<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<?xml-stylesheet href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/rss2full.xsl" type="text/xsl" media="screen"?><?xml-stylesheet href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css" type="text/css" media="screen"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0" version="2.0"><channel><title>Digestivo Cultural - Digestivos</title><link>http://www.digestivocultural.com/arquivo</link><description>Notas de Julio Daio Borges</description><language>pt-BR</language><lastBuildDate>Wed, 07 Jan 2009 08:07:00 -0300</lastBuildDate><image><url>http://www.digestivocultural.com/home/imagens/logo.jpg</url><title>DigestivoCultural.com</title><link>http://www.digestivocultural.com</link></image><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" href="http://feeds.feedburner.com/DigestivoCultural-Digestivos" type="application/rss+xml" /><feedburner:browserFriendly></feedburner:browserFriendly><item><title>50 anos de Os Donos do Poder, de Raymundo Faoro</title><link>http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1498</link><dc:creator>Julio Daio Borges</dc:creator><category>Além do Mais</category><description><![CDATA[<center><a href="http://www.digestivocultural.com/arquivo/imagens/396-1a.jpg" TARGET="_blank"><IMG SRC="http://www.digestivocultural.com/arquivo/imagens/396-1b.jpg" border="0"></A></center><BR>Quando Lula finalmente foi eleito presidente do Brasil, Mino Carta se deixou fotografar ao lado de Raymundo Faoro, em <I>Carta Capital</I>, num dos muitos momentos de comemoração de algo que até a &#8212; <I>maledetta</I> &#8212; <I>Veja</I> chamou de "<A HREF="http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=559" TARGET="_blank">feito histórico</A>". Faoro, que nasceu em 1925, <A HREF="http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=676" TARGET="_blank">veio a falecer em 2003</A>. Mino Carta, recentemente, inaugurou até <A HREF="http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=676" TARGET="_blank">um <I>blog</I></A>, mas a tendência é <A HREF="http://culturaempauta.com.br/?p=687" TARGET="_blank">convertê-lo num <I>videoblog</I></A>, embora passe a maior parte do tempo hoje "fora do ar" (Mino e seu <I>blog</I>). A comemoração no já longínquo &#8212; politicamente &#8212; 2002 sinalizava para uma possível expulsão histórica dos velhos "donos do poder"... Aconteceu? Ou só mudaram os "donos"? E depois do "<A HREF="http://www.digestivocultural.com/especial/especial.asp?codigo=27" TARGET="_blank">suposto mensalão</A>"... mudaram, de novo? O que diria Faoro, ainda, do governo economicamente "neoliberal" (ou, melhor, <A HREF="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2670257" TARGET="_blank"><I>liberal</I></A>) de Lula? Bendita herança maldita! E a atual injunção do Estado na economia pós-crise, como soaria aos ouvidos de Faoro, que foi puxar na hipertrofia da coroa lusa (sempre intervindo no mercado) a origem das nossas mazelas? Resta-nos cogitar... E ler a nova edição de <I>Os Donos do Poder &#8212; Formação do Patronato Político Brasileiro</I>, que tem a idade da bossa nova, e que ganhou capa dura pela Globo, com prefácio de <A HREF="http://lattes.cnpq.br/1149340244513528" TARGET="_blank">Gabriel Cohn</A> e reprodução dos manuscritos de Faoro das duas primeiras edições. É isso mesmo: o último clássico de interpretação do Brasil foi escrito há mais de cinco décadas. E, agora, quem se candidatará a interpretar o "B" do <A HREF="http://pt.wikipedia.org/wiki/BRIC" TARGET="_blank">BRIC</A> e a ascensão da classe média brasileira? [<A HREF='http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1498' TARGET='_blank'>Comente esta Nota</A>] [<A HREF='http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1498#forward' TARGET='_blank'>Encaminhe esta Nota</A>] [<A HREF='http://www.digestivocultural.com/arquivo/tema.asp?codigo=1' TARGET='_blank'>Mais Além do Mais</A>]<BR> &gt;&gt;&gt; <A HREF="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=5078392" TARGET="_blank">Os Donos do Poder</A>]]></description><pubDate>Fri, 02 Jan 2009 00:00:00 -0300</pubDate></item><item><title>A implicância de Machado com O Primo Basílio</title><link>http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1497</link><dc:creator>Julio Daio Borges</dc:creator><category>Literatura</category><description><![CDATA[<center><a href="http://www.digestivocultural.com/arquivo/imagens/396-2a.jpg" TARGET="_blank"><IMG SRC="http://www.digestivocultural.com/arquivo/imagens/396-2b.jpg" border="0"></A></center><BR>O <A HREF="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2612740" TARGET="_blank">Machado de Assis</A> romântico implicou com <A HREF="http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Primo_Bas%C3%ADlio" TARGET="_blank"><I>O Primo Basílio</I></A>, de <A HREF="http://pt.wikipedia.org/wiki/E%C3%A7a_de_Queiroz" TARGET="_blank">Eça de Queiroz</A>, assim que ele saiu. Não suportava o fato de Luísa trair Jorge com Basílio, seu primo, sem nenhum motivo mais forte. Para Machado, era uma falha imperdoável do romance. Nosso maior escritor não podia conceber uma mulher &#8212; ou uma personagem feminina &#8212; que se deixasse levar, "ao sabor do vento", a cometer um verdadeiro crime contra a instituição do matrimônio. Abominava, ainda, o que chamou de "uma luta intestina" entre Luísa, a adúltera, e sua criada, Juliana &#8212; quando esta, igualmente por acaso (sempre na interpretação de Machado), passou a chantageá-la com cartas que documentavam a transgressão. Usando pseudônimo (e já os havia desde o século XIX, ó internautas!), Machado fez publicar duas críticas ao livro de Eça &#8212; a segunda praticamente se justificando perante as respostas dos "realistas" (comentaristas?) de plantão, que saíram em defesa do grande escritor português nas gazetas do Brasil. Eça acabou lendo lá em Portugal, descobriu que o hábil crítico era Machado e, na sua prosa finíssima, não conseguiu deixar o Bruxo sem resposta: "Seu [primeiro] artigo, pela elevação e pelo talento com que está feito, honra o meu livro, quase lhe aumenta a autoridade" (!). E, de novo, ao despedir-se, elogiava olimpicamente o crítico: "Rogo-lhe aceitar a expressão do meu grande respeito pelo seu belo talento, [assinado] Eça de Queiroz". Esta polêmica se encontra esmiuçada, como poucas vezes, na clássica biografia de Magalhães Júnior, que a Record reedita agora, por ocasião do centenário da morte de Machado. As aulas de literatura &#8212; e as <I>discussões</I> sobre literatura &#8212; parecem muito graves hoje (quando ocorrem), mas vale recordar que também tiveram seus momentos (intestinos?) tão interessantes... [<A HREF='http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1497' TARGET='_blank'>Comente esta Nota</A>] [<A HREF='http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1497#forward' TARGET='_blank'>Encaminhe esta Nota</A>] [<A HREF='http://www.digestivocultural.com/arquivo/tema.asp?codigo=7' TARGET='_blank'>Mais Literatura</A>]<BR> &gt;&gt;&gt; <A HREF="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2612740" TARGET="_blank">Vida e Obra de Machado de Assis</A>]]></description><pubDate>Wed, 31 Dec 2008 00:00:00 -0300</pubDate></item><item><title>Little Joy, o disco</title><link>http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1496</link><dc:creator>Julio Daio Borges</dc:creator><category>Música</category><description><![CDATA[<center><a href="http://www.digestivocultural.com/arquivo/imagens/396-3a.jpg" TARGET="_blank"><IMG SRC="http://www.digestivocultural.com/arquivo/imagens/396-3b.jpg" border="0"></A></center><BR><A HREF="http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1461" TARGET="_blank">Marcelo Camelo saiu na frente com seu <I>Sou</I></A>, mas <A HREF="http://pt.wikipedia.org/wiki/Rodrigo_Amarante" TARGET="_blank">Rodrigo Amarante</A> não ficou para trás com seu <I>Little Joy</I>, o álbum da banda de mesmo nome, com Fabrizio Moretti, baterista brasileiro dos <A HREF="http://www.thestrokes.com/" TARGET="_blank">Strokes</A>, e Binki Shapiro, sua namorada cantora. Na contramão do <A HREF="http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1481" TARGET="_blank">aspecto de <I>demo tape</I> do registro de Camelo</A>, o disco do Little Joy tem produção bem cuidada em todas as faixas e, embora aposte igualmente no "novo <I>folk</I>", assume que foi gravado num estúdio e não numa garagem ou mesmo num quarto. A evolução de Amarante, que já era impressionante desde a banda com Camelo, continuou adiante e, se no início <A HREF="http://pt.wikipedia.org/wiki/Los_Hermanos#O_in.C3.ADcio_e_a_repercuss.C3.A3o" TARGET="_blank">em 1999</A> ele não tocava quase nenhum instrumento, agora, além de empunhar guitarra e violão, canta em inglês com desenvoltura, ora fazendo coro com Binki, ora com Fabrizio. "<I>No One's Better Sake</I>" (<A HREF="http://www.youtube.com/watch?v=mhPREStJlTg" TARGET="_blank">clipe</A> com <A HREF="http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1072" TARGET="_blank">Devendra Banhart</A> na percussão) é puro Bob Marley, uma influência não identificável na época dos Hermanos. "<A HREF="http://www.youtube.com/watch?v=o2lKjazoQ9g" TARGET="_blank"><I>Don't Watch Me Dancing</I></A>" pode soar como uma resposta ao romance de Camelo com Mallu Magalhães, a não ser pelo fato de que Binki Shapiro canta muito melhor e pode, inclusive &#8212; como no caso de <A HREF="http://www.astrudgilberto.com/" TARGET="_blank">Astrud Gilberto</A> &#8212;, ser o tiro que saiu pela culatra. "<A HREF="http://www.youtube.com/watch?v=FQ2CBUU7KbU" TARGET="_blank">Evaporar</A>" é para matar a saudade de Amarante cantando em português &#8212; poderia ter feito parte de <A HREF="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=1778" TARGET="_blank"><I>4</I></A> (2005), assim como "<A HREF="http://www.youtube.com/watch?v=qJCNKxt3VLA" TARGET="_blank"><I>Keep Me In Mind</I></A>" poderia estar em <A HREF="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ventura_(%C3%A1lbum)" TARGET="_blank"><I>Ventura</I></A> (2003) ou num registro dos Strokes (é a semelhança mais próxima a que o Litlle Joy ameaça chegar). As fotos de divulgação sugerem um triângulo, algo na moda desde <A HREF="http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1494" TARGET="_blank"><I>Vicky Cristina Barcelona</I></A>, mas, ao contrário de Mallu e Marcelo, não há assessorias querendo alimentar <I>sites</I> de fofoca. <A HREF="http://g1.globo.com/Noticias/Musica/0,,MUL928440-7085,00-BANDA+LITTLE+JOY+FARA+SHOWS+NO+BRASIL+EM.html" TARGET="_blank">O trio desembarca no Brasil em janeiro</A>... &#8212; como ficarão Amarante e Fabrizio interpretando clássicos contemporâneos como "<A HREF="http://www.youtube.com/watch?v=3tuvX_X7Rlw" TARGET="_blank"><I>Last Nite</I></A>" e "<A HREF="http://www.youtube.com/watch?v=8MfDWutF8fM" TARGET="_blank">Retrato pra Iaiá</A>"? [<A HREF='http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1496' TARGET='_blank'>Comente esta Nota</A>] [<A HREF='http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1496#forward' TARGET='_blank'>Encaminhe esta Nota</A>] [<A HREF='http://www.digestivocultural.com/arquivo/tema.asp?codigo=8' TARGET='_blank'>Mais Música</A>]<BR> &gt;&gt;&gt; <A HREF="http://www.myspace.com/littlejoymusic" TARGET="_blank">Little Joy</A> | <A HREF="http://www.digestivocultural.com/blog/post.asp?codigo=2167" TARGET="_blank">Little Joy, trechos ao vivo</A>]]></description><pubDate>Mon, 29 Dec 2008 00:00:00 -0300</pubDate></item><item><title>O Mundo Pós-Americano, de Fareed Zakaria</title><link>http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1495</link><dc:creator>Julio Daio Borges</dc:creator><category>Literatura</category><description><![CDATA[<center><a href="http://www.digestivocultural.com/arquivo/imagens/395-1a.jpg" TARGET="_blank"><IMG SRC="http://www.digestivocultural.com/arquivo/imagens/395-1b.jpg" border="0"></A></center><BR><I>O Mundo Pós-Americano</I> é o <I>must-read</I> da estação. Se tiver de escolher um volume para acompanhar nos recessos de final de ano, ele deve ser o livro de <A HREF="http://www.fareedzakaria.com/" TARGET="_blank">Fareed Zakaria</A>, sem hesitação. Além de ter sido o <A HREF="http://groufeliz.blogspot.com/2008/05/obama-l.html" TARGET="_blank">livro de cabeceira de Barack Obama</A> durante a eleição, Zakaria conseguiu antecipar a virada pela qual estamos passando agora &#8212; neste momento agudo de crise &#8212;, onde o Brasil e "emergentes" como a China e a Índia ganham relevo, sem discussão. Zakaria nasceu na Índia, mas ascendeu nos Estados Unidos, tendo chegado a editor da <I>Newsweek Internacional</I> e a apresentador da CNN &#8212; logo, embora nutra uma simpatia natural pelo seu país de origem, quer que os EUA consigam se reerguer como superpotência mundial. Portanto, ainda que o título do livro aponte para uma planeta "pós"-Estados Unidos, a grande tese de Zakaria não é sobre a debacle dos EUA, como potência, mas, sim, sobre o que ele chama de "<A HREF="http://veja.abril.com.br/livros_mais_vendidos/trechos/o-mundo-pos-americano.html" TARGET="_blank">a ascensão do resto</A>". Qualquer semelhança com o discurso multipolar de Obama não é mera coincidência. Afinal, como diz aquele adágio &#8212; já popular &#8212; "os Estados Unidos da América globalizaram o mundo, mas esqueceram de globalizar-se a si próprios"... Zakaria abre com a mudança de eixo no globo, do Ocidente para o Oriente, analisa <I>as</I> principais "antagonistas" dos EUA &#8212; China e Índia &#8212; e conclui com algo que Hillary Clinton sintetizou em sua posse <A HREF="http://www.digestivocultural.com/blog/post.asp?codigo=2104" TARGET="_blank">como Secretária de Estado</A>: o mundo não pode prescindir dos Estados Unidos tanto quanto os Estados Unidos não pode prescindir do mundo hoje. Escritor por um jornalista, com o mínimo de erudição de quem ambiciona o respeito de um historiador, <I>O Mundo Pós-Americano</I> é prazeirosamente legível e riquíssimo em informações &#8212; em resumo, um guia para quem quer conhecer "o mundo em que vive", como diria Paulo Francis. [<A HREF='http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1495' TARGET='_blank'>Comente esta Nota</A>] [<A HREF='http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1495#forward' TARGET='_blank'>Encaminhe esta Nota</A>] [<A HREF='http://www.digestivocultural.com/arquivo/tema.asp?codigo=7' TARGET='_blank'>Mais Literatura</A>]<BR> &gt;&gt;&gt; <A HREF="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2647234" TARGET="_blank">O Mundo Pós-Americano</A>]]></description><pubDate>Fri, 26 Dec 2008 00:00:00 -0300</pubDate></item><item><title>Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen</title><link>http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1494</link><dc:creator>Julio Daio Borges</dc:creator><category>Cinema</category><description><![CDATA[<center><a href="http://www.digestivocultural.com/arquivo/imagens/395-2a.jpg" TARGET="_blank"><IMG SRC="http://www.digestivocultural.com/arquivo/imagens/395-2b.jpg" border="0"></A></center><BR>No embalo do sucesso de <I>Vicky Cristina Barcelona</I>, a prefeitura do Rio de Janeiro quer convidar Woody Allen, para usar a cidade maravilhosa como cenário em um de seus longas, daqui a dois anos. Pode parecer factível, visto que o cineasta norte-americano tem a agenda livre para 2010, e que a prefeitura de Barcelona (junto com o governo da Catalunha) efetivamente injetara(m) 10% da verba do orçamento de <I>Vicky Cristina</I>, mas, artisticamente falando, não faz o menor sentido, porque &#8212; para começar &#8212; o Brasil não tem nenhum <A HREF="http://www.digestivocultural.com/blog/post.asp?codigo=2070" TARGET="_blank">Pedro Almodóvar</A>. <I>Vicky Cristina Barcelona</I> é, conforme a crítica apontou, um diálogo bem construído entre o universo nova-iorquino de Allen e o mundo espanhol de Almodóvar. Desde os atores, Javier "<A HREF="http://www.jdborges.com.br/artigos/coletaneas/14semanas/carnetremula.htm" TARGET="_blank"><I>Carne Trêmula</I></A>" Bardem e Penélope "<A HREF="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2149" TARGET="_blank"><I>Volver</I></A>" Cruz até a tragédia que encontra a comédia, a aventura que encontra os excessos e a racionalidade que cede aos apelos da paixão. Scarlett "Cristina" Johansson &#8212; a musa <I>sexy</I>, já há três longas, do diretor (<A HREF="http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1086" TARGET="_blank">1</A> e <A HREF="http://pt.wikipedia.org/wiki/Scoop_(filme)" TARGET="_blank">2</A>) &#8212; faz, justamente, a ponte entre a existência altamente estruturada de sua amiga Vicky e ao caos existencial de Javier "Juan Antonio" Bardem e sua problemática musa, Penélope "María Elena" Cruz. O filme funciona porque o diálogo efetivamente acontece, entre as duas cinematografias &#8212; o que está longe de ocorrer entre Nova York e o Rio, em matéria de sétima arte contemporânea. A não ser que Woody Allen puxe por, sei lá, <A HREF="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=1947" TARGET="_blank">Carmen Miranda</A>... <A HREF="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=1402" TARGET="_blank">Glauber Rocha</A> &#8212; se vivo fosse &#8212; poderia se converter numa opção, mas não seus atuais colegas de Cinema Novo &#8212; que: ou já passaram da idade; ou se renderam aos apelos da televisão; ou, <I>tout simplement</I>, abandonaram o metier. O Rio de Janeiro não vai morrer se não tiver sua obra-prima nova-iorquina em película. <I>Vicky Cristina</I> parece naturalíssimo, mas só foi possível porque a Espanha, de alguma forma, "investiu" em cinema nas últimas décadas; o Brasil, nem tanto. Assisti-lo &#8212; e deleitar-se com ele &#8212; é menos risco, por enquanto. [<A HREF='http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1494' TARGET='_blank'>Comente esta Nota</A>] [<A HREF='http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1494#forward' TARGET='_blank'>Encaminhe esta Nota</A>] [<A HREF='http://www.digestivocultural.com/arquivo/tema.asp?codigo=3' TARGET='_blank'>Mais Cinema</A>]<BR> &gt;&gt;&gt; <A HREF="http://vickycristina-movie.com/" TARGET="_blank">Vicky Cristina Barcelona</A>]]></description><pubDate>Wed, 24 Dec 2008 00:00:00 -0300</pubDate></item><item><title>O Suplício do Papai Noel, por Claude Lévi-Strauss</title><link>http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1493</link><dc:creator>Julio Daio Borges</dc:creator><category>Além do Mais</category><description><![CDATA[<center><a href="http://www.digestivocultural.com/arquivo/imagens/395-3a.jpg" TARGET="_blank"><IMG SRC="http://www.digestivocultural.com/arquivo/imagens/395-3b.jpg" border="0"></A></center><BR>Papai Noel nem sempre foi essa unanimidade que todos bem conhecemos. Em meados do século passado, em Dijon na França, ele foi incinerado por um grupo de padres, na frente de um orfanato, numa tentativa, extrema, de banir esse símbolo do Natal, então associado ao consumismo norte-americano. Como se sabe, a igreja perdeu mais essa batalha e Papai Noel ressuscitou, dias depois, na prefeitura da mesma cidade, em todo seu esplendor, sem nenhum arranhão. Quem nos lembra desse episódio hoje cômico, ontem lamentável, é <A HREF="http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u642.jhtm" TARGET="_blank">Claude Lévi-Strauss</A> num ensaio que usa o Papai Noel como tema, recém-editado pela <A HREF="http://www.cosacnaify.com.br/noticias/extra/levistrauss2/home.html" TARGET="_blank">Cosac Naify</A>. A imagem do bom velhinho se consagrou no mundo inteiro não porque os Estados Unidos fossem superpoderosos, mas simplesmente porque, como mito, ele conseguiu galvanizar lendas, desde as indígenas &#8212; nas aldeias que presenteavam suas crianças &#8212; até as do Império Romano &#8212; nas festas em homenagem a Saturno em dezembro &#8212;, passando pela árvore mágica associada ao Rei Artur e pelo fausto dos monarcas, em seu manto vermelho e em suas peles para proteção. Lévi-Strauss ficou conhecido, entre nós, por conta de <A HREF="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=64637" TARGET="_blank"><I>Tristes Trópicos</I></A> e por sua passagem pela USP, no momento de sua fundação, mas a editora de <I>O Suplício do Papai Noel</I> nos relembra que o célebre antropólogo completou 100 anos &#8212; isso mesmo &#8212; no último 28 de novembro. Nos aniversários redondos da Universidade de São Paulo, ele é sempre convocado para rememorar seus feitos como professor e suas expedições entre os silvícolas. Lévi-Strauss demonstrou &#8212; neste pequeno livro, de novo &#8212; que entender a alma selvagem é entender a alma da civilização, a alma do mundo, ponto. [<A HREF='http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1493' TARGET='_blank'>Comente esta Nota</A>] [<A HREF='http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1493#forward' TARGET='_blank'>Encaminhe esta Nota</A>] [<A HREF='http://www.digestivocultural.com/arquivo/tema.asp?codigo=1' TARGET='_blank'>Mais Além do Mais</A>]<BR> &gt;&gt;&gt; <A HREF="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=11024608" TARGET="_blank">O Suplício do Papai Noel</A>]]></description><pubDate>Mon, 22 Dec 2008 00:00:00 -0300</pubDate></item><item><title>A crise nos jornais dos EUA</title><link>http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1490</link><dc:creator>Julio Daio Borges</dc:creator><category>Imprensa</category><description><![CDATA[<center><a href="http://www.digestivocultural.com/arquivo/imagens/394-1a.jpg" TARGET="_blank"><IMG SRC="http://www.digestivocultural.com/arquivo/imagens/394-1b.jpg" border="0"></A></center><BR>E a crise do <I>subprime</I> chegou aos jornais dos EUA. Foi na semana passada, com o <A HREF="http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2008/12/08/grupo_tribune_company_pede_concordata_nos_eua-586897166.asp" TARGET="_blank">pedido de concordata da Tribune Company</A>, dona de doze diários, entre eles o <I>Los Angeles Times</I> e o <I>Chicago Tribune</I>, dois dos maiores veículos impressos do país. Por trás da empresa, está <A HREF="http://www.fleetstreetinvest.co.uk/daily-reckoning/bill-bonner-essays/sam-zell-newspaper-failure-00398.html" TARGET="_blank">Sam Zell</A>, dono de uma fortuna pessoal de 5 bilhões, mas igualmente responsável por uma dívida &#8213; contraída pela Tribune Company &#8213; de 12 bilhões de dólares. Os anos de 2006 e 2007 foram de "exuberância irracional" também para a velha mídia, que se envolveu em aquisições de jornais locais, contraindo empréstimos e apostando numa virada que, provavelmente, não vai mais acontecer. (<A HREF="http://tecnologia.terra.com.br/interna/0,,OI3360962-EI4795,00.html" TARGET="_blank">Atenção, Murdoch</A>. Atenção, Organizações Globo &#8213; que se preparam para anunciar a <A HREF="http://www.gibaum.com.br/26062008.htm" TARGET="_blank">aquisição de um jornalão de São Paulo</A> em 2009...) Neste ano, em meio à <A HREF="http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u467313.shtml" TARGET="_blank">nova crise do desemprego</A>, foram cortadas mais de 9 mil vagas de jornalistas nos EUA. Muitos deles não têm mais esperança de conseguir trabalho na indústria e muitos consideram, inclusive, que sua carreira jornalística pode ter chegado ao fim. <A HREF="http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5h5qdwLi2LsaQoCM4WXsFqZsrWb-A" TARGET="_blank">E o <I>New York Times</I> hipotecou sua sede</A>, para pagar &#8213; adivinhe? &#8213; uma parcela de um empréstimo em 2009... <A HREF="http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2008/12/11/camara_dos_eua_aprova_ajuda_montadoras_mas_senado_mostra_reservas-586949002.asp" TARGET="_blank">A exemplo do que aconteceu com as montadoras</A> recentemente, já se fala na possibilidade do governo Barack Obama socorrer esses dinossauros à beira da extinção. Até porque <A HREF="http://en.wikipedia.org/wiki/David_Axelrod_(political_consultant)" TARGET="_blank">David Axelrod</A>, coordenador da campanha do presidente-eleito, teve uma passagem pelo mesmo <I>Chicago Tribune</I>. Mas Axelrod saiu em 1984 e cortou quaisquer laços afetivos. A circulação nas bancas caiu 20% e a receita de anúncios, para toda a indústria, caiu 15% em 2008. Contudo, alguns descerebrados ainda insistem que os jornais têm futuro... [<A HREF='http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1490' TARGET='_blank'>Comente esta Nota</A>] [<A HREF='http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1490#forward' TARGET='_blank'>Encaminhe esta Nota</A>] [<A HREF='http://www.digestivocultural.com/arquivo/tema.asp?codigo=5' TARGET='_blank'>Mais Imprensa</A>]<BR> &gt;&gt;&gt; <A HREF="http://www.newspaperdeathwatch.com/" TARGET="_blank">Chronicling the Decline of Newspapers and the Rebirth of Journalism</A>]]></description><pubDate>Fri, 19 Dec 2008 00:00:00 -0300</pubDate></item><item><title>Prelúdio, de Júlio Medaglia</title><link>http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1492</link><dc:creator>Julio Daio Borges</dc:creator><category>Televisão</category><description><![CDATA[<center><a href="http://www.digestivocultural.com/arquivo/imagens/394-2a.jpg" TARGET="_blank"><IMG SRC="http://www.digestivocultural.com/arquivo/imagens/394-2b.jpg" border="0"></A></center><BR>Depois da consagração na TV no vácuo do tropicalismo, décadas atrás, o maestro <A HREF="http://www2.uol.com.br/juliomedaglia/" TARGET="_blank">Júlio Medaglia</A> preferiu se resguardar, numa postura <I>low-profile</I> em programas de rádio, fora algumas intervenções cômicas em atrações para jovens e entrevistas bombásticas para a imprensa (<A HREF="http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=556" TARGET="_blank">quando invariavelmente desqualificava a música popular contemporânea</A>). Na Cultura FM, pela manhã, assumia um ar nostálgico, relembrando, por exemplo, os gloriosos tempos da <A HREF="http://pt.wikipedia.org/wiki/R%C3%A1dio_Nacional_Rio_de_Janeiro" TARGET="_blank">Rádio Nacional</A>, lamentando que a indústria tivesse optado pelo popularesco e mantendo uma postura desiludida mesmo diante de talentos como <A HREF="http://www.digestivocultural.com/entrevistas/entrevista.asp?codigo=16" TARGET="_blank">Leandro Carvalho</A>. Portanto, é surpreendente que esse mesmo Júlio Medaglia &#8213; desesperançado, frio, distante &#8213; tenha se convertido, agora, no principal incentivador de jovens musicistas eruditos, na televisão de São Paulo. Medaglia rege e apresenta, na TV Cultura, o <I>Prelúdio</I>, que encerrou sua quarta edição agora e que se autodenomina "o único <I>show</I> de calouros de música clássica da televisão brasileira". A referência, claro, vem desde Ary Barroso até Silvio Santos, que lançaram e igualmente gongaram estreantes na TV e no rádio por anos a fio. O nível da disputa no <I>Prelúdio</I>, porém, é incomparável. Os jovens talentos, que lá se apresentam, parecem alienígenas no planeta de Faustão, Gugu e quejandos. Medaglia, de repente, tem outro desafio: como preservar (e garantir um futuro para) seus pupilos? O <I>Prelúdio</I> revelou, como em tantas outras áreas artísticas, a ponta do <I>iceberg</I>: talentos existem. Contudo, qual é o caminho depois de encontrá-los e de revelá-los para todo o Brasil? [<A HREF='http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1492' TARGET='_blank'>Comente esta Nota</A>] [<A HREF='http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1492#forward' TARGET='_blank'>Encaminhe esta Nota</A>] [<A HREF='http://www.digestivocultural.com/arquivo/tema.asp?codigo=10' TARGET='_blank'>Mais Televisão</A>]<BR> &gt;&gt;&gt; <A HREF="http://www.tvcultura.com.br/preludio/" TARGET="_blank">Prelúdio</A>]]></description><pubDate>Wed, 17 Dec 2008 00:00:00 -0300</pubDate></item><item><title>Homem de Ferro, de Jon Favreau</title><link>http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1491</link><dc:creator>Julio Daio Borges</dc:creator><category>Cinema</category><description><![CDATA[<center><a href="http://www.digestivocultural.com/arquivo/imagens/394-3a.jpg" TARGET="_blank"><IMG SRC="http://www.digestivocultural.com/arquivo/imagens/394-3b.jpg" border="0"></A></center><BR>Acossado pela pirataria dos DVDs, castigado pela greve dos roteiristas este ano e fustigado pelos cachês que já forçaram demissões (como a de Tom Cruise), o cinemão parecia condenado a adaptações de histórias em quadrinhos, desenhos animados e até <I>videogames</I>. Enquanto isso, as séries de TV iam amadurecendo e conquistando audiências mais adultas. <I>Homem de Ferro</I> poderia, à primeira vista, compor esse quadro &#8213; de decadência do cinema de <I>mainstream</I> &#8213;, se não fosse um dos melhores longas de 2008. "Um filme de super-herói inesperadamente bom" ou "Um filme de super-herói que é bom de formas inesperadas", declarou corretamente <A HREF="http://movies.nytimes.com/ref/movies/reviews/author/rev_auth_scott/index.html" TARGET="_blank">A.O. Scott</A>, crítico do <I>New York Times</I>. Se as aventuras em tela grande pareciam condenadas a requentados <I>remakes</I> como <A HREF="http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1463" TARGET="_blank"><I>Indiana Jones IV</I></A>, e se o seu contraponto eram "independentes" com "gente como a gente" (<A HREF="http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1460" TARGET="_blank"><I>Juno</I></A> e assemelhados), em <I>Homem de Ferro</I> não falta adrenalina, não sobram efeitos especiais e há, ainda, um tempero humano, graças a um <A HREF="http://www.imdb.com/name/nm0000375/" TARGET="_blank">Robert Downey Jr.</A> num de seus melhores momentos, a uma <A HREF="http://www.imdb.com/name/nm0000569/" TARGET="_blank">Gwyneth Paltrow</A> menos insípida que a norma e a um <A HREF="http://www.imdb.com/name/nm0000313/" TARGET="_blank">Jeff Bridges</A>, reabilitado, como vilão. Até meados de 2008, <I>Homem de Ferro</I> era o longa mais bem avaliado do ano, segundo o <I>site</I> <A HREF="http://www.rottentomatoes.com/" TARGET="_blank">Rotten Tomatoes</A>. Mesmo que tenhamos praticamente desistido do cinema de arte, mesmo que a profundidade psicológica não seja o forte dos <I>blockbusters</I> e mesmo que as séries de TV continuem dando um banho, temos de reconhecer um grande produto comercial quando ele surge. <I>Homem de Ferro</I> ganha continuação em 2010 e a Marvel, que financiou todo o investimento, se consolida como uma alternativa aos grandes estúdios. [<A HREF='http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1491' TARGET='_blank'>Comente esta Nota</A>] [<A HREF='http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1491#forward' TARGET='_blank'>Encaminhe esta Nota</A>] [<A HREF='http://www.digestivocultural.com/arquivo/tema.asp?codigo=3' TARGET='_blank'>Mais Cinema</A>]<BR> &gt;&gt;&gt; <A HREF="http://www.submarino.com.br/produto/6/21215204/homem+de+ferro/?franq=123600" TARGET="_blank">Homem de Ferro</A>]]></description><pubDate>Mon, 15 Dec 2008 00:00:00 -0300</pubDate></item><item><title>O Banheiro do Papa</title><link>http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1489</link><dc:creator>Julio Daio Borges</dc:creator><category>Cinema</category><description><![CDATA[<center><a href="http://www.digestivocultural.com/arquivo/imagens/393-1a.jpg" TARGET="_blank"><IMG SRC="http://www.digestivocultural.com/arquivo/imagens/393-1b.jpg" border="0"></A></center><BR><I>O Banheiro do Papa</I>, por mais curioso que pareça o título, é sobre empreendedorismo <I>à</I> latino-americana... Quando uma cidade fronteiriça do Uruguai se prepara para receber o Santíssimo &#8212; e seus vizinhos brasileiros &#8212;, armando barracas de comes e bebes ao longo da avenida principal. O protagonista, um iconoclasta ou um insensato (como preferirem), decide instalar um banheiro &#8212;  não para o Santíssimo, como sugere o título, mas para seus fiéis aguardadíssimos. A América Latina, em meio à atual crise, tem servido de inspiração para os países desenvolvidos (dizem...), afinal <I>vive</I> em crise permanentemente desde a colonização. Menos para China (que vê em toda crise uma oportunidade) do que para Argentina (que vê em toda oportunidade uma crise), a América Latina pode até entender de confusão na economia, de eterno subdesenvolvimento e de tragédias sociais, mas será que entende, igualmente, de empreendedorismo, de empresas e de empreendimentos? O filme é impiedoso na sua conclusão. Baseados unicamente no sensacionalismo da TV local, o povo da cidadezinha se lança de cabeça, sem pesquisa, nem planejamento, e se pautando mais pela emoção do que pelo cálculo. Fora os problemas pessoais. Nosso protagonista &#8212; o do banheiro do Santíssimo &#8212; é mau pai, péssimo marido, de honestidade assaz duvidosa e com um fraco para a bebida. A pobreza compromete, igualmente, o caráter, ou um caráter malformado arruína qualquer iniciativa? <I>O Banheiro do Papa</I> tem seus momentos engraçados, na opção pelo gênero tragicômico, mas não salva a América Latina da crise sem fim, nem o Brasil. [<A HREF='http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1489' TARGET='_blank'>Comente esta Nota</A>] [<A HREF='http://www.digestivocultural.com/arquivo/nota.asp?codigo=1489#forward' TARGET='_blank'>Encaminhe esta Nota</A>] [<A HREF='http://www.digestivocultural.com/arquivo/tema.asp?codigo=3' TARGET='_blank'>Mais Cinema</A>]<BR> &gt;&gt;&gt; <A HREF="http://www.obanheirodopapa.com.br/" TARGET="_blank">O Banheiro do Papa</A>]]></description><pubDate>Fri, 12 Dec 2008 00:00:00 -0300</pubDate></item></channel></rss>
