Sobre o caso Idelber Avelar | Julio Daio Borges | Digestivo Cultural

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Segunda-feira, 8/12/2014
Sobre o caso Idelber Avelar
Julio Daio Borges

+ de 4900 Acessos

* Começo dizendo que não conheço o Idelber Avelar. Conheço de nome. Porque o blog dele é do tempo da "blogosfera" brasileira do início dos anos 2000, e, por causa do Digestivo Cultural, não tenho como *não conhecer*. Sei que era um blog de esquerda. E lembro vagamente das polêmicas dele com o Alexandre Soares Silva, que, antes de virar blogueiro conhecido, foi colunista do Digestivo. Não lembro se li um texto inteiro do Idelber Avelar. Só sei que era um tipo de engajamento que eu não publicaria no Digestivo. Isso tudo sobre a "persona" dele no blog. A *pessoa* dele eu realmente não conheço.

* Assim sendo, vou tentar falar sobre o caso hipoteticamente: falar sobre o caso em si, e falar menos - ou nada - sobre ele, Idelber, porque não o conheço. O que me interessa, aqui, é muito mais *o que* aconteceu do que propriamente as pessoas envolvidas. Vou tentar falar mais sobre o evento, o acontecimento em si, e sobre seus desdobramentos, do que sobre os envolvidos.

* Vi tweets aqui e ali, piadas, e fui procurar as tais conversas dele com as mulheres, supostamente, "assediadas" por ele. Me chocaram. A ponto de não conseguir emitir nenhum juízo logo de início. Fiquei em estado de choque por um tempo. Por ele. Por elas. E pelas conversas em si. Se eu não conhecesse ele - de nome -, pensaria que se tratava de mais um "maníaco" da internet. Stalkers etc. Essas pessoas existem. Já conheci algumas. Não falo exatamente de maníacos sexuais. Falo em maníacos de internet "em geral". Não que a internet tenha "culpa". São pessoas que, simplesmente, têm esses seus lados obscuros aflorados pela internet. Não sei se o Idelber é um desses tipos, mas o sujeito das conversas parece que é.

* Acontece que se o sujeito das conversas é esquisito, as moças também são. Ele xinga elas de um monte de nomes e elas parece que se excitam com aquilo. O sujeito das conversas as obriga a situações de extrema humilhação, inclusive fora da cama, e elas, aparentemente, obedecem. Elas se submetem *por ele*. E parece que, durante um tempo, concordaram resignadamente com aquilo. Não parece que estavam sendo coagidas. Mesmo quando uma delas é, aparentemente, ameaçada pelo marido, com uma arma na cabeça, permanece fiel ao sujeito das conversas, ao "Ricardão" (como ele se autodenomina).

* Não sou psicanalista mas acho que é um caso para a psicanálise. Ou psiquiatria. Há toda uma discussão sobre o aspecto sexual, da história, na internet. E o próprio Idelber - ele mesmo - publicou uma resposta dizendo que as "perversões" (coloco entre aspas porque ele não usa essa palavra) não tem nada de mais, não impressionariam o Marquês de Sade. Bem, eu não sei o que *impressionaria* o Marquês de Sade. E não sei se quero saber. (Acho que não.) E por falar em Sade, há, para mim, evidente "sadismo" no sujeito das conversas. E há evidente masoquismo nas mulheres com quem ele conversa. Elas sofrem mas elas gostam. Ou gostam por um tempo. Parece.

* Esse é o quadro, a meu ver. Agora, as repercussões. Não sabia desse feminismo todo que grassa na internet. Não é aquele feminismo que você imagina que é. Não é Simone de Beauvoir, por exemplo. A Beauvoir, provavelmente, seria acusada de "burguesa", por essas feministas de agora. A fidelidade dela a Sartre, apesar de tudo o que ele fez com ela, seria duramente atacada por elas. Simone de Beauvoir, por incrível que pareça, seria acusada de "machista". Porque nunca negou seu amor a um homem que teve quantas mulheres quis, na frente dela. Convenceu-a a estar com outros homens, inclusive, e com outras mulheres. Sartre seria considerado um verdadeiro monstro para elas. E a Beauvoir, então, nem sei o que sobraria dela...

* Pois essas feministas, de agora, leram as tais conversas. Parece que o Idelber já discutia com elas, no seu blog. Aliás, parece que posar de "feminista" - é uma das famas dele, Idelber - atraía as tais mulheres (das conversas) para a "armadilha". É o que aparece nos relatos das tais mulheres, junto com as conversas delas. Agora, para completar a confusão, parece que houve feministas, dessas hipermodernas, que atacaram as mulheres das conversas. Sim, *as mulheres*. Segundo as hiperfeministas de hoje, elas, ao revelarem as conversas - e ao fazerem os relatos, sugerindo assédio -, "se fizeram de vítimas". E, para as feministas do século XXI, ai da mulher que se fizer de "frágil". Está confirmando o "domínio" do sexo masculino. Ficamos sem saber como elas deveriam reagir num caso de verdadeiro assédio (se é que não houve assédio). Deveriam aceitar? A fim de *não passar* por "vítimas"? Por "frágeis"? Como se não bastasse toda a neurose nas conversas, ainda tem mais essa.

* E teve um desdobramento político da história. Como se não bastasse todos os outros. Dizem que Idelber sempre defendeu o PT. Mas como, nas últimas eleições, se voltou contra Dilma, estaria sofrendo as consequências. Logo, toda essa polêmica nada mais seria que uma "armação" da esquerda radical contra alguém que a traiu (Idelber, ele próprio). Parece esdrúxulo, mas faz algum sentido (não que eu concorde), porque houve feministas, bem de esquerda, atacando ele (também). Como se pode ver, tem feministas para todos os gostos... O argumento dessas feministas é que o sujeito das conversas "abusa" das mulheres (no sentido mais amplo do termo). E isso seria machismo. Tendo a concordar com elas (com essas feministas). Só não acho que elas (as mulheres das conversas) são totalmente inocentes. Enfim, é complexo (e você já deve ter se perdido, eu imagino).

* Para complicar mais um pouco, surgiu um depoimento de um homem. Sim, um homem. Ele se chama Alex Castro. E esse eu conheço de conversar por e-mail. Além de conhecê-lo pelo blog que ele teve - e que ficou conhecido, também, na época áurea da blogosfera brasileira. O Luis Eduardo Matta, o nosso LEM, fez uma entrevista com ele, Alex, para o Digestivo, onde ele falava de seu trabalho como escritor. Tendo a acreditar no Alex, embora não o conheça pessoalmente (presencialmente, quero dizer). O Alex diz que foi fazer um mestrado com o Idelber, nos Estados Unidos, e, além de não ter completado o mestrado, porque se desentenderam, disse ter sofrido assédio moral, se eu entendi bem. Não quero acusar o Idelber de nada. Mas esse aspecto "manipulador" - da história do Alex - parece que combina com o sujeito das conversas.

* Por último (sei que já está cansando), o comportamento do Idelber, ele mesmo. Não quero julgá-lo, como já disse, mas foi estranho que, quando as conversas das mulheres vieram à tona, ele sumiu da tela. E seus perfis, no Twitter e no Facebook, sumiram também. De qualquer forma, ele reapareceu, em seu blog, recentemente. E parece que escreveu um post orientado por um advogado. Antes havia declarado, quando procurado, através de sua assessoria jurídica, que "as conversas eram consensuais". Bom, isso dá para perceber (quando se lê). Agora, pelo blog, ele diz que está processando quem expôs as conversas. Está processando as próprias mulheres que conversaram com ele, é isso? E está processando, também, por calúnia e difamação. A quem, exatamente? E, como eu mencionei acima, minimiza o suposto "assédio", ressaltando o lado "sexual" das conversas - comparando-as com os comportamentos dos libertinos do século XVIII. A fim de não sofrer, igualmente, um processo, deixo as conclusões deste parágrafo para vocês...

* Para encerrar, abordo o aspecto "social" da história. Imagino que os "vazamentos" dessas conversas devem ter deixado muita gente preocupada. Afinal, em tempos de internet, quem nunca teve, pelo menos, uma conversa suspeita, que, ao ser revelada, poderia causar um estrago também? Não estou falando que todo mundo tem o seu lado "sádico" e/ou "masoquista". Não estou defendendo o sujeito das conversas, nem as mulheres e nem as conversas em si. Mas apenas observando que trechos dúbios de conversas, quando fora de contexto, podem ser interpretados de mil maneiras. Não estou falando, necessariamente, de assédio sexual. Nem apenas de assédio moral. Basta lembrar daqueles e-mails - no trabalho mesmo - "com cópia para todo mundo", que, originalmente privativos, ofendem... E não quero soar moralista, mas que sirva, ainda, de alerta para o excesso de exposição, a que as pessoas hoje se submetem - com gente que mal conhecem...


Julio Daio Borges
São Paulo, 8/12/2014


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