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Quarta-feira, 23/12/2009
Clássicos da Penguin pela Companhia das Letras

Julio Daio Borges




Digestivo nº 446 >>> Enquanto se divulga a notícia de que editoras brasileiras correm atrás da digitalização — por força da grande aceitação do Kindle nos Estados Unidos —, a Companhia das Letras se acautela, igualmente, em outra direção: segue apostando nos pocket books. Reforçando sua entrada nesse mercado, em 2010 a editora de Luiz Schwarcz lança os primeiros volumes em associação com a clássica Penguin Books. Se a britânica se consagrou no mundo todo, por popularizar edições de clássicos a preços convidativos, agora a brasileira poderá desfrutar desse catálogo, brindando o leitor do português brasileiro com grandes traduções. Neste final de ano, a Companhia das Letras distribuiu um teaser do que será o projeto em algumas semanas. Trata-se de uma edição limitada com dois ensaios de Italo Calvino, retirados de Por que ler os clássicos — igualmente um clássico que a própria editora lançou em seu selo Companhia de Bolso. Em capa dura, o volume é todo preto, com exceção de uma bela foto ilustrativa, uma faixa branca, com o tradicional "logotipo do pinguim" e as palavras "Penguin" e "Companhia", acima de "Clássicos". O projeto gráfico, que moderniza o original, é do warrakloureiro. A expectativa, agora, é pelo preço. Se Luiz Schwarcz conseguir argumentar, como Steve Jobs, que adquirir um produto bem acabado é muito mais recompensador do que descolar um "genérico", através da internet, esta nova iniciativa deve prosperar. O risco, talvez, é a coleção nova, de clássicos, "canibalizar" a coleção, não tão nova, de livros de bolso. Mas os estrategistas da Companhia das Letras devem estar preparados. O Kindle e a Amazon, por um lado, e o Google (com seu Google Books), por outro, acenam com uma digitalização sem limites, de obras clássicas na história da humanidade. A primeira disponibilizando o acervo da maior livraria do mundo e o segundo, os acervos das principais bibliotecas dos Estados Unidos. Vai chegar o dia em que teremos tudo o que já caiu em domínio público no alcance da mão, a Companhia das Letras e a Penguin, contudo, apostam que esse dia está mais longe de chegar do que parece — ou mesmo, se chegar, que o futuro permitirá a coexistência de edições de papel e eletrônicas.
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Editor
 

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