Mais espetáculo que arte | Guilherme Carvalhal | Digestivo Cultural

busca | avançada
23157 visitas/dia
708 mil/mês
Mais Recentes
>>> Nesta quinta-feira, consumidores da capital poderão adquirir milhares de produtos com descontos
>>> Dois solos compõem a Terça Aberta no Kasulo
>>> Mídia em Foco debate as novas perspectivas do mercado da música
>>> "A PALAVRA FORA DO LUGAR: ESCRITORES REFUGIADOS E EM RISCO no CCBB RJ
>>> Escritora Regina Zappa fala sobre maio de 1968 no Sem Censura
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> A Fera na Selva, filme de Paulo Betti
>>> Raio-X do imperialismo
>>> Cães, a fúria da pintura de Egas Francisco
>>> O Vendedor de Passados
>>> A confissão de Lúcio: as noites cariocas de Rangel
>>> Primavera para iniciantes
>>> Nobel, novo romance de Jacques Fux
>>> De Middangeard à Terra Média
>>> Dos sentidos secretos de cada coisa
>>> O pai da menina morta, romance de Tiago Ferro
Colunistas
Últimos Posts
>>> Lançamentos em BH
>>> Lançamento paulistano do Álbum
>>> Pensar Edição, Fazer Livro 2
>>> Ana Elisa Ribeiro lança Álbum
>>> Arte da Palavra em Pernambuco
>>> Conceição Evaristo em BH
>>> Regina Dalcastagné em BH
>>> Leitores e cibercultura
>>> Sarau Libertário em BH
>>> Psiu Poético em BH esta semana
Últimos Posts
>>> Publicando no Observatório de Alberto Dines
>>> Entre a esperança e a fé
>>> Tom Wolfe
>>> Terra e sonhos
>>> Que comece o espetáculo!
>>> A alforja de minha mãe
>>> Filosofia no colégio
>>> ZERO ABSOLUTO
>>> Go é um jogo mais simples do que imaginávamos
>>> Wild Wild Country
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Meu Tom Jobim
>>> Links & Links
>>> A suprema nostalgia
>>> O mundo aos olhos de um pescador
>>> A vingança dos certinhos
>>> Django Unchained, de Quentin Tarantino
>>> Sobre o Digestivo, minhas colunas e nossa história
>>> Adolescente lê, sim, senhor!
>>> Diálogos no Escuro
>>> As cartas de Dostoiévski
Mais Recentes
>>> Die Botschaft der Nahrung
>>> Asterix e os Normandos
>>> Asterix na Hispania
>>> Rio Bossa Nova
>>> 1001 Livros Para Ler Antes de Morrer
>>> Dom Quixote
>>> Casa-grande & senzala
>>> Os Clássicos da Política 2
>>> Os Clássicos da Política 1
>>> Aprender a Viver
>>> Os devaneios do caminhante solitário
>>> Olga
>>> Diagnóstico e Tratamento dos Problemas de Aprendizagem
>>> Obras
>>> Prepare-se para Enriquecer
>>> O Deus presente
>>> A Velhinha de Taubaté
>>> Meninos Sem Pátria
>>> Elite Intelectual e Debate Político nos Anos 30
>>> Didática
>>> Psicomotricidade seu objeto, seu espaço, seu tempo
>>> Vestido de Noiva
>>> Didática do Nível Pré-Silábico - Didática da Alfabetização - Vol. 1
>>> Atitudes Favoráveis ao Ensino
>>> Com todas as Letras
>>> O Construtivismo e a Educação
>>> Como viver ou Uma biografia de Montaigne em uma pergunta
>>> A Criança em Desenvolvimento
>>> Jogos Ocultos - Escolha Racional no Campo da Política Comparada
>>> Mecânica dos Fluidos - PLT 110
>>> Álgebra Linear - PLT 195
>>> Química - PLT 196
>>> Práticas de Laboratório para Engenharias - PLT 150
>>> Programação Estruturada - Treinamento em Linguagem C - PLT 193
>>> Uma Verdade Inconveniente - O Que Devemos Saber (e Fazer) Sobre O Aquecimento Global
>>> O Vaticano - Potência Mundial - História e Figura do Papado
>>> Ressurgimento em Portugal - 1962
>>> Bernardo Mascarenhas - O Surto Industrial de Minas Gerais
>>> Anchieta, o Escoteiro do Brasil - 2ª Edição
>>> Missão Radical - Máquinas Voadoras
>>> Álbum de Figurinhas Bandeiras e Países - Completo
>>> Álbum de Figurinhas Pokémon Temos que Pegar
>>> As Razões do Coração - 3ª Edição
>>> Eterno Não é Para Sempre - 3ª Edição
>>> Você Pode Curar Sua Vida - 42ª Edição
>>> A Ilha Perdida - Série Vaga-lume - 40ª Edição - 7ª Impressão
>>> Ronda Grotesca
>>> A Formação do Estado Burguês no Brasil (1888-1891)
>>> O Projeto Político de Pontes de Miranda
>>> O Colecionador de Lágrimas
COLUNAS

Quinta-feira, 16/3/2017
Mais espetáculo que arte
Guilherme Carvalhal

+ de 1800 Acessos



Em tempos de sociedade hipermidiática e em que pequenos e insignificantes acontecimentos sobrepõem fatos relevantes, a visão referente à cerimônia do Oscar foi de certo frisson em torno da gafe na entrega do prêmio de Melhor Filme e um pouco menos no que importa, a imensa qualidade do ganhador Sob a Luz do Luar. Essa visão se estende ainda para a disputa entre o ganhador e aquele que vinha sendo apontado como o favorito, La La Land e sua pegada estilo arrasa-quarteirão. Justamente por contar com maior relevância midiática e maiores comentários é que essa obra se estabeleceu como a potencial ganhadora.

Chamar La La Land de arrasa-quarteirão é um certo exagero, até mesmo por conta de seu diretor Damien Chazelle, que produziu o excelente Whiplash e assim se mostrou capaz de abordar temas que saem do lugar comum. Porém, dos indicados ao Oscar, La La Land é o que mais se vale das ferramentas de atração do público: casal de protagonistas simpáticos, felicidade para dar e vender durante boa parte do filme, uma dose de comédia de situação (mesmo que descambe em um drama). Para ser mais preciso, o filme foi um meio termo em Hollywood entre as megaproduções e o cinema autoral. Ele busca apresentar uma história mais profunda e utiliza atores renomados e belas técnicas de filmagem, tanto que ganhou Oscar de Design de Produção, Fotografia e Direção.

Foi justamente desse modelo que Sob a Luz do Luar escapa completamente, sendo o filme mais barato já realizado a ganhar o Oscar de Melhor Filme. Algo aliás que tem ocorrido frequentemente nas últimas premiações, de filmes que estão longe de serem sucesso de bilheteria levando a estatueta. As últimas grandes produções a disputarem, como Avatar e O Regresso, resultaram em derrota e em filmes com menor recepção do público sendo premiados.

Essa a circunstância que envolve Sob a Luz do Luar. Um filme de baixa repercussão popular recebendo a maior premiação do cinema expõe mais ainda a realidade que os últimos anos têm demonstrado, a de um desencaixe entre o cinema de qualidade e o cinema de alta bilheteria. Não apenas no cinema, mas em todas as formas de cultura se percebe isso, a de uma reprodução de conteúdo de fácil assimilação como o ponto forte de um empreendimento financeiro. E aquilo que se pretende enquanto inovador, questionador, reflexivo, etc, anda entre as margens da grande indústria.

A falta de contato com a obra gera más interpretações na recepção de Sob a Luz do Luar, qualificando-o como um filme negro e LGBT, que seria premiado como uma espécie de cota, principalmente após a série de protestos ano passado em decorrência da ausência de negros indicados. Nada mais distante da verdade, já que Sob a Luz do Luar possui um roteiro que conta uma história bela e humana e é muito bem amarrado, sem deixar nenhuma aresta sobrando.

Sob a Luz do Luar conta a vida de Chiron da sua infância até a fase adulta. O filme é recortado em três partes segundo a cronologia do rapaz: sua infância, adolescência e depois de adulto. Em todas essas partes, acompanhamos Chiron em busca de sua própria identidade, querendo se encaixar em algum lugar do mundo.

A construção da personalidade de Chiron e essa busca por quem ele de fato é se apoia em várias situações. Inicialmente temos o conflito familiar, da mãe viciada e da ausência do pai. Essa ausência o leva a buscar conforto na casa de Juan, um traficante, e sua esposa Teresa. E a imagem de Juan serve de parâmetro de Chiron por toda vida. Ao longo do filme outros conflitos surgem, como o gatilho da homossexualidade na adolescência e o contato com a violência, onde todas as suas influências (e as ausências, como a do vínculo familiar) o levam a fortes dilemas, o da busca por sua real identidade.

O verdadeiro valor inclusivo de Sob a Luz do Luar não é o de ser um filme negro vencendo o Oscar, mas a da quebra de esteriótipos dentro da narrativa. A indústria do cinema tem poucos protagonistas negros, e em muitos desses casos eles se encaixam dentro de um determinado padrão de personagem. Negros no papel de bandidos ou de operários eram comuns, mas não tanto em papéis de médicos ou juízes.

Sob a Luz do Luar tem um pouco de esteriótipos, como a visão do negro como uma classe excluída, a pobreza, a violência. Mas dentro desse esteriótipo (que eu particularmente encaro como a exposição de um problema social e não de um esteriótipo) os roteiristas e o diretor criaram uma história profunda, intrigante e humana, que não se limita a um panfleto social como se esperaria de um filme sobre negros e sobre homossexuais, mas a uma perspectiva mais existencial, sobre o papel do eu no mundo.

Da abordagem a esse filme, podemos olhar o perfil dos outros indicados ao Oscar e notar o quanto as indicações nesse ano de 2017 se deram em primazia dos roteiros do que de outros atributos técnicos. Manchester à Beira-Mar, ganhador do Oscar de Melhor Roteiro Original, apresenta um homem que tenta se estabelecer após um acidente matar seus filhos. Um limite entre nós é outra obra que apela bastante para a história e para o lado humanístico, sobre um homem brutalizado pela vida e sua relação com esposa e filhos. Basta pensar que das grandes produções do ano passado (como 50 Tons de Cinza, Star Trek: Sem Fronteiras, Rogue One) nenhuma foi indicada a Melhor Filme.

O que se poderia colocar como exceção seriam o já citado La La Land e A Chegada. Não que seus roteiros sejam mais fracos, porém são filmes com maior orçamento e com um apelo maior de efeitos e de elenco. A Chegada foi até uma surpresa, por ser um filme de ficção científica entre tantas obras com um pé bem fincado na terra, superando bastante o insosso Perdido em Marte, indicado ano passado.

E, mesmo entre tantas obras que possuem valores distintos e que podem agradar aos mais variados gostos por cinema e entretenimento, o que ficou marcado da entrega do Oscar foi a gafe com o ganhador do Oscar. Mais um marco de uma sociedade em que há pouca profundidade e o espetáculo fala mais alto do que qualquer análise mais profunda, tempos em que o comportamento de manada e a padronização de gostos se exacerba diante da indústria de entretenimento. Acabou que essa cena foi a redenção de si mesmo: se os filmes não causaram o impacto desejado pelo público, a falha proporcionou a dose de emoção que todos aguardavam.


Guilherme Carvalhal
Itaperuna, 16/3/2017


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Claudio Willer e a poesia em transe de Renato Alessandro dos Santos
02. Dilúvio, de Gerald Thomas de Jardel Dias Cavalcanti
03. Os Doze Trabalhos de Mónika. 12. Rumo ao Planalto de Heloisa Pait
04. Os Doze Trabalhos de Mónika. 10. O Gerador de Luz de Heloisa Pait
05. Os Doze Trabalhos de Mónika. 9. Um Cacho de Banana de Heloisa Pait


Mais Guilherme Carvalhal
Mais Acessadas de Guilherme Carvalhal em 2017
01. Sabemos pensar o diferente? - 21/9/2017
02. Aquarius, quebrando as expectativas - 6/4/2017
03. Mais espetáculo que arte - 16/3/2017
04. A pós-modernidade de Michel Maffesoli - 8/6/2017
05. Literatura, quatro de julho e pertencimento - 20/7/2017


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




LIÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL - VOLUME 3
ALEXANDRE FREITAS CÂMARA
LUMEN JURIS
(2003)
R$ 8,68



O MERCADOR DE VENEZA
WILLIAM SHAKESPEARE
MARTIN CLARET
(2016)
R$ 4,80



ALEGRIA E TRIUNFO
LOURENÇO PRADO
PENSAMENTO
(1995)
R$ 8,00



A FARSA
CLIVE CUSSLER
SEXTANTE
(2008)
R$ 5,99



A GUERRA DE DEUS - UMA NOVA HISTÓRIA DAS CRUZADAS - VOLUME 1
CHRISTOPHER TYERMAN
IMAGO
(2010)
R$ 79,90



O ESINO DE FILOSOFIA
ALEJANDRO CERLETTI
AUTÊNTICA
(2018)
R$ 20,00



QUATRO
VERONICA ROTH
ROCCO JOVENS LEITORES
(2014)
R$ 15,00



O DESPERTAR DA MEIA NOITE
LARA ADRIAN
UNIVERSO DOS LIVROS
(2011)
R$ 10,00



RITOS DE SANGUE + UM ESTUDO SOBRE A ORIGEM DA GUERRAG
BARBARA EHRENREICH
RECORD
(2000)
R$ 16,50



DINOSSAUROS - GIGANTES DO MUNDO PRÉ HISTÓRICO Nº 22
EDITORA GLOBO
GLOBO
(1993)
R$ 8,99





busca | avançada
23157 visitas/dia
708 mil/mês