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Sexta-feira, 30/4/2004
1964-2004
Colunistas



1964-2004: Da televisão à internet – um balanço
>>> Quando penso em 1964, em termos culturais, e no que significativamente mudou, daqueles tempos para cá, penso logo na televisão. Mais especificamente, na fundação da TV Globo (1965). De alguma forma, tudo o que ocorreu desde então (principalmente para quem nasceu, como eu, na década de 1970) passou pelo “filtro” da Rede Globo. Claro, também é muito fácil demonizar a Globo – e eu vou tentar não cair nessa tentação.
por Julio Daio Borges
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Detefon, almofada e trato
>>> Muita gente lutou para que o país voltasse a um regime democrático, mas parece que a população ainda sofre de inconstância e crise de identidade. Entre um regime paternalista e repressor, mas que tira o peso da responsabilidade, e uma situação democrática que só funciona se cada um assumir seu papel e contribuir para o bem-estar geral, parece que os brasileiros estão preferindo detefon, almofada e trato.
por Adriana Baggio
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Gênios do pau-de-arara e saudosistas da violência
>>> A cada vez que escuto alguém dizer que o livro ou a música ou a peça é boa porque, afinal, eu lutei contra os militares, eu fui da resistência, eu lutei pela democracia, etc., sinto calafrios. Os gênios do pau-de-arara infestam nossa literatura, nossos cinema, nossa dramaturgia e nossa música. Por outro lado, o que se vê surgir nos 40 anos do golpe de 1964 são os saudosistas da violência.
por Paulo Polzonoff Jr
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Wilson Simonal: o rei do Pa-tro-pi
>>> Wilson Simonal venceu as barreiras da pobreza e transformou-se num dos artistas mais populares e bem pagos do Brasil. No final da década de 60, em plena ditadura militar, época de fortes manifestações políticas e culturais, e com o país tomado por um maniqueísmo desenfreado, ele era como um rei. O resgate de sua da carreira, portanto, deve ser tratado com seriedade e urgência
por Mônica Herculano
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Armandinho, o subversivo, versus o Cabeça de Melão
>>> Toda vez que os pais de Armandinho brigavam era a mesma coisa. Um deles tocava num assunto que desagradava ao outro e pimba. As farpas começavam a voar pra todo lado e, finalmente, "pelo bem do Armandinho", quem iniciou a discussão falava: "Deixa pra lá, não vamos discutir". Desta vez, no entanto, foi diferente. Fernando anunciou: "Marlene, arruma o Armandinho que hoje eu vou levar ele numa solenidade."
por Lisandro Gaertner
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Glauber e o Golpe: da esperança ao desencanto
>>> Entender o Cinema Novo e os ideais que o motivaram é, ao mesmo tempo, entender toda a geração que teve nos anos 60 seu auge em termos de esperança e transformações histórico-sociais. Geração que também presenciou essa mesma esperança transformar-se em niilismo e desencanto com o golpe militar de 1964. Compreender essa transição de sentimentos através dos filmes de Glauber Rocha é o meu objetivo aqui.
por Lucas Rodrigues Pires
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Apesar de vocês
>>> Agora, no Golpe de 2004, Caetano canta em inglês. Já Chico Buarque não cantava “Apesar de Você” nem mesmo na época da ditadura. Corria o risco de ser preso – os censores já tinha avisado. O público pedia, Chico fazia que não era com ele. Até que num show, sua mãe estava presente e percebeu a vontade dos presentes em tocar a música, e Chico se recusando. Não se conteve, gritou: “Seja homem, meu filho. Toca a música”.
por Alexandre Petillo
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Desfazendo alguns mitos sobre 64
>>> Basta olhar quem hoje está no poder político da Nação para perceber que são os derrotados militarmente em 64, que venceram uma das batalhas mais importantes: a cultural. Refugiando-se nesta área negligenciada pelos governos militares, passaram a escrever grande parte da história, principalmente aquela de alcance público, acadêmico e nas escolas de todos os níveis, novelas e minisséries de TV.
por Heitor De Paola
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O Rei Roberto Carlos e a Ditadura
>>> O namoro do Rei Roberto Carlos com o regime não foi um breve piscar de olhos, um flerte, um aceno a distância. Não sei se me explico bem. O Rei Roberto não compôs só a música permitida naqueles anos de proibição. O Rei não foi só o “jovem” bem-comportado, que não pisava na grama, porque assim lhe ordenavam. Ele não foi apenas o homem livre que somente fazia o que o regime mandava.
por Urariano Mota
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Vanguarda e Ditadura Militar
>>> Adeptos da frase de Maiakovsky (“Sem forma revolucionária não há arte revolucionária”), para os artistas brasileiros dos anos 60 e 70, arte, cultura, política e ética eram elementos indissociáveis de uma mesma questão, a da participação política. O que os artistas buscavam era um processo de comunicação cujo objetivo era, em última instância, uma intervenção na realidade.
por Jardel Dias Cavalcanti
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1964: entre o passado e o futuro
>>> O Brasil ainda não superou de todo o que aconteceu naquele 1º de abril. E não é por falta de memória, como gostam de acusar alguns. O grande entrave, ao que parece, é a impossibilidade de pensar no futuro sem se ancorar na mitologia que envolve o Golpe. Um grande passo para mudar esse cenário é ouvir com atenção uma das letras de Chico Buarque: “Apesar de você, amanhã há de ser outro dia”. O amanhã já chegou.
por Fabio Silvestre Cardoso
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