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Segunda-feira, 1/4/2002
mariana ximenes nua!
Fabio Danesi Rossi

Com o título acima espero bater o recorde de acessos à minha coluna. Não deve haver um único brasileiro heterossexual que não queira ver a srta. Ximenes do jeito como ela veio ao mundo. Não digo careca, suja de sangue, com cordão umbilical. Digo nua, mas nua com seu corpo de hoje em dia.

Outro título que poderia tornar a minha coluna famosa:

Extra: Mariana Ximenes em tórrida cena de lesbianismo!

Que homem não gosta de ver duas mulheres se beijando? Principalmente se uma delas for a Ximenes? E quem não desejaria estar entre elas?

A maior qualidade do novo filme de Beto Brant, O Invasor, que estréia sexta-feira nos cinemas de São Paulo, é justamente mostrar a Mariana Ximenes exibindo seus gloriosos seios cheios de anseios num sensacional ménage à trois. O pior defeito é colocar o Paulo Miklos, um dos homens mais feios do mundo, entre as duas garotas. Só um completo néscio não perceberia que era eu quem devia estar lá. O papel foi feito sob medida pra mim.

Outra qualidade do filme se chama Malu Mader. Aparece pouco, infelizmente, mas está linda. É uma das raras mulheres a quem o tempo, ao invés de esfarelar, vai melhorando. Me faz lembrar a Sofia do Quincas Borba. Com a palavra o velho Machado:

Era daquela casta de mulheres que o tempo, como um escultor vagaroso, não acaba logo, e vai polindo ao passar dos longos dias. Essas esculturas lentas são miraculosas; Sofia rastejava os vinte e oito anos; estava mais bela que aos vinte e sete; era de supor que só aos trinta desse o escultor os últimos retoques, se não quisesse prolongar ainda o trabalho, por dois ou três anos.

Os olhos, por exemplo, não são os mesmos da estrada de ferro, quando o nosso Rubião falava com o Palha, e eles iam sublinhando a conversação... Agora, parecem mais negros, e já não sublinham nada; compõem logo as coisas, por si mesmos, em letra vistosa e gorda, e não é uma linha nem duas, são capítulos inteiros. A boca parece mais fresca. Ombros, mãos, braços, são melhores, e ela ainda os faz ótimos por meio de atitudes e gestos escolhidos. Uma feição que a dona nunca pôde suportar, - coisa que o próprio Rubião achou a princípio que destoava do resto da cara,- o excesso de sobrancelhas,-isso mesmo, sem ter diminuído, como que lhe dá ao todo um aspecto mui particular.


Ah, o excesso de sobrancelhas de Malu Mader! Se for defeito, é defeito feito para reafirmar sua perfeição. Um grande defeito. Um defeito genial. Uma nota dissonante numa sonata de Beethoven.

Mas voltemos ao filme, pois começo a ficar deprimido por estar há tanto tempo sem mulheres. Às vezes, como disse o Vampiro de Curitiba, mulher bonita dói...

O Invasor tem uma enorme vantagem sobre a maioria dos filmes nacionais. Oferece boas atuações e os personagens parecem pessoas de verdade. Incrível! Fantástico! Extraordinário! Falam como pessoas de verdade. Andam como pessoas de verdade. Se vestem como pessoas de verdade. Pena que todos são scumbags, gente da pior laia. Quando saí da sessão para a imprensa, comentei com outro colunista do Digestivo, o Eduardo Carvalho: “O filme é bastante realista, não?” e ele sabiamente comentou: “Realista demais! Já tenho que ver essa maldita realidade nos jornais e nas ruas, me desagrada ter que vê-la no cinema também. Além do mais, por que dizem que ‘a vida real’ é a miséria, o feio, a sacanagem? Por que sempre dizem que quem vive bem, viajando pelo mundo, comendo em bons restaurantes, saindo com pessoas bonitas, não conhece a tal da vida real? Por acaso a beleza, o conforto e as risadas não são reais? Só o choro e o grito são verdadeiros?”

A história d’ O Invasor até que é razoável, mas não suficientemente atraente para um longa de quase duas horas. Talvez desse um bom média-metragem. Resumindo: Alexandre Borges e Marco Ricca, para assumir o controle da firma onde trabalham, mandam matar o sócio. A coisa fica tensa quando, depois do crime, o assassino de aluguel (Paulo Miklos) “invade” a vida deles: pede mais dinheiro, exige um emprego permanente na empresa e – the horror, the horror - começa a sair com a filha do sócio assassinado. Há algumas boas cenas, a beleza irrepreensível de Mariana Ximenes e Malu Mader, mas Beto Brant, se sabe dirigir atores, não tem noção de timing. Comete o mesmo erro que cometeu em Os Matadores: cenas longas em que simplesmente nada acontece e tornam o filme bastante aborrecido. Pra piorar, a trilha sonora é no mínimo detestável e deve incomodar mesmo ouvidos acostumados aos piores barulhos do mundo.

Cotação: uma estrela e meia.

jantar com amigos
Pessoas de verdade, mas não bandidos repulsivos, apenas gente como a gente (viu como o tenho em boa conta, meu caro leitor?), podem ser vistas no filme Jantar com Amigos, recém-lançado em vídeo e DVD. O filme é baseado na peça de teatro de Donald Margulies, que, aliás, está em cartaz em São Paulo (ainda não vi, mas verei e volto ao assunto).

O filme é muito bom. Andie MacDowell (yummy, yummy) e Dennis Quaid se surpreendem quando seus melhores amigos, Toni Collete e Greg Kinnear, resolvem se separar. Isso traz à tona uma série de discussões sobre relacionamentos, sobre a vida de casado, sobre o passado, o presente e o futuro. Como é bom ver um filme com pessoas de verdade discutindo problemas de verdade, com a vantagem de que a realidade é muito mal escrita, o filme não.

cotação: two thumbs up.

velho braga
Tem uma pequena crônica do Rubem Braga que sempre me deixa estupefacto (com “c” mesmo). Chama-se “Falamos de Carambolas”. O que ele faz em duas páginas é insuperável. Começa com humor, um tanto melancólico, mas humor, e vai aos poucos deixando antever, com infinita delicadeza e ternura, o terrível da situação em que se encontram os dois personagens. O dia em que eu conseguir escrever uma crônica assim, jogo fora minha Remington (se eu tiver uma Remington, pois por enquanto digito meus parcos e porcos escritos num velho PC mesmo).

Na minha modesta opinião, Rubem Braga está entre os maiores mestres da língua portuguesa. Incrível é saber que na cidade onde nasceu, Cachoeiro do Itapemirim, no adorável Estado do Espírito Santo, ele é praticamente ignorado. Apesar de ter mais de 150 mil habitantes, há apenas uma livraria na cidade (na verdade, uma papelaria que por acaso vende livros), onde não se encontra uma única página do velho Braga. E a casa onde ele nasceu, transformada em museu da família Braga e biblioteca municipal, não tem todos os livros do cronista pra empréstimo.

Braga disse certa vez: "Sempre tenho confiança de que não serei maltratado na porta do céu, e mesmo que São Pedro tenha ordem para não me deixar entrar, ele ficará indeciso quando eu lhe disser em voz baixa: ‘Eu sou lá de Cachoeiro...’”

Será?

Fabio Danesi Rossi
São Paulo, 1/4/2002

 

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