica que deu sua vida contra Israel. Isso marca o início de uma nova era. Lembra-se quando todos esses suicidas pareciam ser pobres adolescentes recém-barbados? Pois agora as mulheres estão lá também, dando a vida pelo ódio. Bravo.

Engraçado. O mundo está cheio de mulheres. Elas estão cada vez mais iguais ao homem. Mas, às vezes, eu penso que tem algo errado com isso. Você não acha que tem algo errado? Vamos pensar juntos: a mulher está ficando parecida com o homem, igual ao homem. E os homens? Os homens estão ficando mais sensíveis; o macho está morrendo, blábláblá... mas eu acredito, piamente, que o que há de mais errado é que o mundo, a sociedade, todas os meios de interação, tudo ainda é herança do tempo em que homens e mulheres eram bem diferentes. As mulheres estão ficando iguais aos homens tentando copiar os homens. Se vestem como eles, tentam conquistar o seu espaço seguindo as regras criadas por eles. Vestem o terno, que era uma roupa masculina. Se curvam às execráveis regras da política no trabalho, regras feitas por esses políticos empresariais preocupados com a proatividade dos elementos do ciclo de produção e com tudo o mais.

Gostaria de ver um mundo feminino. Aliás, gostaria de viver num mundo feminino. Não tenho a mínima idéia do que seria. Mais flores, menos concreto? Menos políticos, mais democracia? Mais amor, menos dor? Não sei, nem me pergunto, sei que é perda de tempo. Só acho que teria que ser um mundo bastante diferente. Vocês me digam, mulheres... porque o homem vem insistindo no atual modelo de desenvolvimento há séculos. O burguês, o capitalista, o senhor feudal, o rei, sempre o artigo definido masculino. Está na hora do homem descansar de tanta responsabilidade. Não, meu amigo, não está na hora de nós, homens, ficarmos exclusivamente em casa cuidando dos filhos. Isso também é um modelo masculino - não estou falando de troca de papéis. Estou falando de uma mudança completa, inimaginável até agora. Uma mudança imperativa. Talvez a divisão dos papéis na criação dos filhos seja um primeiro passo. Mas acho que ainda é um passo muito pequeno.

E se a revolução não ocorrer?

Bom, nesse caso, o que eu acho que vai acontecer é o que já acontece, só que em proporções imensas. As mulheres sofrendo ataques de nervos, tentando ser homens e continuando a ser mulheres. Os homens, chorosos, com seu espaço invadido e ainda tendo que manter sua posição numa sociedade masculina. Uma crise de identidade do cacete. Fragilidades mútuas. Seres de ambos os sexos, patéticos, impotentes, apáticos, dominados por um mundo que os engoliu.

Por isso, eu imploro, ouçam seu amigo Arcano, pelo menos uma vez, de uma vez por todas. Guerra dos sexos? De guerra, já basta a do senhor Bush ou a do Osama. Há mudanças esperando a ser feitas. Não temos tempo a perder com essa abobrinha.


Arcano9
Londres, 4/2/2002


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01. Thoreau, Mariátegui e a experiência americana de Celso A. Uequed Pitol
02. Notas confessionais de um angustiado (II) de Cassionei Niches Petry
03. O tamanho do balde de Pilar Fazito
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