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Quarta-feira, 9/5/2012
Colunas
Colunistas

O senhor Zimmerman e eu
>>> Eu tinha 15 anos e saí do extremo Sul em um ônibus de excursão, com mais dois ou três amigos, rumo a São Paulo. Todo mundo ia com camiseta dos Stones, mas eu ia com apenas um imperativo: ver o senhor Zimmerman tocar aquelas músicas que não eram apenas clássicos do rock, mas sim canções que tinham aura própria, que não eram apenas executadas à exaustão, mas comentadas, discutidas, cada uma com sua própria trajetória, uma história única.
por Luiz Rebinski Junior
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O Menino que Morre, ou: Joe, o Bárbaro
>>> Criada e roteirizada por Grant Morrison e desenhada por Sean Murphy, a minissérie Joe, O Bárbaro terminou de ser publicada pela Vertigo no mês de abril (oito partes, edições 21 a 28). A HQ terá em breve uma adaptação cinematográfica. É um conto que fala de guerra, doença, medo e morte, e de um garoto obrigado a enfrentá-los, de uma vez e sem controle do próprio corpo. Joe é um herói improvável.
por Duanne Ribeiro
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Um conto de duas cidades
>>> Comprei Um conto de duas cidades, de Charles Dickens, em maio de 1999. O livro ficou lá, escondido na estante, por mais de 10 anos, até que mudei de casa e comecei a arrumar a nova estante. Colocar livros numa estante pode parecer uma atitude simples para quem não gosta de leitura. Para um leitor assíduo, é algo demorado. É difícil resistir à tentação de dar uma folheada e ler um parágrafo ou outro. Foi assim que comecei a ler Um conto de duas cidades.
por Gian Danton
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A polêmica da Feira do Livro de Bento Gonçalves
>>> Neste ano, ao divulgar mais uma Feira do Livro de Bento Gonçalves, o prefeito anunciou que o patrono seria Gabriel, O Pensador. Até aí, tudo bem, o Estado já recebeu de braços abertos nomes como Ziraldo, Maurício de Sousa e o próprio Gabriel. O que causou estranheza é o valor do cachê divulgado na ocasião: R$ 170 mil reais. Sim, R$ 170 mil. Não é difícil imaginar que quando os escritores descobriram o tal cachê ficaram indignados.
por Marcelo Spalding
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O céu tornou-se legível
>>> Outro dia, alguém perguntou quais foram os livros que alteraram nossas visões de mundo. Enquanto eu pensava no assunto, as pessoas disparavam títulos em profusão. Antes que nos afogássemos em menções a clássicos e best-sellers de suposto valor revolucionário, um outro alguém sugeriu limitarmos a lista a apenas dez livros por pessoa. Todos acharam pouco, mas aceitaram. Só eu protestei. Dez livros eram demais.
por Carla Ceres
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Nem aos Domingos
>>> À beira da velhice e suas mazelas, os homens devem procurar uma companheira, não porque a idade lhes ensinou a amar algo além de si próprios e seu reflexo no espelho, mas porque precisam de alguém que cuide deles: um "combo" de empregada, governanta, secretária, enfermeira, acompanhante. Sem remuneração, direitos trabalhistas, turnos, folgas, horários. E que aguente tudo. Em outras palavras: Uma mulher, esposa, companheira.
por Marilia Mota Silva
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O Anvil e o amor à música
>>> Anvil! A história do Anvil (2008), de Sacha Gervasi, é um ótimo documentário sobre música. Conta a trajetória da banda do título do começo até... bem, não é até o estrelato. Afinal, o Anvil foi uma daquelas bandas que, por motivos diversos, acabou ficando pelo caminho. Não alcançou o sucesso comercial de bandas contemporâneas como Scorpions, Whitesnake e Bon Jovi. Aliás, esse é o mote do roteiro: acompanhar o dia a dia de quem fracassou.
por Rafael Fernandes
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Corrupção ou esperança
>>> Quando pensei o que escrever neste mês, me veio a palavra corrupção. Estava impressionado os inúmeros casos que estão sempre noticiados nos mais diversos veículos de comunicação, que mostram um Brasil representado, em sua maioria, por pessoas despreparadas e egoístas, agindo em proveito próprio e não na imensa população carente deste país. A idéia de escrever sobre o tema foi reforçada pelas irônicas e paradoxais frases de Millôr Fernandes.
por Daniel Bushatsky
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Não presta, mas vá ver
>>> Dizem que, um dia, os computadores ocuparão o lugar dos críticos e comentaristas de arte. Se esse momento chegar, perderei uma de minhas grandes diversões: ler uma porção de comentários discordantes sobre filmes ou livros e tentar adivinhar o que os provocou. Somente leitores muito ingênuos acreditam em críticas imparciais. Quem acompanha o jornalismo cultural já sabe que comentaristas escrevem de acordo com suas preferências.
por Carla Ceres
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Paulo César Saraceni (1933-2012)
>>> A Saraceni, entre os amigos conhecido como Sarra, deve-se dar um destaque especial. Como se pode ver nos arquivos de Glauber Rocha, disponíveis em Tempo Glauber, e no livro de memórias de Sarra, Por dentro do Cinema Novo (Nova Fronteira, 1993), é dos papos entre ele e Glauber nos bares da zona sul carioca ou em Salvador, no início dos anos 60, que se pode ter em mente o que os jovens cineastas queriam fazer para revolucionar o cinema brasileiro.
por Humberto Pereira da Silva
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Pina, de Wim Wenders
>>> Pina Bausch morreu em 2009, aos 69 anos. Além de coreógrafa reconhecida mundialmente, atuou como atriz no filme Fale com ela, de Pedro Almodóvar. Seria leviano de minha parte analisar criticamente os aspectos estéticos de sua coreografia ― há inúmeros especialistas capacitados para fazê-lo. Mas, valendo-me da "lente" de Win Wenders, nota-se a grandiosidade, a imponência da expressão corporal de Bausch.
por Wellington Machado
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O fim do livro, não do mundo
>>> As notícias nos dão conta: já vivemos a nostalgia do livro. Observe que, quando escrevo a palavra "livro", antecedida da palavra "nostalgia", uma imagem robusta apossa-se da mente dos leitores digitais: um tomo considerável, talvez clássico da literatura de ficção, um romance daqueles que espelhava, provocava e civilizava o mundo nos bons tempos, graças ao dom de um autor genial e infelizmente sem sucessores.
por Marta Barcellos
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Tolos Vorazes
>>> Qual o cenário mais improvável sobre o futuro da humanidade? Nem mesmo a pior das metáforas sobre o descontrole do poder estatal ou o sonho mais estapafúrdio sobre um clássico como O Senhor das Moscas conceberia o que se apresenta no cinema sob o nome de Hunger Games. A primeira adaptação para o cinema da trilogia criada pela escritora Suzanne Collins tenta explorar temas sérios, utilizando crianças como protagonistas de uma batalha pela sobrevivência.
por Vicente Escudero
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Herzog, Glauber e 'Cobra Verde'
>>> Werner Herzog é sabidamente um cineasta idiossincrático. Seu longa-metragem de estréia, Sinais de Vida, anuncia uma visão de cinema da qual se manterá fiel pelo menos até Cobra Verde. Há uma preocupação manifesta em exibir paisagens, ambientes e hábitos incomuns ao espectador habitual. Com isso, gerar desconforto e afrontá-lo em suas expectativas. Herzog e Glauber propõem um tipo de cinema exasperante, incômodo.
por Humberto Pereira da Silva
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Lições que aprendi com o Millôr
>>> Por anos, me iludi com a imortalidade de Millôr Fernandes. Se é gênio, só pode ser imortal, pensei. A ilusão ruiu em fevereiro de 2011, quando o Guru do Méier sofreu um AVC isquêmico que o deixou inconsciente e internado por meses a fio. Desde então, fui me conformando com o fato de que seria só uma questão de tempo. Mas, se consegui evitar o choque ao receber a notícia de sua morte, não consegui evitar a tristeza.
por Diogo Salles
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