Diálogos no Escuro | Heloisa Pait | Digestivo Cultural

busca | avançada
29899 visitas/dia
1,1 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Elian Woidello apresenta show Vinho barato e Cinema Noir no Teatro Álvaro de Carvalho (TAC)
>>> Show de lançamento do Selo Blaxtream reúne grandes nomes do jazz e da música instrumental em SP
>>> Autobiografia de George Sand ganha edição brasileira em volume único
>>> Indústria Frateschi passa a atuar também no varejo
>>> BH vai sediar o maior evento de Blogueiras do país em Julho.
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Os Doze Trabalhos de Mónika. 2. O Catolotolo
>>> A pós-modernidade de Michel Maffesoli
>>> Um parque de diversões na cabeça
>>> O que te move?
>>> O dia que nada prometia
>>> Super-heróis ou vilões?
>>> Seis meses em 1945
>>> Senhor Amadeu
>>> Correio
>>> A entranha aberta da literatura de Márcia Barbieri
Colunistas
Últimos Posts
>>> Cornell e o Alice Mudgarden
>>> Leve um Livro e Sarau Leve
>>> Pulga na praça
>>> No Metrópolis, da TV Cultura
>>> Fórum de revisores de textos
>>> Temporada 3 Leve um Livro
>>> Suplemento Literário 50 anos
>>> Ajudando um amigo
>>> Ebook gratuito
>>> Poesia para jovens
Últimos Posts
>>> Espírito Santo
>>>
>>> Fuga em Si
>>> Frutos
>>> Traço
>>> Criaturas
>>> Homo ludens
>>> 9° Festival Internacional do Documentário Musical
>>> Flúmen do dia
>>> FHC embola o meio de campo
Blogueiros
Mais Recentes
>>> A morte do respeito
>>> Jotacê
>>> O blog do Fernando Meirelles
>>> Minhas hipóteses sobre a evolução humana
>>> Superficialidade e Reducionismo
>>> Livro eletrônico?
>>> Estupra mas não mata
>>> Nuvem Negra*
>>> Mapa da sala de aula
>>> A Epopeia de Gilgamesh, pela WMF Martins Fontes
Mais Recentes
>>> Depois da Morte
>>> Doze Reis e a Moça do Labirinto do Vento
>>> As Noites Difíceis
>>> Treinamento de Liderança Cristã
>>> Luxo
>>> Fome, Catástrofe Provocada pelo Homem? (Sociologia/Geografia Humana)
>>> Os Irmãos Karamázovi - Fiódor Dostoiévski (Literatura Russa)
>>> Ana Karênina - Leon Tolstói (Literatura Russa)
>>> Almas Mortas - Nicolai Gogol (Literatura Russa)
>>> Pais e Filhos - Ivan Turgueniev (Literatura Russa)
>>> Os Imortais da Literatura Universal (Biografias) Volume III
>>> Processamento de Dados
>>> Teilhard e a Vocação da Mulher
>>> Dom Quixote
>>> Falsa Identidade- A Conspiração para Reinventar Jesus
>>> Olha para Mim
>>> The Nature of Technology: What it is and how it evolves
>>> Digital Futures for Cultural and Media Studies
>>> Creative industries
>>> Everything is workable: A zen approach to conflict resolution
>>> i of the vortex: From Neurons to self
>>> Arquivos do mal-estar e da resistência
>>> Linked: A nova ciência dos networks
>>> O segundo mundo: Impérios e influência na nova ordem global
>>> O médico quântico: Orientações de um físico para a saúde e a cura
>>> Viver de música: Diálogo com artistas brasileiros
>>> Reagregando o social: Uma introdução à teoria do Ator-Rede
>>> I Ching: Uma nova interpretação para os tempos modernos
>>> O século da canção
>>> Em busca de uma psicologia do despertar: Budismo, Psicoterapia e o Caminho da Transformação Espiritual Individual
>>> A paixão de conhecer o mundo
>>> Normose: A patologia da normalidade
>>> As Herdeiras de Duna
>>> 50 Tons de Cinza
>>> Xógum - A Gloriosa Saga do Japão
>>> A Divina Comédia - 3 volumes
>>> Habeas Data
>>> O Homem que Sorria
>>> A Escolha da Dra. Cole - O Cotidiano de Uma Médica do Século XX
>>> Pesadelos e Paisagens Noturnas Volume II
>>> O Pacto
>>> Só por Hoje e Para Sempre. Diário do Recomeço
>>> Além do Bem e do Mal
>>> As Armas Ideológicas da Morte
>>> Face @ Face
>>> Marx - Vida e Obra
>>> Clarice na cabeceira / Contos
>>> O Desespero Humano
>>> Gramática Para o Hebraico. Uma Abordagem Pragmática
>>> Você sabe se desintoxicar?
COLUNAS

Quinta-feira, 4/8/2016
Diálogos no Escuro
Heloisa Pait

+ de 1600 Acessos

Descobrindo um inesperado sentido

Ontem vi a exposição Diálogos no Escuro, na Unibes Cultural (anteriormente Casa de Cultura de Israel ou Centro de Cultura Judaica), que fica até começo de dezembro em São Paulo. Uma das organizadores, grande amiga minha, havia insistido que eu fosse, mas eu havia hesitado, tinha medo de ser meio forte. E foi. Mas valeu.

Como míope, nunca "took for granted" a visão. Lembro com extrema nitidez, desculpe o trocadilho, o momento em que saí da ótica com meus primeiros óculos, aqui na Avenida Angélica, aos 6 anos de idade. De repente, o mundo nítido novamente! Meu deus. A escada perdendo a perspectiva, chapada de tanta nitidez, eu tendo que me apoiar em minha mãe para descer. A imagem perfeita ofuscando a vista.

Sempre tratei os oculistas como deuses portanto. Um deles, no que hoje talvez fosse penalizado por isso, um dia se aproveitou dessa aura e me lascou um beijo na boca. Na época, minha sensata mãe me arrumou outro profissional e pronto, rimos muito.

Deuses da visão. Não havia um documentário de Spalding Grey sobre a possível perda de visão? Não havia? Eu achei muito bom! Com humor, a peregrinação pelo olhar. Amo Grey. Eu o vi no palco, “Slippery Slope”. Eu ria em momentos desencontrados da platéia, mas ria muito.

Ensaio sobre a Cegueira, obviamente, não li. Ganhei de um amigo, não li. Vou lá eu ler o que um stalinista pena sobre o olhar? Ora, só me faltava essa! Quero usar meus olhos que são preciosos para o mundo que vale a pena ser visto.

Então hesitei com a exposição. Vou? Não vou? Pois como disse eu sei desde pequena que a visão é algo dado. É algo que recebemos de alguém, de Alguém. Um glaucoma pigmentar que me obriga a pingar um colírio diariamente também ajuda a gente a lembrar do precioso da visão.

Para tratar dele – que, fiquem tranquilos, está controlado e nunca me afetou a visão – eu literalmente me trato com o melhor médico do mundo na área, um Dr. Ritch muito precioso lá de Nova York, que trata príncipes e eu no seu consultório no East Side. Usei o verbo tratar três vezes na frase anterior, má gramática ou ênfase?

Pois eu trato dos olhos, é isso o que quero dizer. Uma vez já saí de um consultório aqui no Brasil sem meu décimo-terceiro salário. Tudo bem que era uma época de vacas magras, mas mesmo assim, eu realmente não poupo.

Na entrada da exposição, a mulher mandou tirar os óculos. Eu tirei. Depois voltei ao armário e peguei de volta. Sem luz, pode ser. Sem meus óculos, aí já é demais. E fomos. Éramos quatro. Um homem alto e grande, uma moça negra, uma morena, e eu. Como o nosso guia disse ao final, as diferenças se esvaem no escuro. É verdade. Éramos quatro indistintos.

Tateando frutas, árvores, ouvindo barulhos, passando por pontes, subindo degraus, éramos quatro pessoas e um guia “com experiência em atividades no escuro”, como a moça apresentou nosso guia inicialmente.

Tive medo, tive desconforto, tive vontade de sair. Ao mesmo tempo, me diverti, celebrei as descobertas e, o que me surpreendeu bastante, adorei ter meus 3 colegas comigo. Logo no começo, já tasquei a mão no ombro do homem grande.

Quem me conhece, sabe, não sou de pedir ajuda, de pedir apoio. Deixa eu sair sozinha dos buracos onde me meti, é meu lema. Não encosta, não vem que não tem. Pois a primeira coisa que fiz, como disse, foi a mão no ombro do homem à frente.

Naturalmente, fomos nos auxiliando, dizendo: a árvore está aqui. Me dá tua mão, achei a estátua. Íamos nos guiando, claro que com a orientação primorosa do guia com experiência em atividades no escuro que, como fomos avisados, poderia nos tirar dali num instante sem dificuldade.

Ao final, no Boteco no Escuro, onde compramos suco e lanche – que confiança se precisa ter no outro para tomar um troço sem ver – o guia nos lembrou que precisamos mais de outros sentidos – audição, tato, cinestesia (no caso da ponte), olfato na feira – quando a visão nos falta.

Eu precisei mais de um outro sentido ainda. Do sentido que me faz perceber o outro, como é que chama?

Na saleta semi-iluminada, ao fim do trajeto, uma sensação de alívio e paz. Como meus oculistas, a exposição me devolveu a visão, e tive um pequeno êxtase.

Ao final, já devidamente iluminados, abracei meus colegas de percurso, participantes do diálogo no escuro, olhei-os mais olhados que antes, com mais sentido.

Heloisa Pait
São Paulo, 4/8/2016



Quem leu este, também leu esse(s):
01. Mais espetáculo que arte de Guilherme Carvalhal
02. O suicídio na literatura de Cassionei Niches Petry
03. Sinédoque São Paulo de Duanne Ribeiro
04. O regresso, a última viagem de Rimbaud de Eugenia Zerbini
05. Ninfomaníaca: um ensaio sob forma de cinema de Wellington Machado


Mais Heloisa Pait
Mais Acessadas de Heloisa Pait
01. A Garota do Livro: uma resenha - 16/6/2016
02. Os Doze Trabalhos de Mónika. 1. À Beira do Abismo - 13/4/2017
03. Simone Weil no palco: pergunta em forma de vida - 11/8/2016
04. Diálogos no Escuro - 4/8/2016
05. América Latina, ainda em construção - 3/7/2015


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




TEX Nº 247 - RETORNO DA MORTE 
SERGIO BONELLI
GLOBO
(1990)
R$ 5,00



A REUNIÃO DOS PLANETAS
MARCELO R. L. OLIVEIRA
COMPANHIA DAS LETRINHAS
(2000)
R$ 10,00



A SOMBRA DAS MONTANHAS (ROMANCE BRASILEIRO)
NEVES MARIA MARQUES
BARAÚNA
(2013)
R$ 7,00



O PODER DA COMUNICAÇÃO A ARTE DE VENCER POR MEIO DE PALAVRAS
J. V. CERNEY
IBRASA
(1978)
R$ 11,00



DEUS E A PSICANÁLISE
VICTOR WHITE
CIRCULO DO HUMANISMO CRISTAO
(1964)
R$ 31,90



GESTÃO DE MARKETING E BRANDING
EUGÊNIO BISPO DE MELO
ALTA BOOKS
(2014)
R$ 30,00



REVISTA ANDRÉ LUIZ ANO XIV NUMERO 9 - 10
CENTRO ESPÍRITA NOSSO LAR
CENTRO ESPÍRITA NOSSO LAR
(1983)
R$ 5,00



O QUE É PARTICIPAÇÃO POLÍTICA?
DALMO DE ABREU DALLARI
BRASILIENSE
(1992)
R$ 5,90



COMO PROYECTAR EN EDIFICACIÓN
R. BAYON
EDITORES TÉCNICOS ASSOCIADOS
(1974)
R$ 25,00



O SANGUE DO OLIMPO
RICK RIORDAN
INTRÍNSECA
(2014)
R$ 9,00





busca | avançada
29899 visitas/dia
1,1 milhão/mês