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Quarta-feira, 20/2/2002
Si hay contra, soy contra

Julio Daio Borges




Digestivo nº 69 >>> O Pasquim voltou. Apesar da mudança de nome, e das ressalvas feitas no editorial, o fato é que ele voltou. Não o mesmo, é claro. E nem teria como. Mas, mesmo que tivesse, a pergunta crucial (não feita) é: “O Pasquim [na melhor acepção do termo] faria sentido hoje em dia, como publicação?”. Para quem apóia essa volta, certamente que faria. Para quem observa de fora [não tendo participado das primeiras dentições e não tendo vivido intensamente a imprensa dos últimos trinta anos], não. E por que “não”? Porque o Brasil mudou, porque o País mudou. Se O Pasquim quiser, como quer, revolucionar novamente o jornalismo tupiniquim, terá de – pelo menos – apelar para outros “alvos” e outras “armas” que não sejam os mesmos das revistas e dos jornais que aí estão. Trocando em miúdos [sendo curto e grosso]: O Pasquim de agora [ao menos nesse primeiro número] não acrescenta absolutamente nada ao que aí está. E tudo por culpa do mesmo Pasquim. E tudo por culpa da sua importância. E tudo por culpa da marca e da influência, que o Pasquim original deixou na imprensa brasileira. Passando do atacado ao varejo: dizer que os Estados Unidos, a Direita e a Globo são os grandes "vilões", não é propriamente uma novidade; nem dizer que o Socialismo, a Esquerda e o Lula são os grandes "salvadores". Esse tipo de polarização não funciona mais, porque não dá mais conta da complexidade do mundo de hoje. Onde estão as nuances? Onde estão os semitons? Onde estão os degradés? Será que a Terra parou? Será que não é hora de tentar outra fórmula?
>>> O Pasquim 21
 
>>> Julio Daio Borges
Editor
 

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