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Quarta-feira, 22/10/2008
Cartas, de Antônio Vieira

Julio Daio Borges




Digestivo nº 386 >>> Pouca gente leu o Imperador da Língua — Fernando Pessoa, por exemplo, leu. Mas, no Brasil, parece que menos gente ainda leu o Padre Vieira. Os Sermões ficaram famosos nas aulas de literatura, afinal, estamos falando do maior escritor do barroco brasileiro, mas suas últimas edições não fizeram o estardalhaço que deveriam e — na onda de Deus, um delírio — alguém pode ficar meio desconfiado de ler, justamente, um sermão... O importante, nessas horas, é lembrar Ariano Suassuna, que afirmou ler Euclides da Cunha não por seus erros em ciência e sociologia, mas pela beleza de estilo. Suassuna acrescentou, ainda, que preferia o nosso Euclides a Gilberto Freyre — que, efetivamente, "acertava" mais, porém, esteticamente, interessava menos. As Cartas, de Vieira, que a editora Globo agora lança, com prefácio de Alcir Pécora, podem servir, portanto, de "segunda chance", para quem se interessou pelo Padre nas aulas de literatura (ou nos versos de Pessoa), tentou os Sermões, mas, por conta do zeitgeist, não mergulhou no estilo do jesuíta. As cartas, propriamente ditas, são quase — o que chamaríamos hoje de — "cartas comerciais", relatórios, prestações de contas, a começar pela primeira: quando Vieira, impressionando seus superiores já aos 16 anos, redigiu, de próprio punho, uma longa carta sobre os feitos da Companhia de Jesus na colônia. Felizmente, para nós, mesmo quando tentava soar objetivo (se essa expressão, aliás, existisse), Vieira se derramava, "se colocava" sempre e compunha painéis vastíssimos. "Imperadores", como ele, nascem só um a cada século. Vale a pena, portanto, abandonar os soldados rasos da literatura contemporânea e cavalgar, altivamente, no estilo do Padre, que balançou, até, o "moderno" Pessoa.
>>> Cartas de Antônio Vieira
 
>>> Julio Daio Borges
Editor
 

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