Eu quero é rosetar | Bruno Garschagen | Digestivo Cultural

busca | avançada
50738 visitas/dia
1,5 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Relações entre literatura e televisão são tema de debate no Sesi
>>> Escritora Ieda de Oliveira analisa seu processo criativo no ABZ do Ziraldo
>>> Linha do Tempo
>>> Shopping Higienópolis Promove II Festival de Vinhos
>>> Núcleo de Economia Criativa (NEC) tem mais de 200 opções de presentes para o Dia dos Pais
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> George Orwell e o alerta contra o totalitarismo
>>> Influências da década de 1980
>>> Gerald Thomas: cidadão do mundo (parte final)
>>> O romance do 'e se...'
>>> Xadrez, poesia de Ana Elisa Ribeiro
>>> Espírito e Cura
>>> Precisa-se de empregada feia. Bem feia.
>>> Minha Terra Tem Palmeiras
>>> Gerald Thomas: Cidadão do Mundo (parte IV)
>>> Depois do chover
Colunistas
Últimos Posts
>>> Acabou o governo
>>> O Chileno
>>> Fabio Gomes
>>> Irmãos Amâncio
>>> Rita de Cássia Oliveira
>>> Gil e Pepeu em Montreux 1978
>>> Wagner Moura em Narcos
>>> Marcio Acselrad
>>> Mais uma de Leonardo da Vinci
>>> Mr. Sandman
Últimos Posts
>>> Irmãos Dardenne e Rosetta
>>> Uma História da Tecnologia da Informação- Parte 9
>>> O samba de Donga na Festa da Penha
>>> Um motor na civilização em crise - 2
>>> Um motor na civilização em crise - 1
>>> Iara Abreu expõe artes visuais com poesia
>>> A diferença entre homens e mulheres no amor
>>> Quando o mundo inteiro olha pra você
>>> No fundo bem no fundo
>>> Os Rolling Stones deveriam ser tombados
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Para amar Los Angeles
>>> A resistência, de Ernesto Sabato
>>> Daily Rituals - How Artists Work, by Mason Currey
>>> A Puta, um romance bom prá cacete
>>> Casamento atrás da porta
>>> Isto não é um trote
>>> Isto não é um trote
>>> Origens: minha mãe
>>> Outra Praia, de Swami Jr.
>>> A diva intelectual
Mais Recentes
>>> Luiz regis prado
>>> costallat
>>> Demolidor homem sem medo
>>> monstrinho preto-preto
>>> O cortiço
>>> A.J.CRONIN
>>> revista pergunte e respo
>>> vozes em defesa da fe
>>> sei e creio
>>> Ética e educação: outra sensibildade
COLUNAS >>> Especial Carnaval

Terça-feira, 12/2/2002
Eu quero é rosetar
Bruno Garschagen

+ de 5100 Acessos
+ 2 Comentário(s)

Todo carnaval é a mesma chatice. Se não fosse o feriadão a nos livrar do flagelo bíblico que é o trabalho, esta época do ano não passaria da modorrenta e tradicional comemoração dos bárbaros. Haja álcool e charuto para agüentar desfile de escola de samba na tevê, a turma do funk explodindo os alto-falantes dos carros, musica de axé (seja lá o que isso signifique) e falsos sorrisos de satisfação.

Aliás, não há nada que represente tão bem a felicidade do que o canibal, digo, carnaval brasileiro. É aquela festança toda, neguinho gastando os tubos, soltando cheque pré-datado aos quatro cantos — que nunca serão cobertos ou, se cobertos, babau o bife da semana —, gargalhando no maior nível possível de decibéis para disputar com o trio elétrico, enfim, aquele rompante de alegria com prazo de validade: a quarta-feira de cinzas, que não poderia ter recebido um nome melhor.

Por isso considero Aristóteles um grande sujeito. Dizia que ao ser humano é muito melhor o bem-estar, pela constância do sentimento de prazer, do que a felicidade, composta de fagulhas breves e pequenas cócegas.

Desde criança ouço a tal previsão, exata como matemática, de que o ano só começa depois do carnaval. Nunca falha. Isso nos leva a uma outra previsão altamente temerosa e praticamente infalível, como a de que terminando fevereiro, inexoravelmente, entraremos sem pudor no mês de março: quem precisar de alguma coisa em 2002 vai ter que se mudar para o Japão. Porque, depois da festa, o país envereda pelo estresse da Copa do Mundo (com esses “craques” e o tal de Chimarrão, haja Lexotan) e, em seguida, na curiosa torcida nas eleições: que venha o menos pior (essa frase em espanhol deve soar bem pacas).

Para não ser tão rabugento — e, nesse caso, seria absolutamente indispensável — o bacanal, digo carnaval, além dos dias de ócio contemplativo, suscita belas imagens. A simbiose de calor, música frenética (e inaudível), dança e álcool, libera as mulheres de todos os pruridos. Pecado capital? Só em marchinha de carnaval. A turma feminina sai às ruas com algumas tiras de tecido e tornam qualquer ambiente mais agradável... e quente!

Deixemos esses comentários de lado, para não cair no machismo barato — vala em que todos os homens, não raro, caem ao tentar descrever a libido. Já que escrevi sobre marchinha de carnaval e, aproveitando o aniversário de morte do Francis (gostaria de saber quem foi o mágico que inventou essa comemoração funesta), sinto saudades do tempo em que aquelas musiquinhas eram cantadas nas ruas. Bem, sentir falta é uma figura de linguagem barata, porque dos anos 30 aos 60 eu nem pretendia entrar neste mundo de desejos ilimitados para realizações limitadas (com a devida licença de meu caro Schopenhauer). É uma saudade desencarnada, creio. Sabe, aquele papo de ter vivido em outras épocas e encarnado nesta atual. Se for verdade, acho que vivi, pelo menos, na Europa Iluminista e nos anos 30 nos EUA. Sinto como se tivesse passeado na companhia de Voltaire e de ter bebido horrores com a tropa do Hotel Algonquin. A brasileirada se esbaldando no carnaval e este pretensioso signatário feliz até o último gole de uísque na prosa com Edna Saint Vincent Milay, Dorothy Parker, Edmund Wilson, John dos Passos. Ah!, se Paris era uma festa os EUA daquela década eram um desbunde!

Muito embora a mente viaje sem visto, não devo esquecer da condição de estar preso ao presente "in real time". O que significa dizer que quando este texto for lido meu presente já será passado por culpa da ampulheta e o leitor estará num futuro próximo — o que, quase equivale a uma nova dimensão espaço-temporal, sacaram? Espero, pois não tenho condições de elaborar certas explicações.

Se vocês nada entenderam de minha análise sobre o carnaval, não esquentem, porque eu me perdi no segundo parágrafo. E, para encerrar de forma triunfal meu arrazoado, me vem à cabeça uma música que nem é da festa popular, mas o refrão é um primor de originalidade: "não me importa que a mula manque/ o que eu quero é rosetar".

Para não dizer que...

Uma situação interessante do carnaval de rua é a mudança que vem ocorrendo no perfil da festa nas últimas décadas. Se antes a folia tinha um caráter eminentemente popular, a onda agora é ficar com a patota isolado do populacho pelas cordas dos blocos ou nos camarotes.

...não falei das flores

Em Salvador (BA) os blocos ganham horrores encarcerando a classe média e os novos ricos (os velhos também) nos abadás — aquela roupinha ridícula que identifica quem pagou. O único trio famoso que continua tocando para o baixo clero é o de Armandinho, Dodô e Osmar. Com patrocínio da prefeitura (sempre na última hora), o trio dos irmãos filhos do falecido Osmar tenta manter a festa popular. O resto vai na base do "farinha muita meu pirão vem com acarajé".

De qualquer forma, não suporto os trios nem a turma que vai atrás deles. É preferível ser um morto (não Caetano Veloso?) a um moribundo que vai atrás do caminhão amplificado. E tenho dito.


Bruno Garschagen
Cachoeiro de Itapemirim, 12/2/2002

Quem leu este, também leu esse(s):
01. Esboços de uma biografia precoce não autorizada de Cassionei Niches Petry
02. Um socialista na Casa Branca? de Celso A. Uequed Pitol
03. Lendo Virgílio, ou: tentando ler os clássicos de Julio Daio Borges
04. I-ching-poemas de Bruna Piantino de Jardel Dias Cavalcanti
05. Joana a Contragosto, Mirisola em queda livre de Jardel Dias Cavalcanti


Mais Bruno Garschagen
Mais Acessadas de Bruno Garschagen em 2002
01. O romance da desilusão - 6/8/2002
02. Eu quero é rosetar - 12/2/2002
03. Niilismo e iconoclastia em Thomas Bernhard - 26/2/2002
04. Paz é conto da Carochinha - 28/5/2002
05. Chopin não viu, mas deve ter gostado - 14/5/2002


Mais Especial Carnaval
* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
15/2/2002
13h09min
São incríveis e verdadeiras todas estas palavras. Parabéns pela "coragem" de escrever este texto!
[Leia outros Comentários de Clóvis Hostin]
6/3/2002
10h22min
Carnaval, festa da carne-seca, da carne-de-sol, da canícula, da canelada e do pincel, na acepção oriental da palavra. Claridade: No carnaval os machos que se vestem de mulher.Gostei muito escutar Cristina Buarque cantando Wilson Batista, de escutar Nelson Sargento, Nei Lopes e Olívia cantando Araci de Almeida, através dos seus discos - foram antídotos para o festival de sons pasteurizados, ruins mesmo, que a televisão expelia. Carnaval de camarote, festa do rosbife. Gosto mesmo é de uma cachacinha... Parabéns pelo texto, Bruno... (Galdino)
[Leia outros Comentários de Galdino Moreira Neto]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS


O LUGAR DO OLHAR
PAULO CESAR DA COSTA GOMES

De R$ 49,00
Por R$ 24,50
50% off
+ frete grátis



11 GOLS DE PLACA
FERNANDO MOLICA

De R$ 49,90
Por R$ 24,95
50% off
+ frete grátis



MANUAL DE GENTILEZAS DO EXECUTIVO
STEVE HARRISON

De R$ 36,50
Por R$ 18,25
50% off
+ frete grátis



REFERENCIAÇÃO - TEORIA E PRÁTICA
MAGALHÃES CAVALCANTE E CALIXTO DE LIMA

De R$ 46,00
Por R$ 23,00
50% off
+ frete grátis



NAS SOMBRAS
JERI SMITH-READY

De R$ 37,90
Por R$ 18,95
50% off
+ frete grátis



ÊXODO
WILL ADAMS

De R$ 45,00
Por R$ 22,50
50% off
+ frete grátis



DIREITO, CONSTITUIÇÃO E TRANSIÇÃO DEMOCRÁTICA NO BRASIL
TARSO GENRO

De R$ 53,90
Por R$ 26,95
50% off
+ frete grátis



MALY
LEA MICHAAN

De R$ 46,00
Por R$ 23,00
50% off
+ frete grátis



MÃO E CONTRAMÃO
VÁRIOS

De R$ 55,00
Por R$ 27,50
50% off
+ frete grátis



DIREITO PROCESSUAL CIVIL 2 - PRIMEIRA FASE
MONTANS DE SÁ E DIOGO CARVALHO FIGUEIREDO

De R$ 39,90
Por R$ 19,95
50% off
+ frete grátis



busca | avançada
50738 visitas/dia
1,5 milhão/mês