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Quinta-feira, 5/12/2002
La peor política es la negra

Julio Daio Borges




Digestivo nº 111 >>> Na escola, em literatura, estudamos "O Crime do Padre Amaro", de Eça de Queirós. Mas, em geral, não lemos. Tirando um Nélson Rodrigues ou outro, um Cony ou outro, o estilista caiu de moda. Na televisão, aparece algumas vezes. Mas alguém o lê? Ninguém. Agora, ineditamente (até onde sei), chegou ao cinema. Mas não no Brasil, nem em Portugal - e, sim, no México. E não é que lhe caiu bem a história? Fala de um padre (Gael García Bernal) que chega muito jovem a um povoado, cheio de idealismos, e acaba corrompido pela política local. Mais especificamente - que é o que dá ibope - pela fogosa lolita, Amélia (Ana Claudia Talancón), beata de igreja. Alguns diálogos são inverossímeis, como quando, por exemplo, a admiradora do padre lhe confessa (no confessionário) que seu "pecado" é ser muito sensual. Mulher assim realmente existe? Virgem, como no filme? [No puedo creer.] O melodrama à mexicana, tão nosso conhecido através das telenovelas, também está presente, mas não há indícios de que comprometa. Há uma trama até que bem engendrada, atualizando os temas, envolvendo o clero, o narcotráfico e um jovem jornalista audacioso (obviamente, rival do padre). Além do suor (sexo) e das lágrimas (sentimentalismo), para completar, há o sangue. (Trata-se do final, portanto, convém não contar.) Diversão leve, em suma, sem maiores pretensões ou ambições especiais. O destaque vai para Damián Alcázar, que faz o padre Natário (e que na "26ª Mostra" também aparecia em "La habitación azul" [2001]). Alivia e assusta olhar para um México atrasado, refém do coronelismo e da carolice, tão parecido com o Brasil. Eça de Queirós, sem querer, selou o destino da América Latina inteira - e não só deste Imenso Portugal.
>>> O Crime do Padre Amaro
 
>>> Julio Daio Borges
Editor
 

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