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Quarta-feira, 10/6/2009
O Livro dos Insultos, de H.L. Mencken

Julio Daio Borges




Digestivo nº 419 >>> "Pode-se dizer com bastante segurança que qualquer artista de alguma dignidade é contra seu país". "Todo homem decente se envergonha do governo sob o qual vive". "O principal conhecimento que se adquire lendo livros é que poucos livros merecem ser lidos". Essas e outras frases estão impregnadas no inconsciente de quem passou os últimas décadas lendo atentamente os melhores jornalistas culturais brasileiros do século XX. Porque todos eles, direta ou indiretamente, foram influenciados por H.L. Mencken. A começar por Paulo Francis, que o tinha como um de seus heróis, junto a Bernard Shaw e Edmund Wilson. Emendando com Ruy Castro que, além de compilar essas frases em suas coletâneas de Mau Humor, organizou a mais célebre edição de Mencken em português - justamente, O Livro dos Insultos, que teve sua primeira tiragem em 1988, com tradução e posfácio de Ruy, mais orelha de... Paulo Francis. O livro sai, agora, com novo projeto gráfico, dentro da coleção Jornalismo Literário da Companhia das Letras. Mencken não é bom filósofo, mas estão lá, igualmente, suas opiniões filosóficas. Não gostava de música popular, mas coincidiu com o nosso Vinicius de Moraes quando afirmou que "a paixão é o mais perigoso de todos os inimigos da suposta civilização" (ambos, na verdade, devem ter bebido em Freud). Admirava, imensamente, Beethoven e imaginava que ele devia ter realizado seu ideal de "artista livre": "o homem que ganha a vida, sem nenhum patrão, fazendo coisas que lhe agradam, e que continuaria fazendo mesmo sem pressões econômicas". Mencken soa hoje mais inteligente e engraçado do que literário e profundo. Mas suas observações, de tão verdadeiras, ficam impregnadas em nós. Quando, por exemplo, diz que o camponês que vem para a cidade precisa se alienar, para não se sentir constantemente esmagado e explorado; ou quando conclui que ninguém está imune às opiniões e aos preconceitos de sua própria mulher; ou, ainda, quando prova que toda autobiografia sincera é uma contradição em termos. Mencken escreveu mais do que deveria, mas merece ser decorado, em muitos de seus trechos, como sugeria seu ídolo Nietzsche.
>>> O Livro dos Insultos
 
>>> Julio Daio Borges
Editor
 

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