Eu quero é rosetar | Bruno Garschagen | Digestivo Cultural

busca | avançada
48277 visitas/dia
1,4 milhão/mês
Digestivo Cultural
O que é?
Quem faz?

Audiência e Anúncios
Quem acessa?
Como anunciar?

Colaboração e Divulgação
Como publicar?
Como divulgar?

Newsletter | Disparo
* Histórico & Feeds
TT, FB e Instagram
Últimas Notas
>>> Daily Rituals - How Artists Work, by Mason Currey
>>> Fernando Pessoa, o Livro das Citações, por José Paulo Cavalcanti Filho
>>> A Loja de Tudo - Jeff Bezos e a Era da Amazon, de Brad Stone
>>> Reflexões ou Sentenças e Máximas Morais, de La Rochefoucauld
>>> O Capital no Século XXI, de Thomas Piketty, o livro do ano
>>> Trágico e Cômico, o livro, de Diogo Salles
>>> Blue Jasmine, de Woody Allen, com Cate Blanchett
>>> The Devil Put Dinosaurs Here, do Alice in Chains
Temas
Mais Recentes
>>> Intervenção militar constitucional
>>> 'Eu quero você como eu quero'
>>> Reunião de pais, ops, de mães
>>> O gueto dos ricos
>>> Pendurados no Pincel
>>> Eu matei Marina Abramovic (Conto)
>>> Ivanhoé
>>> 50 tons de Anastasia, Ida e outras protagonistas
>>> Viagem a 1968: Tropeços e Desventuras (2)
>>> Daumier, um caricaturista contra o poder
Colunistas
Mais Recentes
>>> Copa 2014
>>> Copa 2010
>>> Idade
>>> Origens
>>> Protestos
>>> Millôr Fernandes
Últimos Posts
>>> Janine Ribeiro na Educação
>>> Iberê Camargo
>>> Walter Burkert (1931-2015)
>>> Como os EUA veem o Brasil hoje
>>> José Moutinho
>>> Stan Getz e Oscar Peterson
>>> Guilherme Carvalhal
>>> Poesia BR em Paris
>>> Onivaldo Paiva
>>> Humberto Alitto
Mais Recentes
>>> Lembranças de Ariano Suassuna
>>> Harold Ramis (1944-2014)
>>> Sergio Britto & eu
>>> Para o Daniel Piza. De uma leitora
>>> Joey e Johnny Ramone
>>> A Cultura do Consenso
>>> De Kooning em retrospectiva
>>> Delírios da baixa gastronomia
Mais Recentes
>>> Jaime Pinsky
>>> Luis Salvatore
>>> Catarse
>>> Chico Pinheiro
>>> Sheila Leirner
>>> Guilherme Fiuza
Mais Recentes
>>> O segundo e-book do Digestivo
>>> Momento cívico
>>> Digestivo Books
>>> Caixa Postal
>>> Nova Seção Livros
>>> Digestivo no Instagram
Mais Recentes
>>> Bibliotecários
>>> A difícil arte de saber mais um pouco
>>> O irmão alemão, de Chico Buarque
>>> Ondulações
>>> Confissão
>>> A Cultura do Consenso
>>> O diário de Genet
>>> Jogos olímpicos na China
>>> O Rio, o carnaval, os garçons e os porteiros
>>> 10º Búzios Jazz e Blues
COLUNAS >>> Especial Carnaval

Terça-feira, 12/2/2002
Eu quero é rosetar
Bruno Garschagen

+ de 5000 Acessos
+ 2 Comentário(s)

Todo carnaval é a mesma chatice. Se não fosse o feriadão a nos livrar do flagelo bíblico que é o trabalho, esta época do ano não passaria da modorrenta e tradicional comemoração dos bárbaros. Haja álcool e charuto para agüentar desfile de escola de samba na tevê, a turma do funk explodindo os alto-falantes dos carros, musica de axé (seja lá o que isso signifique) e falsos sorrisos de satisfação.

Aliás, não há nada que represente tão bem a felicidade do que o canibal, digo, carnaval brasileiro. É aquela festança toda, neguinho gastando os tubos, soltando cheque pré-datado aos quatro cantos — que nunca serão cobertos ou, se cobertos, babau o bife da semana —, gargalhando no maior nível possível de decibéis para disputar com o trio elétrico, enfim, aquele rompante de alegria com prazo de validade: a quarta-feira de cinzas, que não poderia ter recebido um nome melhor.

Por isso considero Aristóteles um grande sujeito. Dizia que ao ser humano é muito melhor o bem-estar, pela constância do sentimento de prazer, do que a felicidade, composta de fagulhas breves e pequenas cócegas.

Desde criança ouço a tal previsão, exata como matemática, de que o ano só começa depois do carnaval. Nunca falha. Isso nos leva a uma outra previsão altamente temerosa e praticamente infalível, como a de que terminando fevereiro, inexoravelmente, entraremos sem pudor no mês de março: quem precisar de alguma coisa em 2002 vai ter que se mudar para o Japão. Porque, depois da festa, o país envereda pelo estresse da Copa do Mundo (com esses “craques” e o tal de Chimarrão, haja Lexotan) e, em seguida, na curiosa torcida nas eleições: que venha o menos pior (essa frase em espanhol deve soar bem pacas).

Para não ser tão rabugento — e, nesse caso, seria absolutamente indispensável — o bacanal, digo carnaval, além dos dias de ócio contemplativo, suscita belas imagens. A simbiose de calor, música frenética (e inaudível), dança e álcool, libera as mulheres de todos os pruridos. Pecado capital? Só em marchinha de carnaval. A turma feminina sai às ruas com algumas tiras de tecido e tornam qualquer ambiente mais agradável... e quente!

Deixemos esses comentários de lado, para não cair no machismo barato — vala em que todos os homens, não raro, caem ao tentar descrever a libido. Já que escrevi sobre marchinha de carnaval e, aproveitando o aniversário de morte do Francis (gostaria de saber quem foi o mágico que inventou essa comemoração funesta), sinto saudades do tempo em que aquelas musiquinhas eram cantadas nas ruas. Bem, sentir falta é uma figura de linguagem barata, porque dos anos 30 aos 60 eu nem pretendia entrar neste mundo de desejos ilimitados para realizações limitadas (com a devida licença de meu caro Schopenhauer). É uma saudade desencarnada, creio. Sabe, aquele papo de ter vivido em outras épocas e encarnado nesta atual. Se for verdade, acho que vivi, pelo menos, na Europa Iluminista e nos anos 30 nos EUA. Sinto como se tivesse passeado na companhia de Voltaire e de ter bebido horrores com a tropa do Hotel Algonquin. A brasileirada se esbaldando no carnaval e este pretensioso signatário feliz até o último gole de uísque na prosa com Edna Saint Vincent Milay, Dorothy Parker, Edmund Wilson, John dos Passos. Ah!, se Paris era uma festa os EUA daquela década eram um desbunde!

Muito embora a mente viaje sem visto, não devo esquecer da condição de estar preso ao presente "in real time". O que significa dizer que quando este texto for lido meu presente já será passado por culpa da ampulheta e o leitor estará num futuro próximo — o que, quase equivale a uma nova dimensão espaço-temporal, sacaram? Espero, pois não tenho condições de elaborar certas explicações.

Se vocês nada entenderam de minha análise sobre o carnaval, não esquentem, porque eu me perdi no segundo parágrafo. E, para encerrar de forma triunfal meu arrazoado, me vem à cabeça uma música que nem é da festa popular, mas o refrão é um primor de originalidade: "não me importa que a mula manque/ o que eu quero é rosetar".

Para não dizer que...

Uma situação interessante do carnaval de rua é a mudança que vem ocorrendo no perfil da festa nas últimas décadas. Se antes a folia tinha um caráter eminentemente popular, a onda agora é ficar com a patota isolado do populacho pelas cordas dos blocos ou nos camarotes.

...não falei das flores

Em Salvador (BA) os blocos ganham horrores encarcerando a classe média e os novos ricos (os velhos também) nos abadás — aquela roupinha ridícula que identifica quem pagou. O único trio famoso que continua tocando para o baixo clero é o de Armandinho, Dodô e Osmar. Com patrocínio da prefeitura (sempre na última hora), o trio dos irmãos filhos do falecido Osmar tenta manter a festa popular. O resto vai na base do "farinha muita meu pirão vem com acarajé".

De qualquer forma, não suporto os trios nem a turma que vai atrás deles. É preferível ser um morto (não Caetano Veloso?) a um moribundo que vai atrás do caminhão amplificado. E tenho dito.


Bruno Garschagen
Cachoeiro de Itapemirim, 12/2/2002

Quem leu este, também leu esse(s):
01. Buenos Aires: guia de viagem de Gian Danton
02. A Dama Dourada, de Anne-Marie O'Connor de Ricardo de Mattos
03. Amores, truques e outras versões, de Alex Andrade de Jardel Dias Cavalcanti
04. Por que o petrolão é muito diferente do mensalão de Julio Daio Borges
05. Esquerda x Direita de Marta Barcellos


Mais Bruno Garschagen
Mais Acessadas de Bruno Garschagen em 2002
01. O romance da desilusão - 6/8/2002
02. Eu quero é rosetar - 12/2/2002
03. Niilismo e iconoclastia em Thomas Bernhard - 26/2/2002
04. Paz é conto da Carochinha - 28/5/2002
05. Chopin não viu, mas deve ter gostado - 14/5/2002


Mais Especial Carnaval
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
15/2/2002
13h09min
São incríveis e verdadeiras todas estas palavras. Parabéns pela "coragem" de escrever este texto!
[Leia outros Comentários de Clóvis Hostin]
6/3/2002
10h22min
Carnaval, festa da carne-seca, da carne-de-sol, da canícula, da canelada e do pincel, na acepção oriental da palavra. Claridade: No carnaval os machos que se vestem de mulher.Gostei muito escutar Cristina Buarque cantando Wilson Batista, de escutar Nelson Sargento, Nei Lopes e Olívia cantando Araci de Almeida, através dos seus discos - foram antídotos para o festival de sons pasteurizados, ruins mesmo, que a televisão expelia. Carnaval de camarote, festa do rosbife. Gosto mesmo é de uma cachacinha... Parabéns pelo texto, Bruno... (Galdino)
[Leia outros Comentários de Galdino Moreira Neto]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




>>> Olhos D'água de Cláudio Lacerda: shows grátis em maio
>>> Observatório da Imprensa recebe novo ministro da Edução Renato Janine Ribeiro nesta terça (31)
>>> Lua promove palestra com fundadores do Descola
>>> Passeio Shopping promove oficinas de culinária para a criançada em comemoração a Páscoa
>>> SP Escola de Teatro recebe temporada do espetáculo Deslugares, do grupo de dança Musicanoar
>>> Papo de Mãe dá dicas para melhorar o relacionamento familiar
* clique para encaminhar

Globo Livros
Civilização Brasileira
Companhia das Letras
Nova Fronteira
Hedra
Bertrand Brasil
Editora Record
WMF Martins Fontes
Cortez Editora
Best Seller
Arquipélago Editorial
Editora Conteúdo
José Olympio
Editora Perspectiva
Intrínseca
Primavera Editorial
LIVROS


HERNÁN CORTEZ - CIVILIZADOR OU GENOCIDA?
MARCUS VINÍCIUS DE MORAIS

De R$ 37,00
Por R$ 27,75
25% off
+ frete grátis



AS NOTÍCIAS MAIS MALUCAS DO BRASIL
ALESSANDRO BENDER

De R$ 39,90
Por R$ 29,93
25% off
+ frete grátis



A COLUNA
JOÃO BATISTA DE MIRANDA E FRANCISCO MARQUES NETO

De R$ 19,90
Por R$ 14,93
25% off
+ frete grátis



MENINOS DE RUA
SILVA E GREGORI E RUTH CARDOSO

De R$ 29,90
Por R$ 22,43
25% off
+ frete grátis



OS 11 MAIORES GOLEIROS DO FUTEBOL BRASILEIRO
LUÍS AUGUSTO SÍMON

De R$ 39,90
Por R$ 29,93
25% off
+ frete grátis



HUNGRIA - 1956 E O MURO COMEÇA A CAIR
LADISLAO SZABO

De R$ 39,90
Por R$ 29,93
25% off
+ frete grátis



REPENSANDO O CÍRCULO DE BAKHTIN
MARIA INÊS BATISTA CAMPOS E ROSEMARY SCHETTINI

De R$ 39,90
Por R$ 29,93
25% off
+ frete grátis



GOODBYE, BRAZIL - EMIGRANTES BRASILEIROS NO MUNDO
MAXINE L. MARGOLIS

De R$ 43,90
Por R$ 32,93
25% off
+ frete grátis



PORTUGUÊS NA PRÁTICA 1
ROSANA MORAIS WEG E VIRGÍNIA ANTUNES DE JESUS

De R$ 19,00
Por R$ 14,25
25% off
+ frete grátis



LINGUAGEM E POLÍTICA 2
ALEXANDRE MARCELO BUENO E ORIANA N. FULANETI

De R$ 39,90
Por R$ 29,93
25% off
+ frete grátis



busca | avançada
48277 visitas/dia
1,4 milhão/mês