Eu quero é rosetar | Bruno Garschagen | Digestivo Cultural

busca | avançada
38262 visitas/dia
1,2 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Saber negro e plantas medicinais em debate no Jardim Botânico
>>> O Globo marca presença em mais uma edição da FLIP
>>> Mariza Sorriso faz show beneficente
>>> 9ª Jornada Brasil Inteligente Debate acontece na próxima sexta-feira, em São Paulo. Na programação,
>>> Expedições resgata história da estrada de ferro Curitiba x Paranaguá
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Radiohead e sua piscina em forma de lua
>>> O bosque das almas infratoras
>>> Notas sobre a Escola de Dança de São Paulo - I
>>> A literatura de Marcelo Mirisola não tem cura
>>> A Garota do Livro: uma resenha
>>> Sarkozy e o privilégio de ser francês
>>> Noturno para os notívagos
>>> Wanda Louca Liberal
>>> Transformação de Lúcifer, obra de Egas Francisco
>>> Um safra de documentários de poesia e poetas
Colunistas
Últimos Posts
>>> Daphne Koller do Coursera
>>> The Sharing Economy
>>> Kevin Kelly por Tim Ferriss
>>> Deepak Chopra Speaker Series
>>> Nick Denton sobre Peter Thiel
>>> Bill & Melinda Gates #Code2016
>>> Elon Musk Code Conference 2016
>>> 75 anos de Charlie Watts
>>> Blockchain by William Mougayar
>>> Caravana em BH
Últimos Posts
>>> Onde a onça bebe água
>>> Sonhos olímpicos nos Lençóis Maranhenses
>>> Viva o Brasil
>>> A vida passa
>>> É normal casar duas vezes com o mesmo homem?
>>> Mesa de bar, livro de arte
>>> A estátua viva
>>> Deus é brasileiro ─ (Filmes)
>>> A constituição europeia
>>> Combustíveis
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Cristóvão Tezza
>>> Em nome do senhor
>>> Outsiders, de Howard S. Becker
>>> O Código Da Vinci em tela plana
>>> Crítica literária ainda existe?
>>> Anéis na Telona
>>> Deepak Chopra Speaker Series
>>> Desfazendo alguns mitos sobre 64
>>> Entre o matrimônio e a literatura
>>> Global Cities, na Tate Modern
Mais Recentes
>>> 42 SONETOS ( edição bilíngue- inglês-português)
>>> Ensaios em ANTROPOLOGIA DO PODER
>>> 1984
>>> ENTRE QUATRO PAREDES
>>> A Índia Secreta
>>> O Egito Secreto
>>> Conversaciones con Lukács
>>> Fundamentos de la sociologia del arte
>>> Sociologia del arte
>>> Noites do sertão
>>> O ANDARILHO
>>> EM CAMINHO PARA DEUS- Meditando com Marthe Robin
>>> A FILOSOFIA NA IDADE TRÁGICA DOS GREGOS
>>> REVISTA Placar Nº 1043 15/06/2016
>>> Cavaleiros Do Zodíaco - Nº 19 E 20
>>> gibi Edição Maravilhosa Nº 89 - Cangaceiros ( Ebal-1ª Série-1954
>>> RAUL SEIXAS - UMA ANTOLOGIA
>>> RAUL SEIXAS - O TREM DAS SETE
>>> DIZIONARIO COMPLETO - ITALIANO-PORTUGUESE (Brasiliano)
>>> DICIONÁRIO DE ESPANHOL-PORTUGUÊS
>>> O EVANGELHO HOJE
>>> NUNCA MAS (Informe de la Comisión Nacional sobre la Desaparición de Personas)
>>> E O VENTO LEVOU
>>> O ZERO E O INFINITO
>>> Lote 15 Gibis: Superaventuras Marvel Nº 101 Ao 115 Abril1991
>>> LAMPIÃO EM QUADRINHOS
>>> FÁBULAS DE LA FONTAINE
>>> IDEIAS TEATRAIS ( O século XIX no Brasil)
>>> FURACÃO SOBRE CUBA - Jean-Paul Sartre
>>> CONTOS DO ESCONDERIJO - Anne Frank
>>> MÉXICO REBELDE
>>> EL ÚLTIMO TESTAMENTO DE OSCAR WILDE
>>> O Guia da Viagem Perfeita - Nova York
>>> UM BOÊMIO NO CÉU (Teatro) - Catullo da Paixão Cearense
>>> Administração de Marketing
>>> Fisica 3
>>> O PRIMEIRO AMOR DE LAURINHA (Literatura juvenil)
>>> A BELA E A FERA E OUTROS CONTOS DE FADAS
>>> Fisica 2
>>> Fundamentos da Física 1 - Mecanica
>>> Fisica III - Eletromagnetismo
>>> Fisica IV - Ótica e Física Moderna
>>> Física II - Termodinamica e Ondas
>>> Física I - Mecanica
>>> Cálculo - Volume II
>>> Cálculo - Volume I
>>> Estatística Basica Probabilidade - Volume 1
>>> Vetores e Geometria Analítica
>>> Vetores e Geometria Analítica
>>> Contabilidade de Custos
COLUNAS >>> Especial Carnaval

Terça-feira, 12/2/2002
Eu quero é rosetar
Bruno Garschagen

+ de 5400 Acessos
+ 2 Comentário(s)

Todo carnaval é a mesma chatice. Se não fosse o feriadão a nos livrar do flagelo bíblico que é o trabalho, esta época do ano não passaria da modorrenta e tradicional comemoração dos bárbaros. Haja álcool e charuto para agüentar desfile de escola de samba na tevê, a turma do funk explodindo os alto-falantes dos carros, musica de axé (seja lá o que isso signifique) e falsos sorrisos de satisfação.

Aliás, não há nada que represente tão bem a felicidade do que o canibal, digo, carnaval brasileiro. É aquela festança toda, neguinho gastando os tubos, soltando cheque pré-datado aos quatro cantos — que nunca serão cobertos ou, se cobertos, babau o bife da semana —, gargalhando no maior nível possível de decibéis para disputar com o trio elétrico, enfim, aquele rompante de alegria com prazo de validade: a quarta-feira de cinzas, que não poderia ter recebido um nome melhor.

Por isso considero Aristóteles um grande sujeito. Dizia que ao ser humano é muito melhor o bem-estar, pela constância do sentimento de prazer, do que a felicidade, composta de fagulhas breves e pequenas cócegas.

Desde criança ouço a tal previsão, exata como matemática, de que o ano só começa depois do carnaval. Nunca falha. Isso nos leva a uma outra previsão altamente temerosa e praticamente infalível, como a de que terminando fevereiro, inexoravelmente, entraremos sem pudor no mês de março: quem precisar de alguma coisa em 2002 vai ter que se mudar para o Japão. Porque, depois da festa, o país envereda pelo estresse da Copa do Mundo (com esses “craques” e o tal de Chimarrão, haja Lexotan) e, em seguida, na curiosa torcida nas eleições: que venha o menos pior (essa frase em espanhol deve soar bem pacas).

Para não ser tão rabugento — e, nesse caso, seria absolutamente indispensável — o bacanal, digo carnaval, além dos dias de ócio contemplativo, suscita belas imagens. A simbiose de calor, música frenética (e inaudível), dança e álcool, libera as mulheres de todos os pruridos. Pecado capital? Só em marchinha de carnaval. A turma feminina sai às ruas com algumas tiras de tecido e tornam qualquer ambiente mais agradável... e quente!

Deixemos esses comentários de lado, para não cair no machismo barato — vala em que todos os homens, não raro, caem ao tentar descrever a libido. Já que escrevi sobre marchinha de carnaval e, aproveitando o aniversário de morte do Francis (gostaria de saber quem foi o mágico que inventou essa comemoração funesta), sinto saudades do tempo em que aquelas musiquinhas eram cantadas nas ruas. Bem, sentir falta é uma figura de linguagem barata, porque dos anos 30 aos 60 eu nem pretendia entrar neste mundo de desejos ilimitados para realizações limitadas (com a devida licença de meu caro Schopenhauer). É uma saudade desencarnada, creio. Sabe, aquele papo de ter vivido em outras épocas e encarnado nesta atual. Se for verdade, acho que vivi, pelo menos, na Europa Iluminista e nos anos 30 nos EUA. Sinto como se tivesse passeado na companhia de Voltaire e de ter bebido horrores com a tropa do Hotel Algonquin. A brasileirada se esbaldando no carnaval e este pretensioso signatário feliz até o último gole de uísque na prosa com Edna Saint Vincent Milay, Dorothy Parker, Edmund Wilson, John dos Passos. Ah!, se Paris era uma festa os EUA daquela década eram um desbunde!

Muito embora a mente viaje sem visto, não devo esquecer da condição de estar preso ao presente "in real time". O que significa dizer que quando este texto for lido meu presente já será passado por culpa da ampulheta e o leitor estará num futuro próximo — o que, quase equivale a uma nova dimensão espaço-temporal, sacaram? Espero, pois não tenho condições de elaborar certas explicações.

Se vocês nada entenderam de minha análise sobre o carnaval, não esquentem, porque eu me perdi no segundo parágrafo. E, para encerrar de forma triunfal meu arrazoado, me vem à cabeça uma música que nem é da festa popular, mas o refrão é um primor de originalidade: "não me importa que a mula manque/ o que eu quero é rosetar".

Para não dizer que...

Uma situação interessante do carnaval de rua é a mudança que vem ocorrendo no perfil da festa nas últimas décadas. Se antes a folia tinha um caráter eminentemente popular, a onda agora é ficar com a patota isolado do populacho pelas cordas dos blocos ou nos camarotes.

...não falei das flores

Em Salvador (BA) os blocos ganham horrores encarcerando a classe média e os novos ricos (os velhos também) nos abadás — aquela roupinha ridícula que identifica quem pagou. O único trio famoso que continua tocando para o baixo clero é o de Armandinho, Dodô e Osmar. Com patrocínio da prefeitura (sempre na última hora), o trio dos irmãos filhos do falecido Osmar tenta manter a festa popular. O resto vai na base do "farinha muita meu pirão vem com acarajé".

De qualquer forma, não suporto os trios nem a turma que vai atrás deles. É preferível ser um morto (não Caetano Veloso?) a um moribundo que vai atrás do caminhão amplificado. E tenho dito.


Bruno Garschagen
Cachoeiro de Itapemirim, 12/2/2002


Quem leu este, também leu esse(s):
01. O Novo Museu da Estação da Luz: uma Proposta de Heloisa Pait
02. Os novos filmes de Iñárritu de Guilherme Carvalhal
03. Ah!... A Neve de Marilia Mota Silva
04. E Foram Felizes Para Sempre de Marilia Mota Silva
05. It's evolution, baby de Luís Fernando Amâncio


Mais Bruno Garschagen
Mais Acessadas de Bruno Garschagen em 2002
01. O romance da desilusão - 6/8/2002
02. Eu quero é rosetar - 12/2/2002
03. Niilismo e iconoclastia em Thomas Bernhard - 26/2/2002
04. Paz é conto da Carochinha - 28/5/2002
05. Chopin não viu, mas deve ter gostado - 14/5/2002


Mais Especial Carnaval
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
15/2/2002
13h09min
São incríveis e verdadeiras todas estas palavras. Parabéns pela "coragem" de escrever este texto!
[Leia outros Comentários de Clóvis Hostin]
6/3/2002
10h22min
Carnaval, festa da carne-seca, da carne-de-sol, da canícula, da canelada e do pincel, na acepção oriental da palavra. Claridade: No carnaval os machos que se vestem de mulher.Gostei muito escutar Cristina Buarque cantando Wilson Batista, de escutar Nelson Sargento, Nei Lopes e Olívia cantando Araci de Almeida, através dos seus discos - foram antídotos para o festival de sons pasteurizados, ruins mesmo, que a televisão expelia. Carnaval de camarote, festa do rosbife. Gosto mesmo é de uma cachacinha... Parabéns pelo texto, Bruno... (Galdino)
[Leia outros Comentários de Galdino Moreira Neto]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




TÉCNICA DE REPRESENTAÇÃO TEATRAL - STELLA ADLER
STELLA ADLER
CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA
(1992)
+ frete grátis



LIBERTAÇÃO CRISTÃ- SELETOS ENSAIOS TEOLÓGICOS
FREI BOAVENTURA KLOPPENBURG
PUCRS
(1999)
+ frete grátis



HISTÓRIA CONCISA DO TEATRO BRASILEIRO
DÉCIO DE ALMEIDA PRADO
EDUSP/IMPRENSA OFICIAL
(1999)
+ frete grátis



CONEXAO SAUDE.
DEEPAK CHOPRA.
BEST SELLERS.
(1991)
+ frete grátis



VIVA NATURAL
ELIZA M. S. BIAZZI.
CASA PUBLICADORA BRASILEIRA
(1993)
+ frete grátis



CONCLAVE: O LIVRO DOS ÚLTIMOS DIAS
ADEMIR LUIZ E RAFAEL CAMPOS ROCHA
EX MACHINA
(2015)
+ frete grátis



EPISTEMOLOGIAS DO SÉCULO XX-POPPER- KUHN- LAKATOS- LAUDAN BACHELARD, TOULMIN,FEYERABEND, MATURANA, BOHM, BUNGE, PRIGOGINE, MAYR
MARCO ANTÔNIO MOREIRA/ NEUSA TERESINHA MASSONI
E,P,U
(2011)
+ frete grátis



ILUSÕES PERDIDAS (2 VOLUMES)
HONORÉ DE BALZAC
ABRIL COLEÇÕES
(2010)
+ frete grátis



EM OUTRAS PALAVRAS
LYA LUFT
RECORD
(2006)
+ frete grátis



SANGUE AZUL
HAROLD ROBBINS E JUNIUS PODRUG
RECORD
(2009)
+ frete grátis





busca | avançada
38262 visitas/dia
1,2 milhão/mês