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Segunda-feira, 19/9/2011
Jane Fonda em biografia definitiva
Sonia Nolasco

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Jane Fonda sempre foi bonita e (parece) inteligente. Fica difícil acreditar que tenha levado muitas chifradas e outras humilhações de seus três maridos; que ela engolia os desaforos até o sujeito se cansar do jogo e dar o fora. Quando Roger Vadim a descreveu abertamente como “versão aguada de Brigitte Bardot”, era para Jane se mancar. Mas, não; a atriz, naquela época jovem e linda Barbarella, continuou casada e trabalhando com Vadim, e ainda topou transformar seu casamento em menage à trois, para satisfazê-lo. Sua desculpa: ela selecionava as mulheres, assim mantinha controle na relação.

Em seus 73 anos, Jane Fonda viveu tantas vidas, dentro e fora das telas de cinema, com todos os detalhes registrados na mídia; foi objeto de nove biografias não autorizadas; e seu próprio livro de memórias, My Life so Far (2005), ficou meses nas listas de mais vendidos dos US ― que podemos afirmar que já se sabe tudo sobre a vida íntima da atriz. No entanto, Jane Fonda: The Private Life of a Public Woman, de Patricia Bosworth (Edit. Houghton Mifflin Harcourt, US$30, 596 págs.), ainda consegue surpreender e fascinar o leitor. Além disso, o livro de Bosworth é extremamente bem escrito.

“A coisa mais esquisita da carreira de ator”, disse Jane certa vez, “é que nos pagam para descobrir que temos personalidade múltipla”. Quem acredita na imagem que Jane projeta de uma personalidade forte, mulher resoluta que aceita desafios, militante contra a guerra do Vietnã, feminista, liberada desde antes da revolução sexual dos anos 60, descobre no livro de Bosworth uma garotinha insegura até hoje magoada pela falta de atenção do pai, Henry Fonda.

Jane sempre buscou ser outra pessoa ― atriz, militante política, filantropa, guru de aeróbicos ― dando a cada papel sua melhor performance. Mas, por trás da fachada vitoriosa, Jane foi ela mesma, natural, em seus três casamentos fracassados: com os lucros de Barbarella (1968), que ela não queria fazer por vergonha de se exibir seminua, pagou as dívidas de jogo e o imposto de renda acumulado de Roger Vadim, diretor de cinema francês da Nouvelle Vague; com os lucros de seu vídeo Workout (1982), que vendeu 17 milhões de cópias, bancou a carreira politica de Tom Hayden, ideólogo da Nova Esquerda americana, e aguentou-lhe as bebedeiras e várias amantes, até que ele (declarou à mídia) “cansou da celebridade de Jane”; ela deixou a carreira em 1991 para ser “madame patrão” do dono bilionário da CNN, Ted Turner, e descobriu, um mês depois da lua-de-mel, que ele transava com outras e, mais tarde, não abriu mão das amantes. Os dois passaram oito anos em terapia de casal, sem resultado.

Bosworth, que na década de 60 foi colega de Jane no The Actors Studio, de Lee Strasberg, em Nova York, apresenta um retrato completo da atriz não só porque acompanhou de perto sua carreira (no livro, faz um exame apurado dos cerca de 50 filmes de Jane), mas porque, ao entrevistar o irmão dela, Peter Fonda, foi avisada: “Jane conta uma versão de sua vida. Você precisa ouvir a de outras pessoas, porque são também interessantes”. No início (2000) do projeto de Bosworth, Jane se recusou a colaborar. Mudou de ideia (2003), com uma proposta indecorosa: mostraria a Bosworth o arquivo do FBI sobre ela se a biógrafa aceitasse pesquisá-lo e extrair as partes mais importantes para serem usadas em My Life so Far. Trato feito. Com carta branca de Jane, a autora teve acesso à família dela, amigos, ex-maridos e ex-namorados, colegas e diretores de cinema, além de longas conversas com Jane em seu rancho de Santa Fé, California (herança do divórcio de Turner, com mais US$100 milhões). Jane brecou o lançamento da biografia em agosto passado, pois queria publicidade só para seu livro, Prime Time (autoajuda: como ser feliz e autoconsciente aos 73 anos).

Mas finalmente Jane Fonda saiu e agrada bastante. Não se trata da biografia típica de uma celebridade, cheia de mexericos venenosos. E não porque Jane tenha colaborado, mas porque Bosworth é autora respeitável, desde suas biografias completas de Montgomery Clift (1978), Marlon Brando, e da fotógrafa Diane Darbus, cujo roteiro do filme Fur, baseado no livro, ela tambem escreveu. Bosworth prefere contar um simples fato correto ao rumor sensacional. A sutileza de sua prosa é admirável.

Lady Jane Seymour Fonda nasceu em Nova York, em 21de dezembro de 1937. Desapontamento para sua mãe, Frances, viúva socialite que herdara enorme fortuna do primeiro marido, e que queria um menino. Frances era bipolar e obcecada por sua relação complicada com o novo marido, Henry Fonda, ator totalmente dedicado à carreira e, em casa, enigmático e distante. Ela ignorou a filha desde o início, mas devotou-se exageradamente ao segundo filho, Peter (1940). Esse foi o cenário em que cresceu Jane, carente de atenção, ansiosa, sentindo-se sempre rejeitada, e fazendo de tudo para ser notada e receber afeto. Preferia o pai, que permaneceu indiferente. Declarou certa vez: “Eu tinha uma profunda necessidade psicológica de ser homem. Não queria ser mulher. Eu queria ser como meu pai”.

A saúde mental de Frances deteriorou-se quando Henry partiu para a guerra por dois anos (1943). Ao regressar, recebeu o papel principal na peça de teatro Mr. Roberts, na Broadway. Henry mudou a família de Hollywood para Greenwich, Connecticut, perto de Nova York, mas não para ficar em casa. Em 1949 ele anunciou que se apaixonara por outra mulher e queria o divórcio. Um ano depois, Frances internou-se num hospital psiquiátrico. Ao receber alta, e já em casa, cortou a garganta com uma navalha. Henry comunicou aos filhos que a mãe tinha morrido do coração. Continuou se apresentando no palco como se nada tivesse acontecido, e nunca discutiu o suicídio de Frances com Jane e Peter. No internato, Jane soube da verdade muito mais tarde, numa reportagem de revista. Tinha pesadelos sobre a mãe, que contava a Henry em longas cartas. Ele as devolvia com correções em vermelho dos erros gramaticais.

Com essa infância e adolescência tão diferentes do que a televisão mostrava em Papai sabe tudo, Jane já tinha todos os requisitos para ser neurótica e virar artista. Bosworth examina os fatos tentando provar que a carreira estupenda de Jane parece ter sido acionada por sua necessidade intrínseca de estabelecer uma identidade própria, além daquela de filha de ator célebre e mãe suicida. Ao terminar a faculdade, estudou em Nova York com Lee Strasberg, famoso professor de arte dramática. Exagerou a bulimia começada na adolescência (se empanturrava de comida e vomitava). Uma dieta de cigarros, iogurte e estimulantes (dexedrina) lhe dava adrenalina. Morava com Andreas Voutsinas, homossexual, coach de atores, e tinha com ele uma relação romântica e dependente. Em entrevista a Bosworth, ele descreveu como Jane era profundamente insegura, e que ele escolhia suas roupas, maquilagem, e lia seus scripts. Com um bom papel no cinema, Domingo em Nova York (Sunday in New York, 1963), e elogios da crítica, Jane expulsou Andreas do apartamento e passou a tomar decisões sozinha.

Tentou a sorte em Paris. Sua beleza e talento chamaram a atenção de Vadim, que moldara as carreiras de Catherine Deneuve e Brigitte Bardot, transformando esta em símbolo sexual. Bosworth conta que Jane se deixara infuenciar por Marilyn Monroe, sua colega no The Actors Studio, e sonhava em ser “gatinha sexy”. Vadim aproveitou a chance e praticamente a forçou a interpretar as aventuras de Barbarella, personagem de ficção científica em quadrinhos (papel recusado por Bardot e Sophia Loren). O filme virou cult em parte pelo strip-tease de Jane na abertura. Ansiosa pela constante aprovação de Vadim, ela mantinha em casa o papel de “mulher liberada”, partilhando a vida sexual do casal com parceiras extras. Jane diz que primeiro achou vulgar a proposta do marido, mas concordou porque ele a deixava escolher as mulheres: “Eu me lancei naquilo com a habilidade e o entusiasmo de uma atriz. Interpretava o papel. As mulheres invariavelmente se apaixonavam por mim!”.

A biografia inclui muitas outras histórias nada lisonjeiras, que sugerem fraquezas do caráter de Jane. Uma velha amiga, a atriz Madeleine Sherwood, comentou: “Jane foi a pessoa mais insegura que conheci, apesar de seu sucesso. Ela não era símbolo sexual. Era essencialmente modesta. Parecia que Jane estava confinada numa espécie de subserviência por causa de sua carência, falta de autoestima, e por sua aceitação incondicional do direito de Vadim usar e abusar dela psicologicamente”.

A filha deles, Vanessa, nasceu em 1968 (no dia do aniversário de Bardot!), quando Jane já estava interessada na guerra do Vietnã. Maternidade não era bem sua vocação. Embora se confessasse “politicamente ignorante”, seus amigos liberais Joan Baez e Marlon Brando a convenceram de que devia usar sua fama para vociferar contra os acontecimentos. Jane passou a tomar parte em atividades antiguerra, a apoiar (e subvencionar) o grupo radical Black Panthers, a defender os direitos das mulheres, dos índios americanos, e de outras causas consideradas esquerdistas pelo governo direitista dos EUA, na época. A profunda mudança na personalidade de Jane se nota em A noite dos desesperados (They Shoot Horses, Don't They?, 1969), pelo qual foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz. Jane tosou os longos cabelos de Barbarella, leu a Autobiografia de Malcolm X, ficou obcecada pelo assassinato de Robert Kennedy, mudou-se para Nova York (largando Vanessa com Vadim), e viajou pelo país pregando contra a corrupção do governo americano. Parou apenas para filmar Klute, o passado condena (1971), que lhe deu o primeiro Oscar.

Tornou-se a mulher ideal para Tom Hayden. Os dois militantes se casaram com comunhão de bens: Jane ganhava milhões no cinema e sustentava a causa; Tom se dedicava a ideais políticos, bebida e mulheres. Para cultivar a admiração do marido, Jane aceitou um convite para visitar Hanoi, onde denunciou o presidente Richard Nixon como criminoso de guerra e deixou-se fotografar, sorridente e de capacete, num canhão norte-vietnamita destinado a bombardear as tropas americanas. Virou “Hanoi Jane”, para fúria dos americanos, que a acusaram de traição. Nos EUA, seu nome tornou-se veneno de bilheteria, e Hollywood relegou-a ao ostracismo. Jane voltou à sua vidinha contracultura, lavando a roupa da família à mão, cozinhando, cuidando do filho, Troy Garity (1973) e da filha adotiva, Mary, africana, e ajudando a fundar e a difundir o projeto de Hayden, Indochine Peace Campaign.

Em seguida, ela fez as pazes com Hollywood e voltou a ser sucesso de bilheteria: Julia (1977); Amargo Regresso (Coming Home) ― que lhe deu o segundo Oscar ― e California Suite (1978); Síndrome da China (The China Syndrome, 1979); Como eliminar seu chefe (Nine to Five, 1980); Num lago dourado (On golden pond, 1981, com Henry Fonda); A manhã seguinte (The Morning After,1986). Em 1979, criou uma academia de exercícios aeróbicos. Deu certo: expandiu seu império para três estúdios, livro e vídeo, Workout, até hoje o mais vendido de todos os vídeos sobre malhação. Hayden usava a fama e o aval de Jane em sua campanha política. E exigiu da imprensa que, nas reportagens, seu nome estivesse antes do de Jane. Em 1984, ela foi votada a quarta mulher mais influente do mundo, depois de Madre Tereza, Nancy Reagan e Margaret Tatcher. Hayden deve ter se sentido muito humilhado com a celebridade de Jane, pois resolveu dizer-lhe que estava apaixonado por outra. Divorciaram-se em1987. Jane ficou anos arrasada.

Em1988, numa entrevista de TV, cadeia nacional, Jane pediu perdão pela inconsequência de seu ato no Vietnã: “Não pensei no que estava fazendo. E aqueles dois minutos de lapso de sanidade me atormentam até hoje”. Abriu o coração com a maior sinceridade, confessou suas incertezas, seus fracassos. Atriz notável. Um dos espectadores era Ted Turner, que decidiu tomar posse daquele trunfo. Passou a cortejar Jane de todas as formas e, poderoso mandão, certamente adorou ser recusado. Jane só cedeu ao carisma de Turner em 1991, casou com o magnata depois que ele jurou que seria sempre fiel (logo Turner, renomado mulherengo); deixou o cinema para ajudá-lo a promover o império em torno do canal CNN. Em nove anos, cansou daquele estilo de vida, das amantes de Turner, e pediu divórcio (2001).

Bosworth foi perspicaz no que contou e teve compaixão pela biografada. Sua história tem final feliz: na terceira idade, Jane venceu a batalha contra um câncer no seio, voltou ao cristianismo, continua a escrever livros e a promovê-los na mídia, que adora entrevistar atriz que fala demais como Jane; terminou dois filmes longa metragem e assinou contrato com o canal HBO para uma série sobre uma mulher de 70 anos. Reaproximou-se dos filhos e tornou-se avó amorosa. Jane jura que está mais feliz nessa fase da vida. Sobre seu atual namorado, o produtor de música Richard Perry, ela, que fez várias cirurgias plásticas, diz: “Amor e sexo são os melhores rejuvenescedores. Muito melhor que face-lift”.


Sonia Nolasco
Nova York, 19/9/2011

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